• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 55


Eu também não lhe dei muita atenção, por estar focado no momento no grupo do trabalho, Robson tinha uma missão hoje, e eu estava acompanhando.

Quando terminamos e entramos no carro, ele comenta comigo;

- Acho que o rapaz gostou de você. – Meu pai fala rindo.

- Ele não faz meu tipo não.

Ele sorri, e diz;

- Falei por várias vezes com sua mãe quando era pequeno. “Maria esse menino é sensível demais”, “Ele vai ser gay”.

- Pai, ta zoando comigo?

- To dizendo, ai nós tínhamos várias seções com o psicólogo por causa do processo de adoção né.

- Sim.

- Eu dizia a doutora, e ela como sua mãe, brava comigo. Disse que por sua história, o que tinha passado, e tudo mais.

- Mas e ai?

- Ai, veio o chamado da professora no colégio, lembra das meninas brigar por você... no colégio militar também houve confusão, nossa quando você apareceu com a Katia, eu me calei.

- Haha.

- Sim, eu achava que você seria gay Renato, jurava de pé junto.

- E se eu fosse pai? Se o senhor estivesse certo?

- Eu e Maria não podemos ter filhos. Você é a coisa mais importante na nossa vida, sabe disso, eu dizia a ela, que não me importava. Você não tem nosso sangue, mas tem todo nosso amor, sendo gay ou não.

- Eu te amo, muito, o senhor e a mamãe.

- Também te amo meu filho, você orgulha demais eu e sua mãe. – Ele fala fazendo carinho em minha nuca.

- Obrigado pelas palavras.

Ficamos nesse papo nostálgico, eu ainda contei como estava Rui, por tudo que havia passado recentemente, e depois parti para o trabalho.

Eu cheguei na corporação, e fui direto falar com o Robson, pegar o relatório deles, e analisar.

Gustavo estava junto a Vitor, eles andavam muito juntos, como parceiros.

Os dois vieram em minha sala, onde eu já estava entrando;

- Capitão. – Vitor diz na porta.

- Entrem.

- Está melhor? – Ele pergunta.

- Sim, eu estava precisando beber daquele jeito ontem, rsrs.

- É nós percebemos.

- Fica na sua. – Digo sorrindo.

Gustavo atrás teclando no celular, todo ansioso;

- Douglas está bem? – Pergunto a ele.

- Sim, ansioso assim como eu.

- Relaxa vai dar tudo certo.

- Sim, vão me crucificar e ficar me julgando

- Você é o melhor mano, vai tranquilo. – Vitor diz pegando em seu ombro.

- Ele tem razão. – Digo concordando.


#Gustavo



Mal esperei chegar a minha hora de sair, hoje para terem ideia, nem com Renato conversei muito, na verdade houve um papo rápido, como leram acima, somente isso. Pedi a Vitor que não pegasse pesado também, pois meu dia terminaria daquele jeito, e assim foi.

Eu sai da corporação, fui para o salão de beleza que estou acostumado, de hidratação a selagem, escova a corte fiz serviço completo.

Cheguei em casa tomei aquele banho, Douglas havia enviado mensagem que também estava se arrumando.

Todos aqui sabem quando se vai preparar para encontrar o boy magia, ou aquele que te desperta o interesse, quem vai fazer passivo, de limpeza, a depilação, barba, e maquiagem se for o caso, os que forem fazer ativo, aquela boa limpeza nas partes e uma depilação do corpo inteiro, claro se preferirem.

Para mim encontrar com meu pai ou minha mãe, era dessa forma. Gente coloquei minha melhor roupa, me vesti com meu melhor em tudo. A roupa que mais amo é a farda, pena que seria um jantar se não, estaria até armado.

Vesti um look da GUCCI, que a Patrícia havia me feito comprar a meses, e nem cheguei a usar, uma bota discreta, calça jeans e camiseta de manga longa branca, bem discreto, só com uma bolsa, envolta meu braço, aquelas de lado masculinas, que estão na moda.

E cabelo? Cabelão é claro, ele estava bem sedoso, com um toque de laque para dar o brilho e penteado que queria, deixei ele caído no rosto, nos olhos, bem solto atrás.

Passei um brilho na boca, dei u jeito nos cílios para deixarem eles com um volume legal.

Afeminado? Somente para os preconceituosos de mente fechada, eu estava arrasando.

Meus pais me colocaram para fora por eu ser gay. Hoje querem me ver, conversar, jantar, vão me ver do meu jeito, sou assim, e assim que irei mostrar.

Peguei um UBER, para chegar mais rápido, e mesmo assim, atrasei.

Quando entrei o recepcionista se aproxima;

- Posso ajudar senhor?

- Obrigado, mas já estou vendo eles. – Falo entrando.

Minha mãe de lá já olha de olhos arregalados. Entrei e puxei a cadeira, me sentando;

- Benção. – Falo para ambos.

- Deus te abençoe filho... Nossa, mas está muito lindo.

- Obrigado mãe. Oi Mano. – Cumprimento o Douglas.

- Oi Gusta! Novidades no caso do Renato?

- Sim, espero em breve levar aquela piruá para depor.

- Olha a boca. – Meu pai fala, com o garçom na mesa.

- Foi mal

Gente o restaurante muito fino, só não me importei tanto, pois tinha algo mais importante a me preocupar.

Depois que fazemos o pedido, comento;

- Está podendo em pai, trazer a gente em um restaurante destes.

- Vocês merecem o melhor. – Ele responde, entregando o menu.

- (...) Nós ficamos muito preocupados com as notícias daquela guerra na televisão filho. Quando soube que estava internado, deixei tudo para ir ver você. Eu orei dia e noite, seu pai orou e pediu a toda igreja preces para você.

- É eu agradeço muito, e agradeço também por terem orado para o Douglas sair daquela vida. – Falo jogando fogo na fogueira.

- Deus operou um milagre na vida do seu irmão Gustavo. – Meu pai fala colocando a mão na dele. – E assim será na sua também.

- Não preciso ser operado em nada! Quando precisei dele ele esteve comigo, não tem nada de errado em mim.

- Claro que não filho, você é normal. – Diz minha mãe.

- Normal?

Quando pergunto o garçom chega com alguns pedidos, meu e do meu irmão;

- Papai quer dizer que está tudo bem com todos.

- E porque esse jantar, e agora? – Pergunto.

- Queremos aproximar e ficar com nossa família, de volta para casa, de volta para nossas vidas. Queremos conhecer a sua esposa...

- Pai é namorada.

- Mas estão morando juntos?

- Sim, mas somente namoramos, não queria usar a casa de Gusta como motel.

- Mas já dormiram juntos meu filho?

- Sim, mãe.

- Traga ela na igreja qualquer dia desses, e você também Gustavo... – Quando ele fala isso, eu até paro com o talher olhando, desconfiado. – Está saindo com alguém?

- Não só ficando mesmo.

- Ficando? – Pergunta minha mãe.

- É transando.

Ela olha para meu pai, com um olhar estranho. Os pratos de ambos chegaram e eu e meu irmão quase terminando de comer;

- (...) a profissão dele é muito perigosa, quantas vezes já quase morreu no seu trabalho Gustavo?

- Todos os dias mãe, quando coloco o colete, e a arma na cintura.

- Olha aí, estou dizendo. Você também Douglas, se não der certo na faculdade tem a igreja...

- Mãe igreja não é profissão! Fiéis não são bancos, o Douglas precisa trabalhar para cuidar do futuro dele, não “parar” a vida por causa de uma igreja.

- Não parei minha vida por causa da minha igreja Gustavo.

- Talvez não, mas colocar seus filhos na rua, para seguir um padrão imposto por um livro que foi mal interpretado pelo senhor, talvez isso sim.

- Não ouse criticar a bíblia na minha presença. – Ele bate na mesa com força.

- Não estou criticando a bíblia, estou criticando o senhor, destruiu a sua vida, a minha e do meu irmão, por algo que imagina ser o certo, quando não é. Que horas nesse jantar vai pedir perdão para a gente? Pelo que fez a gente passar. Seu filho morou na rua, na rua tem ideia disso? Debaixo de chuva e sol, e vocês aparecem do nada, pagando um prato caro em um restaurante chique achando que vai apagar nosso passado (...).

- Calma Gustavo. – Douglas fala me tocando.

- (...) Não vai, porque o problema das nossas vidas são vocês dois, e sempre será. – Falo jogando o guardanapo na mesa.

Saio daquele lugar com todo mundo me olhando, meu pai estava vermelho, assim como minha mãe e Douglas.

Desci a rua andando mesmo, antes de chegar a esquina que era uns 50 metros essa raiva se torna lagrimas.

Nossa meu celular chamou, eu nem sei como eu atendi, pois nem percebi;

- Oi.. Alô. – Dizia a voz familiar.

- Oi. – Falo tentando disfarçar o choro.

- Gustavo, tudo bem

- Quem fala?

- É o Renato, Gustavo está chorando, me responde! Está tudo bem?

- Não, não está nada bem. – Falo gritando, por estar atravessando a rua em meio aos carros.

- Onde você está?

- Eu não sei... – Desligo o telefone sem querer nesse momento.

Depois de passar na avenida, eu passo frente a uma casa de shows e o telefone novamente;

- Oi.

- Gustavo, me fala onde você está, estou indo te buscar. – Escuto um barulho, como se fosse ré do carro

- Estava no Bistrô aqui frente à praça matriz, agora estou naquele salão de beleza famoso, aqui do centro, só desci a rua.

- Estou perto, fica aí.

Literalmente me sentei no chão, sob uma daquelas caixinhas de medidor de agua.



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