• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 44

- 2 Meses depois -

COE – Comando de Operações Especiais do Exército Brasileiro.

Cheguei cedo no trabalho, e por volta de seis e meia da manhã, já havia jornalistas no lado de fora. Para entrar eles cercaram fazendo várias perguntas, mas entrei calado;

- Capitão... Capitão.... Como estão as expectativas para a volta dos heróis de São Paulo?

- Capitão. Uma palavrinha...

Eu estacionei e passo entrando no prédio escutando as os cliques das fotos dos jornalistas. Entrei no elevador e Robson entra junto;

- Que bagunça né capitão?

- Normal, com a volta dos meninos.

No andar, eu falo com dois policiais para tentar organizar lá embaixo, por causa dos meninos.

Entrei na minha sala, e com as pessoas chegando para o trabalho, vejo eles se aglomerando frente à TV, que transmitia a nossa portaria no jornal.

Sai da sala me aproximando e Gustavo desce do taxi passando por eles;

- Oficial, Gustavo para quem você dedica essa superpromoção, digo de passagem merecida, e a medalha da corporação? – Um jornalista da TV Globo pergunta.

Ele para em meios aos microfones e celulares e fala;

- Dedico para os meus pais, que me colocaram para fora de casa aos 15 anos de idade por ser gay. Rosa, Neto meu sucesso é para vocês.

- Gustavo, Gustavo (...).

Eles continuaram falando, mas ele entra.

Nisso o Vitor chega também, cumprimentando todo mundo, quase que de mesa em mesa, eu fui ao banheiro rapidinho.

Quando volto o Gustavo está no andar fazendo o mesmo, rodeado por colegas.

Eu pedi que Vitor entrasse primeiro na sala, ele faz a continência na porta e eu retribuo fechando-a;

- Senta ai. – Falo dando a volta a mesa.

- É bom senhor, é muito bom estar de volta.

- Eu sei, imagino, depois desse tempo em casa... Vitor você ainda será acompanhado pelo psicólogo...

- Ok.

- Eu andei conversando com ela, e é o seguinte. – Falo abrindo a minha gaveta. – Você está sob supervisão, e eu estou de olho em você. Quero que seja meu Tenente.

Ele morde os lábios, e vira o rosto, para não chorar, ficamos em silencio por um tempo;

- Desculpa.

- Fique tranquilo... no seu tempo.

- Senhor sabe o quanto eu sonhei com isso?

- Major Volta de férias em quarenta e cinco dias... Nesse tempo é sua experiência digamos assim.

- Obrigado senhor.... Posso? – Ele diz dando a volta a mesa.

Vitor me abraça, e eu entrego a ele o emblema, simbólico.

Ele sai da sala e o Gustavo me aguardava sentado no banco ao lado de fora;

- Sua vez. – Falo ao seu lado.

- Capitão. – Ele fala batendo continência.

- A vontade. – Falo dando espaço. – Senta ai Gustavo.

- Obrigado.

A marca de Gustavo, sempre foi seu cabelo, pouco mais longo que o normal, ele sempre despenteado de uma forma organizada, nunca soube explicar, rsrs. Mas ele estava de boné, nesse dia;

- E o Douglas? – Pergunto me sentando.

- Ele teve sua primeira semana de aula, está muito animado e excitado com tudo isso.

- Poxa fico tão feliz em ouvir isso.

- Agradecemos a você Capitão. – Quando ele fala, me deixa um pouco desconfortável, por não ter ninguém perto.

- Ele vai mudar mesmo?

- Olha está com planos, e a garota é um amor.

- Ele merece Gustavo.... Vocês merecem.

- Obrigado.

- Como você está?

- Estou bem, bem melhor.

- Eu falei com sua psicóloga, afinal ela liberou você a voltar ao trabalho, e disse que se certa forma, irá ajudar.

- Sim, não aguento mais ficar em casa.

- É naquele domingo que peguei o Douglas para ver o jogo comigo e o Rui, ele comentou que você estava inquieto em casa.

- Sim, muito... E o Rui?

- Esperando o resultado da prova, quer dizer.... Nós estamos.

- E você?

- Eu estou bem Gustavo.

Foram segundos de amigos conversando, se olhando, se encarando, até os profissionais voltarem;

- Aqui, seu distintivo. – Falo entregando a ele. – Decidi por não fazer cerimonia, creio que você está cheio delas.

- Ou sim, odeio ser o centro das atenções.... Poxa ela é mais bonita que o normal.

- Haha’ sua arma, irá trabalhar na equipe de Vitor.

- Ótimo, algo mais?

- Sim... Gustavo é bom ter você de volta, é melhor ainda ter você trabalhando aqui.

- Obrigado Capitão.

- Sabe que pode me chamar de Renato.

- Olha, é melhor esquecer o que aconteceu entre a gente.

- Não estou falando disso Gustavo.

- Mas eu sim Renato.... Posso ir?

- Sim, claro.



#Gustavo



Para conseguir aquele pique de voltar a polícia novamente, e poder estar apito a pegar grandes casos, mas partimos desse início, pois o COE não costuma cuidar de casos pequenos, é uma divisão importantíssima da polícia.

Nessa semana que eu havia retornado, eles estavam ajudando a tropa de choque da PM que faziam inúmeras missões nas comunidades.

Por essa questão, passei a semana no escritório, estava me sentindo uma secretaria, estudava uns casos, e organizava uns arquivos.

Renato também abusava, ele conhece meu histórico de investigador, e sempre me colocava para ajudar o pessoal.

E a gente, bem não tinha a gente mais. Não curto isso de ficar dando esperanças, e no caso dele, de me iludir. Mas ele foi um cara de palavra, todo esse tempo e não ficou com ninguém, digo ele não assumiu relacionamento, como ele havia me dito.

Bem na minha segunda semana de retorno, com as coisas graças a Deus, voltando ao normal. Eu estava tomando café pela manhã com o Douglas;

- Vai mudar que diz?

- Gusta, hoje é segunda... terça... quarta, na quarta se tudo der certo.

- E a Brendinha?

- Haha’ ela está quase careca de tanta ansiedade.

- Vou pedir folga no dia para ajudar vocês.

- Renato também vai, fala com ele, vocês vão juntos.

- Ah meu Deus, está todo amigo do Renato né, Douglas?

- Ah para mano. A gente foi no jogo e saímos para beber eu comentei, ele disse que iria ajudar... Flavia também vai ajudar.

- Sei bem a fita de vocês. – Falo levantando e colocando a louça na pia, e ele comenta.

- Renato também está precisando, está passando por uma barra.

Juro, eu ainda pensei em não questionar, pois quando faço isso sempre fico com pena, más foi mais forte que eu;

- Como assim?

- O Filho conseguiu só meia bolsa na faculdade, a ex mulher vendeu a casa e está quase sem dinheiro.

- Mas ele conseguiu a guarda do Rui, agora a Katia que se foda.

- É mano, mas Flavia contou que ele trabalhou por quatro anos sem férias para conseguir fazer aquela casa, deve ser bem foda. – Ele vem com sua louça, para eu lavar.

- Pensando por esse lado!

- Agora ela fica subornando ele por causa de dinheiro. – Douglas comenta isso com naturalidade.

- Subornado? Que história é essa? – Falo deixando o copo cair na pia.

Ele olha de sobrancelhas altas;

- Você não sabe né?

- Não, o que é? – Já pergunto bravo.

- Jura que não vai contar para ninguém?

- Fala logo Douglas.

- Ela pediu o divórcio porque pegou o Renato com o irmão dela na cama.

- Mentira! – Falo sem pensar.

- Sim, Flavia comentou que ela vinha estranha e toda desleixada com o Renato, desde que conseguiu um bom dinheiro com herança dos pais dela.

- Calma, fiquei confuso, e o que tem a ver com o Renato?

- Se o dinheiro sair e eles estivessem casados ele tinha direito da metade, agora com isso, e o acordo que ela forçou ele a fazer, ele sai sem nada.

- Ainda estou sem entender, não tem dinheiro de herança?

- Ai é que tá Gusta, não saiu, e pelo jeito vai demorar muito, por questões de justiça, eu não entendo muito bem ainda.

- Ela está subornando ele porquê?

- Ela conta a todos o porquê eles se separaram, e isso diz a Flavia, atrapalharia a profissão dele.

- Ah, mas que filha da puta essa mulher.

- Sim, uma cobra.

Peguei minhas coisas indo para o trabalho, passar mais uns dias atrás daquela mesa.

Eu cheguei como de costume, entrei e as mesas estavam pouco vazias, olhei ao redor estavam alguns investigadores na sala de planejamento, junto com o Renato, eu tranquilamente me sentei, e liguei meu computador, quando olho, estão todos lá dentro me olhando. Fiquei incomodado até o Renato assoviar para mim.

- Rápido Gustavo. – Fala o Vitor gesticulando.

Estavam me esperando, que vergonha. Entrei todo desconfiado;

- Desculpa não sabia que tinha reunião logo cedo. – Falo fechando a porta.

- Bebeu demais ontem? – Vitor brinca.

- Sim, com seu pai. – Falo sentando na sua frente.

Todos riram, e o Renato pede ordem;

- Galera, atenção aqui.... Teremos uma semana corrida, é o seguinte (...).

- Espero que coloque a gente na rua. – Vitor fala me cutucando.

- Estou precisando. – Respondo baixo.

- Vitor vai ficar com o caso do DUDU. Comunidade de Paraisópolis.

- Sim, senhor.

- Robson tenho um caso de ameaça de sequestro, quero que você fique de olho...

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