• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 65

Douglas me liga logo que sai, eu estava caminhando para casa quando o atendo;

- Oi!

- Está trabalhando?

- Acabei de sair.

- Tem como passar aqui no escritório?

- Tem, vou pegar um UBER.

- Certo.

Depois que desliguei, e chamei o carro no aplicativo, me lembrei de Renato.

Foi ele, aquele viado, mandou meu irmão me ligar, e não deixar ir em casa. Pois ele estava todo protetor ultimamente.

Cheguei no escritório rindo já, a Flávia que me recebe;

- Que felicidade é essa? - Oferecendo uma água ela questiona.

- Renato está com um espírito materno comigo.

- Aí Gustavo como ele está?

- Bem.... E Douglas?

- Na sala de reuniões, com uns clientes.

- Ele já está atendendo?

- Me ajudando.

O escritório de Flávia, funcionava em uma casa, bem grande por sinal aqui de São Paulo.

Entrei em sua sala com ela ainda questionando;

- Se eu tivesse um filho daquele juro, não sei o que fazer...

Ela foi falando, e eu entendi. Renato contou de Rui para ela, afinal, são melhores amigos.

Fui levando a Flávia na conversa, e ela me contou tudo.. Absolutamente tudo que o Rui fez com seu pai, não sei vocês, mas eu fiquei boquiaberto.

Ficamos conversando muito, eu junto a ela.

Pois Flávia é assim como eu, viaja na maionese. Ela falando de a gente ter um filho, do meu sangue. De como seria morar junto, viajar juntos. Cara eu estava amando aquele papo de futuro com a amiga do cara que eu estava pegando.

Meu irmão, veio me cumprimentou e pediu para aguardar, pois estava ocupado.

Isso já havia se passado horas provavelmente. Na sala de Flavia tinha uma mesa grande de reuniões ao lado da sua principal, e um sofá ao lado da porta.

Nós estávamos conversando, tranquilamente, eu até olho pela janela, já estar escurecendo. Quando o Douglas quase derruba a porta;

- GUSTAVO.

- Que isso menino? – Falo assustado.

- Cadê seu celular? Porque não atende.

Eu abaixo pegando a mochila e a Flavia diz;

- Porque essa pressa toda?

- É o Renato.

Eu meio que sinto um calafrio quando ele diz. Meu celular vibrando, era o Vitor, como peguei no fim da ligação, a tela de início volta.

Com dezenove ligações perdidas, já me desestabilizo total. Ele liga novamente;

- Oi.

- Porra Gustavo! Cadê você?

- Estou com meu irmão. Que aconteceu?

- Ufa está bem mesmo?

- Sim, Vitor está me assustando.

- O capitão.

- Que aconteceu? – Falo de pé.

- Pegaram o Renato Gustavo.

- Quem pegou, como ele está?

- Estão levando ele para o Santa Isabel.

- Que aconteceu com ele Vitor, fala logo.

- Eu não sei, estamos indo para lá.

- Beleza, to saindo.

Falo indo para a porta;

- Gustavo sua carteira, e mochila. Que aconteceu? – Douglas pergunta.

- Eu não, sei é o Renato. – Pego minhas coisas de sua mão.

Flavia ligou a TV enquanto eu falava;

“- Uma troca de tiros incessante entre policiais no Alto da Mooca fez mais uma vítima. ”

A imagem só mostrava um carro da COE com marcas de tiros das portas e vidros, o carro identificado como o de Renato.

- Eu te levo, Douglas, fecha para mim? – Flavia assim, como eu tremula.

Gente fui sair do lugar, entrei dentro de outra sala, nossa, que dificuldade. Eu estava em outro mundo.

O meu irmão iria liberar seus clientes e sairia em seguida, no caminho que não era perto, fui tentando me atualizar e nada, é uma coisa, ninguém atende, ninguém responde mensagens, nada.

A entrada do hospital estava lotada de carros de polícia, a Flavia parou na emergência, eu fui entrando, logo que ela parou.

Fui entrando e várias caras familiares, os meninos da corporação e tudo mais;

- Vitor me fala, o que houve! – Encontro ele mais à frente.

- Só sabemos que pegaram ele e o Major, os dois foram hospitalizados, não tenho muitas informações.

- Quem pegou Vitor, como assim? Na televisão fala que alguém morreu.

- O Vander morreu Gustavo.

Não sabia que ouvir isso me afetaria tanto, fiquei meio, sem entender sabem. O Renato estava certo desde o início.

Nos corredores estavam as equipes, aguardando notícias e tudo mais. Na sala de espera, estava eu, Flavia, Douglas e Brenda e Vitor.

Eu estava de pé, não conseguia me sentar de forma alguma. Então o médico aparece, ele estava com aquela roupa meio verde que usam frequentemente em cirurgias.

- Boa noite!

- Doutor, como estão? – Aproximo dele.

- Nós fizemos o possível, tudo que estava ao nosso alcance, mas infelizmente nós perdemos o Major Artur Resende. E o Capitão Andrade está em cirurgia, houve um ferimento no abdômen, e estamos cuidando disso, o projetil alojado próximo a coluna desse ferimento, iremos fazer exames para ver como podemos prosseguir.

- Mas como ele está? – Flavia pergunta.

Ele passa o olhar em todos, e responde, ela ao meu lado;

- Não está bem, é uma cirurgia muito complexa. Mas fiquem confiantes. Eu tenho que voltar para a sala de cirurgia, vou atualizando vocês.

Eu me sentei em uma das poltronas, e meio que vi lentamente, minha vida, meus momentos com ele passar em frente aos meus olhos.

Olho para o lado e Vitor, estava com lagrimas nos olhos. Douglas se senta do meu lado, ele se ajeita e eu fico com a cabeça em seu peito.

Ficamos por volta de três horas ali, sentados, aguardando e sem notícias.

A porta se abre e entra a Katia, junto ao Rui, os dois calados, entram e se sentam em um canto.

Familiares do Major também chegaram e foi muita tristeza, acompanhar eles receberem as notícias.

Depois de mais quarenta e sete minutos, o médico retorna;

- A cirurgia foi tudo bem. Estamos levando ele para o quarto, quando puder liberamos a visita.

Gente, eu suspirei muito aliviado depois disso;

- Ei, vamos na capela, vamos agradecer. – Douglas diz me levantando.

Eu acompanho ele, e nos ajoelhamos, orando, e agradecendo pela cirurgia de Renato.

Quando estávamos voltando no corredor meus pais aparecem, nossa fui abraçar minha mãe e as lagrimas voltaram.

Eu estava lá abraçado com ela, meu pai veio e abraçou a gente e vejo no fim do corredor o Vitor atualizando todo mundo.

A cada notícia, ele como Tenente, e Capitão interino, tinha que ir passando os boletins aos oficiais.

Voltamos para a sala de espera e uma enfermeira chega lá;

- Familiares de Renato Andrade, ele está pronto. – Ela com as mãos cruzadas.

Eu me levantei e a Flavia diz;

- Rui, entra com o Gustavo.

Eu nem olhei para o garoto, acompanhei ela, e ele veio a passos atrás.

Ela abre a porta do quarto, e entramos. Renato estava ligado a aparelhos, cardíacos e respiratórios.

Ela disse que ele ainda estava sob efeito da anestesia.

Me sentei ao seu lado esquerdo, segurando sua mão, e beijando-a.

Rui fez um carinho em seu rosto, segurando sua mão, e beija a testa do pai.

Fiquei segurando a sua mão ali por todo o tempo que eu estava ali, mas Renato não a apertava respondendo. O mesmo com Rui, que estava sentado mais afastado, quieto, calado.

Eu estava com uma das mãos em seu cabelo, fazendo aquele cafuné que Renato sempre gostou e a outra segurando sua mão, meu rosto baixo, bem próximo a ele.

Eu estava tão preocupado, e sei lá, era tantos sentimentos, que as vezes eu chorava, assim do nada, para mim era estranho a sensação de estar com ele, e não o sentir.

- Me... Desculpe! – Rui fala algo que não entendo.

- Não entendi.

- Estou pedindo desculpas. – Ele fala mais alto.

- Pelo?

- Pelo que falei aquele dia, eu estava com raiva, e ciúmes.

- Tudo bem!

- E Obrigado, se não fosse você eu não estaria estudando.

- Falei para o seu pai que estava fazendo aquilo por você. Mas retiro o que disse, você não merece ele, e agora sim, eu sei que fiz isso pelo Renato.

- Às vezes eu acho que ele gosta mais de você do próprio filho.

- Então você não conhece seu próprio pai! Ele mesmo me disse que o único sonho que ele tinha, era de ver você formado! Aquela noite, no banho, ele estava chorando pelo que você falou. Não deve desculpas a mim, e sim perdão ao seu pai.

O médico entrou na sala, dizendo levar ele para alguns exames e nós saímos.

Contei aos meninos como ele estava, afinal de contas, ainda anestesiado, não tinha muito que dizer, mas uma calmaria em meu coração, de ter visto, tocado em Renato.

Entramos noite a dentro, claro que diminuiu a quantidade de pessoas, tanto na sala, quanto no hospital.

Na madrugada o médico de plantão volta a nós;

- Boa Noite! Bem os exames estão prontos. O Renato terá que passar por mais um procedimento cirúrgico, para a remoção do projetil.

- E quando irão fazer a cirurgia? – Pergunto.

- É uma cirurgia complicada e perigosa, podem deixar sequelas.

- Que tipo de sequelas doutor? – Flavia questiona.

- Estamos falando de uma cirurgia próximo a coluna, além dos seus riscos, pode influenciar em algum movimento, ou até mesmo sequelas no cérebro.

Não quis nem pensar na possibilidade, fiquei quase que em choque com essas palavras;

- Sei que é difícil, mas preciso da assinatura dos familiares para autorização do procedimento.

Ele fala e Katia se levanta;

- Pode me acompanhar. – Diz o médico.

- Vem filho. – Ela fala levando o Rui para dentro.

Eles saíram. Eu encaro a Flávia, e depois de uns minutos eles retornam;

- E então? - Flávia pergunta.

- Vão operar ele pela manhã. - Kátia responde conduzindo o Rui pelos ombros.

Não consegui ficar com eles ali dentro, sai com Douglas me seguindo.

Desci para a lanchonete e ele me acompanhou, ficando calado. Pega um café e se senta, Flávia vem logo em seguida;

- Aquela vaca! Não.... Como pode! - Ela se senta na minha frente.

- Nem me fale, mas ela não é mais a mulher de Renato.

- Não oficialmente! Mas ela levou e quem assinou foi o Rui.

- Vai tudo ficar bem Gustavo, ele vai sair dessa. – Douglas pega em minha mão.

- Queria acreditar nisso.

Voltamos para aquela sala infeliz, onde o tempo não passa. Dessa vez eu, Rui, Katia, Douglas e Flavia.

Vitor teve que voltar pois alguém tinha que assumir a corporação por enquanto.

A cirurgia foi marcada para ás seis da manhã, e passar todas essas horas, acordado, sem poder fazer nada, sem poder ajudar, era angustiante.

Eu ficava olhando as fotos que ele enviava na conversa do Whatsapp, nosso papo, nossas brigas idiotas. E ele sempre, sempre querendo estar perto, comigo e me protegendo, e quando Renato mais precisa de mim, eu fico sentado, sem mover um dedo.

Ás seis da manhã, deixaram eu e Rui entrar, ver ele pela última vez antes de entrar naquela sala.

Foram as quatro horas mais angustiantes da minha vida, as mais difíceis! Pois a única coisa que eu queria era brigar com ele, olhar para ele e ser aquele sorriso de novo.

Eu estava deitado ao lado do meu irmão, quase dormindo no seu colo. Todos estávamos muito cansados e exausto de tudo isso.

“Com o sol já alto, todos nós assustamos quando o doutor apareceu na porta, ele estava com as mãos e roupas sujas de sangue.

Sua feição de assustado, e olha para mim, que já tremia todo por dentro e por fora;

- Que aconteceu? – Falo assustado.

- Ele não suportou os ferimentos e infelizmente o perdemos.

Foi como se tivesse um buraco em meu peito, a dor foi tão grande que fiquei sem ar.

Abraçava o Douglas com tanta força, tanta força, e ele ficava repetindo e repetindo próximo ao meu ouvido;

- Chora Gusta, pode chorar.

Sinceramente? Queria morrer, pois a dor que senti foi da morte!

Tento me sentar para tentar recompor para poder ir ver ele, e eu estava abraçando o Renato, era ele do meu lado, com o barulho alto daquela porta de dobradiças enferrujadas.”

Eu estava dormindo, acordei no susto, olho para o Douglas, até respirando mais fundo.

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