• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 69

Gustavo de pé, com as mãos na mesa, encarando o cara que estava algemado e de braços cruzados, totalmente folgado;

- Olha eu não estou com pressa, vai me dizer o que fez com o corpo daquele fogueteiro ou não?

- Eu também estou de boa, seu policial, não fiz nada.

- Temos testemunhas da cena, é questão de tempo para encontrarmos.

- Então ótimo, já que o senhor mesmo disse estar sem pressa, não me importo de esperar.

- Você deve me achar com cara de palhaço né. – Gustavo dá meia volta a mesa.

- De forma alguma senhor.

Gustavo ele acerta um murro no cara, que cai no chão sangrando. Robson sai correndo, e entra junto outro policial na sala.

Eu fico só olhando com a mão no rosto. Eles retiram ele da sala, e forma uma pequena desordem no local.

Eu saio de dentro da sala, ele estava encostado no balcão passando a mão no cabelo;

- Que está acontecendo aqui... – Grita o advogado chegando no corredor. – Vou processar você, essa divisão, não tem o direito de colocar a mão no meu cliente (...).

Vitor entrou no meio, separando, ele que fez um barraco no lugar, Gustavo ameaçou o cara, nossa foi maior desordem.

Eu me aproximei peguei ele pela cintura saindo, já direto para dentro do elevador.

Gustavo ficou falando, e falando, e falando. Peguei as chaves do carro e seguimos no estacionamento.

Entramos, eu coloquei o cinto para pilotar e ele ainda falando;

- Não suporto esses caras, são uns bostas, não fazem nada direito, e depois fica mandando a gente resolver, está me ouvindo Renato, eu juro que...

- Cala a boca!

Ele arregala os olhos me olhando;

- Porque está gritando comigo?

- Porque você está gritando desde lá de cima.

Ele morde os lábios e cruza os braços;

- Já está errado pelo que fez la dentro, sabe o que pode acontecer.

- E você, não deveria estar aqui.

- Vim aqui, para conversar com meu marido, queria ver ele, mas parece que trocamos de lugar estou certo?

Depois que sai com o carro de dentro das dependências da corporação, ele fala;

- Me desculpe!

- Relaxa.

- Ei vai onde? – Gustavo questiona quando mudo o rumo.

- Vamos na casa dos meus pais, vou conversar com eles.

- E vai me levar?

Eu solto uma risada;

- Isso é culpa sua, vai encarar eles comigo.

- Renato não, é algo que você tem que fazer sozinho, um momento seu e da sua família.

- Deixa de inventar desculpas, você vai e vai sorrir.

- Meu Deus, estou péssimo para visitar seus pais.

- Vai ficar bem.

Eu havia avisado que iria almoçar com eles, então tinha uma bela mesa esperando por nós.

Minha mãe toda feliz, eu conversando com meu pai sobre futebol e sobre o Rui. Minha mãe cheia de perguntas ao Gustavo, por causa do trabalho, como era sem eu, essas coisas.

Quando terminamos, ajudei a retirar a mesa, e o Gustavo estava trazendo as louças, eu lavando, e minha mãe, arrumando panelas;

- Você disse que iria vir almoçar, mas também queria conversar filho.

- Sim, mãe, é algo sério.

- Ai Renato, você disse que os exames do hospital não foram nada. Já basta eu estar fora quando você precisou de mim no hospital.

- A senhora merecia aquelas férias, papai estava te devendo! E não é nada com minha saúde.

Eu seco as mãos me virando, para ela, e meu pai bebendo café na mesa. O Gustavo de olhão arregalado carregando os pratos;

- Eu conheci uma pessoa, e estou gostando de alguém novamente. – Falo olhando para ela.

- Ai filho, que bom ouvir isso, eu falei com seu pai, que você estava bem mais feliz, muito mais do que seu primeiro casamento.

- É tem mais.... Resolvemos nos casar.

- Mas já? – Ela pergunta. – Não disse que acabaram de se conhecer?

- O que está falando, nos casamos com dois meses de namoro. – Meu pai tira risos de nós.

- Casamos porque meu pai era muito rígido.... Mas fala Renato, quem é?

- Mãe, pai, estou falando do Gustavo.

Ela olha para ele que estava ao meu lado, e meu pai solta uma risada;

- Que foi? – Pergunto.

- Eu te disse... estava muito estranho esses dois! – Ele fala apontando o dedo para ela.

- Disse o que? – Questiono ele.

Meu pai vira o resto do café, empurra a xicara na mesa e fala;

- Essa semana né Maria? Falei essa semana para a sua mãe, ela disse que você estava feliz, e tudo mais! Comentei, que vocês tinham algo, porque ninguém faz pelo próximo o que esse garoto fez por você meu filho. – Meu pai aponta para Gustavo.

Minha mãe, calada e de cabeça baixa, respirando fundo. Ela tira os óculos, limpa os olhos, eu me aproximo dela;

- Que foi em, dona Maria das Dores?

- Nada, só estou emocionada! – Ela me aperta.

- Vai entrar de mãos dadas comigo no casamento?

- É claro meu filho, eu faço tudo por você, se estiver feliz, eu estou.

Eu abaixo próximo ao seu ouvido e digo baixo;

- Mãe, eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida, encontrei alguém que me completa, assim como a senhora completa o papai.

A coitada só chorou mais ainda;

- Eu sabia, e aprovo vocês dois.... Vem garoto. – Meu pai abraça o Gustavo. – Sei que essa vida não é fácil, ainda mais para vocês. Sempre que precisar, estaremos aqui, agora você faz parte da família.

- Obrigado Seu João, muito bom ouvir isso, e saber que é de coração.

- Já que é da família, terá que torcer para o flamengo em Gustavo. – Falo tirando sorrisos de todos.

Saímos da casa dos meus pais tão cheios, parecendo dois porcos.

Quando entro no carro o Gustavo coloca o cinto comentando;

- É vamos casar.

- Vamos casar. – Beijo sua boca.

- Já que falamos com seus pais acho valido falar com os meus. – Ele aperta minha perna.

- Não acho uma boa ideia.

- Aham sei, eu tenho que encarar os seus, e você não pode ir comigo.... Vai logo, não é longe daqui. – Gustavo me direciona.

E sim, eu fui na casa da Dona Rosa e do Neto. Para completar, quando chegamos o pai de Gustavo estava orando para uma irmã da igreja.

Vocês sabem como é, gritos altos, e palavreados diferentes, eu confesso ficar pouco desconfortável. Por fim, ele chamou a gente, que fizemos uma roda para finalizar a oração juntos.

As moças saíram, a mãe de Gustavo veio com um café para a gente;

- Acabei de fazer está quentinho. – Ela serve.

- Não mãe, obrigado, acabamos de almoçar, e estamos muito cheios.

- Eu quero. – Eu digo me servindo.

Ele só me olha de rabo de olho, o velho olhar do Gustavo;

- Então que traz vocês dois aqui nessa casa abençoada.

Pergunta o Neto, pai de Gustavo, eu assoprando meu café e calado no meu canto;

- Pai, mãe, vim aqui porque quero dizer algo muito importante para vocês... – Os dois sentados um ao lado do outro, encarando o Gustavo que me solta. – Eu e o Renato vamos nos casar.

O pai dele fica imóvel, a mãe fala da boca para fora;

- “Casar na igreja? ”

- Não podem casar na igreja. – Neto cutuca a mulher.

- Porque não pai?

Eu bebo meu café, porque já percebia a treta começando;

- Porque, Deus não aceita casamento de pessoas do mesmo sexo.

- Meu filho, aceitamos você, gostamos do Renato, mas casar?

Ela se abaixa, com as mãos nos joelhos do filho;

- Estou vendo mãe, o quanto ele me aceita.

- Gustavo é pecado você se casar na igreja. – Neto insiste.

- Pecado é colocar o filho na rua por causa da igreja. Que fiel vai dar dizimo para um pai de um gay né? – Gustavo se levanta.

- Para meu filho. – A mãe já toda assustada.

E perdida assim como eu;

- Se fosse o Douglas aqui, o senhor iria fazer a cerimonia;

- Claro ele tem uma mulher Gustavo! – Grita o Neto.

- Eu vou me vestir de branco pai, quer que use salto? Vem e grinalda? Me fala.

- CALEM A BOCA! – Grito muito puto. – Pelo amor de Deus, o filho de vocês está tentando ser feliz, deixa o garoto pelo menos uma vez na vida em paz, caralho! E você respeito! É seu pai e sua mãe, está na casa deles. Foram criados e educados evangélicos, não é gritando que vai mudar, ou fazer eles te aceitar cara.

Todo mundo fica calado, três crianças, de braços cruzados e bicos no rosto! Gente como parecem assim, tem razão de ser pai, mãe e filho, faltou o Douglas aqui;

- Estamos aqui fazendo um convite forma, Dona Rosa, e para o senhor também “seu’ Neto. Eu não quero que o senhor conduza a cerimonia. Quero que vai como representante da família do meu noivo, quero que esteja lá para compartilhar da nossa alegria. Seu que não aceitam, e ainda tem preconceito, mas reconheço estarem tentando. Escutem, eu amo muito ele, a ideia do casamento foi minha, então por favor, os três, não estraguem isso, por favor.

0 visualização
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia