• Richardson Garcia

SENTENCIADOS - Episodio 33

Olho para trás e ele estava andando de um lado para o outro, olhando para cima, segurando o choro. Eu puxei ele e o abracei. Foi abraçar o Gustavo ele começou a chorar.

- Respira, tem que ser forte agora, confio somente em você. – Falo em seu ouvido.

- Certo. – Ele diz segurando e respirando fundo.

E era verdade, eu precisava muito dele. E confesso, eu também fiquei muito abalado.

- As luvas capitão. – Fala o agente.

- E o que eu pedi?

- Estão fazendo senhor, todas as celas estão sendo analisadas, o sistema inteiro de segurança, está sendo revisado, as pessoas, como mandou.

- A Perícia?

- A caminho, pediram dez minutos.

- Ótimo. Gustavo! – Falo entregando as luvas.

- Alo... Patrícia, preciso que venha para o Presidio imediatamente.... Não posso dar essa informação por telefone.

- Precisamos manter isso por baixo dos panos, até pegar o responsável. – Falo colocando as luvas.

Entrei na cela, passando um pente fino, e com ajuda da lanterna do celular confiro o nó e o que ele usou para fazer isso;

- Me ajuda Gustavo.

- Não pode tirar ele dai Renato.

- Não é porque está morto que não merece respeito, me ajude a tirá-lo dessa posição.

Descemos ele e colocamos na cama. Ainda com a lanterna olho suas mãos, e roupa, e Gustavo comenta antes de mim;

- Ele não fez isso, olha, sinais de luta, tem pequenos hematomas pelo corpo, sinal de luta nos punhos, olha aqui, cortes pela boca.

- Desconfiei disso também, partimos de Suicídio para Assassinato.

- De assassinato para queima de arquivo Renato.

- Sim.

- PUTA QUE O PARIU. – Fala o Robson na porta.

- Está sozinho? – Pergunto.

- Não, vim escoltando uma equipe da perícia, mas não sabia que era isso.

Eu sai da cela, tirando as luvas;

- Voltamos à estaca zero. Quero nível máximo na cidade Robson, coloca todo o comando na rua.

- Estamos atrás de quem senhor?

- Vander.

- O Tenente Vander?

- Sim, prendem ele até o meio dia de amanhã, é quando está marcado o depoimento do Rafael.



#Gustavo



Eu ouvi a conversa de Renato com o Robson. Estava tentando imaginar se havia mesmo a possibilidade de suicídio, para tentar descartar essa busca de Vander, mas impossível. A forma que foi amarrado o lençol era improvável.

A perícia chegou entrando e fazendo algumas perguntas, eu saio daquele ambiente, ainda extremamente abatido, e um dos agentes chama o Renato;

- Capitão, temos um suspeito.

Ele me olha e seguimos para a sala de segurança. Bem as imagens não mentiam, Vander foi a última pessoa a entrar na cela, ele foi com desculpa de levar refeição, entrou e ficou sete minutos dentro da cela.

- Como Vander derruba, e deixa o Rafael inconsciente, o amarrar deixando ele daquela altura, isso não entra na minha cabeça. – Falo para Renato.

- Não é à toa que eu nomeei o Vander a Tenente, ele tem números e missões quase igualadas a mim, ele era candidato a capitão depois de mim.

Nós voltamos na cela, para ter um parecer da perícia e poder fazer algo;

- Algo para mim?

- Capitão, houve luta corporal, tem vestígios de sangue no colchão, colhemos a amostra, e vamos analisar. Fibras de tecido nas narinas, tudo indica clorofórmio...

- Desmaiaram ele para amarrar? – Pergunto.

- Sim, não posso confirmar, sem um exame completo, mas ele foi amarrado já morto.

- Continuem o ótimo trabalho, obrigado. – Renato diz com o celular dele chamando. – Fala Vitor!

Ele fica surpreso com o telefonema, demora a falar;

- Estou indo.

- Que aconteceu Renato?

- Denúncias de um corpo feminino encontrado, Vitor desconfia ser da mulher de Vander, a Elizangela.

Gente ele entrou na cela do Rafael, colocou a mão em um cadáver, mandou prender o melhor amigo, e não ficou da forma que terminou essa ligação;

- Renato, tudo bem?

- Ela é madrinha do Rui, não está nada bem Gustavo.

- Ei, calma, vamos, eu te acompanho, é só uma denúncia, não é certeza, certo?

- Sim. Meu Deus que dia que nunca acaba.

Então correria, seguimos para o carro, eu peguei o rádio e conferi o lugar da denúncia, para seguirmos para lá.

Bem já subimos com medo, pois era dentro da favela, e sabíamos que coisa boa não era de se esperar lá de cima.

Eu também nem falei muito com ele, Patrícia havia chegado no presidio e comandaria lá de dentro, eu passei algumas informações pelo telefone, e o Renato foi estacionando o carro, atrás das viaturas.

Ele ficou imóvel, com as mãos no volante, olhando no fim, o IML retirar o corpo;

- Se precisar estou aqui. – Falo segurando em sua mão.

Ele tenta sorrir. Descemos e ele foi até o Vitor, que estava assinando uns papeis;

- Vitor, então?

- Capitão. Confirmado a identificação, é a Elizangela, mulher de Vander, confirmei com os documentos que colhemos na casa deles.

- Como aconteceu?

- Tiro na cabeça.

- E a casa?

- Sinal de arrombamento, mas nada roubado, cozinha com algumas coisas quebradas, estão procurando pistas.

- Certo, ótimo trabalho. – Renato fala se afastando.

Eu não sabia o que dizer, mas Vitor questiona quando o Renato se virar de costas;

- Capitão, contra quem estamos lutando?

- Contra o sistema Vitor, contra o sistema.

- Novidades da busca de Vander? – Pergunto.

- Recebemos o chamado estadual, uma denúncia de terem o visto no metro, ainda estão averiguando.

- Me atualizem. – Diz o Renato.

- Sim, senhor.

Entramos no carro e questiono;

- Para onde agora?

- Vou te levar pra casa.

- E você?

- Vou para a sede. Montar um apoio para as equipes. - Renato liga o carro, saindo.

- Vou com você.

- Está cansado, teve um péssimo dia Gustavo.

- Você também, quero ajudar.

- Nem vou descutir com você.

Bem vamos lá, galera ficamos a noite acordados, com equipes saindo e voltando, eu, Patrícia e Renato praticamente só no telefones e rádio. Próximo ao amanhecer as informações de Vander esquentaram, e fizemos uma força tarefa.

O que não contávamos era a chegada do Major, logo cedo, Renato olha ele saindo do elevador, já fica abalado.



#Renato



O major foi entrando, eu estava no rádio, ele ficou calado até eu terminar;

- Atualização Robson! - Falo encarando ele.

- É ele capitão, esperando ordem.

Olhei para o Gustavo e Patrícia, e falo;

- Autorizado, vão pegá-lo.

Todos na sala, ouvindo a equipe em campo, isso é bem angustiante, até Vitor dizer ao fundo do áudio;

- Confirmado! Estamos com ele.

- Capitão, confirmado, ele foi pego. - Robson diz.

- Trazem ele imediatamente. - Falo sentando na minha cadeira. - Desculpe Major.

- Parabéns pela prisão. Capitão Andrade, eu assumo a partir de agora, vai descansar, teve uma noite corrida.

- Estou bem Major.

- Autorize o comunicado Renato, todos precisam saber da morte do Rafael.

- Sim, senhor.

- E vocês? - Ele pergunta para os meninos.

- Rafael é nosso investigado Major, estamos aqui para ajudar. - Gustavo responde.

- Patrícia você responde pela Polícia Federal, as decisões comigo. Renato quero interrogar eu mesmo o Vander. E quero atualizações da morte de Elizângela.

- Sim, senhor. - Falo saindo atrás de informações.

Gustavo joga a caneta na mesa, fazendo pouco de barulho e deixa o rádio saindo;

- Se precisar de algo Patrícia estou no telefone. - Ele diz saindo da sala.

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