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SENTENCIADOS - Episodio 61

#Renato



Gustavo é cheio de caras e bocas, tinham que ter visto quando aceitei sair para comer.

Nada de restaurante caro, nada com glamour, muito menos um lugar com status. Eu e Douglas sempre antes de ir assistir jogos, passamos em uma lanchonete para comer "espetinhos" de carne.

Levamos eles lá, sentamos e fazemos nossos pedidos, e ficamos conversando, eu sabia o resultado de uma última reunião dessa família, então eu intervi em todos assuntos.

Os pratos chegaram e os assuntos estavam longe, muito longe de brigas e discussões.

(...)

- .... Não, mas quando eu saí do orfanato me fizeram uma festa de despedida, coisa simples, mas fizeram. Mesmo eu quase colocando fogo naquele lugar.

- Você faz visitas lá Renato?

- Douglas, sim, eu e meus pais sempre estamos lá e fazemos doações mensais para as crianças.

- Renato, esses dois aqui, eu saia para trabalhar, o pai dele ficava dia todo no trabalho, eu chegava por volta de três da tarde, o Douglas arrumava o almoço, e Gustavo a casa.

- Haha' mas Douglas não era menor? - Pergunto a ela.

- Sim, mas Gustavo na cozinha sempre foi um desastre.

- Gente vão falar mal de mim agora? - Ele diz rindo.

- Eles faziam os deveres rápido, e saiam correndo para a rua. Meu Deus como gostavam de rua. Só voltavam a noite, porque eu ia buscar.

- Meu irmão, nossa arrumava muita confusão, cara o Gustavo brigava demais.

- Haha eu brigava sim, mas quem te defendia na escola Douglas?

- Claro Gustavo, todo mundo tinha medo de você no colégio, Rsrsrs.

- Escutem isso. - O pai dele chama nossa atenção. - Eu já presenciei briga de meninas na porta de casa, por causa desse Gustavo.

- Não me contou isso Gustavo. – Exclamo.

- Renato elas gostavam de mim, ficavam me perseguindo na escola, nossa eu amava iludir as coitadas. Falava que namorava umas duas, a três em cada mês, quando descobriam vinham na porta da minha casa.

- Para de mentir... - Digo empurrando ele.

- Sério, ele tinha esse cabelo, parecia um anjinho, eu não sei como. Mas tinha olhos mais claros, e era todo fortinho, parecia um surfista.

- Agora eu sou mais lindo que ele né Mãe, Rsrsrs. - Douglas diz rindo.

- Renato vamos? Está ficando tarde.

- É verdade Gustavo... A conta por favor! - Falo pegando a carteira.

- Temos que ir também. - Fala o pai dos meninos.

- Nós também né Beatriz?

- Sim amor.

Bem pagamos a conta e aproximando dos carros, nos despedimos, para seguirmos.

- A muito tempo não me divertia tanto Filho, bom ter vocês assim conosco.

- Obrigado pai.

Eles se abraçaram, eu despedi agradecendo a noite e entramos no carro indo embora.

No carro o Gustavo respondendo algumas mensagens, quando digo a ele;

- E isso que eu quero Gustavo. - Falo apertando sua mão.

- Oi? Não entendi. - Ele fala deixando o celular.

- Esses dias que passei com você, é isso que eu quero de agora em diante. Claro se você também quiser.

Ele abre um sorriso, que não se desfaz de forma alguma;

- É o que mais quero Renato, não preciso dizer que você me faz bem, essa noite foi somente um retrato disso.

- Também gosto muito de estar com você. - Falo beijando somente sua mão por causa do volante.

Chegando na casa do Gustavo, meu celular chama, era o Rui. Estacionando o carro atendo;

- Oi filho!

- Pai responderam o e-mail, da universidade.

- E então?

- Mesmo com o concurso, estão cobrando 109 mil.

- Meu Deus, Rui. - Falo seguindo para o elevador, com Gustavo me olhando. - Quanto você tem?

- Sessenta! Tem cinquenta com minha mãe.

- Nem me fale dela Rui, nem me fale. Quando é a visita?

- Em três dias.

- Ok, vamos dar um jeito. Como está aí?

- É tudo novo, eu estou gostando sabe.

- Já conheceu seu parceiro de dormitório?

- Não, não chegou ainda, mas será um gringo, estava olhando a ficha dele.

- Entendi. - Falo já dentro do apartamento de Gustavo.

- Pai vou comer algo, depois a gente conversa.

- Vai lá, com Deus, te amo.

- Também te amo.

Desliguei o telefone, e Gustavo se aproxima tirando a camiseta;

- Que foi?

- Rui já está na Universidade que vai cursar, mas ainda não completamos o pagamento.

- Por causa da Kátia né?

- Sim, vou falar com ela amanhã, eu não tenho toda essa grana.

Gustavo se senta do meu lado, com a mão em meu ombro ele questiona;

- Quanto seria?

- Cinquenta.

- Medicina?

- Sim, ele não conseguiu a bolsa integral, por isso guardamos esse dinheiro. Ele falava que seria medico desde criança, e não quero interferir no sonho dele.

- Renato, eu tenho essa grana, eu posso transferir pra ele e...

- De forma alguma Gustavo. - Falo ficando de pé.

- Não é por você Renato, e sim pelo Rui.

- Não Gustavo. Agradeço, mas, não. Amanhã resolvo isso com Kátia. Agora vem aqui. - Abraço ele beijando sua boca.

No quarto, a cena foi muito de novela, deitamos, ficamos de papo e dormimos, os dois exaustos de um dia de correria.

Vamos lá. Na corporação no dia seguinte, eu peguei uma autorização para visitar a Katia, mas quando fui fazer o pedido não consigo o fazer;

- Vitor, chega aí. – Falo chamando ele até o computador.

- Sim, Capitão.

- Porque não consigo abrir solicitação de visita para Katia, ela foi transferida? – Pergunto, mostrando a tela.

- Katia será solta senhor, acabei de receber a nota oficial do Juiz.

- Como assim? Mas o processo não se encerrou ainda.

- Não, mas ela depôs, e o advogado usou isso para conseguir liberdade para ela.

- Ela vai ficar solta, por.... – Nem termine de falar e Gustavo aproxima de mim e Vitor, já falando alto.

- Vitor, a ordem de prisão de Tomas saiu! – Ele fala, e me olha, meio desconfortável. – Essa tem que ser feita Renato, ele está pode sair do pais a qualquer momento.

- Vocês estão certos, podem ir. Vou ver se consigo pegar a Katia antes de sair da cadeia.

Os dois saíram, correndo, antes de a notícia de Katia chegasse a Tom.

É isso que estão imaginando, ela dedurou o irmão para a polícia.

No caminho para falar com Katia, o Douglas me liga;

- Renato, bom dia... Está na corporação?

- Não Douglas, na rua...

- Caramba, preciso passar no apartamento do Gusta, ele não me atende, e entreguei minha chave.

- Estou aqui no bairro, se vir agora, abro para você.

- Ótimo, estou perto.

Desviei rapidamente, e entro no prédio, deixo o carro no estacionamento e vou até a portaria aguardar o Douglas.

Ele chega rapidamente, e subimos, comentando da noite passada.

Quando a porta se abre, vejo o Vander no prédio e no mesmo andar do apartamento de Gustavo.

- Que está fazendo aqui? – Digo me segurando para não voar nele.

- Estou procurando um lugar para morar. – Ele fala com um sorriso sínico.

- Não brinca comigo Vander, você me conhece.

- Vai fazer o que, me dar um tiro aqui na frente do apartamento do seu namorado?

Quando ele fala, vou para cima e o Douglas, sem entender nada me segura;

- Renato ta maluco, calma aí.

Ele passa rindo, e entra no elevador;

- Sabe... ele não toma o cuidado que você toma Renato. – Vander fala em tom de ameaça.

A porta iria fechando eu levei rapidamente a arma, apontando para ele, foi o que fez, o elevador abrir novamente. Então entrei encarando Vander;

- Coloca a mão no Gustavo que eu mesmo mato você. Está avisado.

Volto, deixando ele descer;

- O que foi aquilo? – Douglas pergunta.

Abro a porta explicando tudo sobre o Vander, e tentando ligar para o Gustavo a qualquer custo, mas nada de ele atender.

Descemos e antes de eu sair, converso com o porteiro, e peço um carro de polícia de escolta para o prédio.

Então deixei Katia, e fui até o Gustavo, o que sabia era a delegacia para onde ele levaria o Tomas, era um lugar provisório, onde ficaria até a transferência oficial.

O Douglas ficou bem preocupado também, afinal de contas, era real o risco que seu irmão corria.

Quando cheguei na delegacia, confiro se há algum carro do COE, e nada, estaciono entrando, e vou até a recepção;

- Bom dia, quero olhar a entrada de um preso. – Falo olhando a tela do celular.

Aguardando contato dele;

- Bom dia Capitão. Sabe o nome?

- Procura Tomas Beltrão, por favor.

- Senhor, saíram para cumprir o mandato, e já pediram cela para ele. Em nome do oficial Gustavo Medeiros.

- Obrigado, vou esperar. – Falo sentando nas cadeiras.

Sentado escuto a voz da Katia, juro, até olhei ao redor, por assustar.

Então vejo ela no corredor próximo a sala do delegado, me aproximo sem acreditar;

- Que faz aqui? – Pergunto me aproximando.

- Vim pegar minhas coisas, se esqueceu que me trouxeram para cá quando me pegaram? – Ela fala com uma sacola plástica de poucas joias e documentos.

- Ei preciso falar com você. – Falo seguindo ela que iria saindo.

- Que você quer Renato?

A frente a recepção tinha um pequeno gramado, e uma passagem para a rua, onde entravam com os detentos.

- Rui, seu filho Katia, tem um tempo para falar dele?

- Que aconteceu? – Ela pergunta, ainda tirando coisas do saco.

- A faculdade dele, Katia não tenho a grana para completar. Se não pagarmos ele será expulso antes de começar o ano.

- Olha para mim Renato, não tenho onde morar, não tenho dinheiro para o taxi, para sair desse lugar. Que quer que eu faça?

- Cara você é inacreditável. Não pensa em nada que faz, vai acabar com o futuro do nosso filho, por culpa sua.

- Culpa minha Renato? Minha?

- Sim, você quem começou com isso tudo, junto com seu irmão para me roubar, agora onde olha onde você está.

Katia ousa a me dar um tapa na cara quando falo isso, e ainda faz minha “caveira”;

- Não sou totalmente culpada. Suportei por anos traição sua com aquela vaca da corporação. Acha que eu não sabia de vocês Renato. Isso foi só o troco, das humilhações que você me fez passar.

Katia fala gritando, apontando o dedo na minha cara. Com os funcionários da delegacia, Tomas, Vitor e Gustavo ouvindo ela bem atrás de mim.


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