• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 8

Me dizem vocês? Como disfarçar em uma situação dessas, fiquei na minha, como se estivesse lendo alguma coisa.

Ele se sentou teclando no whatsapp, com a tal Elizangela que era sua esposa. O Robson volta passa me olhando com cara lerda, eu só com um olhar reprimo ele, mas gente, que folga né.

Robson disfarça entrando na sala do Renato. Foi segundos e os dois saíram, ele se aproxima de Vander;

- Vou comandar a transferência do Barão. Gustavo. – Ele fala me dando um leve tapa nas costas.

- Capitão.

- Já falei me chame de Renato.... Tenho algo para você, a inteligência pegou ligações sobre uma festa essa noite, o codinome, Número 1 foi citado. Vá agora analisar o lugar, o endereço está debaixo do meu teclado, quero você aqui quando eu voltar, e com informações mais quentes.

- Excelente Renato, vou agora mesmo. – Falo deixando os papeis.

- Equipe Bravo, e Alfa se preparem vamos sair. – Renato diz passando no corredor de mesas.

Quase todo mundo se levanta pegando suas coisas e saindo.

- E a minha equipe Capitão? – Vander pergunta.

- Vai com o Gustavo, você está desfalcado mesmo.

- Sim, senhor.

- Desfalcado? – Pergunto ao Vander.

- Sim, tenho dois oficiais de férias, vamos então, será eu você e o 01. – Ele diz desligando o computador.

Esse tal 01 era somente apelido do trabalho mesmo, eles ficavam tirando uma com a cara dele.

Pois é pessoal, pela primeira vez, eu estava fazendo missões em um carro oficial da COE. Então, vamos lá.

O endereço que o Renato havia anotado, era em uma boate, casa de shows aqui de São Paulo, a questão é que ela era muito movimentada, o Vander parou o carro e ficamos nele por um tempo;

- E ai? Vamos ficar aqui dentro? – Pergunta o 01.

- Tem uma ideia melhor? – Vander pergunta.

- Eu vou lá. – Falo abrindo a porta.

- Não. – Ele diz segurando meu braço. – Está fardado, se eles descobrirem vão sumir de novo.

- Não posso deixar passar Vander, e ai de mim chegar na corporação sem novidade para o Renato.

Ele abre um sorriso;

- Está querendo impressionar o chefe né?

- Claro pô.

- Vou contigo. – Ele fala tirando o colete.

Tirei minha farda e colete, coloquei a arma na cintura, e o distintivo escondido.

- Não faça nenhuma merda. – Falo para o Vander.

- Há novato, se liga.

Tinha um caminhão baú descarregando, algumas bebidas, e um cara com uma prancheta fazendo o controle;

- E aí mano.... Ei o promotor da casa está aí? – Vander diz pegando na mão dele.

- Está lá dentro, no bar... seguindo aqui a porta a direita.

- Valeu cara.

Entramos e o Vander diz;

- Dá uma volta, vou falar com ele.

- Beleza. – Falo já virando para trás do palco.

Eu andei, andei e nada, subi até nos camarotes, tinha um camarim também, depois resolvi descer até o Vander, para irmos embora.

Ele estava no balcão, e conversando com o tal promotor, eu olhei de longe e já achei estranho, mas não tanto quando me aproximo;

- É ele? – O tal promotor pergunta quando me aproximo.

- Sim, lindo né? – Diz o Vander.

- Gente que homão, oi, prazer. – Ele diz estendendo a mão.

O cara era gay, todo afeminado, eu olhei para o Vander que estava muito sem graça;

- Amor eu estava falando com ele, que é um ótimo lugar para a nossa festa de casamento né? – Vander diz passando a mão em minhas costas.

Gente que vontade de pegar meu celular e gravar aquilo, ele estava disfarçado, e eu tive que entrar na brincadeira;

- Sim, meu bem eu estava olhando... Mas e o valor em?

- Baratinho.... Eu tenho uns contatos faço um preço especial.

- Olha tem festa de aniversário aqui hoje? Gostei da decoração dos camarotes. – Falo apontando.

- Festa de funkeiro amor, olha isso. – Ele diz apontando para dentro do bar. – Dobramos a quantidade de bebidas.

- Escuta você não tem os contatos para liberar uma noite para conhecermos aqui não? – Pergunto.

- Claro que tenho... Me fala os nomes, de vocês. – Ele diz pegando uma agenda.

- Gustavo.

O Vander me olha e diz;

- Renato.

Gente eu abri um sorriso na hora, fiquei com medo de rir;

- Gustavo e Renato. Renato e Gustavo, nossa adorei vocês... Olha só não consigo essa noite, estamos fechados, é balada particular sabe, cliente exigente.

- Tudo bem.

Galera quando saímos daquela boate, a gente ria tanto, mas tanto, o Vander chegou a chorar.

- E ai, o que descobriram? – 01 pergunta quando entramos.

- Bem só um monte de bebida falsificada. – Eu falo pegando minha farda.

- Ele vai estar aqui essa noite. – Vander diz.

“- Reforço na Rua 7, comunidade do Canal. Viatura sob fogo cerrado...” – O Radio chama.

- Caralho o cara não consegue entregar uma intimação sem criar confusão. – Vander diz pegando o rádio. - 0746 COE a caminho.

- Pro Romis estar pedindo ajuda essa porra é séria, tá? – 01 diz.

- Atividade, tá? Controle de cano e vamos nessa porra. Bora. Bora. Bora. – Vander diz. – Segura aí, hein?

Acabou a graça, acabou a brincadeira, essa era a pior parte de ser policial. Eu não perguntei o porquê eles estavam se deslocando, mas estamos aqui para ajudar certo, então vamos lá.

Eu coloco o colete conferindo minha arma, e o Vander cantando pneus, com as sirenes ligadas, eu arrumo meu cabelo e já estava ficando tenso, com falta de ar, mãos tremulas e soadas. Aquela sirene alta, as curvas fechadas e aquela velocidade.

- É estranho, essa comunidade não estava apontada com UPP? – Vander fala olhando ao redor.

Com o veículo pouco mais devagar escutamos no rádio;

- “Cadê vocês, meu irmão? O povo aqui é sem educação. O couro tá comendo.”

- Isso é tiro, essa porra é tiro. – 01 diz atrás. – É o Romis, velho, é o Romis. – Ele fala olhando para fora.

Pessoal estávamos em uma avenida, e do lado um córrego, do outro lado a viatura fugindo de um carro que estava atirando;

- Caralho, segura, caralho.

- Vira essa porra, vai, vai.

Mano o carro deu um cavalo de pau no meio da pista, que eu quase sai para fora.

- Encosta. – Gritava o 01. – Cuidado.

Mano o Vander estava em alta velocidade na contra mão da avenida, de sirene no talo, os caras levando tiro do outro lado.

Quando coloco a arma apontada eles acertam o nosso carro, foi quase que não levo na cara.

Me protege, e estudando o 01 com uma metralhadora atirando. Era tiro que não parava mais, eu tentei me proteger, mas era com o dedo no gatilho a todo momento, descarregando minha pistola. E os vidros da lateral quebrando, Vander pilotando muito rápido.

- SEGURA. – Ele gritou.

Vander virou à direita, ficando entre carro da polícia e o carro dos bandidos.

Nesse momento eu ouvi só o barulho longe, as imagens ficaram lentas para mim, quando me viro para trás eles estavam em dois carros, colados em nós, acho que foi a minha pior missão.

Só me dei conta de onde estava quando o vidro atrás explodiu com os tiros.

- PUTA QUE PARIU. – Grita o 01.

Mano que loucura era aquela, até moto os caras tinham, e mesmo trocando o pente da arma, não tinha efeito, eles não desistiam. Era uma guerra.

Os motoqueiros aproximaram demais do carro, e sem avisar o Vander pisa no freio, galera isso me jogou contra o painel com uma força, a única coisa que eu vi foi a moto batendo em cheio atrás do carro junto com os caras na lataria.

Finalmente eles param os carros em um ponto que não era mais do domínio deles.

- Liberou, liberou. – 01 diz.

- “Valeu rapaziada, valeu pela ajuda. Demoraram, mas chegaram. ” – Eles falam no rádio.

- Isso está tipo Bagdá. – Vander diz, passando a mão no rosto. – Todo mundo bem ai?

- Tranquilo. – 01 responde.

- Positivo. – Falo abrindo o colete.

- Renato vai me matar, fodi mais uma viatura. – Ele fala.

Galera, eu estava com um nível de adrenalina nesse momento, que palavras aqui não descreve. Com a temperatura do meu corpo alta, eu tiro o colete, deixo a arma do lado e passo a mão no rosto, minha camiseta embaixo estava pingando suor.

Quando chegamos na corporação, nós entramos para o estacionamento das viaturas, e para a má sorte de Vander o comboio em que o Renato estava, tinha acabado de encostar.

Ele desce do carro falando;

- Essa eu assumo. – Ele diz saindo.

Só depois que ele disse que eu entendi. Claro né, todo mundo olhou para a gente, e o que sobrou do carro, com tiros na lateral e traseira, todos os vidros quebrados, e com um amassado atrás.

O capitão se aproximou de olhos arregalados;

- Que porra é essa? – Renato aproxima tirando a boina.

Quando eles viram que o Renato estava bravo, todo mundo foi saindo devagar e desconfiados, olhando de rabo de olho;

- Culpa minha capitão.

- Que foi? Estavam treinando tiro ao alvo.... Isso é um batida? – Ele fala olhando ao redor do carro.

- Romis da PM estava em perigo na Comunidade do Canal, nós estávamos mais perto, então resolvi ajudar.

- Feridos? Mortes?

- Não, senhor.

- Tenente Vander, como me explica essa peneira em que vocês chegaram?

- Eles estavam muito bem armados senhor.

Renato passa a mão no rosto, e estava bufando de raiva, ele olha para mim, e para o 01, então comenta;

- Os dois estavam com você?

- Sim, me ajudaram a dar cobertura.

- Para minha sala Vander, agora!

- Sim, senhor.

Os dois saem na frente e eu espero o 01, seguindo com ele;

- Mano o Tenente está fodido. – Ele comenta.

- Porque?

- Capitão só chama para a sala, quando é treta.

E sim, ele estava certo. Eu me troquei e subi para o andar de investigação, o Vander saiu da sala acabado, literalmente, eu me aproximo da mesa, pegando papeis e pastas e escuto;

- Gustavo, na minha sala. – Renato fala atrás de mim.

Chegou a gelar a espinha, serio mesmo. Entro e me sento, caladinho, e todo vidrado;

- Como está? – Ele pergunta se sentando.

- Bem.

- Vander cometeu o pior erro de um oficial, e pior erro por ser da minha equipe. Ele não leu sua ficha.

- Não estou entendendo senhor.

- Sei que não tem experiência em campo. – Renato fala jogando uma pasta na sua mesa. – Você tem excelentes números, desde testes, balistica, tudo mas zero experiência em campo.

- Me desculpe Capitão, mas isso nós só apreendemos na pratica.

Ele fica calado me olhando, e diz;

- Você está certo. Vai para casa, precisa descansar.

- Estou bem Renato.

- É uma ordem Gustavo, vai para casa, descanse, você de nada serve se estiver exausto.

- Sim, senhor. – Falo me levantando.

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