• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 2

Entramos no carro e direto de volta para nossa corporação, ele ficaria lá até o juiz decidir o que fazer.

Como é de lei, ele foi fazer o exame de corpo de delito e depois colocado em uma sala de interrogatório, antes disso eu estava parabenizando toda a equipe.

Todos descendo dos carros e me cumprimentando;

- Bom Trabalho! Bom Trabalho! Vi você conversando com aquela loira em Robson.

Quando falo isso, todo mundo começa a zoar ele, dizendo ser um cliente fiel do “cabaré”.

- Vander chega ai. – Digo entrando no vestiário.

- Fala Capitão.

- Vou para casa curtir meu filho, quero que fique de olho nele, e quando for, coloque alguém de confiança.

- Pode deixar, já falei com o Robson, vamos revezar a guarda.

- Ótimo, a superintendência vai reforçar a segurança do prédio. Porque amanhã pela manhã todos já vão estar sabendo que estamos com um dos cabeças da Facção do PCC.

- Sim, senhor... Agora vai lá curtir aquele safado!

- Vou sim.

- Diga que depois vamos marcar um futebol, e chamar ele.

- Beleza. Vou nessa.

Não tinha preferência de ir na casa da Katia minha ex, porem era por uma causa maior!

Liguei avisando estar chegando. Katia morava perto da corporação, cerca de trinta minutos, por causa do transito.

Uma das coisas que ela ficou com a separação foi a nossa casa, um excelente imóvel em um bairro nobre aqui de São Paulo, a separação veio seis meses depois de mudar, Rui nem viveu comigo na residência.

Essa separação ainda estava no tribunal, isso estava me desgastando muito.

Eu cheguei a noitinha e deixei o carro ao lado de fora, e como de costume, trouxe a arma junto a mim. Eu apertei o interfone;

- Oi.

- Sou eu.

- Eu quem?

- Renato, Katia, abre logo.

- Aff. – Ela diz destravando a porta.

Eu entro, e o Rui aparece na sacada do seu quarto;

- Demorou.

- Transito. – Digo entrando.

A porta principal tinha visão da escada e a cozinha a esquerda, onde a Katia estava;

- As câmeras não estão funcionando? – Pergunto deixando as chaves e carteira na mesa.

- Não, caiu a energia e elas não voltaram.

- Já ligou para os...

- Já liguei Renato, não aja como homem da família viu, não tem ninguém para impressionar aqui.

- Não estou tentando impressionar ninguém, meu filho está aqui agora, me preocupo com ele. – Falo já virando as costas, não tinha nem diálogo entre a gente mais.

- Depois quero falar com você.

- Se for sobre o divórcio não perca tempo. – Falo subindo as escadas.

O Rui estava arrumando as coisas no quarto dele, desfazendo malas, e se organizando.

- Joice não veio? – Pergunto entrando.

- Ela foi em casa, pegar umas roupas.

- Entendi. – Digo sentando na poltrona ao lado.

- É estranho chegar em casa e não ter o senhor Pai. – Rui diz deixando a peça de roupa na cama.

- Eu sei Rui, mas terá que se acostumar meu filho, essas coisas acontecem, e não tem como voltar atrás.

- Não pode nem falar seu nome aqui dentro, ela fica uma fera.

- Dá para ter ideia.

- Quando vou ir conhecer o apartamento?

- Haha’, sem essa! Não está pronto e será para quando você se formar Rui.

- Ah pai, corta essa.

- Eu e sua mãe economizamos uma vida para comprar ele para você.

- Eu sei, mas já que o senhor está morando nele eu pensei...

- Meu filho, estou morando nele, até eu e sua mãe decidir o que fazer.

- Eu espero.

- Preocupe agora com sua faculdade.

- E a missão?

- Sucesso... Vou adiantar para você, mas amanhã todos saberão mesmo.

- Quem foi dessa vez?

- Um dos chefes do Comando Vermelho aqui de São Paulo.

- Houve troca de tiros?

- Não, foi de boa. Mas subimos a favela.

- Quando vai me levar no stand novamente pai?

- Não, sei. – Digo levantando.

- Filho o jantar está quase pronto, a Joice vai demorar? – Katia fala chegando na porta do quarto.

- Vou ligar para ela mãe.

- Renato podemos conversar.

- Beleza.

Eu acompanhei ela, descendo as escadas, e Katia entra no escritório fechando a porta.

Ela dá a volta na mesa e pega uma pasta com documentos;

- Que é isso?

- É os papeis do advogado para eu assinar autorizando abrir o processo.

- E porque não assinou ainda?

- Meu irmão vai depor contra você Renato. – Katia fala cruzando os braços.

Confesso ficar sem ar nesse momento;

- Não assinei ainda porque quero um acordo.

- Acordo? Que acordo Katia? – Pergunto confuso.

- Quero a casa, o apartamento e os...

- Que apartamento Katia? Aquilo é do Rui, não seu.

- Não quero você dormindo com homens dentro do apartamento do meu filho.

- Ô Desgraça! Eu já te falei, seu irmão colocou alguma coisa na minha bebida, sabe que nem gosto dele. Escuta uma coisa... acho que vocês dois estão juntos nessa.

- Você me traiu com meu irmão, isso é o suficiente para o tribunal votar a favor de mim.

- Que mais você quer?

- Os carros, acesso a conta do Rui e pensão para seu filho.

- O que você quer com a conta do Rui? Katia aquele dinheiro é para a faculdade dele! Juntamos desde o nascimento do garoto.

- Só você tem permissão de bancos e as nossas contas, isso vai mudar.

- Claro que tenho, confiei em você e ao invés de pagar a reforma do apartamento você pegou o dinheiro e colocou silicone.

- É para isso que eu trabalho Renato.

- Para roubar?

- Chega, nos vemos na audiência na próxima semana.

- Sua sorte que é mulher, senão eu iria te dar uma surra que nunca iria esquecer.

- Vai me ameaçar agora é?

- Ah agora eu estou te ameaçando? O que você fez até agora foi uma conversa saudável por acaso? Eu tenho que te admirar, você é corajosa. – Digo pegando a arma.

- Não tenho medo de você Renato... E é claro que você ainda me ama.

Cara eu olhei para ela, e tipo, não estava ouvindo aquilo;

- Ah meu Deus! Olha o Rui não está merecendo tanto, vou para minha casa, você já passou dos limites só em uma noite.

Subi para despedir do meu filho, e marcar algo outro dia.


#Gustavo


Eu treino Jiu Jitsu toda semana, segunda e quarta. Hoje eu não estava com um pingo de vontade de ir trabalhar, por causa da última missão fracassada.

Quando cheguei na corporação por volta de nove da manhã, já estavam me olhando torto, subindo para meu andar, eu pego um café no corredor e me encontro com Cleiton, ele se aproxima falando merda;

- Fiquei sabendo que está trabalhando com as Operações Especiais Gustavo. Verdade?

- Guarde suas piadinhas para sua turma beleza Cleiton.

- Mano você parece aqueles policiais de filmes americanos, só faz merda.

- Se quiser começar a semana de olho roxo é só continuar falando. – Falo encarando ele.

- Ui, foi mal esquentadinho.

Saio já bufando de raiva, e meu dia nem havia começado direito, chegando perto da minha mesa meu superior se aproxima;

- Tive uma conversinha com um amigo do Comando de Operações. – Ele diz já querendo me matar.

- Senhor a “Operações Especiais” sempre gritou “Comando do Planalto” quando está roubando. Trabalhei com o Barão por seis meses.

- Sabia que ele era do PCC? Recebi essa manhã. – Ele diz me entregando uma pasta. – Cortesia das Operações Especiais. Barão passava informações de uma facção para outra, Gustavo, se vazasse a informação que a Policia Federal ajudava um espião de facções.... Tem ideia do tamanho da merda? Eles nos fizeram um favor. – Ele fala enquanto eu o sigo para sua sala.

- Olha o Barão me ligou. Ele disse que tinha informações que o fariam ser morto. Disse que só as daria para mim. Ele estava desesperado.

- Já tenho muitos problemas, você quer abrir uma investigação porque está com vergonha? Sente-se. Me faça um favor Gustavo. Faça algo que normalmente não faz, me escute. Não se envolva. É uma ordem.

- Você está certo. Me deu várias chances. Desculpe...

- Pare, você não é bom nisso.

- No que?

- Puxar o saco. E como está feliz por trabalhar com o Comando de Operações, eles mandaram isso. Barão também tinha comandos dentro de outras favelas, eles dividiram em três grupos. São chamados de “Charlies”.

Pego o montante de pastas olhando os perfis;

- São os menos ameaçadores.

- Qualquer louco que vende drogas dentro da comunidade. Se alguém parecer estranho, mande para mim, e eu dou seguimento. E isso tudo precisa ser visto.

Me viro com aquela montanha de papeis, saindo da sala;

- Gustavo, sei que está tentando. Agradeço muito. Mas precisa tentar mais.

- Obrigado.

Voltei para a minha mesa e comecei esse trabalho de formiguinha, investigar um por um.

22 visualizações
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia