• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 51

Dudu pode ser dono de morro, Traficante, assassino, o que for. Mas ele tinha ideia com quem mexeu, infelizmente nossa fama na favela era a pior possível, tanto que nem fazemos muitas operações em comunidades, pela mídia exagerar.

- Eu não sabia cara, Dudu, a gente dá conta desses caras, só sumir com esses dois e... – Ronaldinho não falava coisa com coisa.

- Entende uma coisa maluco, eles já devem estar subindo o morro, devem estar assistindo a gente aqui, sabem tudo de mim e de você a essa hora.

- A gente resolve irmão.

- Para de me chamar assim. – Dudu atira em Ronaldinho

Que já cai morto.

Acho que o tiro foi um ponto de partida dos meninos, foi uma cena de filme na verdade.

Tinha agentes chegando de todos os pontos da comunidade, e gritando sem parar;

- Larguem as armas. Larguem as armas.

Até porque um tiroteio não seria bom nem para mim e muito menos a Roger.

Alguns dos bandidos até cumpriram as ordens, com isso os agentes avançaram um pouco, mas foi inevitável.

Logo o garoto, o de menor, tentou atirar, ele foi morto, o que desencadeou uma pequena e rápido troca de tiros.

Eu e Roger deitamos no chão, mesmo estando na linha de fogo.

Derrubaram quatro deles, e avançaram com cuidado, pois os bandidos que estavam deitados ou de joelhos, tinham armas perto, ou no corpo.

- Se apoia em mim. – Vitor fala cortando o que me amarrava.

Ele coloca um colete em mim, me afastando e fazem o mesmo com o Roger.

- Me dá uma arma. – Falo ao Vitor quando nos afastamos.

Ele me entrega a dele, eu peguei mais por segurança, de longe vejo o Renato passando pelos presos, com seu fuzil;

- Quero todos aqui no meio... Robson identifica os mortos. – Renato coloca a mão no radio no ouvido e pergunta baixo, algo ao Vitor.

- Ele está comigo capitão. – Vitor responde.

- Limpo... – Gritam os oficiais simultaneamente.

- Quero um comboio esperando a gente, natal chegou mais cedo galera. – Renato fala.

Eu então pego meu distintivo e vou até eles;

- Como está? – Robson pergunta perto.

- Bem. – Falo passando por ele.

Estavam todos algemados de joelhos no meio da quadra, eu me aproximei do Dudu e abaixo;

- Onde colocam as armas? – Falo segurando na sua camisa.

Ele fica calado. Percebo o Renato se aproximar de mim nesse momento;

- Não me faça a perguntar sua mulher, sabe que não vou perdoar ela.

- Poupei sua vida. – Ele me responde olhando nos olhos.

- Não sabem que estamos te investigando, você ta ligado que qualquer morte aqui posso colocar na sua conta né malandro? – Renato fala agachando do meu lado. – Me diga, o que acha de uma briga de donos de boca? Bala perdida, mulher do dono do morro morta pelo inimigo, nós chegamos e seremos heróis como sempre, que acha Gustavo?

- Gostei da ideia capitão.

Uma das maiores cartas a favor do Renato era a persuasão, o olhar, a linguagem corporal, isso somado ao momento, pouquíssimos suportam.

- Levo você lá. – Dudu fala me olhando.

- Vou com o Vitor pode ir conduzindo os presos. – Falo levantando.

E ao mesmo tempo segurando o braço do Dudu;

- Vou com você. VITOR começa a descer com eles... Robson me acompanha, e você e você.

- Sim Capitão.

A nossa presença parou e acordou a favela. O Dudu mostrou onde colocava as armas, mas não era a quantidade que eu esperava, tinha poucas.

Pegamos drogas também e levamos, o que eu não entendi foi total mudança de atitude de Renato.

Terminamos por volta de seis da manhã, com todas as prisões, ficha de tudo e todos, transferências de presos, mandatos, equipes na favela. Passamos a noite nisso.


#Renato



Eu estava me preparando para sair, e o Rui envia mensagem falando que hoje era o dia de buscar o exame de DNA.

Eu confirmei que passaria logo que deixasse a corporação e ele completa; “Preciso falar com o senhor, é sobre a mamãe”.

Pensei comigo, a merda está feita, afinal de contas, envolveu Katia, já prevejo o que pode ser.

Todo mundo saindo e o pessoal do turno do dia chegando, e saio fechando minha sala.

O Vitor e Gustavo estavam no café, se preparando para irem também.

Eu me aproximo e falo direcionado a Vitor;

- Bom trabalho, parte da operação de vocês está completa.

Ambos sorriem e agradecem. Gustavo tem uma facilidade para ser “falso” e como se nada tivesse acontecido na noite anterior ele diz;

- Já estava me esquecendo... Aqui Capitão. – Ele fala entregando uma folha.

- Já li os relatórios Gustavo.

- Não é um relatório.

Coloco as chaves no bolso, virando a folha e conferindo, que estava escrito;

- Solicitação de mudança de Divisão? – Pergunto.

- Sim, senhor.

- É sério isso? – Vitor pergunta.

- Sim. – Gustavo confirma com convicção.

- Tem ideia de que existe somente a divisão de São Paulo e a de Brasília? – Pergunto gesticulando com a folha.

- Estou ciente.

- Posso saber o porquê?

- Porque eu transei com meu superior, e isso é taxado de favoritismo. Tanto que nós dois agimos contra o regulamento e somente Vitor foi punido.

- Oque... O... O que disse? – Pergunto até gaguejando.

- Estou zoando Renato, não tem senso de humor? – Gustavo fala me encostando.

Vitor engasga feio com o café que estava bebendo, sai até pelo nariz, ele sai todo sem graça da bagunça que fez.

- Serio Gustavo, avisa quando for fazer outra dessa, meu Deus, tem café no meu cérebro. – Vitor fala entrando no banheiro.

Amaço o papel que ele havia me entregado falando, com Gustavo que estava com um sorriso no rosto;

- Isso não teve graça alguma, tem ideia do que acontece se souberem?

- Não, e isso que acaba de jogar no lixo era verdade. – Ele fala apontando para a bola de papel que eu havia feito.

- Foi mal. – Falo saindo.

Peguei meu carro e fui até a clínica, pegar o resultado do exame para ver se conseguimos acabar com mais uma dor de cabeça.

Quando fui estacionando, na calçada o Rui já aguardava;

- Veio aqui como? – Pergunto abrindo a porta para ele deixar a mochila.

- UBER, vou com o senhor para a casa dela.

- Quer voltar lá?

- Sim.

- Vamos... – Digo entrando.

Cara pegar aquele envelope, e ficar com ele por quase uma hora sem poder abrir, foi uma tortura para ambos, eu e Rui.

Na casa do Luiz, aguardamos a Joice chegar, para assim poder resolver isso. Eu estava sentado no sofá com o Rui do meu lado, e o Luiz em nossa frente.

Quando ela chega vendo que estávamos reunidos, Joice deixa a mochila perguntando;

- Já abriram?

- Não. – Responde seu pai. – Estávamos te esperando.

Ela se senta na poltrona a nossa esquerda e eu entrego o envelope para o Luiz.

Ele sem cerimônia abre, pega a folha e me entrega, olhando para a Joice.

Rui quase sobe em meu colo para ler o “Negativo”, que estava escrito de negrito na folha.

Joice se estiva pegando o papel;

- Isso é mentira. – Ela fala olhando para o Luiz. – Pai é mentira.

- Vamos filho. – Falo me levantando. – Vou deixar vocês conversarem... E se precisar de alguma coisa, tem meu número – Falo a ela.

Já Rui, passa calado, e eu achei valido, deixar ela nesse momento com o pai.

- Obrigado por confiar em mim. – Ele solta quando estamos ao lado de fora.

- Sempre meu filho, agora você vai fazer algo por mim...

- Sim.

Ele entra no carro, e antes de eu apertar o sinto falo;

- Não vai abandonar ela, até eles se resolverem.

- Tudo bem.

- Meu filho, isso é muito importante, estou falando sério.

- Tudo bem Pai, eu não vou.

O celular dele chama e Rui atende, comigo saindo;

- Oi, mãe... Sim... sim... posso.

Ele me olha e eu digo cutucando ele;

- Não fala que está comigo.

- No tio Tom, vou mãe. Tabom... – Ele desliga o celular e comenta. – Pai acho que não vai querer ir comigo, ela está no tio Tom.

- Vou sim, ah dias estou querendo falar com ela.

Tomas havia mudado para um condomínio de alto padrão de São Paulo, e pelo jeito ela estava morando lá.

Para entrar no prédio sem ser identificado e barrado pela portaria, eu me apresentei como policial, e o sindico estava perto também, o coitado ficou assustado;

- Moço pelo amor de Deus, não vai usar arma aqui dentro.

- Fique tranquilo, só não posso ser anunciado.

- Sim, senhor. – Ele fala indo até a guarita.

Subimos, e o Rui comenta no elevador;

- Não vai fazer nenhuma loucura né pai?

- Haha, não filho.

Ele bate na porta, e o seu tio abre;

- Senhor da gloria. – Ele grita ao me ver.

Deixa a porta aberta e sai correndo;

- Que isso Tomas. – Katia vem gritando... – Não acredito, que você faz aqui Renato?

- Vim falar com você.

- Vou chamar a polícia. – Ela fala pegando o celular.

- Deixa de frescura, você não me atende e nem responde minhas mensagens.

- Que você quer?

Eu entro, e o Rui estava perto, então falo a ele;

- Filho, pode deixar a gente conversar rapidinho?

- Tá.

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