• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 5

Esses momentos, de conversa, eu e meu filho eram raros, aproveitava sempre que eu tinha essa regalia.

Rui ficou sentado na ilha, ao meio da cozinha, sentado ao lado esquerdo, enquanto eu estava preparando o jantar, ele me mostrava vídeos, e fotos do Canada, contando inúmeras histórias.

Logo o seu celular chama;

- Oi... Mãe. Desculpa esqueci de avisar que cheguei (...). Está fazendo janta... Beleza. Pai, ela quer falar com o senhor.

- Não eu não quero falar com ela não. – Digo fazendo ele rir.

Peguei o celular;

- Fala Katia.

- Quando vai arrumar um advogado e levar a sério esse processo em Renato?

- Quando você me disser que vai me dar um tempo Katia, não sou filho seu para ficar me dando ordens.

- Para de fazer cena Renato, só porque está na frente do Rui.... Já conversou com ele?

- Sobre.

- Sobre? Preciso dizer.

- Serio, eu odeio você. – Digo desligando o celular.

Entrego o celular para Rui, e pego uma cerveja na geladeira, eu não estava animado para beber, mas ele me acompanhou.

- Pai.

- Fala Rui.

- Quando vai me contar o que aconteceu?

Eu olho para ele ficando tenso;

- Sua mãe já te falou Rui.

- Sim, mas quero ouvir do senhor.

Cheguei a abaixar o fogo das panelas, dei meia volta no balcão, sentando de frente a ele, em um dos bancos;

- Pai o senhor é gay? – Rui pergunta sem olhar para mim.

- Não, Rui! Eu bebi mas que o normal naquela festa, porem dessa vez foi diferente, eu não me lembro de grande parte do que aconteceu. O que lembro é sua mãe me acordando com gritos e jogando coisas.

- Então é verdade, o senhor ficou com o Tio Tom?

- Eu acredito que não, até porque estava muito ruim, mas sim Rui, ele estava no mesmo quarto quando acordei.

- E agora em?

- Acho que está ciente, eu e sua mãe estamos com o processo de separação ainda em andamento. Rui eu não posso dizer que estou errado, mas se estiver, não me importo de pagar pelo que fiz ela passar. Mas essa história não está encerrada não, quero pegar seu tio na reta.

- E vai fazer o que com ele pai?

- Depois que bater muito, quero saber o que aconteceu aquela noite.




#Gustavo




Pessoal tem um PUB, aqui perto PF em São Paulo, que eu gosto bastante de ir depois do trabalho. E depois de um dia como hoje, era tudo que eu precisava.

Estava com minha amiga, a Mariane, os dois jogando sinuca, tinha duas mesas, uma ao lado da outra, e o balcão com várias pessoas bebendo, música de voz e violão no palco aos fundos, muito aconchegante;

- (...) Para mim pode ser uma caipirinha... e uma dose de tequila para cada um. – Falo passando giz na ponta do taco de sinuca.

- Que isso amigo, eu trabalho amanhã.

- Eu também Mariane.... Ah te conta, quem eu vi hoje. O Robson.... Lembra dele?

- Claro que lembro, você foi apaixonadinho nele amigo.

- Mariane não precisa lembrar desses detalhes. Enfim, ele está trabalhando no COE.

- Serio Gustavo?

- Também achei estranho, mas é agente e tudo mais lá.

- Estou precisando de um trabalho assim sabe. Aquele escritório de advocacia está me matando aos poucos.

- Amiga, você tem Pós-graduação. Quando sair o concurso esse ano eu te aviso.

- Por favor.

- Aqui está sua caipirinha, sua cerveja e as tequilas.

- Obrigado. – Agradecemos juntos.

- E essa aqui, foi enviada pelo rapaz de jaqueta de couro, ali no balcão. – Ela fala me entregando uma bebida diferente lá.

Eu olho para o garoto, tipo modelo;

- Ai Gustavo, arrasando corações.

- Cala a boca Mariane.

- Nossa ele é lindo, eu morderia ele todo.

- Não sei o que eu faço. – Digo olhando para aquele copo.

E fico trocando olhares com ele, que era uma delícia;

- Vai falar com ele logo Gustavo, sei lá, chama ele para jogar.

- Eu vou devolver Mariane, só quero beber uma caipirinha e ir para minha casa amiga.

- Gustavo não me faça jogar você no garoto, vai logo.

- Beleza. Me dê isso aqui. – Digo virando a tequila.

Odeio esse tipo de flerte, na boa, fico muito sem graça. Vou andando em sua direção, ele se vira no banco me olhando a se aproximar;

- Oi, prazer Gustavo. – Digo pegando em sua mão.

- E aí, Rodrigo.

- Vim agradecer pela bebida Rodrigo.

- Não há de que Gustavo... estava olhando você e sua amiga aqui de longe e curte você.

- Obrigado. – Digo sem graça.

- Não estou falando sério, sabe, discreto e não afeminado, eu curto assim sabe.

Quando ele disse isso, eu olhei para os lados, e falei;

- Como é?

- Sabe Gustavo, aqueles gays afeminados, cheios de trejeitos, chega a me dar nojo.

- Ah entendi! E você é?

- Fora do meio, eu só fico com garotas, mas as vezes curto ficar com um cara, para variar sabe.

- Sei, bem como é. Olha pega a sua bebida aqui tranquilo, eu agradeço, mas você não faz meu tipo.

- Como assim? – Ele diz segurando o copo. – Não faço seu tipo?

- É que você é um gay meio babaca e preconceituoso.

- Eu? Se olha no espelho irmão.

- Eu me olho e me amo Rodrigo, já você deita com uma mulher querendo que ela tenha um pinto no meio das pernas. Até nunca mais encubado. – Falo saindo de perto.

A Mariane me olha de longe e já fica meio assustada;

- Que foi amigo?

- Que cara mais babaca, e idiota Mariane.

- Desculpa amigo.

- Ele que tem que pedir desculpas, só tem beleza. Ai que vontade de dar a mão na cara dele.

- Que foi Gustavo.

- É um encubado cheio de frescura. Fora do meio.

- Nossa, pior tipo amigo.

- Olha você sabe o quanto eu sofri, fui colocado para fora de casa, não falo com minha família. Luto diariamente contra preconceituosos e vem um cara desse, mereço mesmo.

- Vem, vamos terminar essa partida, e esquece desse escroto.

Terminamos essa partida, e ainda jogamos as duas fichas que tínhamos, eu fiquei nessa caipirinha, tomei outra tequila, mas a Mariane pediu uns petiscos e ficamos lá jogando. Duas garotas da mesa ao lado, pediram para jogar conosco, já que estávamos brincando.

Então escuto um barulho de copo quebrando e ao olhar era briga;

- Que foi? – Pergunto a Mariane.

- Derrubaram bebida naquele menino, ele parece que não gostou. – Ela responde.

Rodrigo acertou o murro em um cara, que revidou, eles caíram no chão, só o regaço;

- Vai lá amigo.

- Eu, não deixa ele se matar...

- Gustavo. – Ela fala com aquela cara de estar certa.

- Odeio você.

Pessoal eu me aproximei, segurei na gola da camisa de um deles e puxei para trás, fazendo ele cair longe. Levanto o Rodrigo do chão;

- Vai embora logo mano. – Falo colocando ele de pé.

- Vamos quebrar esse cara maluco. – Fala um dos amigos, do cara que o Rodrigo estava brigando.

- Não vou sair daqui não, eles que quiserem que vão embora. – Rodrigo fala limpando a boca.

- Eu to mandando, vaza irmão. – Falo com ele.

- Boiola está bem bravo em.

- Vou te matar mano. – O cara que joguei no chão, fala voltando.

Tirei a arma da cintura apontando para ele e os amigos;

- Ninguém vai fazer nada com ninguém, vocês fiquem de boa, e você para fora do estabelecimento, ou te levo para passar uma noite na cadeia. Policia Federal porra! – Falo mostrando o distintivo para Rodrigo.

Sempre aquela cara de surpresa, sempre. Ele arruma a jaqueta saindo, os garçons arrumam as mesas e cadeiras, e eu guardo minha arma, aproximando do cara machucado;

- Está bem?

- Sim.... Valeu.

- Estamos aqui para isso. – Falo pegando em sua mão.

As meninas gritando, igual idiotas, e eu vermelho;

- Gente para... Mari, vamos? – Digo terminando minha bebida.

- Vamos amigo, vou chamar o UBER aqui.

- Vou pagar a conta. – Digo pegando a comanda.

No caixa a gerente fala pegando a comanda;

- Sua comanda é por conta da casa.

- Não, moça, não precisa.

- Você ajudou muito, receba como um agradecimento.

- Tudo bem então, obrigado.

- Volte sempre.

No caminho para casa, com álcool na mente, dia exaustivo e ainda recebo mensagem do meu ex. Era obvio rolar algo.

Avisei a Robson que estava chegando em casa, ele respondendo estar próximo, fechou! É Sexo na certa.

A Mari me deixou em casa, e seguiu com o UBER, eu desci do carro vejo do outro lado da rua Robson saindo do seu carro;

- E ai. – Ele diz estendendo a mão.

- Oi. – Falo abraçando ele.

- Você bebeu?

- Tive que separar uma briga dentro do bar isso sim, quer uma dica, não conte a suas amigas que você é policial.

- Vou aderir.

- Vamos subir. – Digo seguindo com o Robson.

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