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Um Recomeço - Capitulo 3

No dia seguinte acordei Cauã, tomamos um banho, o café na rua mesmo, na minha cabeça não se passava mais nada além do dia anterior, o levei para o colégio, cheguei junto com o Junior na revista.

- Bom Dia Thiago!

- Bom Dia, tem notícias de Kennedy?

- Vi ele no estacionamento, quer que o chame?

- Pode chama-lo.

Ele chegou e entrou na minha sala após bater, eu estava com uma folha na mão e comecei a ler assim que ele entrou;

- Bom Dia, Thiago.

- A palavra marketing ainda é vista por alguns como uma estratégia para vender mais. Porém, eu acredito que o verdadeiro marketing vai muito além dessa simples definição. Ele pode ser o responsável por brilhantes ideias chegarem até seu público, sejam elas resultantes de um produto ou um serviço que poderá ajudar a trazer novas soluções para velhos problemas.

- São minhas palavras!

- Sim, e eu gostei muito desta citação. Exprime a forma mais abrangente o significad

- Obrigado!

- Bem Kennedy, a campanha será literalmente uma guerra, eu tenho ideias e tudo mais só que preciso de você para pegar essas ideias e personalizadas, gostaria de utilizar suas ideias nesta campanha também, claro se você quiser.

- Sim, quero e muito.

- Então vamos lá? Temos muito o que rever

Passei o material que eu havia feito pra ganhar o contrato com a empresa, pra ele estudar e se situar do que enfrentaríamos. Durante mais de 4 dias trabalhamos firme em toda a campanha, eu e ele ficávamos o dia inteiro juntos e sem querer me distanciei de Cauã, até mesmo de Marcelo. Com o dia da apresentação se aproximando eu fiquei super tenso, afinal, era minha carreira que estava em jogo, nós almoçávamos juntos, ele ia para minha casa, dormia lá.

Em um domingo qualquer se preparando a apresentação seria no dia seguinte, eu havia esquecido de colocar a frase de Kennedy no texto de apresentação, e todo o material estava com ele, eu liguei a tarde inteira e nada dele atender, não teve jeito liguei para Marcelo;

- Olá, Boa Tarde!

- Boa Tarde, tudo bem com você sumido? Só tenho notícias suas através do meu irmão.

- Que isso, desculpe, bem Marcelo sabe dele?

- Bem Thiago, houve um problema e Kennedy foi para casa de meus pais no interior de São Paulo.

- Não brinca?

- Pois é, posso te ajudar?

- Eu preciso fazer uma alteração na apresentação de amanhã.

-  São duas caixas de papelão, com cartolina e algo brilhante?

- Acho que sim.

- Estão aqui em casa no escritório.

-  Graças a Deus, será que posso?

- Sim, Claro...

Marcelo me passou seu endereço, ao chegar em seu apartamento, ele me recebeu de calça jeans e camisa branca, e estava descalço, depois de nos cumprimentarmos ele me mostrou onde estava a apresentação, eu montei ela na mesa ao lado da sala ele ficou sentado em uma poltrona mexendo no seu computador;

Eu editei a fala e reli toda a apresentação, passei por tudo para que não houvesse erros, e quando percebi, fiquei mais de 1 hora no apartamento de Marcelo, olhei no relógio já assustado, voltei o olhar para a sala ele não estava.

- Marcelo?

Falei em um tom mais alto!

- Aqui.

Ouvi ele no fim do corredor, eu tinha que falar que iria embora então decidi ir seguindo sua voz, ao chegar em uma porta que se abre e percebo o vapor, ele estava no banho, saiu com a toalha envolvida na altura da cintura cabelo molhado e o tal sorriso cativante e envolvedor, eu ainda não havia falado, mais Marcelo realmente era lindo. Se existir homem perfeito era ele, não via defeitos

- Eu tenho que ir, tenho que me preparar para amanhã.


Nunca na minha vida fui intimidado de tal forma, ele estava na minha frente com um luz baixa seu olhar brilhava, ele respondeu suavemente;

- Kennedy chega amanhã, espero que dê tempo para apresentação de vocês.

- Espero que sim.

- Boa sorte amanhã.

- Obrigado.

Respondi flutuando, como se meu corpo não respondesse, lentamente, meus olhos estavam hipnotizados por aquele rosto, Marcelo se aproximou lentamente, e nossos lábios se encontraram, lentamente e com movimentos que provocavam calafrios, ele apertou minha cintura, eu com uma mão em sua nuca e em seu bíceps, sua língua a esse ponto já percorria toda minha boca, um beijo tão quente que eu me tremi todo, era como combustível para meus pulmões, como se percorresse minhas veias.

Me afastei com uma respiração tão ofegante que até os surdos poderiam ouvi-la.

- Eu tenho que ir.

Falei baixo com meus lábios ainda perto dos seus, ele fez que sim com a cabeça e passou a mão em meu rosto, eu me virei sai, pra me ajudar ainda tropeço no tapete da sala, sai fechei a porta lutando contra meu corpo, que não queria sair daquele apartamento. Entrar no elevador e depois no meu carro foi uma missão impossível, minha mente, meu corpo acho que até meu espírito clamava por ele de novo em meus braços, só pensava em “Marcelo”.

Cheguei em casa ainda com a cabeça quente e fui direto pra debaixo do chuveiro e liguei na água fria, foi como literalmente lavar a alma, e acabar com aquele fogo, depoois deitei e ao colocar a cabeça no travesseiro só repetia para mim mesmo;

- Você vai arrasar amanhã... Você vai arrasar amanhã! Você é o melhor.

Sempre treino minha autoestima. Acordei como um foguete troquei de roupa e fui direto pra revista, sabem aqueles dias que a única coisa que você quer é ir trabalhar, não? Eu sou assim, acho que já perceberam não é mesmo?

Junior chega com a apresentação nos preparamos ela na minha sala até Cesar nos dar o ok para irmos à reunião.

Clima tenso, na sala Eugênia estava preparando seu material, eu fiquei quieto ao canto só aguardando e ela realmente nos surpreendeu, todo seu material apresentado era impecável, mas eu tinha confiança, ao fim houve uma pergunta dos fornecedores que me chamou a atenção;

- Você elaborou essa campanha sozinha?

Perguntou eles!

- Não tive a ajuda de toda minha equipe. Todos participaram.

- Obrigado!

Como já tínhamos uma certa afinidade eu comecei minha apresentação que particularmente ficou 120%, e fiz com total segurança, ao fim fui aplaudido de pé por eles e para minha surpresa a mesma pergunta;

- Thiago você criou essa campanha sozinho?

- Sim.

Respondi convicto,

- Bem já temos nossa escolha, como foi Thiago que foi nosso anfitrião a campanha escolhida será a sua.

Disse ele com um aperto de mão, eu por acaso olhei por trás de César e vejo Kennedy saindo pela porta da sala de reuniões, cumprimentei atodos e assim que saíram, César chegou em mim;

- Meus parabéns, eu sabia que nunca iria me decepcionar com você.

- Isso não é justo! Eu que deveia ser promovida e não ele.

- Eugênia por favor, já conversamos.

Respondeu César.

- Eu me demito! Isso mesmo, você escolhe César, ou eu ou ele.

- Pegue suas coisas e saia então, sem vexame.

Ele respondeu seco, Eugênia saiu com lágrimas nos olhos;

- Enquanto a você muda amanhã para sua nova sala!

- Obrigado Cesar, muito obrigado mesmo.

Sai daquela sala andando sobre nuvens, não acreditava naquilo, em uma tacada só havia eliminado Eugênia e promovido a Editor Chefe! Fui para o andar onde Kened trabalhava para tentar conversar com ele, e encontro Eugênia novamente;

- Que foi? Veio tirar uma com a minha cara?

- Eu não disse nada!

- Essa maré de sorte sua vai acabar e quando acabar eu quero assistir de camarote.

Suas palavras mexeram comigo, mas relevei e Eugênia entrou no elevador com uma caixa com coisas de seu escritório particular.

- Adivinha quem é o novo Editor Chefe?

Falei me aproximando de Kennedy.

- Você? Não me diga?

- Uou! Que tom é esse?

- Graças a mim Thiago! Eu que trabalhei duro naquela campanha, tudo para você levar o crédito sobre meu serviço.

- Usei suas ideias e seus textos, foi pra isso que foi contratado, para...

- Não seja sínico...

Disse ele saindo, e me deixando falando sozinho, o garoto era arrogante;

- Ei Aonde vai?

- Me demito!

Ele entrou no elevador e todos ficaram parados me olhando.

- Perderam alguma coisa? Voltem a seu afazeres! É pra isso que ganham.

Sai e fui pra minha sala, Junior entra me pagando sermão.

- Sabe que o que fez foi errado!

- Você também? Já ouvi o bastante, pode me deixar sozinho? Ou vai se demitir também?

Falei grosaremos com ele que saiu e fechou a porta sem nenhuma palavra. Os dias foram passando eu já ocupava o cargo de editor chefe, meu salário havia quase que dobrado, estava mais tempo com Cauã, mesmo assim faltava algo e eu não sabia o que era, ou não queria saber.

Após algumas semanas eu estava no parque e quase no mesmo local vejo Marcelo, estava fazendo Cooper e falando ao telefone, me aproximei dele;

- E aí!

- Eu já te ligo, até mais!

Disse ele desligando o celular, Marcelo me olhou diferente. Tão diferente que me assustei, achei que iria me bater;

- Sim.

- Tudo bem?

- Comigo sim, já com meu irmão não.

- Olha Marcelo se foi pela campanha eu não queria...

- Não queria o que? Acabar com o sonho da vida do moleque? Sabia que ele estudou a vida inteira marketing? O idiota falava de você como um herói, admirava seu trabalho, mas você esperou a primeira oportunidade e o apunhalou pelas costas. Parabéns foi mais inteligente que nós.

- Marcelo não é isso...

- É o que então? Em, me explica?

- Mas e aquela noite?

- Aquele beijo? Não foi nada eu usei meu corpo para se aproximar de você, para ele receber uma chance, mas você foi mais inteligente que nós, da mesma forma que você usou ele, eu usei você Thiago!

Ele colocou os fones de ouvido e prosseguiu sua caminhada... sei que suas palavras foram para me machucar, e conseguiram. Incrédulo é a palavra que me descrevia naquele momento com as palavras de Marcelo. Não usei o serviço de Kennedy de má fé, ele queria uma oportunidade e foi cedida a ele, eu usei sua ideia para uma apresentação, ele estava ciente desde o começo que a campanha beneficiaria a mim, eu que poderia ou não creditar tudo ela a ele, mas tudo foi para um caminho que eu não pude evitar. Já Marcelo, me beija e depois fala que me usou, esse realmente não entendia, “Família de Pirados”.

De qualquer forma, pelo menos com Kennedy eu tinha que me retratar, bolar alguma coisa para trazer ele de volta a revista, mas não fazia ideia de como faria isso.

- No que está pensando?

Perguntou Junior entrando na sala.

- Preciso me retificar com ele, só não sei como!

- Bem, ele vai procurar outro emprego e com certeza é na mesma área, verifique com seus contatos, quem sabe não descobre.

- Boa ideia! Vai no computador dele e procure qualquer coisa vinculada a outra empresa, talvez você descubra algo.

- Tudo bem, mas alguma coisa?

- O que eu falo se encontrar ele?

- Pede desculpas?

Falou Junior saindo da sala, peguei meu celular e fui ligando para revistas questionando contatos se caso estavam contratando novos editores, e não consegui nada quando estava ligando para o ultimo, Junior entra na sala balançando um papel.

- Eu mereço um aumento por isso.

Falou me entregando o papel. Era um E-mail do Jornal da cidade informando que recebeu o currículo de Kennedy e o aguarda para entrevista, e continha o telefone e endereço.

- Só tem um problema!

- Qual?

- Eu mesmo escrevi uma nota acabando com esse jornal!

- Então terá que se retificar com eles também, boa sorte.

A sorte estava lançada, não sei o que iria falar para Kennedy mas fui até o jornal e pedi para falar com o Editor deles, esperei uns minutos e ele liberou minha entrada;

- Olá, sou Thiago Alves Monteleoni, o mais novo Editor Chefe da Borges Landeiro.

- Eu sei quem é você, a questão é o que veio fazer aqui?

- Bem, um de nossos funcionários virá fazer uma entrevista com você e preciso que não o contrate.

- E porque eu o recusaria?

- Simplesmente porque estou mandando. PEDINDO!

- Não, caso queira que isso aconteça terá que publicar uma retratação sobre o que disse há meses atrás, é isso ou eu aceito o garoto, mesmo sendo um zé ninguém.

- Tudo bem, não tem outro jeito.

Disse eu passando a mão no rosto.

- Será um prazer fazer “negocio” com o senhor, Monteleoni.

No dia da entrevista, eu fiquei na sala do editor do jornal quando o Kennedy entra;

- Sente se...

Falei para ele, estava com a cadeira virada.

- Obrigado por ter me dado essa oportunidade de entrevista senhor...

- Você não será contratado, não ao menos aqui.

- O que disse!

- Seu antigo supervisor Thiago, me enviou um e-mail dizendo que um cara como você não pode ocupar um cargo de jornalista de rua...

- Ele disse isso!

- Sim.

Me virei ele mudou seu olhar.

- Volte para a Borges Landeiro Kennedy!

- Thiago olha...

- Será o novo Diretor de Criação, o que acha?

- Seu antigo cargo?

Disse ele com a mão no rosto;

- Desculpe, eu errei em não reconhecer o que fez por mim naquela reunião.

- Você está certo, eu apresentei as ideias para me gabar também, tudo bem, eu volto.

- Agora vamos sair daqui, pois eu ainda tenho que fazer uma retratação pra essa espelunca.

Com a burocracia, em três semanas Kennedy chegou na revista já no seu novo cargo;

- Ele chegou!

Disse Junior batendo na minha porta;

- Sala nova que isso, em!

Kennedy falou entrando e se sentando;

- Pois é, venha, tenho que te levar em um lugar.

Levei ele a sala de Cesar que nos recebeu tranquilamente;

- Cesar, quero te apresentar Kennedy Liriato, nosso novo Diretor de Criação;

- Thiago me falou de sua participação na campanha, meus parabéns.

- Obrigado senhor.

- Vou deixá-los conversarem tranquilamente.

Sai da sala e os deixei a sós, indo para minha sala meu celular chama era Clara;

- Alô?

- Thiago está no trabalho?

Clara estava com a voz tremula.

- Sim, o que houve?

- É Cauã, ele comeu algo que não fez bem, estamos no hospital.

- Me espera já chego ai.

Sai do trabalho e fui direto pro hospital desesperadamente, assim que cheguei e fui para a pediatria;

- Onde ele está?

- Terminando os exames.

- E como ele está?

- Sentindo dores na altura da barriga.

- O que você deu pra ele clara?

- Eu? Thiago foi o colégio que me ligou!

A enfermeira se aproximou dizendo;

- São os pais de Cauã Monteleoni?

- Sim.

Respondemos juntos.

- Ele foi submetido a uma lavagem estomacal, o Dr.  Liriato informou que até os resultados saírem pode ser uma possível intoxicação alimentar.

- E como ele está?

- No momento sedado, por causa do procedimento.

Ficamos algumas horas ali aguardando, e de repente ele vem trazido de cadeiras de rodas com uma enfermeira o empurrando e Marcelo conversando com ele;

- Agora nada de comer besteiras em rapaz!

Marcelo falou passando a mão em seu cabelo, Cauã respondeu gesticulando com a cabeça.

- Ei, como você está meu filho?

- Com fome pai.

- Com fome meu filho, poxa mais agora vai ter que esperar um pouquinho.

- Ele teve uma pequena infecção alimentar, fizemos uma lavagem e agora ele terá que fazer uma alimentação balanceada durante duas semanas, está aqui a receita dos medicamentos.

- Obrigado!

Falei pra Marcelo. Eu e Clara levamos ele no carro.

- Me espera aqui, vou fazer o pagamento e já venho.

Deixei eles no carro e voltei, estava no balcão passando o cartão e vejo Marcelo entrar em seu consultório.  Peguei o comprovante e fui até a sala, entrei fechei a porta sem ele perceber, ele estava lavando as mãos e falou alto;

- Pode sentar-se, fique à vontade.

- Não precisa.

Respondi e ele se virou, secando as mãos e abriu a porta para eu sair;

- Já agradeceu.

- Eu sei, vim te falar que Kennedy voltou hoje pra revista.

- É, ele me falou.

- Vim me desculpar Marcelo.

- Quer o que eu bata palmas pra você por ter apreendido a lição?

Marcelo iria sair da sala quando eu coloquei a mão na porta e o beijei, pressionado ele contra a porta, enquanto o beijava virei a chave na porta, ele veio me empurrando e encostei na mesa, ele me beijava com vontade e passava a mão em minha coxa e segurando firme no meu cabelo, Marcelo tinha uma pegada forte.

Foi quando ouvimos um bater na porta de seu consultório, ele se afastou rapidamente e colocou a mão na maçaneta olhando pra mim que me arrumara, ele abriu a porta e entrou dois garotinhos, eu sai da sala, com cara que havia feito coisa errada.


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