• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 36

Vitor cuida da investigação da Elizangela, então eu pessoalmente queria acompanhar eles e comandar de perto.

- Eu vou também? – Gustavo pergunta entrando na sala.

- Não, fica aqui, vai direcionar as equipes aqui de dentro.

- Hum sei. – Ele fala cruzando os braços. – Não está me deixando aqui pelo que o Vander falou não né?

- Não.

Peguei meu colete e fui colocando ele no caminho até a garagem, todo se vestindo e preparando, para sair.

A favela fica ao lado da Fernão Dias, uma das mais importantes vias de São Paulo, e era o ponto fraco deles, pois era possível pular pela estrada e adentrar a favela, o problema era a visibilidade deles.

Guiados pelo Gustavo e o resto da equipe no rádio, nós seguimos normalmente pela principal, ele nos deu o aviso, nós passamos pelo local, onde havia uma passarela, deixamos um policial a paisana e seguimos.

Ele então nos dá o posicionamento, e melhor direção em terra, a equipe voltou na contramão, aproveitando a hora na madrugada.

Os carros nem parando e escutamos os foguetes. Pronto a merda da missão tinha ido agua abaixo.

Pulamos, correndo, e seguindo para dentro, até identificarmos o barraco que eles estavam, foi avistar a gente e começaram os disparos. Eu repetia no radio;

- “Se possível quero eles vivos”. – Ele repetia a equipe em ação.

Conseguimos identificar 4 deles, um estava em cima e três dentro, a porta estava aberta, e nossa equipe tinha uma bela visão.

Com essa ajudinha consegui acertar um que estava próximo, o Vitor derruba o cara que estava em cima da casa, fazendo o cair lá de cima, e ele faz uma grande merda.

Vitor avança em fogo aberto para dentro do lugar com dois policiais, isso é totalmente contra as regras.

Ele ficando em perigo, eu fui obrigado a avançar com alguns me dando cobertura.

Ao chegar na porta, tinha dois caras chorando, pois eles acertaram, um no braço e outro na perna.

- Pente fino, rápido. – Falo a eles, para olharem ao redor e ficarem de prontidão.

Vitor me ajuda a revistar e fazer a merda do trabalho sujo;

- Edson seguinte, quem foi que matou a Elisangela? – Eu perguntava.

- Não, sei quem é essa não senhor.

Ele somente fala isso. E a cada resposta um tapa na cara.

O outro que estava algemado estava reclamando muito de dor;

- Tem que levar a gente para o hospital senhor, rápido.

O Vitor chutava, para ele se calar e nada.

Entendam eu estava falando com esse garoto, por ser o mais novo, e com isso cabeça mais fraca, poderia ir longe no psicológico dele.

Eu já tinha dado uns dez tapas e nada, ele ficava repetindo, tirei minha arma;

- Calma Capitão. – Vitor diz, colocando seu fuzil para trás.

- Vou perguntar mais uma vez, quem foi Edson? – Falo apontando a arma para ele.

Ele demora a responder e gesticulando que não;

- Eles matam minha família doutor.

- A gente não sabe de nada, dá para levar logo para o hospital aí. – Repete o outro cara.

E eu então vou ao extremo em uma missão comandada por mim.

Com a arma apontada para o Edson, eu estico o braço, apontando ao garoto;

- Vai falar?

Ele diz que não novamente, então eu disparo, tirando a vida do outro cara.

Vitor se assustou, e o tal Edson, fica paranoico;

- Eu, falo, eu falo, eu falo.

- Pode levar Vitor. – Falo levantando. – Vocês dois, limpam isso. – Falo apontando para os corpos.

Pegaram as armas, pouco de drogas e dinheiro, quando levaram para o carro, todos estavam reunidos, e tensos, provavelmente pelo que eu havia feito;

- Estão no carro Capitão. – Vitor diz se aproximando.

Puxei ele pela farda, colocando contra a viatura;

- A próxima vez que levar homens para fazer graça em uma operação minha eu mesmo te acerto, está me ouvindo?

- Sim, senhor.

- Só não coloco vocês três em suspenção porque temos muito que fazer ainda. Mas pisem na bola mais uma vez comigo. Vamos porra, vamos embora.

O fim da missão terminou com o amanhecer do dia, não pude interrogar o Edson, pois ele estava com uma equipe no hospital.

Chegamos na corporação, e os meninos fazendo relatórios urgentes, pois eu já mandei para o porta voz de imprensa toda a operação, queria isso na mídia rapidamente, pois se realmente o Major está tentando me segurar, não seria dessa forma.

E foi dito e feito, com matéria nos principais jornais de São Paulo, minutos depois ele me vem, já entrando na minha sala, soando;

- Capitão, quem autorizou uma ação dentro da favela São Rafael?

- Eu mesmo senhor.

- Eu estou no comando dessa investigação Capitão, não pode me ignorar e ir passando por cima...

- Não passei por cima de ninguém Major, eu estava responsável pelo plantão, as ordens partiram de mim, aquela ação prendeu os assassinos da Elisangela.

- Não deixe que manifestações nas ruas, ou jornais de televisão influenciem em suas ações. Não é porque tem um monte de gente pedindo justiça que você tem que fazer com as próprias mãos.

- O que quer dizer Major?

- Executar inocentes para um bem maior.

Mano olhei para ele com muita, raiva, mais ainda pelo Vander estar certo;

- Ai eu não acredito nisso. – Falo pensando alto.

- O que disse capitão?

- Major, aqui está o relatório da operação, senhor sabe muito bem o sucesso que foi, se quiser fazer algo comigo tudo bem, eles estavam sob minhas ordens, agora deixa eu ir, porque meu plantão acabou e eu estou exausto. – Falo deixando as pastas e saindo da sala.

Quando eu estava saindo o Gustavo já havia ido. Falei com o Rui que estava tomando café para ir ao colégio.

Cheguei rápido em casa e ele estava terminando de comer;

- Vamos, vou te levar para o colégio. – Falo pegando uma agua na cozinha.

- Não precisa.

- Anda logo Rui.

Dias havia se passado do ocorrido, e ele ainda estava puto comigo.

No caminho para o colégio, ele calado como sempre;

- Até quando vamos ficar assim?

- Assim como.

- Você sem falar comigo.

- Odeio ir para a escola de viatura pai.

- Complicado, pois se tem vergonha do trabalho do seu pai.

- Não é vergonha.

- Ata.

- Falou com minha mãe?

- Hoje... Sabia que ela quer vender a casa?

- Sim.

- E não me falou nada Rui.

- E o senhor importa.

- Beleza, se é assim que você quer.

Ao parar na porta da escola, ele desce sem se despedir. Galera o Rui odiava que eu fique fardado perto dos amigos dele.

Eu estava de farda, colete, e arma presa no coldre, com apoio na coxa, e equipamentos.

Pois eu desci do carro, ao bater a porta ele vira olhando;

- Que foi?

- Vou te acompanhar.

- Pai, não.

No portão o viado do Fernando me olha e já entra rápido, dois garotos se aproximam e me olham estranho;

- Quem é Rui? – Um deles perguntam.

- Segurança. – Eu respondo.

- Pai, pelo amor de Deus.

- É seu pai?

- Não. – Ele responde me empurrando.

Nos se afastamos, e ele estava todo nervoso;

- Vai embora, eu faço o que quiser, mas vai para casa.

- Não quer que eu entre, tem um fuzil ali dentro. – Falo sacaneando ele.

A sirene toca, e eu entro no carro, rindo pela situação, olhei no celular conferindo a hora e vou a casa de Katia, queria tirar essa história de vender a casa a limpo.

Quando cheguei pessoal, tinha um carro na porta, aparentemente do meu antigo sogro.

Desci e toquei a campainha, e nada dela abrir, então apertei segurando sem pausa, Katia veio rapidinho.

Ela abre o portão bem brava;

- Nunca viu campainha não?

- Não... – Falo entrando.

- Renato.

- Precisamos conversar.

- Não pode entrar assim na minha casa.

- Vai fazer o que? Chamar a polícia?

- O que você quer? – Ela fala me seguindo.

Quando entro vejo a mãe e pai dela, eu nem me aproximo, eles estavam na cozinha, e nós no saguão de entrada;

- Bom dia. – Falo estendendo a mão.

Eles respondem de lá mesmo;

- Renato, diz, o que você quer?

- Que história é essa de vender a casa?

- Sim, é grande demais para eu e o Rui.

- Rui? Falou com seu advogado?

- Não.

- Pensei que estava dormindo com ele.... Mas entrei com um processo de guarda do Rui, Katia.

- Você ficou louco? Quer tirar meu filho de mim...

Mano ela gritava, de um lado para o outro, fazendo um escândalo, sua mãe veio fazendo o mesmo;

- Você nem sabe onde ele está! E fica fazendo cena, cria vergonha nessa cara sua Katia.

- Ele está na casa do Fernando.

- Meu Deus, dê paciência. Fala logo, que vai fazer com o dinheiro da casa?

- Não te interessa.

- Levei minha vida inteira para deixar essa casa como está, você não vai vender ela assim...

- Já está quase tudo pronto, e...

Ela estava falando e o irmão dela aparece nas escadas. Ah era bom demais para ser verdade.

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