• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 72

O CASAMENTO


Quase de mãos amarradas para não roer as unhas, com Douglas e Brenda de guarda, um na porta e outro na janela, me vigiando, até a hora certa;

- Isso de casamento é uma ilusão... Ficar confinado até a hora é um castigo sabiam.

- Ai quero minha decoração desse jeito, ficou perfeito demais né Gustavo? – Brenda fala olhando pela janela.

- Ele não pode ajudar, agora vai ver só quando poder descer. – Fala Douglas de pé na porta.

- Alguém sabe me dizer se o Renato chegou? Porque até meu celular está com você né Douglas?

- Não está com a Flavia.

A porta se abre, e todo mundo se levanta, como se estivéssemos fazendo algo de errado.

Era o meu pai. Ele para segurando a porta, fica me olhando e respira fundo;

- Você está muito lindo filho.

- Obrigado.

- Está na hora. – Ele entra.

Começo a me tremer, todo, e fico com muito calor, quando ele fala isso;

- Agua, preciso de agua Douglas.

Ele abre o frigobar e me entrega uma garrafinha. Eu abro e segurando a tampinha azul na mão, sentindo o frio daquela garrafa gelada percebo o quanto estava tremendo.

- Acho que quero cagar... Gente estou com dor de barriga. – Me sento novamente.

- Filho, você vai se casar. – Meu pai segura as minhas mãos.

- Gusta, seu futuro marido lhe espera.

Nada me fazia parar de tremer, nada! Sai do quarto e segui pelo corredor segurando meu pai pelo braço, no fim da escadaria minha mãe com um lenço.

Eu desci e ela secou as lagrimas, a coitada não conseguia falar.

E então sinos, vários sinos tocando, eu nem parando de pé direito estava.

Uma moça estava em nossa frente com uma escuta no ouvido, com a mão estendida para nós.

Escuto umas cornetas, com um barulho de suspense, e em notas bem longas.

A marcha nupcial começa, a moça sai da nossa frente e eu começo a dar os passos a direita, a nossa frente o tapete longo e branco.

No final o Renato não estava, aquele som, da mini orquestra invadia de tal forma meus ouvidos que nada, nada eu escutava além, era como se eu estivesse de fones de ouvido.

Os convidados sentados em cadeiras de madeira aos lados, um altar no final de frente a piscina do local, em um jardim com um início de tarde, ao lado esquerdo do altar uma cascata de agua do local mesmo, bem lenta. Flores por todos os lados e o piso do local da cerimônia era um deque todo de madeira.

Eu cheguei ao altar, meus pais ficaram comigo, e eu me viro, gente, quando olho para trás os olhos enchem de lagrimas.

As cornetas novamente, como um anuncio reiniciam a marcha nupcial.

Dessa vez com farda de Honra, Renato, com o João seu pai e Maria das Dores sua mãe.

De boina, uniforme com honrarias, e vestimenta de gala do Comando Maior, que é totalmente preto e bem minimalista.

Minha mãe emprestou um lenço de papel, pois eu estava me derretendo todo em lagrimas.

Ele se aproximou, beijou minha testa, eu fiz o mesmo, e cumprimentamos os nossos pais, que ficaram ao lado meu e de Renato.

- Isso aqui é seu. – Renato fala colocando a mão no bolso.

Ele tira o distintivo e coloca em meu terno, eu nem consegui falar, estava com um nó na garganta.

O nosso casamento se iniciou, eu estava segurando a mão de Renato que também estava soada assim como a minha.

O matrimonialista estava ao meio da cerimonia, e meu pai pede o microfone.

Fechei os olhos e só pedi, “Por favor Deus, por favor”.

- Boa tarde a todos, bem peço esse tempo antes do finalzinho dessa cerimonia. O que tenho para falar seria bastante, mas não posso falar, porque o meu tempo aqui é muito limitado. Eu poderia estar aqui hoje, para relacionar diversas qualidades dos noivos, do meu filho Gustavo e de Renato. Quando eu era novo, aguardando na sala de espera para saber do sexo do meu primeiro filho. Eu conversava com um senhor que me deixava um pouquinho mais calmo e ele me perguntou; “Moço, porque você está tão nervoso? ”, eu disse; “Estou ansioso para saber o sexo do meu primeiro filho”. Então com toda experiência do mundo, ele disse; “Vem cá, que eu vou te deixar um pouquinho mais calmo, vou te falar um negócio. Você sempre vai ganhar um casal, você não vai ganhar um filho só, você vai ganhar um casal, um filho e uma filha, e assim se você tiver um filho o mundo vai te dar uma filha, daqui mais alguns anos, e se você tiver uma filha, o mundo vai te dar um filho, daqui mais alguns anos, talvez pode levar 15, 20, 30 anos. Mas um dia esse filho vem, porem um detalhe muito importante, o primeiro é filho de sangue, é seu, criado e educado por você e sua companheira. Agora o segundo, ah o segundo, além de tudo terá um agravante, terá a função de ama-lo, independentemente de cor, raça, religião, credo ou costumes e aceita-lo do jeito que ele é. Cuidado com os defeitos dele. ” Eu disse; “defeitos? ”. Ele me disse; “É ele vai vir com alguns defeitos, com certeza, porque todos nós viemos com defeitos, e te prepara que a natureza as vezes te apronta cada uma. ” E é aqui hoje, que lembrando as palavras do velhinho que eu quero agradecer a Maria das Dores, por ser uma mãe tão protetora e ao João, por ser um amigo de um coração tão otimista. Obrigado por criarem esse nosso filho Renato. Hoje é uma data muito importante, é oficialmente o nascimento do meu terceiro filho, o Renato...

Eu estava chorando já desde o início, e ele tratar o Renato assim, deixou meu coração em pedaços, confesso.

Ele parou por aí, estava chorando, mas pediu para terminar a cerimonia, por saber o que vinha a seguir.

Ele então conferiu onde havia parado e prosseguiu com a cerimonia;

- Bem quero abrilhantar ainda mais essa tarde, pedindo as alianças do casal. – Meu pai fala.

Renato limpa as lagrimas, nós também, agora em música com o DJ, ouvimos somente o toque no piano de “See you again”.

O Rui aparece na grande entrada onde passamos, eu me assustei, pois, o Renato apoiou forte em mim, ele meio que respirou fundo, e abaixou a cabeça;

- Me dá licença amor.

Ele fala correndo em direção do filho. Renato abraça tão forte o garoto que sai em passos para trás, ele segura o rosto de Rui beijando ele todo, cheira, aperta. Que cena.

Abraça seu filho, e segue de volta para o altar. Eu abraço ele que também estava chorando e Rui fica do lado depois de entregar as alianças.

O Renato sentiu muito, vocês não têm ideia. Tiveram que buscar agua para ele, que estava muito nervoso.

Meu pai terminou a cerimonia, comigo, Renato segurando em minha mão e segurando a de seu filho.

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