• Richardson Garcia

SENTENCIADOS - Episodio 12

#Gustavo



Confesso estar com medo, até porque, eu tinha um contato direto com ele.

E pessoal a corporação estava uma loucura, todo mundo cagando de medo do Renato, agradeci a Deus por ele me dar uma missão tranquila, porque não seria fácil depois do que havia acontecido nessa madrugada.

Com mais dois caras seguimos para a casa do Renato, isso quase três da madrugada.

Quando chegamos eu fiquei uns trinta minutos no portão, até a mulher abrir, e eita que moça sem educação;

- (...) Minha senhora, estou aqui seguindo ordens.

- Renato não manda mais aqui, e quero vocês longe da minha casa... E me chama de Katia seu guarda.

Mano eu olho para os meus colegas e digo;

- Escuta aqui você Katia, faz o seguinte, fica falando na cabeça dele, o Vitor, eu e meu amigo vamos entrar e fazer uma varredura, depois que assegurarmos que está tudo limpo, ai sim te deixamos em paz.

Entrei passando por ela que ficou uma fera, olhamos tudo, procurando algum sinal e depois informações do garoto.

Só uma coisa, que casa viu, grande toda em conceito aberto, moveis e até obras de arte, eles têm bom gosto.

Ao sair o Renato enviou algumas mensagens, de amigos e lugares que o tal Rui costumava frequentar.

E as quatro da manhã estávamos nós, dando uma de baba.

Em um dos lugares eu passei perto de casa, e aproveitei para ver o Douglas. Mas quando paramos o carro na rua vejo ele saindo, deixo os meninos no carro e corro até alcançar meu irmão;

- Ei... Douglas, onde vai? – Pergunto segurando ele pelo braço.

De forma bem sem graça, ele responde;

- Vou nessa Gustavo, vou embora.

- Não iria se despedir?

- Sabe que não gosto disso.

Fico meio bravo, mas ele sempre fez isso;

- Me desculpe, e muito obrigado, você sempre me ajuda.

- Consigo um trabalho para você Douglas, tem que querer sair dessa vida mano.

- Eu não quero Gustavo, e não fique triste, você é quem dá orgulho para a família, não eu.

- Aqui, tem uma grana boa para ficar de boa por um bom tempo. – Falo entregando a ele todo o dinheiro que estava no meu bolso.

- Te amo. – Douglas diz me abraçando.

É ele estava certo, despedida é horrível. Voltei para a viatura e entro falando com os meninos;

- Então.... Vamos? Vitor próxima parada?

- Vila Mix.

- Beleza, é perto.

Seguimos para as casas de shows, e ao chegar na primeira estava fechada, mas tinha um alvoroço de pessoas na rua, passamos devagar, e nada.

Seguindo devagar pela via o Vitor fala;

- Ali, aqueles dois, o garoto bate com a descrição. – Ele fala apontando para a calçada.

Eu aproximo o carro e chamo;

- Rui?

Um dos garotos olha e meu Deus.

Parei o carro no meio da rua descendo e indo até eles;

- Rui, sou Gustavo, vim por ordens do seu pai, o que houve com você?

Pergunto amparando eles. O garoto estava com um hematoma no olho direito e com a mão na barriga;

- Gustavo vamos logo. – Vitor fala.

- Está maluco, olha a situação dele, Renato mata a gente se ver o filho dele assim... Rui, consegue me entender? Quem fez isso com você? – Falo abaixando perto dele.

- Foi vocês. – Fala o garoto ao lado dele.

Mano que trancada de cu, nessa hora;

- Está maluco, acabamos de chegar. – Falo até branco.

- Foi a PF. – Rui responde.

- Vem, vamos, vou te levar ao hospital. – Falo seguindo com eles para o carro.

Saímos rápido, pois eu estava mais assustado que os meninos. No hospital quando chegamos, eu pedi auxilio e mandei também fazer um corpo de delito;

- Corpo de delito?

- Sim, Vitor, acha que quem fez isso vai sair ileso? O garoto é filho do capitão.

- Vamos avisar o capitão agora ou depois? – Ele pergunta.

- Vamos esperar o médico dizer, aí falamos com ele.

- Certo.

Exatamente as seis da manhã o Renato liga para a gente, o Vitor me entrega o celular todo receoso;

- Oi.

- Atualização de dez em dez minutos Gustavo, isso era para vocês também.

- Renato estamos no Hospital Samaritano, com o Rui.

- Que aconteceu Gustavo?

- Ainda não sabemos, os médicos não saíram lá de dentro.

- Estou chegando.

- OK. – Falo desligando. – Ele está vindo para cá.

Entrego o celular para o Vitor. Peguei uma agua e voltei a sala de espera, foi quando o medico veio e nos levou até eles;

- (...) Ambos escoriações, Rui sofreu um golpe no abdomem, e no olho, demos uns pontos e ele vai ficar bem. Fernando somente escoriações, nos joelhos e cotovelos.

- Obrigado, Rui seu pai está a caminho.

- Porque ele está demorando tanto? – O garoto pergunta de cabeça no travesseiro.

- Estamos em alerta cinco. – Falo torcendo para ele saber o que significa.

Rui me olha de olhos arregalados, e questiona com outra feição;

- Tem certeza?

- Sim.

- Alguém pega meu celular? – Ele fala tentando alcançar.

Ele liga para sua mãe, conferindo se ela estava bem, e log, logo o Renato chega, como um furação nos corredores.

Ele entra cumprimentando e perguntando de Rui, o médico fala, enquanto ele fica ao lado do garoto.

- Não tivemos culpa Renato. – Fala o Fernando ao lado.

- Você fica na sua, se estivessem em casa isso não teria acontecido. E você quem fez isso? – Ele pergunta ao filho.

- Foi um PF, pai.

Galera o Renato me olhou na hora, e perguntou;

- Ele?

- Não, um tal de “Del Rio”. – Responde o Rui.

Mano do céu. Que dia era esse. Vocês já imaginam quem é o PF.

- Não posso ficar aqui a manhã toda, estamos em alerta máximo, tenho que trabalhar, mas o Vitor vai ficar de olho em vocês, assim que saírem irá para casa e não sair de lá Rui, até uma segunda ordem, está me ouvindo?

- Sim, senhor.

Ele beija o filho, e diz, vindo em nossa direção;

- Os dois, de olho neles, não me façam pegar vocês também. Gustavo vem comigo, vamos fazer uma visitinha a sua repartição. – Ele fala seguindo na frente.

Galera fui flutuando atrás do Renato, ele estava com sua viatura, e seguimos direto para a Policia Federal. Por causa do que estava acontecendo, no caminho ele ficou dando ordens e falando com o pessoal em campo.

A seguinte cena foi o seguinte, entrar com o Renato dentro da PF era como você entrar na Sapucaí, todo mundo te olhando e quase batendo palmas.

- Onde o Comandante fica? O Daniel? – Ele pergunta, assim que entramos no andar.

- Ali, a sala no final. – Falo apontando o dedo.

Pessoal para entenderem melhor, o Renato era uma das patentes altas da polícia em si, ele servia o exército, ele era do Comando do Exército, sei que já falei isso, mas para nós era inspiração sua divisão.

Quando ele entrou no andar, por respeito todo mundo se levantou, e pelas mesas que o Renato passava todos batendo continência.

O que eu não esperava, era que ele iria encontrar com o Cleiton no caminho até o Daniel.

A Patrícia fica toda vermelha ao me ver, solta até um sorrisinho.

Todo mundo de pé, Renato aproxima e olha a farda do Cleiton, “Oficial Del Rio”.

Cleiton rapidamente bate continência em respeito de Renato e ele pergunta;

- Estava em plantão essa noite oficial?

- Sim senhor.

Cleiton mal respondeu e Renato o derruba com um murro, que fez até barulho, pessoal ele desmaiou com o golpe.

Ah que vontade de ficar assistindo o Renato acabar com o Cleiton, mas tinha que manter a linha de “bom garoto”.

Eu até segurei ele, mas Renato me deu uma bronca, que soltei ele na hora;

- Tira a mão de mim. – Ele fala pegando um copo de agua na mesa atrás.

Renato só joga em Cleiton, que volta a se mover.

- Capitão Andrade isso é contra a ética da corporação. – Daniel fala se aproximando.

- Senhor. – Renato diz respondendo com continência. – Diego é uma pena que você tenha policiais como esses em sua equipe.

- Cleiton é um dos melhores aqui.

- Então reveja seus conceitos.

- Acho que você quebrou meu nariz. – Cleiton diz sentado no chão.

- Infelizmente vai ficar só um hematoma. Isso é para você apreender a bater em menores de idade na rua. Azar o seu que essa noite foi bater logo no meu filho.

- Não bate no seu filho não Capitão.

- Vim aqui te avisa, que hoje mesmo será aberto junto a superintendência um processo contra você oficial. Acho que com testemunha e provas, você talvez possa ser guarda de shopping.

- É verdade a acusação Capitão? – Daniel pergunta.

- A acusação é verídica, e com provas. Peço desculpas pela inconveniente cena, logo agora que tenho só agradecimentos a sua divisão estar trabalhando junto a nossa. – Renato fala isso olhando para mim.

- Está com meu melhor investigador Capitão Andrade, cuide bem dele.

Renato pega na mão do Daniel e olha para o Cleiton que estava se levantando;

- Você é a razão de sermos tão odiados pela população, são policiais como você que tenho vergonha.

Depois daquele golpe, eu sai atrás do Renato calado, sem ao menos respirar na sua presença.

O restante do dia pessoal foi de reuniões do Renato, com o governador, e ele teve que responder até o momento como responsável pelo que estava acontecendo. Os jornais estavam acabando com nossa corporação na televisão.

Viramos motivo de chacota, literalmente no pais, de memes a vaias na rua.

Por causa do que estava na televisão, quase que São Paulo inteira estava ligando e passando informações falsas, nós passamos a semana fazendo missões deslocando equipes para lugares dos mais diversos para a diversão da população.

O Renato estava hiper estressado e a equipe estava levando a todo momento, plantões extras e ficando após o horário.

Robson junto com a equipe que estava trabalhando no dia não foram afastados, e nem levaram punições, até porque estavam sendo investigados pela inteligência do estado.

Bem eu avancei alguns dias aí em cima, com esse resumo, pois foi exatamente quando a poeira abaixou que as coisas voltaram a acontecer.

Na sexta-feira um puta calor nessa cidade, eu fiquei com Carlos, Vitor e Vander de plantão, iriamos sair por volta de nove da noite da corporação.

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