• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 31

#Gustavo


Isso era pior que perder a virgindade, eu estava uma pilha de nervos, ainda com tantos concorrentes. Patrícia foi primeiro, e eu fui o terceiro.

Quando entrei na sala do Renato, aquele homem velho, cheio de medalhas na farda. Posição de continência e ele reverencia a cabeça, estendendo a mão enrugada para eu sentar;

- Oficial Gustavo Medeiros Patrício, Policial Federal faz 17 meses, com pouca experiência em campo...

- Mas as que tive senhor, foram de suma importância e unic... – Ele me olhou galera, quase me caguei na hora... – Desculpe te interromper. – Falo quieto.

- Como eu estava dizendo.... Foi incluído a uma investigação muito acima da sua patente, e está convivendo com a divisão da COE, faz alguns meses. – Ele deixa a caneta dourada com preto, tira os óculos e se encosta na cadeira. – Diga Gustavo, qual sua relação com o Capitão Renato Andrade?

Eu engoli seco naquela hora, fiquei sem ar, e soei as mãos;

- Profissional senhor.

- Direcione a mim como Major.

- Perdão Major.

- Vocês estão passando tempo “à beça” juntos, isso não é normal para um policial federal e um capitão do Comando maior.

- Extremamente profissional senhor, eu estava investigando o Rafael, vulgo Barão, que por acaso estava dentro das investigações da divisão do Capitão Andrade.

- Recentemente você foi afastado por um combate com o próprio correto?

- Sim.

- E estavam juntos novamente?

- Sim, Major.

- Eu li o relatório daquela prisão, e você ferido, caído, e inconsciente fez a prisão do bandido mais procurado do pais. Enquanto um Capitão com excelência em treinamento lhe deu cobertura?

- É o que diz no relatório Major.

- Porque quer se ingressar nesta divisão oficial?

- Sempre foi um sonho servir ao meu pais, e dentro do Comando vejo mais possibilidades para mostrar minha força de vontade.

Ele fica calado me olhando por alguns segundos, e escreve algo;

- Aqui dentro, não é fácil, não é passível de erro. Burlar a prova de admissão, ou ser treinado pelo Capitão não lhe dá posição à frente dos outros oponentes. Muito menos receber créditos por missões.

- Não preciso de privilégios major.

- Não é o que eu o que eu percebi em nossa conversa.

- Então está equivocado major.

- Equivocado estarei em aceitar um policial sem experiência na maior divisão policial do pais.

- Major eu não...

- Pode ir oficial.

Ele diz empurrando a ficha para o lado, eu sai da sal pisando em fogo, a Patrícia estava frente o elevador, toda feliz.

Eu tremendo de raiva, e com a cabeça explodindo;

- E aí como foi amigo?

- Chamei ele de mentiroso, na cara dele.

Ele arregalou os olhos, e ficou branca;

- Não brinca comigo?

- Estou tremendo de raiva.

- Amigo ele pode acabar com sua carreira com um telefonema.

- Ele já acabou amiga, acabou com tudo. Preciso de uma agua.

Eu olho para a copa, e sigo com ela falando na minha cabeça;

- Robson tem um calmante por aqui? – Pergunto a ele que estava saindo.

- Aqui dentro. – Ele diz apontando a uma caixa de primeiros socorros. – Tudo bem Gustavo?

- Sai de perto de mim. – Falo puto.

Peguei dois comprimidos e bebi, abrindo o botão da farda, o Renato entra na copa e estava todo feliz, ele estava flutuando hoje, vocês sabem bem o porquê;

- Como foram?

- Eu fui bem, mas Gustavo chamou o major de mentiroso, na cara dele.

Gente ele me olhou puto e pergunta;

- Você não fez isso fez?

- Olha para minha cara Renato. – Merda, merda, merda, merda.

Ele cossa a garganta e diz;

- É Capitão Andrade, entendido Oficial?

Eu ainda estava puto, mas ele tinha razão, mas eu continuava puto.

Deixei o copo de agua, peguei minha pasta e sai sem falar nada, a Patrícia me segue dando razão ao Renato.

Entrei no elevador e ela veio junto;

- Quer perder o trabalho Gustavo, ficou maluco?

- Amiga eu...

- Chamar ele de Renato, aqui? Podem serem amigos, e você está de olho nele, mas não pode falar assim com um capitão.

- Patrícia eu não estou bem, cabeça ruim, e muito puto. Sei que errei com o Renato e com o Major Resende, mas por favor, me dá um tempo.

- Desculpa.

- Vamos?

- Sim.

- Aqui as chaves, dirige?

- Sim.

No caminho, acho que bateu aquela “BAD”, cheguei a deixar umas lagrimas descerem, ela passa a mão em meu ombro;

- Não fica assim amigo.

- Estou bem.

- Gustavo, quando o Ministério Publico fazer a coletiva de imprensa, vamos ter muito trabalho, você tem que estar bem.

- Está certa amiga, parei. – Falo limpando as lagrimas.

O Douglas havia chegado de viagem, e eu almocei com ele e Flavia.

Estava triste por mim, mas pessoal, ele estava tão vem, fazendo planos, e falando de futuro, sabe eu fiquei tão feliz, pelo meu irmão estar bem.

Enquanto estávamos pagando a conta, ele havia ido buscar o carro, e agradeço a ela pelo que estava fazendo;

- Serio Flavia, hoje em dia está tão difícil, e as coisas complicadas, para nós que temos trabalho, ele então. Você está sendo um anjo da guarda. Obrigado mesmo.

- Aí gente, por nada Gustavo, estou ajudando ele sabe, é um garoto exemplar, merece o melhor. Mas agradeça ao Renato, ele quem cuidou de Douglas enquanto estava no hospital.

- Renato me disse que só estava de olho nele.

- Sim, de olho, levou Douglas para comprar umas roupas, até cortar o cabelo, ele quem me apresentou seu irmão, explicou a situação. Douglas fez compromisso com o Renato, de “andar na linha”.

- Eu não sabia disso.

- Gustavo, se tudo que seu irmão disser de você for verdade é um cara maravilhoso, e eu como conheço o Renato, quando ele gosta de alguém, e quer ajudar, ele faz o impossível, acredite, se conquistou a confiança dele, tem um amigo para o que der e vier.

- Eu sei Flavia, ele é outro anjo que Deus colocou em nossa vida, minha e do meu irmão.

Galera a coletiva de imprensa aconteceu por volta das cinco da tarde, os telefones da corporação ficaram uma loucura, com jornalistas ligando querendo informações. Afinal era um processo aberto, contra o governador do estado.

O Renato atrasou também, e ficou até mais tarde, por causa do major desgraçado. Fiquei trabalhando também, e sai por volta de sete e meia da noite.

Ele estava me aguardando no estacionamento, mano era a tarde, tive um dia estressadíssimo e o Renato ainda com um sorriso na cara.

Eu me aproximo do carro e ele me olhando com aquela cara lerda;

- Vamos?

- Só vou porque vamos ver o Rafael. – Falo abrindo a porta.

- Bom saber que não é pela minha companhia.

- Renato tive um péssimo dia, por favor! – Falo estendendo a mão, depois de colocar o cinto.

- Antes de irmos sobre o que te falei mais cedo... – Ele começa a falar, e novamente o interrompo.

- Escuta, não precisa dizer nada. – Novamente eu engoli seco. – Estava nervoso, e de mal humor, o Major acabou comigo dentro daquela sala e descontei em você.

- Gustavo.

- Renato, eu não posso faltar com educação com um superior independente a situação, eu errei e assumo isso, peço desculpas.

- Tudo bem, relaxa. Fiquei o dia todo pensando que te magoei cara, é complicado Gustavo.

- Renato não é, eu errei, estou me desculpando e não irá acontecer de novo, você é um capitão, eu somente um policial, é dever meu te respeitar como profissional.

- Espero que esteja tudo bem entre a gente, e que o que disse foi uma expressão de respeito.

- Foi sim, de respeito e ética.

Ele leva a mão em minha nuca, faz um carinho atrás da minha orelha, e sem querer abre um sorriso, eu me contagio a ele e faço o mesmo, então Renato corta o clima.


#Renato


- Melhor transa da sua vida?

Ele empurra minha mão, e fala;

- A gente vai demorar ir?

Ligo o carro saindo, pois eu sabia o que Gustavo precisava, rsrs.

Saindo do estacionamento meu celular chama era a Katia;

- Alô.

- Está em casa Renato?

- Não Katia, no trabalho.

- Até agora?

- Alguém tem que pagar suas regalias né.

- Que você quer?

- Que vá em casa e dá uma olhada em Rui.

- Como assim? Rui está na casa da família da Joice.

- Não está não, falei com ele a pouco e tinha um som muito alto lá, vá e olha se ele está bem.

Eu nem disse nada, desliguei o celular puto;

- Que foi?

- Eu, vou matar o Rui.

Peguei o telefone ligando para a Joice, que só atendeu na segunda chamada. Como eu estava dirigindo o Gustavo segurava meu celular;

- Alô.

- Joice, Renato falando, onde está?

- Na casa dos meus avós Renato, tudo bem?

- Não querida, escuta, o Rui não foi com você?

- Não, ele achou melhor ficar.

- Obrigado filha.

- Por nada senhor.

- Pode desligar. – Falo para ele. – Vou passar em casa, tudo bem?

- Sim.

Mudei a rota, meio que voltando, para ir até a casa da Katia. Para começar eu iria amassar ele por ter mentido, depois eu decidia o que fazer com o resto.

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