• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 53

Ele pega em minhas mãos, que estavam postas a mesa e eu digo;

- Eu não acredito... é difícil de aceitar.

- Está tudo na suas mãos, pode tirar a sua própria conclusão.

- Não é fácil assim Gustavo.... Você está me investigando, está investigando minha família. Me fala como confio em você? Tem meu filho aqui. – Falo gesticulando com a folha.

- Eu não fiz isso para ganhar sua confiança. Ela cometeu um crime, e eu tenho provas que pode colocar ela atrás das grades.

- Está falando de prender a mãe do meu filho.

- Está querendo acobertar ela Renato?

- Não. De forma alguma, é que você não entende! – Falo levantando e juntando os papeis.

- Não entendo porque eu não tenho um filho? Porque eu não tenho uma família?

- Gustavo para de tentar ficar procurando treta onde não tem, não quis dizer isso.

- Não é treta, estou perguntando Renato.

- Você é muito ingênuo para entender. – Falo entregando a pasta a ele.

- Pode até achar isso, mas somos muito parecidos, posso ser ingênuo, mas até quando vamos continuar batendo de frente um com o outro?

- Como?

- Não sou como eles Renato. – Gustavo fala apontando para o escritório.

- Beleza. Beleza Gustavo. Que vai fazer agora? – Pergunto olhando a pasta.

- Vou falar com o Roger. – Ele diz se levantando.

Fico com aquele sentimento de gratidão, mas meu orgulho me corrói por dentro;

- Gustavo (...)

Eu chamo ele, e ele me interrompe;

- Não precisa agradecer.... Sei que faria o mesmo.

Ele sai da sala, e me deixa lá confuso.

Confuso porque eu estava em uma maré de azar, de cosias ruins, e não sou acostumado que as pessoas façam coisas para mim, por ser muito independente e sempre correr atrás.

Eu estava perdido nessa atitude, claro que desconfiei logo de início, sou assim e muito difícil de eu mudar a forma que penso.

Mas sentado, analisando tudo aquilo, CA...RA...LHO!


#Gustavo



Voltei a sala e imediatamente o Roger pergunta;

- Levou uma comida de rabo?

- Haha, não, sei como levar ele.

- Hum ta pegando é?

- Cala a boca... Vitor vamos continuar? – Pergunto quando ele volta a sala.

- Sim, está tudo bem?

- Sim... podemos? – Falo ao advogado.

- Claro...

Nós continuamos com o depoimento dele, que foi dividido em partes, pois eu e Vitor colocamos o Roger em ambos processos, mas o que ele estava mais impregnando era o de Katia.

Bem após o almoço, a papelada do Roger foi concluída e ele estava “livre”, mas com pendencias conosco.

A tarde o Renato acompanhou eu e Vitor até o exército, para fazer alguns interrogatórios e pressionar aquela galera lá.

Pessoal houve um feriado grande aqui na cidade, o que tivemos inúmeros chamados, e trabalhamos bastante, o Renato teve dificuldades com folgas em nossas escalas.

Muito, mas muito estranhamente estávamos com uma atitude diferente, eu com ele.

Bem depois de uma semana conturbada, eu sai com o Vitor para beber, pois no dia seguinte eu tinha um jantar com meu pai e com minha mãe. E sinceramente eu preferiria enfrentar outra emboscada ao ter que sentar com eles.

Estávamos no PUB do João, que já falei dele aqui. Eu estava bebendo somente com ele, e ganhei da casa uma rodada de cervejas por causa da prisão do Governador;

- Tenho mesmo que sair com você viu Gustavo, parece estrela.

- Eu sou estrela Vitor, me respeita.

- Haha... Se liga, o Robson. – Ele fala olhando para a porta.

Ele entra e segue em nosso rumo;

- Eu posso?

- Senta logo e para de frescura. – Falo empurrando a cadeira.

Depois de mais umas duas cervejas o Robson passa a mão em minha coxa;

- Que isso? – Falo olhando para ele.

- Foi mal, pensei que...

- Pensou nada, encosta em mim de novo que dou na sua cara.

- Ei, calma mano, relaxa ai. – Vitor fala assustado.

- Gustavo me desculpa.

- Tira a mão de mim Robson. Porra! Sabe que não gosto desse tipo de coisa.

- Foi mal. – Ele repetia.

- Vou no banheiro. – Falo me levantando.

Seguindo no corredor, com um espelho ao fundo, vejo o Vitor esmurrar ele, o repreendendo.

Entrei no banheiro depois de urinar o Roger entra no banheiro;

- Ah está zoando... E aí, joia? – Ele fala de mãos estendidas.

- Sim, e você?

- Estou sempre bem. Pensei que não iriam ligar mais.

- Essa próxima semana iremos dar continuidade, estava esperando o feriado. Que faz aqui? – Falo lavando as mãos.

- Deixei um cliente agora, ele me deu uma boa gorjeta e vim aproveitar minha noite, e vejo que já ganhei só de te ver. – Roger diz me entregando o papel toalha.

- Sabe que não vai rolar nada né?

- Sei, é isso que curto em você, fica se fazendo de difícil, eu apaixono mais.

- Roger para com essas ideias, sabe que eu não sou burro.

- Eu sei, mas só estou falando verdades.

Eu abro um sorriso e saímos do banheiro juntos, e já sabem quem estava na mesa nessa hora né?

Capitão Renato Andrade, me encarando com fogo nos olhos já.

De óculos aparentemente de grau, camiseta preta com emblema da BMW, e calça jeans que marca suas coxas, ele tinha uma presença foda demais.

Eu pego em sua mão;

- E ai, beleza?

- Que ele faz aqui? – Renato pergunta olhando em Roger.

- Vim comprar macarrão instantâneo... Posso ficar com vocês? – Ele fala se sentando.

Todos sorriram né, da ironia dele, mas beleza, Renato já ficou de cara virada.

- Quem chamou ele pelo amor de Deus. – Falo no ouvido do Vitor.

- Está falando do Roger ou Renato?

- Qualquer um, rsrs.

- Acho que demos azar Gustavo, pois apareceram do nada, ambos.

Continuamos, eu ainda brinquei muito com eles, sei lá, esse tipo de encontros com os caras do trabalho era tão difícil.

Graças a Deus o Robson foi o primeiro a ir embora, ele também estava o mais ruim de nos, foi o mais fraco para beber, rsrs.

Começou um jogo a ser transmitido e o Renato e Vitor assistindo. Eu conversando com o Roger, e ele a todo momento, todo momento soltava uma;

- Quantas tequilas a mais para eu te beijar em?

- Tequila não me derruba não Roger.

- Porque não vão para um motel em? – Renato solta, olhando a TV.

- Por mim, ficamos no meu apê mesmo. – Roger comenta.

Ele não diz nada, mas fica por vários momentos me olhando.

Bem eu fui ao banheiro novamente, sou forte com bebidas, mas fraco da bexiga, rsrs.

Quando eu volto o Vitor e Renato não estão mais na mesa, eles estavam bebendo doses a mesa ao lado, em uma bagunça.

Eu me sento e o Roger se levanta para dar espaço;

- Estava brincando com você, sabe disso, né? – Ele fala no meu ouvido.

- Relaxa.

- Que você me deixa doido, isso é verdade.

Eu rindo do comentário, de ele falar tão perto o Renato puxa o cara do nada;

- Não ouviu que ele não quer irmão?

Fiquei tipo, como assim?

Vitor da mesma forma.

- Não toca em mim não cara, só estamos conversando. – Roger diz empurrando Renato.

- Renato esta maluco? – Falo me levantando.

- Se liga cara, tem que se tocar, não é não. – Ele continuava direcionando insultos ao Roger.

- Tira ele daqui mano. – Vitor fala para mim.

O Renato não foi com a cara de Roger ah tempos, todo mundo sabe disso. Mas ele estava puto esse dia.

Eu sai com a mão na cintura do Renato puxando ele para fora.

- Cara mais inconveniente... Como consegue? – Ele fala ao lado de fora.

No meio dos carros eu paro tentando entender;

- Ei, você bebeu demais, relaxa, ele não fez nada demais.

- Eu não bebi não, estou de boa. – Ele fala gesticulando demais.

- E porque se importa? – Falo da boca pra fora.

Renato me olha, fixa o olhar e diz;

- Porque me importo?

- Sim, porque se importa com o Roger, Robson. Não temos mais nada.

- Da mesma forma que você se incomodava com a Ana Laura.

Essa resposta eu não esperava, e o infeliz, bêbado ficava mais arrogante que o normal;

- Fala Gustavo, porque se importava de mim com a Ana.

- Dá para parar de ficar falando nessa menina. – Falo colocando ele encostado em um dos carros.

Ele rindo de mim, e eu tentando falar com o Vitor;

- Gustavo vamos? Já paguei lá dentro. – Ele fala saindo, e arrumando algo na carteira.

- Não ué, diz ai quanto foi, vamos dividir.

- Eu também. – Renato entra no assunto.

- Fica na sua. – Falo encarando ele.

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