• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 46

Eu tinha comigo que esse dia chegaria, mas nunca imaginei como seria e o que faria.

- Vamos vou levar você... – Renato fala cutucando o Douglas.

Ele se levanta para sair e me solta a seguinte frase;

- Vai passar na Ana Laura? – Douglas pergunta.

Imediatamente o Renato me olha. Pessoal cheguei a fechar os olhos, respirei e eu mesmo falei antes de ele abrir a merda da boca;

- De quem Douglas?

- Ana Laura... Prima da Brenda, apresentei ela para o Renato... – Ele fala rindo explicando.

Ele ficou com uma cara de paisagem, sem reação;

- É a gente não... não tem nada... foi só uma vez. – Ele tenta se justificar.

- Não estou nem aí para vocês. – Falo saindo na frente deles.

Despedi de Douglas de longe, o Renato tranca sua porta me olhando de lado, ele até dá uns passos em minha direção, mas acho que pensa melhor e volta.

Eu não deveria ficar assim, e ele também não é claro. Mas explique isso para a gente, faça isso entrar em nossas cabeças. Era muito estranho, ele tentando se justificar por algo que não tem necessidade, eu ficar puto por alguém que não me pertence, que eu não tenho mais nada.

Bem quando se trabalha em um plantão, no dia seguinte você está de folga. Aproveitei para ficar de olho no meu novo caso de investigação, Katia.

E pessoal que folga mais desperdiçada, eita mulher fútil e sem conteúdo. Salão de beleza, casa de amigas, família, shopping e massagem, a noite restaurante e casa novamente.

Olha deveria ser muito boa de cama para segurar homem como Renato, porque só pensa em gastar, e esbanjar o que não tem, reconheço que ela é muito bonita mesmo, mas que adianta?

Quando cheguei em casa o Douglas estava arrumando suas coisas para o dia da mudança, como eu queria questionar desta tal Ana, mas fiquei na minha.

No dia seguinte, eu acordei com o interfone da casa chamando, nem Douglas tinha acordado ainda.

- Oi.

- Bom dia Gustavo, o Renato chegou.

- Tabom. – Falo desligando.

Eu deixei a porta entre aberta e voltei para minha cama, estava sonolento ainda.

Não dormi novamente acho que somente cochilei, as vezes escutava conversa deles, algum barulho na cozinha, nada além disso.

Até ouvir voz feminina, gente eu sentei na cama rapidamente, ficando de orelha em pé, mas reconheci a Flavia. Eu me levanto para ir tomar um banho e Renato abre a porta;

- Ei vai... – Ele fala entrando.

- ESTÁ MALUCO. – Falo puxando o lençol.

- Qual é Gustavo, já vi você pelado.

- Deve que foi quando você perdeu a educação né Renato?

- Baixa a bola. – Ele gesticula com a mão. - Vai com a gente ou vai...

- A gente?

- Sim, eu seu irmão e as meninas.

Passei o lençol no corpo, cruzando os braços;

- Meninas? Flavia e Brenda né? – Pergunto.

- E a Ana.

- Eu vou trabalhar, lá pelo menos posso atirar em alguém sem ser preso. – Falo sendo irônico.

Gente ele entra e fecha a porta do quarto;

- Escuta Gustavo, sei que está bravo comigo, mas olha....

- Ei, ei, ei, ei... nem precisa começar, não quero ouvir suas desculpas, não perde seu tempo comigo.

- Até quando esse clima vai ficar entre a gente? – Ele diz se aproximando.

- Não tem clima nenhum Renato, é coisa da sua cabeça.

- Escuta Gustavo, gosto de você, quero que as coisas voltem a ser como antes, é difícil para você?

- Ai caralho, você deveria ter calado a boca quando eu falei. – Digo com a mão no rosto, sem acreditar no que eu ouvi.

- Viu é disso que eu to falando, você não leva o que eu falo a serio!

- Renato você se arrependeu de ter ficado comigo?

- O que?

- Disse que quer que sejamos como antes, estou te perguntando se foi um erro? Me responde.

- Sim.

Fiquei encarando ele por uns segundos, queria jogar ele da janela, ou jogar algo nele já me aliviaria;

- Sai do meu quarto.

- Gustavo, me escuta.

- Estou mandando você sair daqui. – Falo empurrando ele.

Renato segura meu braço e me pressiona a dar alguns passos para trás;

- Me solta Renato.

- Me escuta.

- Não me faça perder o respeito que ainda resta por você.

- Você perguntou agora escuta.... Eu me arrependi sim de ter ficado com você... sabe o porquê? Antes eu não pensava e não sentia nada por você Gustavo. Agora tudo que eu faço, tudo que eu penso é imaginando se você vai se importar, se irá achar ruim, ou não. Eu não queria isso pra mim.

- Me solta Renato.

Ele segurava meus braços com força, me olhando nos olhos. Percebo ele engolir seco quando eu digo. Renato não solta minhas mãos, ele desce seus dedos percorrendo meu braço.

Vou dizer por mim, o que eu percebi naquele momento, é que ele queria um beijo, ou algo do tipo, pois ficou de cabeça baixa, encostada em mim, só houve reação quando eu me viro entrando no banheiro, e deixando ele sozinho.

Ai se arrependimento matasse, era um finado Gustavo naquele banheiro.

Fiquei imóvel esperando ele sair, até ouvir a porta do quarto bater. Vou olhar no espelho que RAIVA, meu cabelo estava igual a juba de um leão, nossa eu estava acabado.

Tomei um banho, para esfriar a cabeça, me arrumei, e sai. Em casa estava Flavia e Douglas, cumprimentei ambos, e falei ao meu irmão, que passaria lá depois, inventei uma desculpa de ter missão no trabalho e fui embora.

Bem no trabalho eu passei a manhã com o Vitor, em nossa investigação, colhendo o máximo de provas, para poder trabalhar, e claro eu estava uma pilha de nervos, Vitor nem poderia me olhar que eu já soltava uma.

Bem estávamos no shopping Iguatemi, tínhamos um suspeito recebendo uma quantidade de drogas no lugar;

- Abordamos eles e levamos todo mundo preso, que acha? – Vitor pergunta.

- Quer prender um usuário e um aviãozinho?

- Gustavo esse garoto estava na favela, ele tem contatos lá dentro.

- Ótimo, vamos pegar os contatos deles.

O aviãozinho entregou um pequeno pacote ao garoto e recolheu o dinheiro saindo.

- Vem. – Falo saindo do carro.

- Gustavo, você não disse.

Como estávamos no estacionamento, o cara antes de guardar a droga na mochila ele dá uma conferida;

- Ei. – Falo próximo.

- E ai. – Ele cumprimenta, com um olhar safado.

Olhem, eu não tinha percebido o homão da porra que era.

- Que tem ai?

- O que você quiser. – Ele responde pegando em seu pacote, e sim, é o que estão imaginando.

- Qual é Gustavo. – Vitor se aproxima.

- E são casal? – O garoto fala.

- Quer merda está falando?

- Ué delicia, sou acompanhante de luxo, vocês não estão...

Antes de ele terminar de falar mostro o distintivo;

- COE, mãos na cabeça. – Vitor fala tirando a arma.

Ele era alto, e grande, se não estivéssemos armados levaríamos uma surra, na certa.

Eu pego a mochila e ele levanta as mãos, mando ele se virar para revistar, e o Vitor confere a mochila;

- Hum, cuidado com essa mão ai, também estou armado. – Ele fala brincando.

Mas eu coloco a mão na minha arma, e o Vitor aponta a arma para o cara. Ele começa a rir e fala;

- Estou falando na minha cueca.

Com ele estava de costas, o Vitor riu baixo e eu fiquei meio sem graça, por segurança coloco algemas nele;

- Então, Roger, a quanto tempo cheira pó? – Pergunto enviando os documentos dele para a central averiguar.

- Não cheiro, só curto fumar um “beck”.

- Ata, e essa cocaína é para sua mãe?

- Para meus clientes.

- Gustavo, essa quantidade pode colocar ele como traficante.

- Ouviu meu colega, uns quinze anos no mínimo você pega... Iria levar para onde esse pó, Roger?

- Então, pega meu celular, a senha 982746, olha a última conversa, estou dizendo para cliente, faço um serviço diferenciado.

Vitor por ser o Tenente na missão, autoriza eu fazer isso, até porque não podemos pegar o celular do suspeito sem autorização dele.

E sim, ele estava falando a verdade, mas não contava com a sua ficha;

- Aqui Vitor. – Falo quando chega a notificação da central. – Tem passagem por 299, falsidade ideológica, e 289 falsificar, fabricar ou alterar moeda.

- Isso aumenta uns três a quatro anos de pena... Acho que consigo uns 5.

- Beleza... Beleza... O que vocês querem?

- Como?

- Na boa delicia, já era para estarmos indo para a delegacia, sei que querem algo. Podem dizer.

- Me chama de senhor, e para com esses apelidos.

- Ainda é bravo, curto assim.

- Cala a boca. Quando vai pegar mais? – Pergunto me referindo a droga.

- Amanhã.

Nós levamos ele para a corporação, e ele ficou na sala de interrogatório quase o dia todo, pois eu queria usar ele para chegarmos mais perto do tal DUDU, e o Vitor queria prender ele já.

- (...) Está me entendendo? Consigo me infiltrar com a ajuda dele.

- É perigoso demais Gustavo, e não dá para confiar nele.

- Claro que não. Mas temos que resolver isso antes que o Renato chegue, se não ele coloca nos três na cela.

- Você só me arruma confusão... – Fala ele seguindo para a sala.

O Robson passa cumprimentando a gente e eu questiono;

- Ei temos aquelas câmeras que usamos na transportadora?

- Tem sim, quer que eu pegue para vocês?

- Sim, por favor.

Entramos na sala, e o Roger reclama;

- Ah estão ai, já decidiram o que querem da vida, porque tenho que trabalhar.

O Vitor me olha bravo e diz;

- Você está sob custodia, e por causa do meu colega não te coloco em uma cela.

- O que seu colega quer?

- Vai ajudar a gente a chegar no dono do morro. – Falo de braços cruzados frente a ele.

- No DUDU? Hahaha, não tem medo de morrer não?

- Vai ajudar a gente ou não?

- Não.

- Beleza, talvez aquela temporada que você passou em “Bangu”, não foi o suficiente. – Falo pegando os papeis saindo da sala.

- Não... Espera ai. – Ele grita. – Como querem fazer?

Explicamos o que iriamos fazer, ele topou.

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