• @richardsongaarcia

SENTENCIADOS - Episodio 32

Pessoal quando cheguei, a música alta se escutava lá de fora, um RAP, não parecia ter muita gente assim, mas que ele não estava sozinho isso eu poderia ter certeza.

O Gustavo desceu comigo do carro e toquei a campainha, pois Katia havia trocado todo o sistema da casa.

Minha sorte foi que eles não olharam as câmeras, escutei alguém se aproximando do portão falando;

- Deve ser as pizzas que chegaram.

Ouvi a voz, reconheci, e Fernando abre o portão;

- RENATO? – Ele fala branco.

O ruim dessa profissão que você percebe as coisas de errado de cara. Olhei para ele estava de olhos vermelhos.

Peguei em sua mão e a ponta de seus dedos queimados, nossa acho que nunca tinha sentido tanta raiva na vida.

Eu entrei naquela casa como faço em uma invasão, ao passar da entrada, desligo a música, e na piscina estava duas garotas deitadas no chão, e o Rui no sofá no canto, o fedor de maconha estava por toda a casa.

Quando eu vi com um cigarro de maconha nas mãos, confesso passar mal na hora.

- PAI? – Nada explica a cara dele ao me ver.

Com as mãos na cintura, olho para as garotas;

- Vocês duas, para fora.

- Quem é você? – Uma delas fala.

- Policia. – Falo mostrando o distintivo.

Elas pegam umas roupas e saem correndo. Gustavo se aproxima mega constrangido.

- Pai calma.

- Calma seu Renato, não é nada... – Fernando fala se aproximando.

- Gustavo algema ele. – Falo apontando para o Fernando.

- Pai escuta. – Rui fala se aproximando de mim.

Me desculpem mas não me segurei. Eu acertei um tapa em Rui fazendo ele cair no chão, entendam, eu nunca havia colocado a mão no meu filho antes.

Eu estava tremendo tanto, mas tanto, que respirava pela boca, para ter um pouco de noção do que estava fazendo;

- Onde conseguiram essa maconha?

- Pai eu não sei.

Peguei ele pela camisa e arrasto o Rui até o sofá onde estava, jogo ele e pergunto novamente;

- Onde conseguiram essa maconha?

- Eu não sei. – Ele responde chorando.

Tirei meu cinto, coloquei a arma na cintura, para não há deixar no chão, e perguntei novamente;

- Rui Andrade onde conseguiram essa maconha?

Ele não responde, então o acerto com força o cinto. Ele continua chorando;

- Me fala onde conseguiram?

- Eu não sei. – Ele dizia ainda chorando.

Outra chibatada de cinto em Rui;

- Vamos ficar a noite inteira aqui, eu não tenho pressa.

- O Fernando Trouxe.

Quando ele disse isso, eu olhei para trás, o Gustavo estava mega assustado, o Fernando então nem precisa falar;

- Gustavo pede reforço, e leva ele para o carro.

- Não está pensando em levar ele para a boca?

- Coloca ele no carro.

Gustavo chama no rádio e eu aproximo de Rui;

- Vem comigo. – Falo pegando em seu braço.

Coloquei ele no banco de trás com o Fernando, e saímos com o Gustavo puto comigo;

- Eles estão as ordens, vamos para onde?

- Fernando onde comprou aquela maconha?

- Eles vão me pegar senhor.

- Fernando, prefere que eles te peguem ou eu?

- Osasco.

- Gustavo manda a viatura esperar a gente frente ao Fórum, sei até onde é.

- Renato, não podemos levar menores em uma boca de fumo.

Eu somente olho para ele que fica calado. Durante o caminho, olho várias vezes em Rui, que estava em choque ainda pelo que havia acontecido.

Ao aproximar da viatura, passo rápidas informações;

- Capitão!

- Vitor, vamos em uma boca de fumo ali no Jardim das Flores, então controle de cano e foco.

- Sim, senhor.

- Como sabe senhor que é lá? – Fernando fala.

- É onde os playboys filhos de uma puta costumam procurar drogas.

Eles aceleram com a sirene ligada, e eu sigo na mesma velocidade.

Não fazíamos isso, era coisa para PM, e colocar eles para ver o que era feito, é somente uma forma de abrir os olhos dele, sei que pode ser a pior forma, mas para mim, era preciso.

O Gustavo putasso comigo, preparando a arma e o colete;

- Vai colocar colete neles?

- Não, vão ficar no carro.

Os dois atrás de olhos arregalados.

Bem, com sirene ligada não tinha outro jeito de chegar, entramos em alta velocidade na rua. A boca de fumo fica em um parque, sempre tinha um ou dois ali no local, nesse dia pegamos mais de seis pessoas.

Paramos os carros, já descendo em cima deles, mandando deitar, e mão para cima, Gustavo disparou em fuga atrás de um moleque que saiu correndo.

Olha para mim, foi fácil, fácil, pedimos mais reforços depois, pegamos quatro deles, o Gustavo chegou com mais um, todos algemados e junto a eles poucas drogas e poucos dinheiros junto a celulares.

Em uma fila, de joelhos, eu que iria fazer a ficha de todos, chamei o Rui e o Fernando que estavam do meu lado ouvindo tudo;

- Idade?

- Dezessete senhor.

- Tem passagem?

- 157 e 155 senhor.

- É usuário?

- Sim senhor.

- Que entorpecentes?

- Maconha, e coca.

De um para o outro, foi só piorando, tinha um cara maior de idade, no meio de todos, depois coloquei os dois no carro, e falo com o Vitor;

- A PM está a caminho, pode passar a ocorrência para eles, vão gostar de ganhar essa de mão beijada, valeu em.

- Nós que agradecemos senhor.

Pego em sua mão, e me afastando, o Gustavo vem até mim, todo bravo;

- Pode fazer o que quiser, mas não concordo em deixar eles desprotegidos, poderiam ter levado um tiro Renato, sei que é seu filho, mas você ficou maluco?

- O meu carro é blindado Gustavo.

Ele só dá aquela olhava de lado, conhecida por nós.

Voltei ao carro e falo com os dois que estava no banco de trás;

- É essa vida que querem? Ter que vender drogas para pagar a dívida de morte com traficante, correr risco de vida, contra polícia e o dono da boca. Nem é maior de idade e já ter passagem pela polícia, roubar dos pais para poder vender e cheirar um pó ou fumar uma maconha. Tudo isso para ser o cara para algumas garotas, e se amostrar para os amigos. Escutem os dois, a cada grama de cocaína que chega na mão de um cara como você Fernando média de três pessoas morrem, duas em dez são menores de dezoito anos. Se é isso que querem me dizem, que irei deixar vocês onde eu peguei.

- Não senhor. – Fernando responde.

E Rui só gesticula com a cabeça.

Bem, eu levei o Fernando na casa dele, e Rui para a casa da sua mãe, quando chegamos, falei a ele, ainda de fora;

- Entra arruma suas coisas, em uma hora venho te buscar, vai morar comigo.

- E minha mãe?

- Quer discutir isso agora Rui?

- Não senhor.

Logo que desceu e entrou o Gustavo me olha e eu questiono;

- Pode falar.

- Não.

- Sei que quer falar.

- Não concordo com o que fez.

- O carro é blindado Gustavo, eu já falei.

- Renato a forma que cuidou disso, é erado, não pode pegar seu próprio filho e levar até a linha de tiro. É seu filho cara, a maconha é muito errada mas senta e conversa. Escuta eu não tenho filho e não sei como é...

- Exatamente Gustavo, você não sabe como é. Eu sentei e conversei a vida inteira, para dar a ele o que eu não tive, talvez foi ai que eu errei, mas é meu filho, e tem que me respeitar, eu sou o pai dele, eu mando nele.

- Não vou me meter.

Paro o carro no semáforo olhando e colocando a mão na perna de Gustavo;

- Sei que o dia não está fácil, quer ir comigo? Eu posso te deixar em casa se quiser.

- Vou com você Renato.

Isso quase nove da noite, seguimos juntos para a prisão, onde o Rafael estava.

Logo na entrada, enquanto estávamos sendo revistados, o celular chama, era o Vitor;

- Alo.

- Desculpe senhor pela hora, mas aconteceu algo.

- Fala.

- Vander e a mulher estão desaparecidos.

- Como assim?

- Os vizinhos perceberam a casa vazia e chamaram a polícia, acabei de chegar aqui.

- Vitor, não sai daí, e não deixa ninguém tirar nada do lugar, estou no presidio, já chego aí.

- Beleza.

- Que aconteceu? – Gustavo pergunta, quando deixo o celular.

- Acho que pegaram o Vander e a mulher.

- Puta merda.

Seguimos o corredor, e entramos pelas celas, e então frente a cela de Rafael.

- Capitão?

- Pode abrir... Vamos sair daqui e ir direto para a casa do Vander, tudo bem?

- Sim, claro, te ajudo no que precisar lá. – Gustavo responde.

O guarda estava na minha frente abrindo os cadeados, e o Gustavo atrás.

Ele abre e empurra a porta que era de “correr”. Ele olha a cena e sai correndo no rádio, eu fico parado olhando aquilo.

Gustavo coloca as mãos no rosto se afastando.

Rafael estava enforcado, ele estava muito inchado, e pela aparência, morto há algum tempo.

- Capitão? – Fala um policial perto, esperando ordens.

Confesso não gostar do Rafael, mas a cena estava muito pesada, tive que respirar um pouco;

- Nível cinco no presidio. Ninguém sai, e quero o registro e imagens das últimas pessoas que estiveram aqui dentro nas últimas 24 horas. Me traga a melhor equipe de perícia de São Paulo. E escuta, o COE está no comando do Presidio agora, respondem a mim, esvazie o andar, e não quero que essa informação vase.

- Sim, senhor...

- Me arrume luvas também.

- Ok.

Gustavo ficou muito abalado pessoal, muito mesmo. Acho que o dia dele também não colaborou, com o afastamento dos policiais.

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