• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 26

#Gustavo



Minha primeira semana de volta, acho que vocês adivinham o que eu fui fazer né. Visitar o Rafael.

Fiquei na sala de interrogatório aguardando trazerem ele, pois não era cômodo falar na cela.

Eles entraram com ele, o Robson que estava responsável e de plantão nesse dia algemou ele na mesa;

- Na ativa novamente? – Ele pergunta rindo.

- Pois é, não consigo ficar longe da ação. – Falo sentando. – Robson pode deixar a gente a sós?

- Não.

- Ele está algemado Robson, qual é?

- Não, Gustavo.

- Ele está com ciúmes. – Rafael fala olhando para trás. – Qual é? Não vai admitir? – Ele pergunta para Robson.

- Deixa ele. – Falo rindo.

- Sorte sua que eu não curto, porque ele é um cara foda... E não é para o teu bico. – Ele fala me olhando e depois vira para Robson. – Vou continuar te enchendo irmão.

Rafael ganha ele pelo cansaço. Robson sai da sala, deixando a gente a sós.

- E elas?

- Estão seguras, falei eu mesmo com o responsável e foram alojadas já.

Ele abaixa a cabeça, e respira por alguns segundos e depois passa a mão nos olhos, voltando a olhar para mim;

- Como estão? Que conseguiram até agora?

- Muita coisa, vamos prender ele.

Ele abre um sorriso e fala;

- Tem mais gente, muito mais. Policia, prefeitura, até hospital. Sem o Cunhado as coisas podem ficar feias na favela, tem que se ligar nisso.

- Estamos.

- Donizete.

- Quem?

- Ex prefeito, Donizete.

- Está falando sério?

- O Pedro é inteligente, derruba ele que vai dar de cara com o ninho de ratos.

Cheguei a ficar meio tonto com a informação, encostei na cadeira, e fiquei ligando as provas que havia.

- Não posso ficar voltando e te atualizando da investigação.... Mas....

- Que isso, relax! Vejo na TV, está ficando famoso.

- Haha’ que nada, só fazendo meu trabalho.

A boa vontade do Robson acabou logo, logo.

Eu fui para a corporação, tinha que estudar e me inteirar de tudo que a Patrícia fez neste tempo, comigo afastado.

E estava treinando com o Renato para a prova física do COE, que seria em pouco tempo. É estava com uma rotina e tanto.

Nesse dia, eu terminei pouco mais cedo que o normal e fui até ao Comando, de lá iria com o Renato.

Cheguei cumprimentei os meninos, troquei ideia com a rapaziada, pois o Rui estava na sala com o pai, mas eles estavam demorando;

- Vai ter que chamar ele, Rui fica dias lá dentro. – Vitor comenta comigo.

- É vou ir lá.

Cheguei na porta, empurrei devagar, e Renato olha;

- E aí, tranquilo? – Pergunto.

- Sim, quero falar com você Gustavo, entra aí.

Eu fiquei meio sem graça, pois o garoto estava lá, e estava meio puto;

- (...) Não é não Rui.

- Mas pai, todos meus amigos vão.

- É “Rock in Rio”, não “Rock in São Paulo”, você não vai fazer uma viagem dessa com um bando de delinquentes.

- Pai, meus amigos não são delinquentes.

- O Fernando vai?

- Sim.

- Pronto, delinquente.

- Pai, escuta.

- Estou escutando... Olha seu UBER, chegou, vai para casa, arruma suas malas, e por favor, aproveita essa semana com sua namorada Rui, me dê um tempo.

- Não tem discussão né?

- Nem tenta.

Ele pega a mochila e sai, passando meio bravo por mim;

- Não tenha filhos se quiser continuar com sua sanidade mental.

- Tem um exército as suas ordens e seu filho para ir contra elas.

- Ele vale por um exército. – Renato fala arrumando as coisas. – Vou tomar um remédio para dor de cabeça, calma aí, já vamos.

- Eita, tomando remédio, vai dar conta de mim no treino hoje não. – Falo zoando ele.

- Aham, me fala isso quando estiver fazendo agachamento.

- Não sabe brincar não é.

- Rsrs, vamos. – Ele diz saindo.

Quando o elevador abre as portas, Renato entra, tirando o colete, arma e questiono;

- Que queria falar comigo?

- Nem chegou direito e foi ver o Rafael?

- Você não deixa passar nada né?

- Que foi fazer lá?

- Escuta, você não manda em mim não Renato.

Ele sorri e fala;

- Não mando ainda, mas você está treinando para isso, e está se saindo muito mal.

- Cala a boca... – Falo empurrando ele para fora. – Depois te falo, aqui não rola.

- Ah entendi.

A academia ficava perto, mas nós seguimos com o carro do Renato, para poder guardar as coisas.

Acham que ele arrebenta como Capitão? Precisam ver na academia. É eu pedindo para parar e ele gritando atrás de mim;

- Serio.... Se um dia sair da polícia você tem que abrir uma academia de Cross Fit, Lucas Lucco treina com você fácil, fácil.

- Na verdade já treinei com ele...

- Serio? – Pergunto assustado.

- Não, estou te zoando. Vai termina essa agua logo, seu tempo de descanso já era.

Pessoal, o treino pesado, difícil, só não desistia por causa do meu personal.

Nada, nada paga ver o Renato de bermudinha nos joelhos, sem camisa, soado e com aquele volume desenhado, NADA.

Perdi as contas de quantas vezes eu me virei para não ficar encarando ele, com aquelas pernas. Cara sob até um calor.

Fim do treino, eu tirei a camisa e deitei no chão da academia, como estava meio vazio, nem me importei;

- Vamos, agora que é a sua recompensa. – Ele fala passando.

- Banho não é recompensa agora, e sim uma pizza.

- Haha’ corta essa.

Renato entra no vestiário e eu fico ali deitado, até criar coragem para me levantar.

Eu sigo bem devagar para o vestiário, por estar meio dolorido, mas estava lá, bunda e pernas daquele jeito, entrei e escuto o som do chuveiro.

Um cara passa com mochila por mim, saindo, e eu entro, indo até o armário, pego minhas coisas e do nada o Renato pelado.

Quer dizer, de toalha todo molhado;

- Que isso? – Pergunto.

- Que foi?

- Quer torturar? Que eu fiz com você?

Minha raiva que tudo que um gay fala para um amigo hetero, eles sempre levam na brincadeira. Ele sorri e pega a roupa;

- Qual é Gustavo?

- Você me diz, aparece pelado assim, minha imaginação vai longe.

Ele continua rindo, e joga um verde;

- Quer ver? – Renato fala segurando a ponta da toalha.

- Claro que não. – A boca falou não, mas era um SIM.

- “Cê que sabe”.

- Não quero “só” ver.

- Quer o que então? – Ele fala tranquilamente se vestindo.

- Você sabe muito bem.

- Não podemos...

- Eu sei, por isso muda de assunto, que estou me controlando aqui. – Falo juntando minhas coisas.

- Não podemos por causa do lugar, pega mal.

- Cala a boca Renato.

- Vem calar.

Agora EU estava rindo, sem graça, sem entender, onde estava a verdade, e se ela existia.

- Não manda duas vezes.

- Se não...?

- Irei te dar a chance de provar isso tudo aqui.

- Haha’ cara, se der corda até onde você vai em? – Ele fala pegando suas coisas.

- Não me chama de cara.

- Gustavo.

- Até onde você quiser.

- Sempre barulha os outros?

- Só os que estou interessado.

- Está me cantando.

- Depende de como está interpretando. – Estavamos já no estacionamento, pensei, agora vai.

- Estou interpretando, como mais um Fast Foda para você.

Era o que eu precisava para acabar com o clima, quando ele disse isso, eu já fiquei meio puto;

- Tem que parar com esse seu julgamento sobre mim, não pode generalizar.

- Beleza, não está mais aqui quem falou.

- Não, Renato, não quis zera ml educado.

- Eu não disse isso. – Ele fala ligando o carro.

- Vamos mudar de assunto?

- Sim, de boa. Vou abastecer antes de deixar você beleza.

- Beleza.

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