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©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia

  • Richardson Garcia

SENTENCIADOS - Episodio 7

#Renato



Cheguei no fórum pouco antes do horário, e fui de viatura, com farda mesmo, não estava disposto a colocar um terno para dar meu dinheiro a Katia.

Eu entrei e a Flavia, minha amiga e advogada já estava me aguardando;

- Que bom que chegou.... Temos que conversar.

- Bom dia, bom dia a todos... vamos sim.

- Aqui por favor. – Ela fala me guiando para um local, mas afastado em um corredor. – Poderia ter vindo de terno né Renato?

- Não começa Flavia.

- Não queremos intimidar ninguém né Renato.

- Quero, a Katia.

- Por falar nela, será tipo um acordo, iremos sentar na presença de um mediador e tentar chegar em um consenso plausível para ambas as partes.

- Mediador?

- Sim, Renato.

- Era só o que me faltava.

Sentei com a Flavia, ela me explicou algumas coisas, por ela ser amiga, e saber de tudo que aconteceu, me ajudava muito, e ao mesmo tempo, me deixava bem encrencado.

Vamos ao fim da minha vida agora.... Entrei na sala, sentando de um lado de uma mesa retangular.

Um cara na ponta da mesa, e Katia e seu advogado a frente. Esse tal mediador começou falando, a Flavia falou, e então o advogado da Katia;

- Bem a minha cliente, quer em seu nome, a casa de Ibirapuera, o apartamento em nome de Rui Andrade Beltrão, os Veículos, o HB20s, a Caminhonete S10, a conta em nome de Rui, ficará sob juízo, ele somente terá acesso na maior idade. A conta conjunta do casal, também. – Ele termina de ler me olhando.

- Luiz você se esqueceu, quero uma pensão alimentícia para o Rui, e uma pensão mensal por danos morais Renato. Pode colocar aí. – Ela fala cutucando ele.

- Você não quer a roupa que estou vestindo também não? – Pergunto.

- Por favor Renato. – Flavia diz segurando meu braço.

- As partes estão de acordo? – Pergunta o tal mediador.

Eu olhei para ele colocando as mãos na mesa;

- Que acordo, meu querido? Se não sobrou nada, que tipo de acordo é esse?

- Renato por favor.

- Flavia, agora eu vou falar. Eu vou colocar meus pontos! – Falo olhando para Katia. – A casa, pode ficar! O apartamento está no nome do Rui, e vai ficar no nome do Rui. Os carros, você fica com o seu e eu com o meu, agora a conta bancaria esquece. Pensão para você? Desculpe Katia não sou idiota.

- Renato por favor, me ajuda a te ajudar. – Flavia coloca a mão me puxando.

- Vejo que o senhor está um pouco incomodado comandante. – Fala o mediador.

Cheguei a fechar os olhos, com esse comentário;

- É capitão.

- Oi?

- Esquece.

- Precisamos entrar em um acordo aqui. – Diz o advogado da Katia.

- Não irei abrir mão de nada do que eu falei. – Ela diz cruzando os braços.

- Katia, só o patrimônio que vai ficar chega a mais de 500 mil, é tudo que nós construímos nesses dezesseis anos, e você ainda quer pensão, olha para a minha cara, está escrito palhaço por acaso?

- Olha como fala comigo Renato.

- Aceitar o que pediu Katia é como estar na frente de um Juiz. Talvez eu possa esperar, até a decisão será o que? Um ano, um ano e meio?

- Por favor, vamos fazer uma pausa. – Flavia diz ao Mediador.

- Tudo bem.

Nos levantamos e ela me arrasta para fora, em direção ao bebedor Flavia fala pegando um copo;

- Não se exalte Renato, o advogado dela é astuto, está só te observando, o que ele quer é levar isso ao tribunal.

- Flavia você está me defendendo ou defendendo a Katia?

- Amigo, estou aqui por você.

- Flavia, estou cansado disso, estou cansado dela, e de para onde esse processo de separação está me levando, eu só quero terminar isso.

- Renato o Juiz vai colocar essa pensão para ela o dobro do que ela está pedindo, carros, e casas tudo, ela tem provas e testemunhas entra em um acordo, por favor.

- Não irei bancar a vida dela, isso não, que vá para o juiz, que vá para o Supremo Tribunal, eu sei lá..., mas isso eu não faço.

- Podemos voltar? – Diz o Mediador na porta.

Quando saímos a Katia tinha ido no banheiro, então Flavia entra na minha frente e ela me para no corredor antes de entrarmos na sala;

- Já decidiu? – Ela pergunta.

- Sim, é não.

Katia passa a mão nos cabelos e diz, cruzando os braços;

- Olha eu não queria, mas Renato já pensou se isso escapa?

- Como assim?

- Sei lá, um processo de separação do Capitão das Operações Especiais do Exército Brasileiro por traição, com outro homem. Um capitão gay, nesse governo ainda.

- Você está me ameaçando?

- Não, de forma alguma, só te alertando.

- Podemos? – Diz a Flavia.

Retornamos para a sala, e ao me sentar o advogado da Katia diz;

- Minha cliente irá abrir mão da pensão por danos morais.

- E a conta? – Eu pergunto.

- Não. – Ela responde seco.

A Flavia me olha dizendo que sim com a cabeça, eu respiro fundo e digo olhando com raiva para a Katia;

- Eu estou pagando pelo que eu fiz, mesmo desconfiado de não ser verdade, mas eu cumpro com a minha palavra. Agora me escuta você, se eu descobrir que armou para cima de mim, eu acabo com você. – Falo apontando o dedo para Katia.

- Está ameaçando ela? – O advogado interrompe.

- Não estou falando com você. Flavia pode dar entrada na papelada. E você está avisada.

Katia fica estática me olhando, eu me levanto e o advogado dela volta a abrir a boca;

- Tenho testemunhas que está ameaçando ela, posso abrir agora um processo de...

- De que? Fica na sua irmão, acha que não sei que está dormindo com ela? Ah?

- Renato, já chega. – Flavia me oprime.

- Estarei na corporação. – Falo saindo da sala.



#Gustavo


Após o almoço, eu fui até a sede do COE, para conferir um dos documentos que eu havia recebido.

Depois de me credenciar na portaria, para facilitar futuras visitas, na recepção, eu dou de cara com Vander;

- Tenente. – Digo estendendo a mão.

- Oficial, recebeu os meus arquivos? – Ele pergunta chamando o elevador.

- Sim, escuta acha mesmo que temos PMs envolvidos?

- Sim, vou te mostrar algumas escutas de telefones, temos alguns suspeitos.

- O que fazem? Recebem propina para proteger o morro? Trabalham com contrabando? (...).

- Estou desconfiado de venda de armas Gustavo, preciso que investigue isso para mim.

- Tudo bem.

O elevador se abre e demos de cara com o Robson;

- Oi. – Digo saindo.

- E aí... Tenente.

- Fala Robson... – Vander diz pegando em sua mão.

- Gustavo posso falar com você rapidinho? – Ele diz.

- Claro, já vou Vander.

Ele continua andando e eu querendo matar o Robson;

- Mano aqui não.... Não na corporação. – Falo repreendendo ele.

- É que ficou com meu distintivo. – Ele diz sem graça.

- Não fiquei não.

Falo tirando de dentro da camisa, e sim, eu estava;

- Meu Deus, desculpa. – Falo devolvendo.

- Tudo bem, eu te desculpo, com um jantar.

Eu pego meu distintivo e saio de perto dele, só com um sorriso lerdo, ele todo sem graça.

O elevador se abre e Robson tromba com o Renato, a cena foi hilária, Robson todo feliz, e Renato de cara fechada, mas claro que ninguém riu.

Renato foi para sua sala, eu cheguei na mesa do Vander e ele diz me entregando um relatório;

- Já volto. – Ele fala indo para a sala do Renato.

Eu me sentei na cadeira dele, mas juro, não queria ouvir nada, porém, de porta aberta, escutei a conversa dos dois;

- E aí Renato, como foi?

- Pior impossível Vander. Aquela vaca ficou com tudo que eu tenho, e ainda me ameaçou, e eu não pude fazer nada.

- Ei, calma Renato.

Quando ele diz isso, escuto barulho de copos, como se Vander pegasse agua ou algo do tipo;

- As casas, carro, contas bancarias, tudo, só faltou a minha roupa.

- Renato, mas e a Flavia não estava lá?

- Sim, mas ela ainda não está fazendo milagres né.

- Me desculpe.

- Escuta, eu estou alterado, foi mal.

- Vai para casa Renato, fica de boa.

- Nossa me esqueci, tenho que arrumar um lugar para morar, nem isso eu tenho mais.

- Aqui fala com a Elizangela, ela é corretora, pode te ajudar.

- Valeu mano, valeu mesmo.

- Se precisar pode ficar lá em casa, ela não se importa.

- Não, agradeço mesmo o que está fazendo, mas já é demais...

- Me chame se precisar.

- Ok, feche a porta por favor.

- Sim, senhor.

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