• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 62

#Gustavo



- Vamos Vitor. – Falo puxando o Tomas.

Entramos, e aproximo do balcão, com a cabeça já quente;

- Deixa que eu preencho a papelada, leva ele para a cela.

Vitor fala pegando a prancheta.

- Todo seu trabalho de investigar a gente, prender, procurar provas.... Você começou pelo lado errado...

- Cala a boca. Tomas.

- O culpado disso tudo sempre esteve do seu lado, não sou eu, nem minha irmã. Ela sempre foi vítima.

- Já mandei calar a boca. – Falo passando o cadeado na cela.

Sinceramente? Não queria acreditar, de forma alguma.

Eu sai, e assinei a prancheta do Vitor, e saímos juntos da delegacia, o Renato estava em frente ao seu carro;

- Vitor, pode ir, eu levo o Gustavo.

- Sim, senhor.

- Não. – Falo gesticulando com a cabeça.

Ele abaixa o olhar, e só diz;

- Gustavo!

- A gente conversa depois Renato, preciso de um tempo. – Falo entrando na viatura.

O Vitor estava no volante, e sai, antes de chegar no semáforo ele comenta;

- Pegou pesado.

- Me deixa Vitor.

- Foi mal.

Correr e fugir do Renato era impossível, trabalho, ele com chave da minha casa, a única coisa que eu queria era um tempo para digerir isso.

Eu então tentei ficar longe o restante do dia, o máximo que conseguiria.

Fiquei com a viatura, e somente a deixei na corporação, por volta de cinco e meia da tarde. Nosso plantão finalizava as três.

Subi para deixar as chaves e logo de cara, trombo com o Renato.

- Vai ficar me ignorando agora Gustavo? – Ele fala quando o elevador se abre.

Eu passo calado, deixo a chave, confiro minha mesa, e volto a entrada, ele chama o elevador e questiona de novo;

- Da para me responder, falar comigo?

- Não, Renato, preciso de um tempo, pois não sei se acredito em você.

- Gustavo, isso foi a anos, sim, aconteceu, mas faz muito tempo. – Ele fala segurando meus braços.

- Não me importa, se foi a anos, ontem ou hoje! Me solta. – Falo empurrando ele.

- Que quer que eu faça...

- Não minta mais Renato.

- O que isso muda entre a gente Gustavo, me fala?

- Eu confiei em você minha vida, minha carreira! Se Katia abrir a boca no tribunal, e ela vai falando dessa sua traição, e fundamentando isso. Renato o que vou falar para corregedoria? Que estou apaixonado pelo capitão e baseie minha investigação nas suas palavras falsas. Me responde?

- Apaixonado, Gustavo?

Eu respondo somente que sim com a cabeça, vagarosamente. Ele fica branco, sem reação.

Renato desce o olhar, fixando-os no chão, ele estava sendo consumido pela culpa.

Me virei saindo, e descendo pelas escadas.

Esse foi um dos piores dias, um dos piores dias para mim e Renato.

Cheguei em casa me sentindo um merda, pelo que havia dito, muito arrependido, por possivelmente ter falado demais. Do outro lado ficava todo confuso, por estar certo. Odeio. Eu me odeio. Por isso.

De quebra, em um péssimo dia, tive uma visita extremamente inesperada. O porteiro interfona dizendo que minha mãe estava lá embaixo. E sim era tudo que eu precisava, um colo para desabafar.

A coitada subiu e ficou me ouvindo, chorando em seu colo, por horas, e horas.

Até eu escutar a batida forte na porta, me levanto abrindo e era o Renato.

Ele estava de pé, escorado no portal da porta e quando abro ele vê minha mãe sentada no sofá;

- Gustavo, pode sair um pouco? – Ele fala gesticulando.

- Porque?

- Quero te pedir perdão de joelhos, pelo que fiz. – Renato diz sem olhar nos meus olhos.

Minha mãe se levanta do sofá, pegando sua bolsa, eu fico meio que em choque, e ela diz;

- Eu vou embora, vocês têm muito que conversar.

- Dona Rosa. – Ele fala quando ela passa pela porta.

- Oi filho... Gustavo me ligue se precisar. Vocês fiquem com Deus.

- Amém. – Falo a ela. – Entra. – Digo me afastando.

- Gustavo eu vou assumir toda...

- Renato senta aí. – Aponto para o sofá.

Ele tira a carteira, e se senta, colocando na mesa de centro;

- Pode falar. – Sento em sua frente.

- Me desculpe, por não ter lhe contado sobre.... Sim, eu fiquei com essa me...

- Renato, para, para. Não quero saber como foi, ou quando foi. Cara porque não me disse?

- Culpa minha Gustavo, eu não relevei esse momento, e com tudo acontecendo deixei passar.

- Você fez isso mesmo com a mãe do seu filho?

Ele engoliu seco, morde os lábios inferiores, respondendo;

- Sim.

Eu baixo o olhar, pelo que ele disse, e então desabafo;

- Se você fez isso com ela, o que impediria de fazer isso com outra pessoa?

- Com você?

- Sim, pode ser.

- Olha nos meus olhos. – Renato se aproxima, segurando minha mão. – Gustavo você é como droga para mim, eu não consigo ficar longe, sinto dever de te proteger. E de forma alguma lhe fazer mal, muito pelo contrário.

Eu fico calado, somente aperto sua mão.

Renato se aproxima mais, e leva minha mão a seu coração;

- Quando estou com você é sempre assim, nessa velocidade. – Ele fala com minha mão em seu peito.

Seu coração estava acelerado, eu me derreti todo né.

Beijei ele, apertando ele do jeito que eu conseguia. Renato se ajeita me abraçando;

- Me perdoa, mesmo, não tive a intenção.

- Tudo bem, eu perdoo.

Depois de um tempo, com as emoções mais acalmadas. Um banho e estávamos comendo besteiras mesmo, Renato comenta comigo;

- Temos que conversar Gustavo.

- Sobre?

- Encontrei o Vander no seu andar hoje, junto com seu irmão.

- Mas como ele conseguiu subir?

- Com desculpa de estar comprando, alugando, eu não sei! Escuta, estou monitorando seu prédio, com uma equipe, mas sabe que não confio 100% nesses policiais.

- Sim, e o que quer fazer.

- Rui está na universidade, quero que você fique alguns dias lá em casa, para eu poder entender o porquê esse cara está na rua, e como podemos agir.

- Renato eu dou conta dele de boa.

- Pode até dar Gustavo. Mas não vou arriscar você de forma alguma.

- Ai que fofo gente, me defendendo. – Falo puxando a sua bochecha.

- Aff! Me chupa Gustavo. – Renato solta da boca para fora.

Eu faço uma das minhas caras de paisagem e me levanto;

- Ah, beleza.

- Não, não, foi mal.

- Sai de mim Renato. – Falo desviando de suas mãos.

Pessoal com um dia estressante como esse, e ele também meio que me obrigou a ir dormir na casa dele.

Vamos lá.

No trabalho no dia seguinte, eu estava na minha mesa, acompanhando alguns casos do trabalho, e vejo a Flavia chegar na corporação.

Ela passa me cumprimentando e entra na sala do Renato. O Vitor chegou atrasado nesse dia e quando se senta ao meu lado pergunta;

- Algo que eu tenha que saber hoje?

- Não, estou averiguando os casos da semana anterior, para já começarmos mês que vem, livres.

- Beleza, vou pegar um café.

- Também quero. – Falo com ele de pé.

- Vitor, Gustavo, venham aqui por favor. – Renato nos chama.

Gente o Renato chamar, é como a diretora do seu colégio, mesmo que não seja nada, você fica de “cú na mão”.

A Flavia estava sentada, e pude reparar que ela estava bem bronzeada;

- Mulher que sol foi esse que você tomou? – Aproximo dela.

- Angra dos Reis, rsrs. Serio meus pais tem uma casa lá, é maravilhosa, nestas férias eu quis economizar.

- Está é poderosa com essa cor viu.

Renato cossa a garganta, com um sorriso lerdo para a gente desconfiar;

- Flavia pode falar aos meninos.

Ela abre a pasta, tirando uns papeis;

- O advogado de Katia entrou com uma ação. Pois o juiz que está com o processo da herança que ela e o irmão vai receber assinou a autorização.

- Por isso ela conseguiu pagar advogado. – Exclama Vitor.

- Bem por causa do processo de pensão alimentícia de Rui, consegui acesso aos valores. Meninos é muita grana.

- É o suficiente para ela fazer muita coisa. – Falo sentando. – Podemos agir de alguma forma? – Direciono a Vitor.

- Não, podemos passar a informação para frente, mas fica a decisão com o Juiz né.

- Beleza, vamos fazer isso. Obrigado em. - Pego na mão de Flavia, e saio.

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