• @rgpatrickoficial

Um Recomeço - Capitulo 1

27 de maio de 1997, em uma terça-feira qualquer, acordo por volta de 06Hrs, coloquei uma roupa para correr antes do trabalho, é revigorante e faz a diferença no meu dia, voltando passei na barraca do Srº. Wemerson, peguei um cappuccino, é como um pequeno “Food Truck”, porem de Café. Em casa tomei um banho para tirar o suor do corpo e descendo no elevador eu estava um pouco apreensivo pela apresentação que teria hoje no trabalho, era importante e eu tinha que ficar de cabeça fria e tranquila;

- Bom Dia, taxi Srº. Thiago?

Perguntou Raimundo o porteiro do prédio, disse ele pegando o telefone atrás do balcão.

- sim, por favor e Raimundo! E o seu Corinthians?

- Poxa senhor, pra me dar mais alegria que aquele time somente minha família mesmo.

- Ainda vai ser rebaixado, escuta o que estou dizendo, olha, essa alegria está com os dias contados.

- Praga de Flamenguista não pega senhor!

- Vou nessa, o taxi chegou, bom dia pro senhor

- Ótimo dia ao senhor Thiago.

Respondeu ele cordialmente.

- Bom Dia! Por favor Para rua 14 no centro! Prédio da Borges Landeiro.

- Sim Senhor.


No caminho de uns 14 quarteirões eu estudei mais um pouco para a apresentação, estava tenso, mas confiante. Meu celular chamou assim que paguei o taxi:

- Thiago cadê você? Estão todos te aguardando.

- Vou entrar no prédio agora.

Desliguei e me olhei no espelho repetindo comigo mesmo, “Você é o Melhor, Você é o Melhor”. A porta se abriu e o Junior quase pula em cima de mim.

- Thiago estão todos lhe aguardando na sala de reuniões. Temos representantes de 4 estados, e o velho do canto esquerdo não está mastigando chiclete é a dentadura mesmo!

Junior foi dizendo e passando o relatório da sala junto com informações de quem eram as pessoas enquanto caminhávamos até a sala de reuniões.

- Boa sorte pra mim então.

-  Boa Apresentação.

Disse ele abrindo a porta da sala, um calafrio subiu ao entrar, aquele normal, misturado ao frio na barriga.

- Senhores meu Diretor de Criação, Thiago Alves Monteleoni!

Cumprimentei todos e comecei rapidamente;

- Bom Dia, Como disse Cesar sou Diretor de Criação da Borges Landeiro e eu sei que gostariam de estar em uma praia, tomando uma bebida gelada e comendo uns camarões empanados, fiquem tranquilos, serei breve e objetivo hoje com os senhores...

Dei início a apresentação que durou minutos, porem fiquei exausto e descarreguei neles tudo que eu tinha, foi uma enxurrada de informações e logo ao final fui interrompido pelo senhor mais velho na cadeira ao fundo.

- Obrigado, é tudo que precisávamos ouvir, me manda o contrato que assinarei na próxima semana.

Disse se levantando e saindo com mais algumas pessoas da sala, eu tipo olhei para Cesar, não sabia se ficava alegre ou se me sentava, fiquei extasiado com a situação.

- Parabéns, deixa eu levar eles até a saída e depois converso com você!

Peguei minhas coisas e fui pra minha sala flutuando.

- Então como foi?

Perguntou Junior entrando na sala e fechado a porta;

- Não deu pra perceber na minha cara? Conseguimos assinar com eles, agora vamos representar a empresa deles em 2 páginas da revista, em todo o pais.

- Parabéns, será que vai rolar um aumento? Ta bom não precisa me olhar assim, então Thiago vamos almoçar no bistrô ai na esquina?

- Vamos sim...

Fui interrompido pelo telefone na minha sala.

- Alô! Fala meu campeão?

- Papai, vai comigo no futebol no sábado?

- É claro, eu te prometi não foi? Fala para sua mãe que sexta vou pegar você na escola, não esquece!

- Ta bom.

- Vou nessa.

Ao desligar o telefone o Junior foi saindo e Cesar entrando;

- Que foi aquilo? Eu sabia que esse era o cargo que você precisava... Lhe disse que se daria bem na criação Thiago. Cauã no telefone?

- Sim, tem futebol no sábado!

- Eu vim somente te parabenizar, e dizer que vamos ter uma comemoração na casa da Maria da redação na sexta, te vejo lá?

- Na sexta vou estar com o Cauã! Desculpe.

- Pensa bem vai estar toda a redação lá e quero te ver no domingo no golfe, vamos jogar contra a direção.

- Pode deixar. Esse eu não perco.

Assim que ele saiu passei um bom tempo respondendo uns e-mails e Junior entra novamente na sala.

- O mala do Kennedy pediu para entregar esse edital dele.

- Joga no lixo.

- Desculpe Thiago, mas fiz isso com os últimos 3.

- É onde devem estar Junior!

- Sim, senhor.

Esse tal cara sempre me mandava uns editais de texto para que eu avaliasse e quem sabe promove-lo, eu sempre descartava pois tinha muita coisa para fazer e estava muito ocupado. Por estar poucos meses no cargo, que até agora me caia muito bem, eu não tinha tempo para meu filho, não me provaria mais ainda por um funcionário.

Almocei com o pessoal do escritório e a semana percorreu tranquilamente, somente uns escândalos para a internet más nada fora do normal.

Na sexta-feira sai do escritório pouco atrasado e fui como um louco pegar Cauã no colégio. Ao descer do taxi ele estava sentado sozinho na escada do colégio, me aproximei fingindo vergonha, com as mãos atrás do corpo e chutando uma pedrinha no chão;

- Desculpe Cauã sabe que não foi proposital.

Disse pegando em sua mão, ele estava bravo por esperar ali, e pior, ser o último.

- Toda vez pai?

- Se eu falar que não acontecerá novamente estou mentindo.

Ele meio que emburrou um pouco, entramos no taxi, no caminho ele mesmo quebrou o silencio;

- Vamos ver seu amigo hoje?

- Amigo, que amigo?

- O amigo do seu trabalho.

- Ah, o Junior! Você quer ver ele?

- Quero!

- Ligo pra ele mais tarde.

Cauã era apegado a Junior pois as vezes que vamos a sua casa eu deixo ele comer besteira e jogar vídeo game, o Junior é o “avô” que Cauã não teve.

Depois que tomamos um banho ele ficou no meu pé, tive que ligar e Junior como sempre muito prestativo nos convidou para ir à casa dele;

- Meu pai me deixou na escola de novo!

Disse Cauã assim que Junior abriu a porta.

- Mal sabe você que sou eu que seguro seu pai no trabalho! Mas diz ai e as meninas da sua escola?

- Eu peguei na mão da minha amiga, mas a mãe dela não gostou muito.

- Porque?

- Ela contou que eu beijei a bochecha dela.

- Cauã.

Falei com uma voz grossa, meio que rindo, ele entrou na brincadeira e disse;

- Mas ela que me beijou primeiro!

- Junior a Clara me mata se ouvir ele falando assim e depois eu mato você.

- Relaxa Thiago, ele é só um garoto.

Cauã estava jogando enquanto nós conversávamos ao lado dele no sofá e até jogamos um pouco com ele, comemos uns “FastFoods”, como de costume na casa do Junior  só besteiras mesmo. O Cauã pegou no sono no sofá enquanto assistíamos um filme, ficamos até tarde, eu terminei de ver o filme para poder ir;

- Bem vou nessa levar esse garotão. Já abusamos da sua boa vontade.

- Beleza, vai no domingo no Golfe?

- Sim, Cesar insistiu, e obrigado, Cauã gosta muito de você.

- Eu sei, também gosto muito dele.

- Até mais. Fique com Deus.

- Vão com ele.

Peguei o elevador com ele nos braços, e coloquei no banco de trás do carro, na cadeira e passei o cinto, e partimos para casa, eu estava com bastante sono para dirigir confesso, ao parar em um semáforo a rua estava deserta olhando para a luz vermelha eu piscava de sono, cheguei a fechar os olhos por um momento, abri com a buzina do carro de trás com o sinal aberto, eu coloquei a primeira e andei por uns 10 metros e  do nada vem um carro em alta velocidade, eu só vejo o farol vindo em nossa direção, não deu pra fazer nada, frear, descer, a única coisa que pensei foi em meu filho, isso esfriou minha alma. O farol do carro foi como algo que me cegou e tudo escureceu em questão de milésimos de segundos.

Com muito incomodo e dificuldade abro meus olhos lentamente, olhei para o lado e vi uns computadores de hospital, olhei minhas mãos com todos aqueles fios, me apoiei para levantar e não consegui, senti uma dor forte na altura da cintura, abaixei o cobertor branco e subi a vestimenta que utilizava, havia um curativo de uns 15 cm, olhei para a porta e veio uma enfermeira ao ouvir o apitar do computador;

- Calma senhor, não pode levantar.

- Cadê meu filho? Cadê o Cauã?

- Calma senhor.

O Médico entrou no quarto deixou a prancheta próximo ao meu pé e me forçou a deitar eu estava desesperadamente preocupado com meu filho.

- Cadê meu filho doutor, Cadê o Cauã?

- Espere, tem que se acalmar, seu filho está bem, ele está em outro quarto com a mãe dele.

- Eu quero ver ele!

- Você não pode se levantar senhor.

- Doutor pelo amor de Deus, me deixa ver meu filho!

- Se não se acalmar vou ter que ceda-lo.

Me encostei mas queria de toda forma ver o Cauã, não acreditava nas palavras dele;

- Você!

Disse eu apontando para a enfermeira.

- Por favor chame a Clara pra mim, ela está no quarto com ele.

- Tudo bem, eu chamo, mas não se levante.

- Espera! Diz a Cauã que eu amo ele.

- Falo sim senhor.

Eu fiquei olhando para o teto, era horrível a sensação de não poder me mexer, o médico fazendo umas anotações e aferindo minha pressão, quando Clara aparece na porta do quarto, ela estava chorando;

- E Cauã como está?

- Ele sofreu uma hemorragia interna, mas agora está tudo controlado, ele está dormindo.

- Graças a Deus.

- Depois conversamos Thiago, melhoras pra você!

- Obrigado.

- Vou sair, tem um amigo do seu serviço ai fora.

- Clara, diz a ele que eu peço perdão.

- Eu falo.

Ela não queria brigar na frente do médico, Clara saiu junto ao médico e Junior entrou, quando olhei em seu rosto havia percebido que ele estava chorando.

- Que bom que está bem, fiquei muito preocupado quando liguei para saber se estava em casa e quem atendeu foram os bombeiros.

- Estou bem graças a Deus, acho que o golfe amanhã furou não é mesmo?

Junior abaixou a cabeça olhou para a porta meio que sem saber como dizer;

- Thiago hoje é Quinta-Feira, você ficou 6 dias em coma.

Sem alguma reação eu virei o rosto para o lado e mais lagrimas desceram do meu rosto, Junior me contou que Cauã estava bem, o pessoal do escritório me mandou mensagens e flores para apoio.

Durante aquela noite, tive insônia, sem conseguir dormir, uma péssima madrugada eu estava tendo, estava com medo de dormir, em pouco tempo que fechei o olho entra o médico, acho que plantonista, pegou o prontuário e estava preparando uma seringa para aplicar uma medicação no soro;

- Se for pra dormir, dobra a dose por favor!

Falei pra ele ao meu lado.

- Não, é um analgésico para dor.

- Entendo... Você estava aqui neste horário na sexta?

Perguntei para saber de Cauã;

- Quer saber se foi eu quem o operou? Sim e seu filho, garoto forte ele!

- Obrigado, obrigado mesmo.

Falei pegando em sua mão, o cara me olhou estranho, mas de uma forma boa;

- Só fiz meu serviço, não foi nada.

Ele pegou o estetoscópio e colocou em meu pulso e depois no meu coração.

- Você é médico, ou estagiário?

Com um sorriso bem simpático, ele respondeu;

- Está perguntando isso pela minha aparência? Sou Médico se quiser ver o diploma, rsrsrs.

- Sim, você é muito novo, e não precisa do diploma posso ver o resultado em mim e em meu filho.

- Tenho 24 anos, as aparências enganam.

- Sou Thiago Monteleoni.

- Prazer Thiago, me chamo Marcelo Liriato!

- Doutor Marcelo ou Doutor Liriato?

- Me chamam de Doutor, mas pode me chamar de Marcelo.

Como eu não estava com o mínimo de sono, e ele estava “tranqüilo” no plantão, conversamos até o amanhecer. Marcelo era um cara muito legal e gente boa, nós falamos de tudo, sobre a minha e a vida dele. Sabe aquele tipo de pessoa que você não se cansa de falar, falar e falar, pois então, este era o estilo de Marcelo.

Em 3 dias recebi alta, mas acabei ficando mais 2 dias com meu filho no hospital, ele saiu logo e retomamos a vida, eu mantive contato com o Marcelo, trocávamos e-mail e telefonemas.

Certa tarde em algumas semanas depois de tudo eu estava no parque com o Cauã, e cheguei na banca para comprar um jornal, o balão de Cauã solta de sua mão ele corre para pegar mais é auxiliado por Marcelo, eu me aproximei assustado, por encontrá-lo e já com um sorriso no rosto eu disse;

- Obrigado!

- Pai, esse é o nosso médico.

- E ai rapaz, vejo que está ótimo! Olá Thiago tudo bem com você?

Falou Marcelo nos cumprimentando, ele se sentou no gramado, ao lado de um rapaz, idêntico a ele, com certeza seu irmão (assim espero eu)

- Sim, ótimo e você de folga?

- Pois é, estou com meu irmão dando uma volta.

- Thiago Monteleoni?

Disse o cara se levantando e apartando minha mão, como se fossemos íntimos, eu tive que questionar;

- Me conhece?

- Sou Kennedy Liriato! Trabalho na revista como editor, te mandei alguns textos!

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