• @rgpatrickoficial

SENTENCIADOS - Episodio 10

#Gustavo


Tudo que eu precisava era deitar na minha cama, e dormir e muito. Mas ainda passei uma agua no corpo, no quarto, coloco o celular no carregador, olhando as mensagens. Havia do grupo do trabalho e minha irmã, e também Robson, pedindo para dormir lá em casa novamente, eu nem responde.

Essa madrugada eu me deitei e demorei muito a dormir, e pensava eu que iria descansar, mas não rolou. O interfone chamou, três vezes no meu apartamento, levantei querendo matar o porteiro;

- Oi. – Falo passando a mão no cabelo.

- Boa noite Gustavo.

- Bom dia já ne.

- Desculpe, é que sou novo aqui no prédio. Gustavo tem um rapaz aqui na recepção, Douglas, ele insiste em falar com o senhor.... Preciso que me diga se conhece, ou irei chamar a polícia.

Odeio esses porteiros novatos, nada contra, porem odeio ainda mais quando meu irmão faz isso.

- Eu sou a polícia. – Falo desligando.

Voltei no quarto pegando uma camisa e desço.

Douglas meu irmão mais novo, tem vinte e dois anos, ele é usuário de drogas e saiu de casa logo depois que eu fui mandado embora de casa, mas conto isso outra hora para vocês.

Quando cheguei na portaria, ele estava sentado no chão ao lado de fora, eu cheguei agachando ao seu lado, o amparando para se levantar;

- Douglas... Vem comigo.... É o Gusta. – Falo tirando o cabelo dele de frente os olhos.

Ele me olha abraçando, Douglas me abraça antes de levantar;

- Gusta... – Ele repetia me segurando.

Douglas estava com um cheiro forte de bebida, sem calçado, de calça, e uma camisa de botão aberta. Barra grande e cabelo todo desarrumado.

O porteiro ficou calado, olhando eu entrar amparando ele para dentro, entrando no elevador e subindo.

- Você jantou Douglas? – Pergunto.

Ele só responde que não, gesticulando a cabeça;

- Almoçou Douglas?

Novamente o mesmo gesto;

- Mano você comeu hoje?

O mesmo gesto, de negação.

O elevador se abriu e entramos, direto para o banheiro, liguei na agua gelada para ele acordar um pouco, peguei uns remédios que me ajudava na ressaca e dei para ele. Peguei roupas minhas, e uma tolha limpa para ele. Fui na cozinha ver se tinha algo pronto para ele, mas não.

Aproveitei o seu banho demorado, desci correndo na SubWay, aqui de frente em casa e fiz um lanche para ele.

Quando voltei o chuveiro estava desligado, e ele acabara de sair do banheiro, nos sentamos na mesa para ele comer, e galera, meu irmão devorou dois sanduiches de 30cm da Subway, fiquei assustado com aquilo.

Ele meio que voltou ao “normal”, depois de comer, foi quando conseguiu falar melhor;

- Desculpa, sabe que só posso contar com você. – Ele diz bebendo agua.

- Sabe que estou sempre aqui.

- Posso dormir aqui essa noite?

- Olha, não sei a noite, porque são cinco da manhã, mas pode ficar aqui sim, o quanto precisar Douglas, sabe disso.

Ele sorri, e brinca;

- Não casou ainda mano?

- Ah meu Deus.... Você também?

- E o Robson?

- Nós terminamos.... Tem um bom tempo na verdade.

- Não deu certo?

- Não. E a mãe e o Pai? Viu eles?

- Não, você viu?

- Eu estava passando na frente da igreja e vi eles têm duas semanas. Parecem estarem bem. Ei vem, me ajuda a arrumar aqui para você dormir. – Falo levantando da mesa.

Aqui em casa meio que tem um quarto para o Douglas, nós arrumamos para ele ficar, e eu fui me deitar também, afinal de contas iria só cochilar essa noite.

Bem claro, acordei pouco tempo depois, e é chato dizer isso, mas as coisas minhas de valores, sempre ficavam dentro do cofre, no meu quarto, não me levem a mal, eu confio no meu irmão, só não confio no vicio dele.

Bem me arrumei para o trabalho, e passei no StarBucks para pegar um café extraforte, e levei energético para o trabalho também.

Hoje eu iria para a PF, porque tinha que cumprir uns horários. Logo que cheguei a Patrícia, me olha arrastando sua cadeira;

- E aí agente do COE, que cara é essa, noite boa, conta tudo? – Ele fala com os cotovelos na minha mesa.

- É o Douglas, Patrícia.

Ela fica mega sem graça, mudando de feição;

- Ai amigo, me desculpa.

- Tudo bem.

- Vai pra casa, fica com ele... Douglas some do nada.

- Não, tenho que cumprir horário, Daniel está de olho em mim.

- Quer que eu fale com ele?

- Não precisa.

“Mal sabia eu que tinha que ter escutado Patrícia, pois o dia seria daqueles”.

Eu trabalhei a manhã inteira com a Patrícia, ajudando ela nos meus casos.

E infelizmente o Cleiton chega, para me lembrar o quanto eu odeio ficar no escritório;

- Ué, não vai mamar nas bolas dos agentes do COE hoje Gustavo? – Escuto ele falar atrás de mim.

Poxa sabe quando vocês ignoram, pois é, eu fingia que ele não existia ali. Mas sempre tinha os idiotas para rir das piadas de merda dele;

- Está com inveja Cleiton? – Pergunto olhando.

- Claro que não, até porque não consegue fazer seu trabalho sozinho, porque só está lá, porque vai trabalhar com seu ex, certo?

- Ei, pode para os dois. – Daniel fala passando e cutucando o Cleiton.

- Não liga para ele amigo.

- Eu não ligo, tenho é pena. – Falo puxando a papelada.

- Mas e o Robson, tem visto ele?

- Ontem me mandou mensagem, queria dormir lá em casa.

- E aí? O Douglas já estava lá?

- Não, nem respondi ele.

- E que carinha é essa em Gustavo?

- Nada.

- Parece a cara de alguém que vai dar uma chance para o Robson. Rsrs.

Eu começo a rir, mas não respondo ela.



#Renato


Eu decidi não ir trabalhar nessa quinta-feira, para resolver as questões do divórcio.

Eu estava no apartamento, colocando minhas coisas em caixas e malas.

A Flavia chegou eu estava no quarto, tirando as roupas do guarda roupas. Abri a porta e ela estava com uma pasta nos braços.

Flavia se aproxima me abraçando;

- Bom dia amigo.

- Bom dia, entra...

- Arrumando as coisas?

- Sim, vem aqui. – Falo seguindo o corredor.

- Amigo, trouxe os papeis, com tudo pronto. – Flavia fala sentando na cama.

- Deixa só eu fechar aqui e nós olhamos, ok.

- Beleza.... Nem vai trabalhar hoje?

- Não Flavia. Vander vai ficar no meu lugar hoje. – Falo fechando o zíper de uma das malas. – Pronto, diz, que tem ai?

- Adiantei os papeis da casa, e do banco, só você assinar.

- Assinar...

- Que está ciente que a conta do casal e a casa de vocês agora pertence a Katia.

Peguei os papeis e assinei, ambos;

- Pronto.

- Vai para onde agora Renato?

- A esposa do Vander me conseguiu um apartamento mais humilde, perto da corporação, depois eu procuro um lugar fixo.

Amigo sei que tem um bom dinheiro nessa conta. Você tem alguma conta separada?

- Tenho, uma pessoal no Bradesco.

- Tem quanto lá Renato?

- Deve ter uns seis, sete mil, por aí.

- Dá para você ir se virando por enquanto... Amigo, escuta, se precisar pode me falar, sabe disso.

- Valeu Flavia.

- E isso aqui... – Ela diz colocando a mão sob os papeis. – Não me deve nada.

- Sem essa Flavia, tem quase um ano correndo atrás disso para mim.

- Renato eu estou te devendo quase que toda minha carreira, se não fosse você me conseguir meus primeiros trabalhos, hoje eu não era nada. Esquece, não vou te cobrar nada.

Eu abro um sorriso abraçando ela;

- Obrigado viu.

- Que isso, é uma honra. Agora deixa eu guardar esses papeis, que vou te ajudar com essa bagunça. – Ela diz amarrando o cabelo.

Flavia me ajudou a organizar as coisas no quarto, eu então fui a cozinha retirando as coisas, e o Rui chega em casa.

Ele entra com o Fernando;

- Pai, já está terminando? – Ele pergunta se aproximando.

- Não.

- E ai, tio! – Fala o meliante do Fernando.

O garoto parece um ex presidiário, me julguem, mas eu não gostava dele com o meu filho de jeito nenhum.

Eu não o respondi, somente falei;

- Rui, chega aí.

- Sim.

Ele entra na cozinha comigo e eu falo bravo;

- Que ele faz aqui?

- Veio ajudar pai.

- Eu não quero ajuda dele.

- Pai!

- Cadê a Joice?

- A gente terminou.

- Meu filho, faça o que quiser, mas vou falar com ela.

- Não pai.

-Vou sim, bem melhor você quieto com ela do que com esse pilho de quebrada.

- Pai, olha a boca.

- Não me enche Rui.

O interfone chama, a Flavia que atende para mim;

- Sim.... Pode deixar entrar. – Ela responde desligando o telefone. – Renato o caminhão chegou.

- E ai princesa? – Fernando fala se aproximando da Flavia.

- Gosto da mesma fruta que você “De Menor”, sai de mim. – Ela responde.

O Rui chegou a gritar rindo e zoando o amigo, mas nessa até eu gostei, viu, rsrs.

Eu passei o dia mudando, o Vander veio após o expediente da corporação, bom também que ele me deixou atualizado de tudo que aconteceu por lá.

A Flavia foi embora logo após as seis da tarde, e o Fernando também, ficamos somente eu, meu filho e Vander. Saímos para comer, e deixei o Rui em casa, pois iria trabalhar no dia seguinte.



10 visualizações
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia