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©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia

  • Richardson Garcia

SENTENCIADOS - Episodio 39

Falo levantando, fechei a porta, e Flavia me acompanhando com o olhar.

- Não fica falando que me avisou.

- Ah eu já gostei. Que foi?

Me sentei a sua frente, e estranhamente minhas mãos soavam, pernas tremulas, era como uma missão na favela, vários sentimentos;

- Eu e Gustavo ficamos.

Ela ainda séria, sem se expressar;

- Fala alguma coisa mulher. – Digo batendo na mesa.

Flavia abre a boca, gaguejando e diz;

- Não, é que eu meio que não acredito em você amigo. – Flavia fala coçando a cabeça.

- Flávia aconteceu, no meu apartamento, no apartamento dele, até nessa sala.

Ela arregala os olhos;

- Não acredito.

- É verdade.

- Calma mas porque não estão se falando?

- É que ele quer relacionamento e tals...

Ela estende a mão, já aumentando o tom de voz;

- Pode parar, já sei que vai falar, acabou de terminar, e tem seu filho e seu trabalho.

- Vai deixar eu terminar?

- Diga.

- Eu não sei o que fazer.

- Estão longe quanto tempo?

- Faz três semanas amanhã.

- Sente falta Renato?

- Não, mas as vezes me pego pensando nele sabe.

- Quando Renato, quando vai parar de deixar seu trabalho na frente das pessoas da sua vida... Rui... Gustavo... seus pais.

- Aqui é o único lugar que me sinto bem, seguro, e rodado de pessoas que eu gosto, não é que vivo pela farda.

- Você vive Renato, e vai aprender da pior forma, vai perder ela para poder entender que não é tudo. E as pessoas aqui são subordinados seus, por isso você gosta, esse seu jeito de querer mandar e dar ordens.

- Já tivemos essa conversa antes Flávia. - Falo entregando os documentos a ela.

- Sim, e como eu disse, você vai descobrir sozinho.

Ela fala se levantando.

- Não terminamos, depois vou na sua casa. - Ela diz.

- Pode deixar.

- E pelo amor de Deus, vai atrás do Gustavo.

- Quero notícias do processo, não esquece. – Falo cortando ela.

Ela sai fazendo careta.

Eu fui logo em seguida, tinha que passar no mercado, comprar umas coisas.

E sei que querem saber, o que ela falou ficou sim na minha cabeça, caramba, Flávia tinha uma força para falar comigo, que sempre me deixava desconfortável, colocava minha cabeça para trabalhar.

Fui em um mercadinho do caminho de casa mesmo, onde achei lugar para estacionar o carro.

Depois de comprar as coisas passando as coisas no caixa, o Douglas passa em frente ao mercado, eu olhei para ver se ele me reconhecia e nada.

Eu coloquei as coisas na sacola, e paguei saindo, atravessei a rua colocando-as na caminhonete e vejo o Douglas conversando com uns caras.

Quando se está nesse trabalho, você desconfia de tudo e todos, eu estava meio que dentro do carro, com a porta aberta, depois de ter colocado as sacolas, fiquei olhando como os caras que estavam com ele se comportavam.

Era uma boca de fumo, parou uma moto, um dos “aviõezinhos” se aproxima entregando algo.

Juro, que queria entrar no carro e ir embora, serio, mas foi mais forte que eu.

Peguei uma pistola que estava embaixo do banco, e coloquei o distintivo por dentro da camiseta preta. Mas não iria adiantar muito, a gola polo tinha o emblema da COE. Fechei o carro e atravessei a rua.

O Douglas estava de costas para mim, um dos garotos indo a esquina e outro sentado conversando.

Esse carinha sentado, moreno e magrelo, quando me viu aproximando, ele se levanta e sai correndo, igual a um louco. Quando ele se levanta eu fico em alerta com a arma em punho.

O Douglas se vira e dá de cara comigo, como os meninos correram, meio que sumiram na rua;

- Renato?

- Douglas, vem comigo... – Falo segurando em seu braço.

Próximo ao carro solto ele;

- Fala o que estava fazendo naquela boca de fumo? – Digo interrogando ele na verdade, de braços cruzados olhando nos olhos dele.

- Não estava fazendo nada, conversando.

- Conversando? Com traficantes? Não tem ninguém mais para você conversar não.

- Está me dando um sermão? Vai me levar preso é Renato?

- Estou te dando sermão sim, eu arrumei trabalho para você com a Flavia, e coloquei meu nome, confiei em você, agora me responde, que fazia com aqueles caras?

- Morei sete anos na rua, aqueles caras, eram meus amigos quando eu estava dormindo debaixo daquela arvora Renato. Não sou como você e o Gusta, não tenho amigos, advogados, e nem delegado, eu sei que eles fazem coisas de errado, mas eu não me importo.

Fiquei calado para variar, isso estava virando costume já;

- Relaxa, você em razão de ficar puto. – Ele diz.

- Me preocupo com você, é um cara humilde, merece coisas boas. – Falo para ele.

- Obrigado, tu é um dos meus anjos.

- Rsrs, indo para casa?

- Sim.

- Entra aí, deixo você lá.

No caminho me desculpei novamente, mas o Douglas é o tipo de pessoa que não tem como você ficar desconfortável, ele é muito bom com palavras.

Bom também que me atualizou sobre os processos, a Flavia era muito fechada em relação ao trabalho.

- (...) Está mais forte Douglas, treinando?

- Sim, estou acompanhando meu irmão, a prova física da COE está chegando, e ele está acabando comigo nos treinos.

- Que bom, fico feliz que ele esteja empenhado.

Quando chegamos no prédio, o Douglas convida;

- Vamos subir.

- Não, estou de boa, tenho que ir para casa.

- Ah, sobe aí Renato, bom que fala com o Gusta, um tempo que não aparece aí.

- Beleza então. – Falo descendo.

Subimos, e o Douglas pega suas chaves abrindo a porta.

O Apartamento de Gustavo, quando se entra tinha visão total da sala de estar. Douglas abre a porta e vejo um garoto de uns 20/23 anos no sofá, sem camisa, com aqueles shorts de futebol, jogando vídeo game, acho que futebol, não prestei muita atenção;

- E ai meninos... Gusta, Renato está aqui. – Douglas diz entrando.

Gustavo estava sentado ao lado do garoto, ele estava deitado. Quando o Douglas fala ele pula do sofá, ficando de pé, o garoto olha mas volta ao jogo, não dá importância.

O Douglas entra falando;

- Ei, obrigado pela carona.

- Por nada, vou nessa. – Falo virando e saindo.

Chamei o elevador, mas aquela desgraça demorando.


#Gustavo



Sai fechando a porta e chamando o Renato, que estava de frente o Elevador;

- Ei, tudo bem? – Pergunto.

- Sim, e vejo que você está ótimo.

Fico meio triste da forma que ele fala, até abaixei a cabeça, e olho em seus olhos;

- Eu e o Matheus estamos ficando.

- Não quero saber Gustavo. – Ele fala apertando repetidamente o botão.

- Foi mal, eu só pense....

- Quanto tempo?

- Antes de eu hospitalizar.

- Estava ficando com nós dois ao mesmo tempo? – Ele insinua, em um tom de voz alto.

- Primeiro, você me respeita. – Falo apontando o dedo para ele. - Segundo, não sou essas putas que você anda ficando não Renato. E Terceiro, mesmo que você não tenha nada a ver com minha vida, não eu não fiquei porque eu te respeito, coisa que falta em você.

O elevador se abriu;

- Essa é minha camiseta? – Ele pergunta olhando para mim, e entrando.

“MERDA”.

Tirei ela e joguei em seu peito, enquanto a porta do elevador se fechava.

Voltei muito puto para o apartamento;

- Que foi?

- Nada, Renato que é meio paranoico mesmo.

- Gustavo está sem camiseta. – Matheus diz.

- Me deixa vocês dois. – Digo indo para o quarto.

Mano eu tinha que falar com o Renato no dia seguinte, iria pedir ajuda dele na investigação, e esse infeliz sai daqui agindo como criança, que raiva.

Me troquei e o Matheus aparece no quarto;

- Tudo bem?

- Posso ficar sozinho?

Ele corre os olhos no quarto, meio sem graça e diz;

- Sim, se precisar estou na sala.

- Obrigado.

Ele sai puxando a porta.

Eu peguei meu celular, e abri seu contato para ligar, sim eu iria ligar para ele, mas bloquei a tela do celular e fiquei remoendo o que eu disse a ele no corredor.

Eu peguei no sono, acordei somente no outro dia, por ter deitado cedo acordo cedo, com o Matheus se mexendo na cama.

Tomei um banho, fiz um café, estava comendo quando meu irmão acordou.

Veio pegou uma xicara e saiu;

- Não vai se sentar?

- Estou estudando.

- Ah, vai lá.

Eu terminei, e fui me vestir, e o Matheus ainda dormindo;

- Ei, acorda.... Não tem aula hoje? – Falo cutucando ele.

- Só uma prova da faculdade, de boa.

- Anda logo Matheus.

Ele me olha da cama, envolta aquele lençol;

- Pedimos pizza ontem, quando vim no quarto você estava dormindo.

- É eu vi as caixas, na cozinha.

- Está melhor?

- Sim, é que tenho um dia importante. – Falo abotoando a farda.


- Vamos, vou te levar no trabalho. – Ele fala se levantando.

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