• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 56

Ficar perto dos meus pais, me traz a mesma sensação de abandono, é mega estranho, eu sofro demais, é instantâneo. Aquela voz gritando e me empurrando “Você é doente”, “Não é meu filho”. Eu não tive tempo de pegar minhas coisas, foi a cena mais atormentadora da minha vida, carregada de sentimentos ruins. Já acordei nas madrugadas com essa recordação, queria eu ter sido um sonho.

Eles aparecerem assim, me faz sofrer muito, muito.

Começa a cair uma chuva fina em São Paulo, olho minha bolsa, sorte ser a prova de agua, pois eu estava sem vontade alguma de me levantar, queria sentir, eu precisava passar por aquilo.

A chuva se engrossa, os pingos batendo forte na minha pele, as pessoas correndo para se proteger e eu de braços cruzados sob os joelhos olhando a enxurrada se formar lentamente, sentindo a roupa molhar aos poucos.

Vejo o carro passar e parar, Renato desce correndo, ele estava muito assustado, se aproxima rápido;

- Gustavo! Tudo bem?

Quando ele se aproxima, e me toca, eu volto a chorar, meu mundo volta a cair, ao menos os pingos de chuva acompanham minhas lagrimas.

Ele fez o inimaginável. Renato ajoelha na minha frente, me abraçando, ele esperou eu desabafar em lagrimas.

Logo me amparar e seguimos para o carro, ele abre a porta e entramos.

Renato pega uma toalha no banco atrás e me entrega;

- Se acalme, estou contigo. Fica calmo. – Ele volta a me abraçar.

Eu estava meio que atordoado, sei lá, não consigo explicar, só não estava bem, acho que essa noite foi a gota d’água, me fez transbordar.


#Renato


No caminho eu não perguntei, não quis saber, deixei ele. Gustavo estava muito triste, diferente, e me assustou estar naquela chuva.

Chegamos em seu prédio, o porteiro sempre me deixa colocar o carro no estacionamento. Parei ao lado do elevador, subimos comigo tirando suas peças molhadas.

Ele abre a porta, e seguimos os dois, direto para o banheiro;

- Te enfio em cada uma né? – Gustavo fala tirando a roupa.

- Relaxa. Só preciso de roupas, pois sempre que venho aqui não me sobra nada. – Falo tentando tirar um sorriso dele.

Liguei o chuveiro bem quente, e entramos juntos, tomamos um banho bem quente, cheio de vapor, para esquentar.

Ele saiu e vestiu uma roupa, eu procurei, mas somente uma bermuda sua me serviu, fiquei sem cueca. Peguei as roupas colocando na sua maquina, e Gustavo deita.

Fui na cozinha olhei o que tinha na geladeira e peguei um leite, esquentei, depois peguei um pouco de chocolate em pó, e creme de leite, bate tudo no liquidificador, e levei até o Gustavo.

Adivinhem? Ele estava dormindo. Deixei o copo de lado e cobri ele com o cobertor.

Voltei coloquei a minha roupa atrás da geladeira é claro, e apaguei as luzes do apartamento, indo deitar.

Falei com Rui que estava com a mãe. E me deitei perto de Gustavo, eu demoro pegar no sono, pois gosto muito, desde a nossa primeira noite ver ele dormir.

Gustavo era lindo acordado, mas dormindo e calado era perfeito, rsrs.

Eu tenho o sono leve, depois que entrei para o exército piorou muito.

E no meio da noite acordo com o Gustavo tendo o que eu achei um pesadelo, mas foi bem confuso. Ele se movei e eu acordo, abro os olhos, e ele respirava fundo do outro lado da cama;

- Não.... Não... Mãe, não.... Eu amo ele... muito. Mãe. Mãe. NÃO! – Ele grita pulando na cama.

Gustavo se senta, eu ligo as luzes e assustado pergunto;

- Está bem?

- Aí, sim... foi um pesadelo. – Ele fala passando a mão nos olhos.

- Vem aqui. – Falo abraçando ele.

Aconchego o Gustavo em meu peito, e ele me olha com um sorriso lerdo;

- Que foi? – Pergunto rindo.

- Gosto muito de você. Nunca irei conseguir agra....

- Pode parar. Eu também gosto de você. – Falo tirando o cabelo dos seus olhos. – E não me canso de ajudar. Sempre Gustavo, estarei aqui. Sempre.

- Obrigado. – Ele me beija com força.

Eu abraço ele com mais força ainda, ficando alguns segundos com ele em meus braços.

Bem na manhã seguinte eu refiz o seu chocolate quente, deixando um bilhete com ordem para ele “Beber”.

Pois sai minutos antes de Gustavo acordar. Eu tinha que resolver algumas coisas.

Fui mais cedo para a corporação, assinei a papelada da minha mesa, e eu iria sair e voltar somente naquela tarde, minha mãe tinha um exame importante para fazer, e eu acompanharia.

Vejo todos chegando, se arrumando, uns saindo, o Gustavo estava lá também, ele até pisca para mim em um momento.

Conferi os papeis e estava organizando no canto de minha mesa quando o Robson chega;

- Capitão, bom dia.

- Bom dia... Que bom que veio, Robson estão todos aqui assinados, confere e distribui por favor.

- Vai sair?

- Sim, volto essa tarde, qualquer coisa me liga. – Falo desligando o computador.

- Posso falar rápido com o senhor? – Ele tira a boina entrando na sala.

Eu olho dizendo;

- Seja rápido.

- Queria que Gustavo me auxiliasse na missão do aeroporto, capitão.

- Gustavo? Ele está atolado com a investigação do roubo de armas, porque quer ele Robson?

- Sinceramente?

Quando Robson fala assim, eu paro e encaro ele, já estava esperando;

- O que?

- Quero me aproximar de Gustavo novamente, e assim seria mais fácil, se é que me entende Capitão.

Eu não poderia dar uma lição de moral, sob namorar no local de trabalho, mas não deixaria isso assim;

- Gustavo está no caso das armas, e la irá continuar. Vitor precisa dele, você é um excelente investigador Robson, então, faça jus o seu trabalho, sobre o que disse, irei ignorar.

- Desculpe senhor.

Eu sai deixando ele na minha sala com aqueles papeis, e passo próximo aos meninos que perguntam;

- Vai sair capitão? – Vitor pergunta.

- Sim, volto essa tarde.

- Obrigado por ontem Renato, de coração. – Gustavo impõe suas palavras na frente de Vitor.

- Faria o mesmo por mim. – Respondo.

O Vitor não comenta, mas fica olhando meio desconfiado;

- Escuta capitão, ouvi a novata da recepção comentar do senhor.

- Novata? – Pergunto.

- Sim, a loirinha do peitão.

- Serio que estão falando de mulheres essas horas? – Gustavo fala bravo.

- Tu não curte mas deixa a gente. – Vitor diz cutucando ele e rindo. – Quer que eu fale com ela capitão?

- Ela quem?

- A recepcionista?

- Não, deixa comigo. Valeu... tenho que ir. – Falo saindo.

Gustavo Iria me pegar, pegar ela, e Vitor ao mesmo tempo se eu continuasse ouvindo aquilo.



#Gustavo



- Loira peituda? – Pergunto quando o Renato sai.

- Sim, mano, se ele não quiser vou pegar. É muito gostosa.

- Escuta Vitor, você não namora?

- Sim, mas não estou morto. Rsrs. – Ele ri se sentando.

- Nossa que raça mais filha da puta! Essas horas me dá vontade de ser hetero.

- Sai fora, mais mulher para mim.

- Fica a vontade.

- Gustavo, já pegou uma mulher? Transou com uma mulher?

- Sim, claro, sou gay chove mulher para ficar comigo.

- Eu não duvido.

- Mas sabe muito bem do que eu gosto. – Falo piscando para ele.

- E o Robson?

- Que tem ele a ver com esse assunto?

- Sei lá, quando entrei aqui, falavam que vocês dois faziam um belo casal.

- Não gosto do Robson assim, ele é o tipo de cara que só olha para o próprio umbigo.

- Ei, foi mal, não está aqui mais quem falou. – Ele se levanta. – Gustavo, acho que é para você. – Vitor aponta para a porta.

Na entrada do andar, atrás dos vidros o Douglas;

- Vou falar com ele depois saímos, ok.

- Fica tranquilo, pode ir falar com seu irmão. – Ele diz.

Fui até a recepção e o Douglas fala primeiro;

- Podemos conversar?

- Sim, claro, entra ai. – Falo dando passagem para ele na porta. – Na copa, é mais tranquila. – Falo acompanhando ele.

Entramos e eu fecho a porta, meu irmão de pé mesmo pergunta;

- Está bravo comigo?

- Não, claro que não.

- Que bom, fiquei preocupado ontem. – Ele diz me abraçando.

- Não, mas fiquei uma fera com papai e mamãe falando daquele jeito, não somos mais crianças.

- Gusta preciso te contar uma coisa.

- Sim.

- A Beatriz quer ir conhecer a igreja do papai, eu quis te contar, pois se me disser que não, eu não vou.

- Douglas, senta. – Falo puxando a cadeira. – Eu te amo, muito, muito você é tudo que eu tenho. (...).

- E você é tudo que eu tenho Gusta.

- Se quiser ir vai, leva ela, você tem que tentar mano, eu não consigo, ficar perto deles acaba comigo, não sei se isso um dia vai passar, não sei se sou eu, mas ainda não estou pronto.

- Não vai ficar puto? Serio não posso perder você da minha vida.

- Não vai perder, nunca. Se quiser ir, vai, conheça, é seu direito.

- Aí, você é incrível demais.

- Haha’ você também.

- Agora tenho que ir, Flavia tem audiência agora cedo.

- Vou te acompanhar. – Falo levantando.

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