• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 16

Galera nós estávamos terminando, deixamos para almoçar só depois de organizar aquilo tudo, e no jornal que passa na hora do almoço, uma matéria com o Renato.

O que eu temia estava acontecendo, a morte do Cunhado foi creditada ao Barão, eles estavam o acusando. Estipularam uma recompensa pela cabeça do Rafael, e todas as policias estavam à procura dele, então era o mais procurado de São Paulo até então.

Disseram que ele é um bandido perigoso e sangue frio.

- Patrícia vou almoçar fora.

- Certo Gustavo, vou terminar aqui, falta só esses mandatos.

- Ok.

Quando me levanto pegando meu celular e chaves, o Daniel diz de sua sala;

- Vai onde Gustavo?

Eu olho meio estranho para ele;

- Almoçar... posso?

Estranhamente ele só faz uma careta fechando a porta. Eu fui então a algumas quadras aqui do trabalho, em um self service.

Como de costume, deixei meu colete e estava sem identificação, só com arma e distintivo.

Depois de me servir, e sentar, o garçom se aproxima perguntando se queria beber algo, e depois trouxe um suco de cupuaçu.

Pessoal as mesas do restaurante ficavam a maioria ao lado das janelas, foi onde me sentei, já na metade da minha refeição, olhando os status no celular, meio que fico desconfortável, foi uma sensação muito estranha.

Levantei o pescoço olhando para fora do restaurante e do outro lado da rua, debaixo de uma arvore um policial à paisana, e ele não era PF. Não estava identificado, fumando um cigarro, estava sob ordens do Renato.

Por um momento passou na minha cabeça, ir lá tirar satisfação, mas eu estava no meu momento. Terminei minha refeição.

Peguei o copo terminando o suco, e o garçom aparece um uma taça de sobremesa;

- Senhor. – Ele fala colocando.

- Desculpe eu não pedi isso.

- É cortesia da casa. – Ele fala.

- Tudo, bem, a conta por favor.

Comida? De graça? Para mim? Tinha alguma coisa aí.

Meu celular chamou um número desconhecido, olhei ao redor e atendo;

- Oi.

- Não vai comer? – Era a voz do Rafael, o Barão.

- Esse restaurante é seu?

- Não, mas de um amigo.

- Estão achando que você matou o Cunhado.

- É eu sei disso. E aí, não vai comer?

- Onde você está?

- Sua conta senhor. – Fala o garçom.

Eu abaixo e olho se minha pistola estava carregada;

- Tem um presente para você. Lembra que pediu provas...

O Rafael ia falando e na mesa junto a conta o garçom deixou um envelope;

- Abra quando estiver sozinho é perigoso.

- Mas o que eu... – Antes de terminar de falar ele desliga.

Deixei o dinheiro na mesa, e peguei o envelope seguindo para o banheiro. Como era mais nos fundos e mais reservado, era mais seguro ver o que tinha ali dentro.

Quando entro ele estava lá dentro, o Barão. De jaqueta de couro e com um daqueles fones da Apple, e vale o comentário, estava bem mais bonito;

- Está maluco.... Como entrou aqui?

- Abre.

Dentro do envelope tinha algumas fotos, três na verdade, eram do Vander, ele com o Governador, estavam nas três rindo, e bebendo algo em uma sacada de um prédio.

- Mano do Céu, onde conseguiu isso?

- Agora faça sua parte.

- Rafael, isso não é o suficiente.

- Não brinca comigo irmão, você pediu provas para me ajudar, aí estão.

Pessoal ouvimos um estrondo do lado de fora, ele saiu como um tiro do banheiro;

- Para o Chão, todo mundo. – Eu ouvi os gritos.

Na mesma hora coloquei as fotos dentro da cueca. Mano na mesma hora ouvi um bater na porta do banheiro bem alto;

- Operações Especiais, Abre a porta.

- Calma aí. – Falo de dentro.

Abro a porta com a calça aberta, mano tinha uns dez apontando arma para mim;

- Mãos na cabeça. - Robson fala.

- Sou eu, Gustavo. – Falo para ele.

- Mãos na cabeça, não vou repetir. – Ele fala.

Com as mãos na cabeça, fico de costas e ele passa a mão rapidamente, me revistando, ele ousa tirar a minha arma e meu distintivo. Eu me virei ouvindo o Renato;

- Está limpo. – Ele fala passando pelos policiais. – Onde está ele? – Renato me pergunta.

Mano eu sou policial, tenho treinamento para todas as ocasiões, mas o Renato sabia colocar pressão;

- Ele quem?

- Você sabe, Barão, Rafael, ou seja, lá como você o chama, já que estão se encontrando as escondidas.

Mano que isso, pareceu até que ele estava com ciúmes. Os policiais se afastaram e estavam andando na vizinhança e arredores, comigo estava o Renato, Vander e Robson.

- Se vira. – Ele fala.

Renato volta a me revistar, e novamente passa a mão em todo meu corpo;

- Está limpo senhor. – Diz Robson atrás. – Somente arma, distintivo, carteira e celular.

Renato apalpa minha nadega direita e sente as fotos, mas o viado para ter certeza aperta a esquerda;

- Desce as calças.

- Aqui na frente de todo mundo.

- Para de cerimonia Gustavo.

Eu então desço minhas calças ficando de cueca, mas foi o tempo de ele pegar o envelope e as vesti novamente.

Fiquei com medo de Renato mostrar para o Vander que estava mais atrás.

Ele abre o envelope olha as fotos, e as guarda novamente;

- Explica? Ele quem te deu?

- Não posso falar.

O Renato respira fundo, e tenta manter o “coro” diante dos meninos;

- Gustavo o que são essas fotos?

- Não posso falar Renato.

Mano ele respira bem fundo e fala;

- Estenda as mãos.

Renato pega as algemas colocando em mim, nesse momento, vejo o Robson passar a mão no rosto, e ficar mega preocupado e incomodado, eu confesso soar na hora, mas nada comparado a pressão de ouvir ele dizer;

- Gustavo Medeiros, eu Renato Andrade lhe dou voz de prisão por omitir provas, e atrapalhar investigação em andamento de jurisdição não correspondente a sua patente. Como oficial da Policia Federal do Estado de São Paulo você (...).

- Eu falo. – Digo em voz baixa.

Estava engolindo seco, e soando frio;

- Fica à vontade.

- Não na frente deles. – Digo apontando para os meninos.

- Para fora Tenente, todo mundo. – Renato fala.

Eles saíram, e o Vander me encarando com tanta raiva, acho que ele já desconfiava. Robson fecha a porta e o Renato abre as algemas;

- Eu sempre pensei que isso seria mais fácil.

- O que?

- Receber uma ordem de prisão.

- Gustavo quem te deu isso?

- Rafael.

- Porque tem o Vander aqui?

- Você sabe Renato. – Falo abrindo a torneira e lavando minhas mãos. – Sua ovelha negra.

- Não pode ser, ele é padrinho do meu casamento, padrinho do Rui, o Vander não pode estar envolvido.

- Acorda para a vida Renato, olha quem está na foto. É o Pedro Barbosa, se o governador está envolvido com as Facções de São Paulo quem é o Vander.

- Então... - Renato levanta a foto, e fica branco na hora.

- Vander passou o Cunhado, aquele disparo não é de bandido.

O Renato se encosta na parede, fica sem reação.

Se aproxima da pia, deixa a arma e joga uma agua no rosto, ele fica sem ar, e respirando muito fundo o que fazia pouco de barulho;

- Eu não sei o que fazer agora.

- Não pode contar para ele, isso tem que ficar entre nós, essas fotos não são provas o suficiente para pegar o Governador.

- Mas é prova para pegar o Vander.

- Não pode Renato. Se eles perceberem já era todo o trabalho.

- Você e o Rafael, estão...? – Ele tenta insinuar algo.

- Não Renato, eu e o Rafael não temos nada.

- O que ele quer? Qual é a dele?

- O Governador quer a cabeça dele, e ele quer o mesmo que nós.

- Então é nos contra o sistema?

- É nós contra o sistema.

Bem vamos ao resumo, vocês acreditam que quando nós saímos o Diego estava lá de fora, pois é.

Vander ligou avisando da minha “prisão”. Mas saímos, e o Renato então conversou com o Diego, e depois saiu para falar com o Vander, mas afastado.

Ficamos combinados então de eu voltar a ajudar, porem as coisas ficariam mais complicadas, pois o Vander não poderia desconfiar, então eu teria que manter distância.

- Vai para casa, descanse o resto do dia, vai precisar. – Diego fala me dando tapas nas costas.

- Agradeço chefe.

Gente, Renato contou a Diego que o Barão havia me pegado, feito de refém por um tempo e depois escapado, rsrs, se eu pedisse teria uma folga de uma semana.

Quando vou saindo vem o cara de pau do Robson;

- Ei, está bem? – Ele diz chegando e pegando em mim.

- Nunca mais fala comigo.

- O que?

- Mãos para cima?

- Eu estava fazendo meu trabalho Gustavo.

- Que trabalho que nada, estava fazendo bonito para o Renato, tem nem vergonha nessa sua cara.

- Gustavo desculpa, vamos conversar.

- Conversa com a minha paciência Robson. Ah é, ela sumiu quando você se apareceu. – Digo entrando dentro do UBER.

Bem em casa eu deitei para dormir, serio, quando você passa por algo assim, sua adrenalina vai no máximo, eu nem sei como tem gente da área que usa drogas ainda. Mas quando ela baixa seu corpo está exausto.

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