• Richardson Garcia

SENTENCIADOS - Episodio 40

Matheus vai ao banheiro, e depois se vestir, ele pega suas coisas, e já descemos, pois estava na minha hora.

Bem cheguei na corporação, e segui para a sala onde a Patrícia já estava, deixei minha mochila, bufando de raiva;

- Ih que foi amigo.

- Bom dia.

- Bom dia.

- Amiga... – Falo aproximando dela com a cadeira. – Interroga o Vander para mim?

- Você não estava esperando esse dia?

- Por favor.

- Porque não quer falar com ele?

- Não é ele, é o Renato.

- Quer foi? Não disse que tinha semanas sem falar com ele.

- Ele foi la em casa ontem, e pegou o Matheus lá. – Falo com os cotovelos na sua mesa.

- Mentira, Gustavo.

- Também queria viu amiga.

- E ele?

- Fez um show de ciúmes, e que não se importa. E eu fiz um belo papel de palhaço, pois não me segurei.

- Aí amigo.

- Patrícia se ele falar alguma coisa para mim naquela prisão eu vou mandar ele para aquele lugar.

- Temos a prova de física da COE chegando, mandar o Capitão para aquele lugar não ajuda.

- Tem isso ainda.

- Bom dia Gustavo, Patrícia... Gustavo sua autorização de interrogatório, Patrícia vem comigo, temos uma apreensão da PM na favela e as drogas tem o emblema do escorpião. – Daniel fala me entregando o papel.

Quando ele comenta, ela me olha dizendo;

- Ainda tem drogas do Governador nas ruas? Mas gente. Estou indo Daniel.

Ela se levanta pegando sua arma e distintivo, eu vou tomar um café, e pego minhas coisas, pedindo uma equipe que me acompanhe.

Em quarenta minutos chegamos na COE, depois da identificação na portaria, subimos até o andar dos presos, havia uma mesa onde um oficial ficava atrás de outras grades.

E no fundo mais policiais armados, possivelmente pela segurança para o Vander.

- Bom dia Oficial. – Ele fala me cumprimentando.

- Bom dia, meu caro, tenho autorização para interrogar um preso de vocês. – Falo entregando o papel para ele.

O garoto lê e responde;

- Desculpe, preciso da autorização direta do Capitão para autorizar sua entrada.

- Escuta, você viu quem autorizou esse documento?

- Sim, mas são minhas ordens, e ele está aqui, aguard...

Antes de ele terminar de falar, o Renato aponta no fim do corredor, ele não estava sorrindo, mas quando me viu seu rosto fechou mais ainda.

Vamos lá enfrentar mais esse desafio.

Como ele se aproximou o garoto abriu a cela para ele sair, dois dos agentes acompanhavam Renato;

- Capitão, estão aqui para falar com o Vander. – Ele diz enquanto as grades se abrem.

- Ninguém vai falar com o Vander. – Renato responde ao garoto, me ignorando.

- Posso saber o porquê que não? – Falo encarando ele.

Renato se aproxima, e gente para terem ideia, os policiais que estavam comigo, bateram continência para ele, eu estava com tanta raiva que nem isso fiz;

- Porque estou falando que não.

Eu sorri, peguei o papel na mão do garoto, e entreguei ele até meio amassado para o Renato;

- Você não precisa deixar capitão, tenho autorização direta do supervisor do seu supervisor... O Coronel Braga, só para deixar claro.

Falo avançando, ele olha no papel e diz;

- Não podem entrar armados aqui dentro.

Ele ficou cutucando, Renato estava procurando;

- Capitão se quiser continuar com essa dor de cotovelo, vamos ficar um bom tempo aqui, pois não irei abaixar as orelhas para você.

- Olha como fala comigo Gustavo.

- Para você Capitão é Oficial Medeiros.

O ambiente estava tão pesado, que as pessoas perto sentiram o que estava acontecendo ali. Chegavam a olhar para os lados, tentar disfarçar, coisa que eu não fiz questão de fazer.

- Deixem as armas. – Ele fala me encarando.

Eu pensei que Renato me daria um soco naquele momento, mas ele se segurou, acompanhou a gente até a cela do Vander;

- Prepare a sala de interrogatório, vamos descer. – Ele fala ao guarda.

- Não, precisa. – Falo a eles.

- Ah que devo a honra da sua visita? – Vander fala se levantando.

- Sabia que fica muito bem aí dentro? Combina com você.

- Renato porque autorizou a entrada deles? Não vou falar com ninguém, sabe disso, muito menos com um PF.

Ele dizia tentando me intimidar;

- Posso amenizar sua pena. – Falo encarando ele.

Vander para, me olha, serio, junto com o Renato;

- Vai aliviar para mim igual aliviou para o Rafael?

- Eu não matei o Rafael, e eu também não concordo com a decisão do Ministério Público, estou fazendo meu trabalho.

- O que querem? – Ele pergunta.

- Podem me dar licença? – Falo aos policiais.

- Saem todos vocês. – Renato fala.

Eu olhei para ele que já responde rápido;

- Nem adianta olhar, vou ficar.

- Vou ser direto com você, sabemos que você tem o prefeito e o governador nas mãos, estou pedindo um deles, quero uma declaração sua para manter o governador na cadeia.

- Não.

- Beleza então, com ele de fora você corre mais riscos de vida. – Falo dobrando a folha.

Eu arrisquei sair, e ele pergunta;

- De quanto tempo estamos falando?

- Talvez um regime semiaberto.

- Haha’ conheço a lei Gustavo, sei como funciona.

- Pode até saber, mas não me conhece, consegui o inimaginável para o Barão.

- Isso é verdade. – Renato concorda.

- A resposta continua sendo não.

- Beleza. – Falo saindo.

- Ei, PF! Eu duvidei de você.... Fala para ele Renato, seu lugar é na COE, precisamos de gente assim.

- Assim? Diz um tenente preso e um capitão, que... – Abro um sorriso e saio. – Deixa para lá.

Sai pegando minhas armas, e entro no elevador com os meninos;

- Conseguiu algo? – Um deles pergunta.

- Consegui mais que isso.

O Renato aponta no corredor, apontando para mim;

- Me espera na minha sala. – Ele fala muito bravo.

Desci ao andar e fui seguindo, os meninos desceram para o estacionamento;

- Quanto tempo Gustavo, como está? – Robson pergunta, quando me aproximo de sua mesa.

- Bem, e você.

- Estou ótimo.

- Ah lega, escuta, ganhei um jantar de um amigo, naquele restaurante novo perto da sua casa, que tal a gente...

- Robson, estou namorando, mas obrigado pelo convite.

Ele fica sério, mas não por mim, e sim Renato que estava igual uma múmia atrás de mim;

- Entra. – Ele fala apontando para a sala.

Quando entro, deixo a pasta que eu estava na cadeira e falo;

- O que quer?

- Que história é essa de amenizar a pena? – Renato fala se sentando.

- Dessa vez é mentira, eu blefei.

- Pelo jeito não funcionou.

- Rsrs, Renato as vezes duvido que você é capitão de uma divisão tão importante, abre a mente... Ele acreditou, era tudo que eu queria, e outra. Vou pedir a transferência dele.

- O QUE?

- Vou tirar o Vander daqui.

- Gustavo ele morre assim que sair. – Ele diz gesticulando.

- Vou colocar ele na mesma prisão, na mesma cela do Rafael, vou forçar ele a falar.

- Uhh gostei.


#Renato



- Obrigado, posso ir? – Ele pergunta de forma irônica.

Fico olhando nos seus olhos, sentado naquela cadeira a minha frente e falo;

- Você não me conhece Gustavo. Não sou como você imagina.

Ele se levanta pegando a pasta de documentos, falando;

- Você é pior que eu imagine Renato, e você sabe disso. – Ele fala saindo.

Ele segue em direção a porta, quando segura a maçaneta, eu digo;

- Você passou, você foi aprovado na entrevista, está a 95% de ganhar seu distintivo de Policial do Comando Maior, você e a Patrícia, dê a notícia a ela.

Gustavo abaixa a cabeça, respira fundo, engole seco e sai.

Acompanhei ele seguindo no corredor, foi duro, sem muito movimento, quando estava em frente ao elevador, ele limpa o que creio ser lagrimas.

Eu fiquei pouco emocionado quando soube da notícia.

Trabalhei somente a parte da manhã desse dia, o Rui tinha a prova da universidade, e eu iria acompanhar ele.

Quando cheguei em casa ele estava todo estressado, se arrumando, ao entrar no seu quarto;

- Pronto? – Pergunto empurrando a porta.

- Vou só colocar o tênis.

Eu peguei sua mochila e percebi ele bufando de raiva;

- Filho, tudo bem?

- Não, nada bem.

- Que foi agora Rui? Você tem uma prova muito importante hoje.

- Não é comigo pai.... Sabia que o Fernando é gay? – Ele diz se levantando.

- Fernando?

- Sim.

- Ta de brincadeira comigo?

- Não, ele veio me contar.

- Aquela má influência, gay?

- Pai!

- Eu não gosto dele.

- Isso é crime, hoje em dia pode ir preso por isso. – Ele fala sério comigo.

- Não estou falando de ele ser gay, e sim das suas atitudes.

- Vamos.

Entramos no elevador e pergunto;

- Mas porque está bravo?

- Ele é meu melhor amigo, todo mundo sabia só eu que não, veio me contar por último.

- E você está bravo?

- Sim, confio nele, conto tudo, e ele fica de segredinho.

- Calma aí, estou confuso, está bravo porque ele não te contou primeiro, ou porque ele é gay?

- Não me importo se ele deita com um cara, mas nossa amizade vem primeiro.

- Aham. – Confirmo pensando no meu filho, com uma mente dessa.

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