• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 24

Não tinha outro jeito de ser feito. Eu abro a porta da grande sala, e o Pedro olha sentado em sua mesa;

- Mas o que é isso? Como ousa?

- Senhor, preciso que me acompanhe até a Policia Federal.

Eu estico o papel e um dos seguranças o pega e leva até ele, com dificuldade para ler, ele pega um óculos e fala a uma moça que estava na sala;

- Chame meu advogado.

Foi coisa de segundos para ele entrar na sala, pega a ordem judicial, lê e diz;

- Prefiro que não vá governador.

- Não tenho escolha.

Ele se levantou e começamos a preparar a saída, Renato preferiu ir no carro do governador mesmo, seguido com escoltas das corporações.

Foi sair do Palácio e seguimos com jornalistas atrás, helicóptero acompanhando, foi uma loucura daquelas.

A rua da PF foi bloqueada, para chegarmos em segurança.

Bem, levamos ele para uma sala mais confortável, com uma segurança mais forte, e o prédio teve que parar para a ocasião.

Por ordem do juiz o Renato não pode participar, eu e Patrícia estávamos com o Juiz e o representante do Ministérios Público.

Nos depenamos ele com perguntas, e nem adianta eu escrever aqui, pois ele não respondeu 95% delas.

Eu particularmente não achei perda de tempo, trazer ele, até porque mostra que estamos trabalhando e não estamos de brincadeira.

Terminei o dia bebendo com o Renato para comemorar, estávamos rindo e conversando somente eu e ele em uma mesa mais afastada de uma bar que ele me levou, quando o Matheus liga, cara foi um balde de agua fria na conversa;

- Não vai atender?

- Não, depois eu retorno.

- Seu namorado? – Ele pergunta com um pingo de ciúmes.

- Não chega a ser namorado, ficamos algumas vezes.

- Ata! E mantem contato com seus exs? Como com o Robson? – Ele pergunta bebendo.

- Ah, vai jogar na cara é? – Digo jogando um limão da mesa nele.

Renato desvia rindo;

- Não, estou só perguntando.

- Vem me dizer que não ficou com ninguém despois da separação?

- NA verdade foi um livramento, e tenho mais coisas para me preocupar do que sexo.

- Está mentindo, você ficou sim.

- Haha como sabe?

- Eu sei quando está mentindo.

- Fiquei sim, mas eu sou família sabe Gustavo, gosto de ficar em casa, de cozinhar, gosto da minha rotina, ir ver meu time jogar, sair para beber com amigos.... As coisas mudaram demais alguns meses.

- Legal ouvir isso Renato. Tive sim uma recaída com o Robson eu confesso, mas ele foi meio filho da puta. O Matheus é só diversão.

- Diversão, para vocês é sempre assim né, diversão, sexo e pronto. – Ele fala me subjugando.

- Fala assim porque não ficou comigo ainda, vai entender a diversão.

- Rsrs, vai nessa você não dá conta do papai aqui. – Ele diz me desafiando.

- Eu me garanto. – Digo de sobrancelhas altas.

- E eu confio no meu taco. – Ele fala me olhando.

Com aqueles olhos baixos, acho que mordeu os lábios ao fim da frase.

Pensei comigo, pronto, caiu na minha, cheguei a desconfiar de ser fácil sabem.

Mas claro minha alegria durou quatro segundos.

Rafael senta na mesa conosco, mano o cara mais procurado do pais se sentou do nosso lado;

- Sabiam que formam um belo casal? – Ele fala sentado.

Mano eu fiquei sem reação, Rafael bebe um pouco da minha cerveja e o Renato estava “putasso”, ele odeia o Barão;

- Fez sua parte mano, você é um cara de palavra.... Vem comigo. – Rafael fala se levantando e segurando meu braço.

- Ele não vai a lugar nenhum, muito menos você. – Renato segura em seu braço.

Ele estava com a arma apontada para as costelas de Rafael, gente eu fiquei com muito medo na hora.

Seguinte o bar era de esquina, em um bairro afastado aqui de São Paulo, não chega a ser uma quebrada, mas estava pouco movimentado, nós estávamos em uma mesa afastada da porta do bar, sabem quando deixam as mesas nas calçadas, pois então, estávamos sentados mais à esquerda.

Acho que quando a merda está prestes a acontecer, ela se multiplica, ou triplica;

- Não acredito, em te encontrar aqui... – Fala o Douglas, meu irmão.

- Que está fazendo aqui? – Pergunto.

Ele olha rapidamente, vê o Renato armado. Mas era tarde demais.

Descendo a esquina veio uma moto, uma Bross, em alta velocidade, tinha dois caras, ambos armados com submetralhadoras.

Renato empurra o Rafael já caindo atirando, eu abraçei o Douglas caindo sobre ele.

Só ouvindo a rajada de tiros, garrafas quebrando as bebidas caindo da mesa em cacos de vidros espalhados, pessoas correndo, mesas virando, logo em seguida uma batida;

- GUSTAVO. – Grita Renato.

Eu me levantei pegando minha arma. Eu protegendo o Douglas começo a disparar contra os caras.

Eles bateram em um carro, e ambos caíram. Gente o Renato derruba um deles, e o Rafael sai correndo na rua.

Acho que foi a cena mais emocionante que vi em toda minha vida, o Renato sai meio agachado e disparando em rumo aos caras, eu segui atrás dele, me protegendo, foi alguns tiros, o motoqueiro revidou, mas quando ele levantou atirando o Renato derruba ele.

A emoção vivida, ficou comigo, estava abaixado, e de joelhos eu fiquei, o ar não vinha mais, olho minha mão lentamente cheia de sangue, e abaixo os olhos, sinto meu corpo se molhar, e vejo o sangue espalhando por toda minha camiseta cinza. Tudo em câmera lenta, Douglas, Rafael e Renato vindo até mim.

Desse dia, lembro de cair nos braços do Rafael, a força, e o suspiro que me sobrou foi de levar a mão no rosto do meu irmão, e um aperto na garganta, e mais nada.

Sabem quando estão quase pegando no sono e sonham que caem em um buraco, e dão aquele pulo na cama? Não digo o pulo, mas sim o acordar repentino, aquele despertar súbito. Como chegar a superfície em uma piscina funda, ou um mergulho demorado, você sai procurando ar.

Abre os olhos, como se tivesse voltado a vida. E sim, eu voltei.

Abre os olhos, puxando pouco de ar, e em segundos dores na altura do abdômen, pouco de frio nos braços, os ouvidos voltando a ouvir alguns “bips”, e bem longe o som de uma Tv, que por sinal estava na parede aos pés da cama.

Aquela parede rosa pastel, aquele cheiro de hospital, minha memória retornando e recordando do terror que havia vivido.

Eu movi minha mão direita, levantando ela e olhando, estava com soro, alguns aparelhos, e atrás dela o Renato se levantando.

Eu sorri aliviado em ver ele, era um rosto familiar. Eu estava gelado, muito estranho, ele segurou minha mão e pude ter certeza, Renato era bem quente;

- O que aconteceu? – Pergunto apertando sua mão.

- Calma. Gustavo, calma! Você está bem, relaxa, respira.

- Renato, eu preciso...

- Respira Gustavo, devagar...

Fiz o que ele mandou, eu segurava sua mão com toda minha força, ainda estava com medo;

- Meu irmão, cadê meu irmão? O Douglas... Renato cadê ele...

- Gustavo, já falei se acalma... Ele está lá de fora, eu vou chamar ele. – Renato diz olhando para fora do quarto.

- Não. – Digo segurando sua mão.

- Não quer que eu chame ele.

- Não me deixa sozinho, por favor.

- Não, vou deixar. – Ele diz pegando um controle ao lado.

Logo uma enfermeira entra com um médico;

- Olha quem está de volta. – O médico diz se aproximando. – Gustavo, sou Dr. Ricardo, vou te examinar, para ter certeza que está tudo bem.

Eu só digo que sim com a cabeça, Renato ficou do lado, e pediu a enfermeira que chamasse o Douglas.

Que chegou antes do médico terminar, a gente eu chorei muito abraçando meu irmão, muito mesmo, cara eu precisava daquele cheiro, daquele calor familiar dele.

- Bem, Gustavo você sofreu um quadro chamado de Embolia Pulmonar pelo projetil. Foi submetido a três cirurgias para a retirada dos estilhaços, ouve ferimento no ombro esquerdo, por um tiro de raspão. E esteve inconsciente durante nove dias. Sentira vontade de vomitar, e enjoos, dores de cabeça e dores musculares. Você está se recuperando excelentemente bem, ficará em observação por alguns dias, mas não se preocupe, irá em breve para casa. Vou deixar você com seus amigos.

Ele fala saindo. Eu demoro alguns minutos para digerir todas essas informações;

- E o Rafael? – Pergunto a Renato.

- Esquece o trabalho, depois conversamos.... Vou chamar a Patrícia para vir te ver. – Ele fala saindo.

- Tudo bem.

O Douglas do meu lado esquerdo, eu olho para ele e questiono;

- Cortou o cabelo?

- Sim... E estou cuidando da sua casa enquanto está aqui.

- Obrigado.

- Gusta, tem mais uma coisa.

- Que foi?

- Mamãe veio aqui.

- A mamãe?

- Sim, esteve aqui, ela disse estar fazendo vigília todos os dias e que a igreja está orando por você.

- E você?

- Não tive coragem de falar com ela.... Seu chefe que falou.

- O Renato?

- Sim. Ele não saiu daqui um minuto Gusta, trabalhou daqui do hospital, quando saiu deixou escolta no seu quarto.

- Ele é um grande cara.

- Sim, é uma ótima pessoa.

Patrícia entra no quarto com o Matheus, Daniel, e até o Robson veio me ver, eu na verdade não estava entendendo aquela comoção toda, mas tudo bem. Eu tinha acordado por volta de seis da manhã. E mesmo assim todos estavam por lá.

- Ótimo, agora todo mundo para fora, preciso conversar com o Gustavo.... Você também Douglas. – Renato fala.

Todo mundo vai saindo reclamando, e rindo, ele mesmo fecha a porta.

- Pronto agora posso fazer o que quiser com você! – Ele fala rindo.

- Tenho os pés que estão bons, rsrs.

- Idiota, rsrs. – Ele fala sorrindo, mas logo fica sério. – Tenho que fazer a parte chata agora, espero que esteja pronto.

- Estou, mas antes queria te falar uma coisa.

- Gustavo escuta...

- Cala a boca Renato.

- Oshe.

- Segura aqui. – Falo estendendo a mão.

- Diga.

- Obrigado, obrigado mesmo, não sei como vou te retribuir. – Foi falar e lagrimas descem no rosto.

- Ei, ei, ei, pode parar, somos amigos, é o que fazemos, ajudamos uns aos outros, certo?

Eu somente gesticulo sim com o rosto, e limpando as lagrimas.

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