• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 64

Que Deus me perdoe pela a raiva que senti do Rui nesse momento.

Meu coração quase sumiu de tão apertado. Não fiz nada, pedi o que ele mais gostava de comer, Pizza, é claro. E fiquei na minha, eu dei o espaço que o Renato precisava.

Ele saiu do banho, eu entrei, agindo normalmente, a pizza chegou comigo lá dentro ainda. Quando sai Renato estava procurando algum filme para assistirmos.

Nós jantamos normal e deitamos, eu me ajeitei na cama e ele já vem todo chato;

- Chega para lá, está no meu lugar.

- Para de ser chato, deita aqui logo, hoje eu vou fazer cafuné em você.

Ele abre um sorriso lerdo e desliga a luz deitando. Renato deita no “meu lado da cama”. E coloco ele com a cabeça no meu peito, fazendo um carinho em seu cabelo macio, até ele pegar no sono, com ele me abraçando pegou no sono.

No dia seguinte, eu fui com ele na universidade, ele acertou tudo com o reitor sobre o curso do filho e voltamos para casa.

Tudo isso, sem o Renato abrir a boca pelo que conversou com Rui, naquela noite.

Com a nossa volta na rotina, mesmo curioso relevei o assunto.

Na próxima semana na corporação, recebemos a visita do Major Resende.

Ele veio para acompanhar as coisas, e resolver alguns assuntos na divisão.

No segundo dia da sua visita, fui chamado na sala de Renato, onde ele estava sentado na cadeira e o Capitão a frente;

- Sente-se Gustavo. – Renato aponta para a cadeira ao seu lado.

- A vontade oficial. – Major me fala ao bater continência.

Me sento e ele mesmo começa a falar;

- Não tenho surpresa em ver você com nosso distintivo. Afinal a decisão veio acima de mim, e do seu próprio capitão. Quero lhe informar que seu período de testes acabou, e você é oficialmente um policial do comando maior, podendo agora disputar provas para tenentes e cargos acima.

- Obrigado Major, obrigado mesmo.

Renato me corta, e começa a falar, para o Major, com a mão em minha perna;

- Major Resende, eu acho que esperamos tempo demais, e sabe como eu sou em relação a verdade com meus superiores.

Renato exclamava e o Major olhando sua mão em minha perna, eu já tremendo por dentro, pensando, acabei de ganhar minha patente e já vou perder;

- Quero informar na presença do senhor, que eu e o Oficial Gustavo estamos em um relacionamento homoafetivo.

De boca aberta eu fiquei com essas palavras. E para ajudar Renato leva a sua mão na minha, que estava geladíssima.

- Bem. – Major se ajeita na cadeira, ele solta a caneta, e afasta ao máximo no encosto. – Eu particularmente não tenho nada contra. Digo sobre a relação de vocês. Mas capitão, isso é contra o regulamento, ambos de patentes diferentes, é contra do regimento, está ciente disso?

- Estou, sim, senhor.

- Está ciente que pode perder sua patente de Capitão do Comando de Operações Especiais?

- Estou, senhor.

- Capitão Renato, como você mesmo me contou isso, e sabe o que tenho o que fazer. Irei levar isso ao Coronel, e ele decidirá.

- Ok, senhor.

- Isso é muito injusto. – Eu me direciono ao Major.

O Renato aperta minha mão, porque sabe que não meço palavras;

- Renato isso aqui é sua vida, não pode abrir mão assim.

- A gente conversa depois, tudo bem Gustavo? – Ele continua a apertar minha mão.

- Não, não está nada bem. Major ouviu ele, e vai me ouvir também.

Quando digo ele cruza os dedos na mesa, me encarando com aquele bico;

- Jogar a carreira de alguém como o Renato no lixo por causa de um namoro é uma grande injustiça da corporação, na verdade uma falta de vergonha, de ética profissional.

- Gustavo pelo amor de Deus, a gente conversa depois. – Ele me interrompe de novo.

- Insultar a corporação pode te exonerar Oficial.

- Ah pensei que era por eu ser gay.

- Não tem a ver com a sexualidade do seu capitão. Tem a ver com o cargo, ele tem que ser exemplo para os 220 oficiais desta corporação. E quebrar regras vai contra o comportamento de alguém de uma patente tão alta.

- Não vou ficar discutindo com alguém como o senhor, era só isso que queria comigo né. Muito obrigado por nada ok.

Sai daquela sala soltando fogo, queria pegar o Renato e fazer de chicote para bater no Major.

Desci para o estacionamento, onde tinha um estilo de gramado, de treinamento, eu fui tomar um pouco de ar puro. Fiquei andando em círculos ali.

- Me fala, quem em sã consciência levanta a voz com o Major do Comando Maior? – Renato fala se aproximando com um papel dobrado.

- Ai mas que velho mais asqueroso, queria avançar nele. – Eu bufando de raiva, andando de um lado para o outro.

- Recebeu uma advertência, três dias em casa, pelo que disse lá.

- Não vou dizer onde enfiar esse papel Renato.

- É Capitão Gustavo!

Eu olho para ele, que estava feliz, acreditem, Renato estava estampando um sorriso no roso;

- Está rindo porquê?

- Porque não preciso esconder mais de ninguém o que sinto por você. – Renato se aproxima colocando o papel no bolso.

- Você pode perder tudo, tem ideia disso?

- Eu não preciso de mais nada Gustavo, já tenho você. – Renato me abraça, com as duas mãos em minha cintura.

- Isso não sustenta casa.

- Vai continuar comigo quando eu não for mais Capitão?

- Viado. Eu to falando sério, não quero ser a razão que tenha interrompido seu sonho.

- Tarde demais, eu já falei, Te Amo Gustavo. Nem eu, nem você pode mudar mais isso. Meu sonho está no Rio de Janeiro.... Meu verdadeiro sonho antes de conhecer você era que meu filho terminasse sua faculdade.

- Me desculpe Renato.

- Não tem pelo que se desculpar. – Renato passa a mão em meu rosto.

Passa meu cabelo para trás da orelha, e volta com os dedos em minha boca, passa pelos meus lábios e me beija, um selinho, de leve, molhado e apaixonado.

Ele se afasta e atrás de nós, duas viaturas com oito policiais no total descendo dos carros. Vitor a frente com seu fuzil e aquele sorriso no rosto;

- Temos que tomar mais cuidado. – Renato fala sem graça.

Eu e Renato nos aproximamos, dos meninos e Vitor é o primeiro a dizer algo;

- Até que enfim. - Fala fechando a porta da viatura.

Carlos puxa umas Palmas, eu confesso ficar vermelho na hora, e Renato aproxima levando uns tapas nas costas, ele já se impondo;

- Pode ir parando... chega! Vamos trabalhar.

Renato diz sem graça;

- Obrigado, obrigado. Autógrafos após o expediente. - Aceno como princesa.

Tirando risos deles. Que foram levar a viatura e uns entraram no elevador;

- Que história é essa de até que enfim? - Renato pergunta a Vitor.

- Eu já sabia, e todo mundo desconfiava.- Ele solta uma risada olhando para os meninos lá dentro.

Assim como Vitor todo mundo abre um sorriso;

- Desconfiavamos capitão. - Solta um.

- Acho massa da parte de vocês, ainda mais com Gustavo haha.

- Eita, valeu.

O engraçado foi o elevador de abrir e a gente dar de cara com Major. Todos, todos fizeram continência, ficou uma cena massa de se ver;

- A vontade soldados...

Nós saímos dando espaço para ele, que diz;

- Capitão me acompanhe por favor.

- Sim, senhor. - Renato entra novamente no elevador.

Eu fiquei com Vitor, terminando de ajudar ele com algumas coisas;

- Pode pegar assinatura do Robson nestas aqui por favor? Ele participou. - Vitor me entrega algumas folhas.

- Vou falar nada para você. Fica fazendo trabalho Robson.

- Ele quebrou uma para mim, estou só ajudando.

- Te conheço Vitor.

Robson estava no telefone quando me aproximei, coloco os papeis na mesa e gesticulo com a mão para ele entender o que fazer.

Ele desliga o telefone e não fala comigo;

- Ei entendeu o que é para fazer?

Robson gesticula que sim, e nada mais;

- Se entendeu porque está fazendo merda.... É aqui Robson. - Puxo uma das folhas.

- Está achando ruim faz você então. - Robson joga a caneta na mesa, me acertando.

A menina ao lado dele olha, e eu empurro as folhas nele, fazendo uma bagunça;

- Viu o que fez?

- Talvez assim você pare de agir como idiota. - Viro saindo.

Robson então tem ousadia de exclamar baixo, para o azar dele eu escuto;

- Acha porque está pegando o capitão pode fazer o que quiser.

Eu virei para trás PUTO;

- Repete o que você falou?

As pessoas próximas se levantam rapidamente, pois fui para cima dele;

- Isso mesmo que ouviu.

- Seu panaca, está com dor de cotovelo? - Zombo de Robson.

Ele parte para cima, o Vitor puxa meu braço, me fazendo rodopiar.

- Para cima dele não. - Nosso tenente empurra o Robson.

Não sei como ele desvia, e se aproxima de mim.

Segurei em seu braço, rodando ele e o derrubando, eu apliquei um golpe de "Muay Thai", inconscientemente. Imobilizando Robson no chão;

- Mas o que está havendo aqui! - Grita o Major entrando.

Solto ele que levanta, com dores no braço;

- Você nem era para estar aqui, está suspenso. - Ele aponta o dedo para mim. - E você acabou de receber uma também. Respeitem o local de trabalho de vocês.

Eu puto, Robson puto, o Major puto. E todo o resto querendo rir, por eu ter pego Robson de jeito.

Arrumei minhas coisas saindo, e quando passava pela portaria o grupo do trabalho, todo mundo começou parabenizando eu e Renato. E a outra metade zombando de Robson, porque eu sou menor que ele.

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