• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 50

Meu celular chama de novo, e novamente Roger. Eu não atendo, passo pelo Renato e pego minhas chaves na copa;

- Vai onde Gusta?

- Tenho que trabalhar Douglas, gente me desculpa, mas é uma emergência.

- Está bem, se é isso. - Douglas diz.

Sai com o Roger ligando novamente. Na verdade, eu estava ficando assustado com a situação.

Chamei um dos elevadores e desci, quando a porta abriu eu fiquei pensando como faria, pois, estava sem arma e equipamento, somente distintivo.

- Vou com você. – Fala Renato aparecendo igual fantasma atrás de mim.

- Não.

- Não estou lhe perguntando.

- Renato escuta...

- Gustavo, está armado? Tem colete? Ou algum equipamento com você?

- Não.

- Se está em serviço eu irei com você. – Ele fala abrindo o carro.

Fiquei parado enquanto ele entrava e ligava o veículo;

- Entra logo. – Renato diz.

- Itaquera, atrás da Universal.

- Beleza, olha no rádio e procura alguma viatura próxima. – Ele fala abrindo o porta luvas.

- Foi um roubo de celular Renato, ninguém morreu!

Ele me olha com aquela cara de deboche e diz;

- Siga o protocolo, está descaracterizado, e precisa de reforço, então, se certifique que tem algum apoio perto. – Ele em um tom como se estivesse dando aula.

Peguei o rádio fazendo o que ele pedia, o caminho levava de trinta a quarenta minutos.

Eu preciso de um tratamento sabem, eu até quero, mas minha boca tem vida própria, ela fala por sí.

Estávamos em silencio, e ele dirigindo então eu digo quando Renato para em um semáforo;

- Não tive e não tenho nada com o Tomas.

Percebo ele fechar a mão no volante, sabe, segurando com força;

- Não temos nada, não tem que ficar me dando satisfação das merdas que você faz na sua vida. – Ele fala sem me olhar.

- Tem que parar de agir como criança Renato, Vitor não tem nada a ver com sua raiva de mim.

Gente ele para novamente em outro semáforo e me olha PUTO;

- Olha para mim e fala, que estou errado!

- Descontar sua raiva nas pessoas próximas a mim. Você está ERRADO sim.

- Ele é seu supervisor, e deveria te repreender para não fazer o que fez, ele burlou a regra, essa pode ser a primeira, daqui um ano ele pode estar no mesmo lugar que o Vander, por começar errado. Você não tem o direito de dizer que estou errado, quando é você quem procura Gustavo. – Ele fala isso apontando o dedo para mim.

- Você vai sofrer demais ainda na sua vida com pensamentos assim Renato, até parece que você não erra.

- Você consegue me tirar do sério Gustavo, puta merda.

- Talvez seja porque sou o único que tenha coragem de falar verdades na sua cara.

- Cala a boca!

- Você merece tudo que está passando Renato, seu filho, sua ex mulher, isso é para você aprender que não está no comando de todo mundo. A vida não se resume a hierarquia seu idiota.

- Fala de mim, mas você é igual. Não admite estar com inveja do seu irmão, ser aceito pelo seus pais e você não.

PORRA, essa eu não esperava, engoli seco, formou um nó na garganta de imediato, e uma vontade de chorar, o ar desapareceu.

Os carros buzinando atrás, aquela bagunça no meio da rua, eu somente olhei para ele segurando o choro e disse;

- Você ainda vai ajoelhar me pedindo perdão pelo que acabou de falar Renato. – Falo abrindo a porta e saindo.

Para ajudar quase sou atropelado, um carro passa por mim buzinando.

Uma fila de veículos, e estava um vento muito forte no momento, eu atravesso a rua, sem rumo e escuto ele gritando atrás de mim;

- Gustavo, entra no carro agora. – Ele fala me seguindo.

Eu sem responder continuava andando, até ele segurar forte no meu braço.

- Renato está me machucando.

- Falei para entrar no carro! – Ele grita.

- ME SOLTA.

- Entra Gustavo.

Quando ele fala isso meu reflexo acerta um murro em Renato. Na verdade, quase quebro o punho, com o golpe ele vira o rosto me soltando, não todo o corpo, e somente o rosto, até porque não tenho tanta força.

Ele volta passando a mão na boca que começa a sangrar, acho que ele fica meio zonzo, pois olha para mim de uma forma estranha e lenta, os carros naquela baderna na rua. Renato havia deixado o carro no meio da rua, todo mundo passando e apertando com firmeza as buzinas.

Eu vi o Renato passar a mão na pistola sob o coldre, provavelmente para me forçar a entrar no carro. Depois do que eu fiz, só aguardei ele partir para cima. Mas ele se vira e volta ao carro.

Me viro saindo e a cada passo rápido meu, lagrimas desciam, como eu podia estar ajudando uma pessoa como essa. Como eu me enganei tanto assim.

Pensar em Renato doía dentro do meu peito, uma dor insuportável.

Consegui despistar ele, por ter que voltar e pegar o carro. Tinha um bar e restaurante no meu caminho, eu entrei meio perdido, sem saber o que fazer, e para onde ir, acho que fiquei atordoado do que havia acabado de acontecer.

E o celular de novo, só assim para eu me lembrar do Roger. Olhei onde estava e segui andando mesmo, o que faltava três quadras na verdade.

Em dez minutos viro a esquina, e vejo algumas pessoas no fim da rua, e alguém sentado na calçada, fui me aproximando e eu achei estranho ele estar daquele jeito.

Então cheguei perto, ele me olha Branco, pálido. Cheguei a piscar lentamente, eu havia feito merda, e das grandes.

Olho para trás e dois garotos se aproximando;

- Me desculpa Gustavo. – Fala Roger.

Ele estava cheio de hematomas no rosto e com sangue na roupa. Do outro lado da rua havia um beco onde saiu mais dois, porem armados e apontando para mim;

- Mão pra cima playboy. Mão pra cima.

Levanto as mãos, e os dois que estavam mais perto me revistaram, procurando arma mesmo, o de menor pega minha carteira e fala;

- Limpo Ronaldinho.

- Então você é da polícia? Haha vamos logo, Dudu vai pagar um pau quando entregarmos os dois. – Ele fala gesticulando com a arma.

Tinha um carro ao lado e outro mais a frente, onde colocaram a gente e saímos. Eles meio que amarraram nossas mãos, o carro sai por cem metros e passando por uma esquina vejo a caminhonete de Renato ligando o farol;

- Faz alguma coisa. – Roger diz.

Ele estava tentando soltar as mãos, e fala por eu estar imóvel;

- Relaxa. – Falo gesticulando com a cabeça.

Mas o Roger estava com medo, afinal estávamos sendo levado para o Dudu, dono do morro.

Pelo que os caras conversavam um deles me reconheceu, e ao invés de falar ao Dudu, quis fazer uma com o traficante dono da boca.

Ele na verdade foi esperto, queria fazer o dele. Tudo que precisava era do Roger;

- (...) Eu não falei nada, eles me chamaram para entregar mercadoria e chegaram com essas ideias...

- Cala a boca Roger, está falando demais.

- Cala os dois a porra da boca caralho.... Estou dizendo Ronaldinho, entregando o tira para ele, ganho a gerencia da boca, ai é só felicidade pro papai aqui...

- Vai esquecer de mim não viado.

- Haha fica de boa.

Eu não sabia mas tinha caminho até o topo da favela, eles subiram bastante e desceram a gente, andando em fila indiana com aqueles caras cantando vitória, deixava você pouco apreensivo;

- Passa o radio para o Dudu, vamos encontrar ele na quadra. – O tal Ronaldinho fala ao de menor.

Depois de uns cinquenta metros, entramos na quadra e ficamos sentados no chão, um de costas para o outro;

- Me fala que você tem um plano Gustavo? Ou que vão vir atrás da gente, pelo amor de Deus.

- Cala a boca Roger, estou pensando ainda.

Falo baixo a ele, e nos fundos, soba uma luz amarela o Dudu sobe acompanhado, ele olha diretamente para mim.

Se aproxima cumprimentando o Ronaldinho;

- Que manda irmão? Que parada é essa? – Ele pergunta apontando para a gente.

- Ta ligado no cara que o playboy do Roger trouxe aqui. É da polícia irmão.

- De onde tirou essa fita Ronaldinho? – Dudu fala de braços cruzados.

- Conheci ele da televisão Dudu, já apareceu varias vezes, tem a ficha suja na favela.

Dudu se aproxima da gente, eles nos colocam de pé, e ele vem perto;

- É verdade o que ele está falando?

Eu fico calado;

- Qual é? Perdeu a língua é donzela?

Novamente calado. Eu poderia ter xingado ele, ou feito um barulho qualquer, pois levei um baita soco no estomago. Que me fez cair sem ar, e tossindo muito.

Ele abaixa me puxando pelos cabelos e pergunta de novo;

- Vai falar agora, é ou não é da policia porra?

Eu começo a rir, e digo;

- Sim, eu sou policial.

Dudu olha para o Roger e fala;

- Cadê pegaram arma com ele? – Ele levanta rápido.

- Só a carteira. – De menor fala entregando a ele.

Dudu abre, tira uma nota de cinquenta, deixa meus cartões caírem no chão, e puxa a carteirinha da corporação;

- PORRA Ronaldinho ta de sacanagem com minha cara. PORRA, vacilão. – Dudu me olha assustado e pergunto. – Tu é Policial do COE da PM?

- Comando de Operações Especiais do Exército. – Falo de joelhos.

Todo mundo começou a xingar o Ronaldinho, e Dudu grita;

- Cadê o fogueteiro? Acorda a favela viado, vai, vai.... Vocês buscam minha nega e meu filho, tiram ele da favela... – Ele fala bem agitado.

0 visualização
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia