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©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia

  • Richardson Garcia

SENTENCIADOS - Episodio 3

No escritório, sentado em frente ao meu computador, vejo um pequeno aglomeramento de pessoas frente à TV, eu me estico para olhar e era aquele cara da COE.

O Capitão Andrade, ele estava dando uma entrevista, informando oficialmente da prisão do Rafael, vulgo, “Barão”. Fiquei alguns segundos olhando e voltei a tela do meu computador, com o sistema da polícia aberto eu fiz uma busca do Capitão Andrade, eu estava investigando sua ficha.

Ele tinha os olhos que passava uma calmaria, sobrancelhas cheias, cabelo com corte militar, um bigode, e era visível o furo nas duas orelhas. Ele tinha um porte físico bem forte, não de academia e sim força mesmo, rsrs. Renato era muito intimidador, acho que pela sua profissão.

O cara era FODA! Com missões até na Venezuela, tem treinamento nos EUA, e centenas de medalhas, ele entrou no exército aos dezoito anos e foi só crescendo de patentes. Eu não me acho velho, tenho meus 28 anos, e ele com 32 tinha uma carreira de invejar qualquer coronel aposentado.

COE – Comando de Operações do Exército Brasileiro, era uma das mais altas patentes do pais, sendo subordinado somente ao Comando Militar do Planalto, sendo assim, do próprio Presidente da República, e o cara era Capitão do COE, acreditem isso sim é uma carreira promissora.

Com tudo aberto ele tinha algo na sua ficha criminal, um processo de separação aberto a poucos meses.

Mas vamos voltar aos suspeitos! Eu fui almoçar, voltei, e fiquei até umas sete e meia com aqueles papeis;

- Ei, acho que já está bom por hoje.... Que tal uma cerveja? Você paga. – Diz a minha colega Patrícia, sentando na mesa.

- Onde esteve o dia todo mulher? – Falo desligando o computador.

Quando me levanto percebo estar só nós e os plantonistas no andar.

- Passei o dia cumprindo mandato de busca, Gustavo, estou exausta.

Eu pego minha jaqueta na cadeira e esbarro nos papeis, vestindo a roupa olho na mesa um dos suspeitos com nome de “Cunhado”, peguei sua ficha e tirei uma foto para analisar direito.


#Renato


De volta aos trabalhos, finalmente eu iria ter a oportunidade de falar com o Barão.

Ao chegar na corporação, subindo até minha sala o Robson entra junto no elevador;

- Bom dia capitão.

- Bom dia Robson...

- Vai deixar o bigode mesmo capitão?

- E você também, até meu filho falou já... Vou adotar um novo “Visu”.

O elevador se abriu e Robson faz o ultimo comentário;

- Renato queria agradecer, pelo que fez.

- O que?

- Depois que enviou aquele e-mail, não recebi mais bilhetes em meu armário.

- Robson, você é um dos meus melhores agentes, como eu disse no e-mail para todos, sua sexualidade não deve importar para nós que somos sua segunda família. E a investigação continua, vou descobrir quem estava fazendo aquilo com você.

- Capitão, isso significa muito para mim.

- Fico feliz em ajudar Robson. – Digo cumprimentando ele. - Como está ai?

- Temos superintendentes, superiores e dois advogados. Todo mundo quer acompanhar o depoimento Capitão.

- Puta merda, o dia vai ser daqueles, já até estou vendo.

Frente ao elevador já era perceptível o movimento de pessoas e policiais aguardando.

Vou na minha sala e pego a pasta de investigação do Barão;

- Bom dia Capitão... Renato vai ter que colocar ordem nisso aqui, não dá para trazer ele com esse corredor desse jeito. – Diz o Vander na minha sala.

- Já estou indo, trouxeram ele?

- Sim.

- Quero você e o Robson comigo. – Digo pegando meu distintivo na gaveta.

Pessoal, frente a minha sala tem as mesas dos investigadores, e tinha a minha sala, do Vander e de nossos superiores, a direita do andar era salas de interrogatório e audiências, e em um anexo da propriedade algumas celas aqui da corporação.

Eu sai da sala e o corredor estava cheio de gente, uns de terno, outro policiais, até seguranças particulares.

Barão era um dos bandidos mais procurados de São Paulo, e o problema de ter ele preso, é que ele tem as “costas” quentes, tem pessoas importantes junto com ele, o que dificultava e muito meu trabalho;

- Seguinte, quem não for advogado, fora desse andar. – Falo alto. Vander e Robson esvaziem o andar.

Mano houve um bate-boca, e briga pois ninguém queria sair, e os caras são chatos para caralho.

Com o andar vazio, os advogados esperando no corredor, eu então dou a ordem para trazer ele.

Em minutos a frente do corredor vem o Barão, acompanhado por nove dos meus melhores agentes. Entram na sala, e algemam ele a mesa, e seus pés a cadeira.

Eu entro em seguida junto aos advogados e coloco a pasta na mesa;

- Lembre-se isso aqui não é um interrogatório, somente está prestando declaração. – Diz o advogado dele.

- Eles são rápidos em Rafael, chegaram antes de nós na corporação, e tenho que falar, olhando o terno deles, dá para ver que não são baratos. – Falo me ajeitando na cadeira.

- Cuida do seu que eu cuido do meu doutor.

- Doutor... Ouviu isso? – Digo rindo, olhando para o Vander. – Seguinte, estou na sua cola faz três meses, e sei Rafael que você só foi preso naquela tarde porque deixou a gente te pegar.

- Doutor é esperto em.

- Esperava alguém?

Ele olha para o lado, meio que confuso e responde com uma pergunta e diz;

- Cadê o PF?

- Quem?

- Gustavo o cara que apontou uma arma para sua cabeça aquele dia. – Ele diz fazendo o sinal com a mão.

- Ele é da Federal Rafael, e não faz parte dessa investigação.

- Beleza Doutor.

- Está sendo ameaçado Rafael? Sei que tem gente maior que você nessa, estou aqui para te proteger, pode confiar.

- Doutor, quem está atrás de mim é muito maior que você, que seu chefe, que o chefe do seu chefe. – Ele diz colocando os cotovelos na mesa. - Pode fazer soltar suas “ideias”, mas não vou dizer mais nada.... Porque nem eu nem o senhor está protegido.

Eu levanto e saio da sala, o Vander vem me seguindo e entra na sala de trás, onde tem o vidro, tipo um aquário;

- Que achou?

- Estou pensando.

- Acho que ele não vai abrir a boca Renato...

- Traga o PF.

- Aquele garoto?

- Mande ele vir aqui, rápido.

Vander sai da sala e um dos advogados se aproxima de mim;

- Vai deixar ele lá?

- Porque? Tem compromisso agora? Marcou algo para fazerem?

- O senhor tenha mais respeito e...

- Olha não estou nos meus melhores dias, então, fica longe beleza. – Falo indo para minha sala.



#Gustavo



Dia de folga, para vocês terem ideia, estava correndo em um parque aqui perto de casa, quando meu celular chamou;

- Alo.

- Gustavo?

- É ele.

- Tenente Vander do COE, oficial preciso da sua presença agora na corporação em Tremembé.

- Tudo bem agente, chego em alguns minutos.

- Lhe aguardo oficial.

Ao invés de correr no parque, eu corri para casa, eles poderiam deixar eu falar com o Barão, e isso me colocaria na investigação, o meu problema tinha nome, e patente alta, muito alta.

É engraçado, mas me arrumei voando, e em vinte e oito minutos eu estava me identificando na portaria, me ligaram em um horário que não era pique aqui em SP.

- Gustavo Medeiros... Medeiros moço... Ai meu Deus! – O velho da portaria tinha 106 anos, surdo e parece que cego. – Aqui o Distintivo... PF.

Desci do carro e pedi o telefone, isso tinha uns dois carros e tinha viatura atrás de mim;

- Oi, moça, Gustavo da PF, avisa o...

- Gustavo? Pode entrar senhor. – Ela responde abrindo o portão.

O estacionamento lotado, veio um policial pedindo identificação;

- Meu querido, estão me aguardando. – Falo quando ele se aproxima.

- Estamos em alerta máximo hoje senhor, mesmo com autorização, tenho que verificar. Está armado?

- Sim. – Respondo erguendo as mãos, o cara estava de fuzil para o meu lado.

- PORRA Carlos ajuda meu lado. – Fala um cara saindo do prédio.

- Procedimento Tenente. – Quando ele responde eu identifico a voz.

- Vander?

- Sim, vem comigo Gustavo agora. – Ele fala me puxando pelo braço.

Pessoal subimos correndo os andares por causa do elevador ocupado, e a segurança no andar que cheguei estava pesada para a cassete, nunca tinha visto alto igual.

Andando no corredor, tinha alguns homens encapuzados, e vejo o Barão em uma sala de interrogatório.

Eu paro e olho direito, tendo certeza de ser ele.

- Ele não abre a boca. – Escuto a minha direita.

Quando viro o rosto;

- Capitão. – Digo batendo continência.

Era o Andrade;

- A vontade, pode me chamar de Renato, me acompanhe Gustavo. – Ele diz entrando em uma sala ao lado.

Eu sigo e fica somente eu, ele e o Vander.

- Tenho pouco tempo com ele, Barão será transferido daqui, vão levar ele para um presidio.

- Não podem colocar ele em um presidio.

- Tem gente grande com ele, está vendo? – Ele aponta para a sala. - São os melhores advogados do país, chegaram antes dele.

- Certo e me chamou porquê...

- Ele citou seu nome, perguntou de você. Preciso que tire algo dele, qualquer coisa.

Nos saímos, e entramos na outra sala, ele não me olhou, mas sim um dos advogados;

- Qual é? Isso aqui vai virar uma sala de exposição?

- Você não pediu o Gustavo? Trouxe ele. – Renato diz sentando.

Ele me olha surpreso e estica a mão para me cumprimentar;

- Não cumpriu sua palavra brow.

- Você também não Rafael. E aí um café?

- Ai senti firmeza em você. – Ele responde rindo.

- Pega para mim Tenente? – Pergunto ao Vander.

Ele olha para o Renato que afirma, eu puxo uma cadeira e sento aproximando dele;

- Podemos ficar sozinho? – Pergunto o Capitão.

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