• @rgpatrickoficial

Preso em Você - Capitulo 8

João Paulo - JP

Segunda feira, 29 de Abril de 2019, 09:14h.

Cheguei atrasado no primeiro dia de cumprimento da pena, era em um abrigo de menores aqui da cidade.

Quando desci do carro, o Advogado estava saindo acompanhado de uma senhora;

- Ah, aí está ele. – Ele aponta para mim. – Péssima forma de iniciar uma pena João Paulo.

- Desculpe.

- Bem, essa é a Margarida, responsável aqui do abrigo, ela agora é responsável sua e de Lucas também.

- Prazer, João Paulo. – Estendo minha mão.

Ela seríssima, nem dá o trabalho de responder, só exclama;

- Entra logo.

Respeitei, quieto na minha, entrei. O Lucas estava sentado próximo a uma porta, e ela baixinha e seria, vai andando até ele;

- Escutem os dois. – Ele se levanta. – Já cuido de muitas crianças aqui e não preciso de mais duas... Então não atrapalhem em nada, e não diga palavrões para as crianças.

- Mas que fazemos? – Lucas pergunta.

- Fiquem longe do meu caminho, e olhe para que eles não se matem ou algo do tipo.

- Vamos ser babas então? – Eu pergunto.

Não sei o porquê, mas ela não conversava comigo. Margarida entra, o local era uma espécie de casa, muito grande mesmo.

Turmas de crianças separadas, fazendo algumas atividades, e outros de boné e tênis, como se fossem sair para a rua;

- Vão ficar com essa turma hoje. – Margarida fala para Lucas.

Umas dez a quinze crianças de uns 9 a 11 anos eu acho, em fila indiana olhando para mim, e eu para elas.

Uma garota, aparentemente de nossa idade se aproxima e se apresenta;

- Oi sou a Isabela. – Ela pega na mão de Lucas.

- Prazer, sou Lucas e esse... – Ele vai me apresentando, mas eu o interrompo.

- João Paulo, mas pode me chamar de JP. – Quando eu falo meu apelido os meninos começam a rir.

Eu olhei serio para eles, que não pararam;

- Prazer, então, preciso da ajuda de vocês hoje, vamos aqui na praça da frente, ajudar alguns funcionários da prefeitura. – Ela vai explicando e eu viajando naquele sorriso.

Esse instituto fica de frente com uma avenida de duas pistas, do outro lado um dos parques da cidade.

A prefeitura iria fazer o reflorestamento de uma das áreas e os meninos iriam ajudar, no caso a gente.

Enquanto eles arrumavam as coisas no lugar, preparavam terra, marcavam os locais. Eu me sentei em uma das mesas perto, fiquei esperando.

Lucas estava ajudando a descer as mudas das plantas do caminhão, algumas crianças brincando, outras ajudando.

- Não vai fazer nada? – Escuto uma voz aguda do meu lado.

Olhei para a esquerda tinha um garoto sentado do meu lado, me encarando;

- Você não vai fazer nada? – Encaro ele.

- Eu perguntei primeiro.

- Eu estou bem aqui, obrigado. – Respondo olhando para os meninos e Isabela.

- Ela namora. – Ele diz.

Meu pescoço se voltou lentamente, levando meu rosto até ele;

- Ela quem?

- Vi desde que chegou, está de olho da tia Isa. Ela namora.

Apoio o braço no sofá e aproximo dele;

- Não sou ciumento. – Respondo ele sorrindo.

- Ele é policial.

Eu fecho rapidamente a cara;

- Serio? – Procuro afirmação.

- Sim, e você é bandido.

- Não sou não.

- Porque está aqui então? Todos são. – Ele leva a mão no queixo.

- Você também? – Me assusto.

- Não idiota. Os voluntários.

- Se liga garoto, idiota é você.

- JOÃO PAULO. – Lucas me empurra. – Margarida disse para não usar essas palavras com eles. – Ele me repreende.

- Ele que começou. – Aponto para o garoto. – E idiota nem é palavrão.

O garoto fica rindo de mim, e Lucas puto;

- Não vai fazer mais merda, pelo amor de Deus.... Vem ajudar aqui. – Ele me puxa pela mão.

Olhos cerados sai encarando o garoto, que estava rindo.

Nem era dia da arvore e eu estava plantando coisas. Ficamos um bom tempo com os meninos lá, a melhor parte foi que ganhamos cachorro quente de graça, e eu na fome que estava, até porque quem recusa comida grátis.

Dispensados, eu vou seguindo e entro no carro, o Lucas estava com o boné do trabalho, e eu pergunto;

- Vai trabalhar agora? – Digo abrindo a porta.

- Sim.

- Entra ai, te deixo lá. – Gesticulo com a cabeça.

- Não precisa.

- Deixa de frescura, entra logo.

Sai com o carro, e ele colocando o cinto de segurança, mas com problemas para ser afivelado;

- Calma, eu te ajudo. – Pego colocando para ele. – É só força, não jeito. – Explico.

- Valeu.

- Porque não está indo jogar mano?

- Para fazer as horas da pena, eu estou trabalhando até mais tarde, e sábados e domingos.

- Saquei! Ainda está mal? – Paro o carro no semáforo.

- Mal? Como assim?

- Com o que aconteceu!

- Nós dois temos culpa ne João Paulo, na verdade nós quatro, mas estou bem. – Luca mostra um pequeno sorriso de lado de boca.

- Posso fazer uma pergunta? – Olho ele.

- Fala!

- Você é gay?

- Sim. – A resposta sai, livre de qualquer pudor ou medo de julgamento, normal e sincero.

- Porque não contou mano? – Bato na minha perna.

- Você é hétero João Paulo? – Ele me encara.

- Sim.

- Porque não contou quando nos conhecemos?

Deixo um sorriso sem graça sair, e digo;

- Te entendo, desculpe. É que você também não parece gay. – Solto um comentário péssimo!

- E como um gay se parece João Paulo? – Ele fica todo sério, cruzando os braços.

- Mais afeminado? – Fico com medo do que digo.

- Posso ser um policial, vendedor de picolé, varredor rua, até um lutador, afeminado, transvestido, ou discreto, gostar de homem ou mulher não muda nada em mim. O que quero dizer que minha aparência não quer dizer nada. Não me julgue pelo que vê, e sim meu caráter.

- Não quis ser mal-educado. – Tento me retratar.

- Não foi mal educado, foi meio preconceituoso.

Parei frente ao seu serviço, e ele abre a porta dizendo;

- Eu não sou a melhor pessoa com palavras Lucas.

Ele faz uma pausa me olhando, e tenta sair, mas preso no cinto de segurança, ele tenta se soltar, e eu esperando ele tirar a mão, pois estava ansioso;

- Posso? – Falo levando a mão e soltando ele.

O cinto sobe e eu seguro, o prendendo me minha mão, Lucas olha o que eu faço, e seus olhos vem até meu rosto;

- Me desculpe viu. – Digo olhando em seus olhos. – Não sei como se sente.

- Relaxa. – Ele abre um sorriso diferente, mas que me deixou confortável.

Um mês, passando de turma por turmas no abrigo, ajudando com alimentação, passeios, eles fizeram uma pequena reforma, eu e Lucas ajudamos também.

Eu estava ficando a manhã no abrigo e a tarde trabalhando com meu pai, Já o Lucas, passava a manhã no abrigo, trabalhava a tarde no MC Donald’s e a noite faculdade. Ele parou até de treinar, pois os fins de semana usava para pagar as horas que estava devendo no trabalho.

Em um dos dias no abrigo, eu estava com a Isabela na sala em que ela preparava as atividades dos meninos, eu sentado cortando cartolina, e ela desenhando na minha frente;

- (...) Você não tem cara de que gosta de namorar JP.

- OXI, assim do nada? – Olho rindo.

- Não, é que.... Ah todo mundo sabe que ficou com a filha da Margarida. Por isso ela te odeia. E chegou me olhando de lado que eu sei... – Ela solta um sorriso.

Deixei a tesoura vermelho;

- Quem disse isso? – Meus olhos estavam arregalados.

- O Giovani.

- Eu mato aquele garoto. – Começo a rir.

- Para, ele disse que você parece engraçado.

- Hum andou falando de mim com ele é? – Já mudo a feição completa do rosto, olhando para ela.

- Sim, ele disse que você estava me olhando e desejando.... Que você é engraçado, mas é sozinho...

- Oi? – Me assusto.

- Giovani disse que precisa de alguém.

- Não, não preciso de ninguém.

- Eu concordo com ele.

Lucas bate na porta entrando;

- Hey, o lanche vai ser servido, querem que eu trague para vocês? – Metade do seu corpo estava ao lado de fora.

- Sim. – Respondemos juntos.

- Escuta, Lucas, me acha sozinho, digo solitário? – Pergunto.

- Não sei sozinho... porque?

- Isabela disse que eu preciso de alguém. – Falo gesticulando com as mãos.

- Ah tá. – Ele faz cara de estar entendendo do que falávamos. – Você é um galinha JP, e não é dos caras que namora sabe. Só gosta de pegação.

- É um complô? Isso aqui? – Gesticulo.

Ela aponta para mim;

- Viu, não é só eu.

- Me deixa com meus contatinhos, estou bem. – Pisco para ela. – Se quiser fazer parte, pode furar a fila.

- João Paulo. – Ela mostra a aliança.

- Ok, parei!

- Viu o que eu disse. – Lucas aponta.

- Você também Lucas, se quiser tem lugar para tu também. – Pisco para ele.

- Vai sonhando. – Ele bate em minha cabeça, todo convencido o garoto.

- Hum, sei não viu. – Isabela brinca.

- Qual é? Tem para você também, fica tranquila.

- Ai Jesus! Vamos comer JP. – Ela deixa as coisas.

Hora de ir embora esse dia, o Lucas pediu para esperar que iria assinar um tal documento.

Eu esperando no portão, ele retorna e eu pergunto;

- Que documento mano?

- Margarida que faz nosso relatório semanal para o Juiz, ela quem diz o que fazemos, de bom ou ruim. – Ele vai entrando no carro.

- Eita porra, não sabia disso.

- Pois é. Tudo que fazemos, ela “pontua” a gente. – Ele usa aspas.

- Como assim?

- Pode liberar mais cedo, se faltar ela não retrata, uma troca de favores entende.

- Sim.

- Como a dessa noite, você vai vir?

- O que? – Falo todo perdido.

- A turma do Giovani ganhou um dia de lanches aqui no “MAC”, vão trazer eles essa noite, e vou ajudar.

- Porra, eu não sabia.

- Ela disse na semana passada, lembra, trabalhar a noite.

- Hum, vou vir então. Mas é hambúrguer de graça para a gente também?

- Deixa de ser idiota JP, eles precisam, você não.

- Eu também tenho fome.

- Tchau, se for vir, é as oito. – Ele desce do carro.

- Eu venho, pode deixar.

Naquela tarde na oficina o Vitor fez uma visita, ficou conversando comigo e com meu pai, por algum tempo lá;

- (...) Mano e do nada ela chega dizendo estar gravida saca, é louca. – Ele fala dentro do carro.

- Eu já falei, nunca fui com a cara da Carla, mas você gostava de ficar com ela né.... Dá a partida de novo.

Ele vira a chave tentando ligar o carro, enquanto estava olhando dentro do capô meu pai se aproxima;

- Essas meninas acham que filho seguram homem... – Ele chega do meu lado, Vitor até sai do carro para ouvi-lo. – Nem filho, nem comida, nem sexo.... É o amor, se você não ter o sentimento pela pessoa, não dá certo.

- Mas Paulinho, comida boa e sexo ajuda. – Vitor diz rindo.

- Sim, claro. Mas olha meus pais, naquela época, anos, e anos atrás, minha mãe não era de ficar na cozinha, e sim meu pai que cozinhava. Por isso eu digo, é amor Vitor. É você estar todo santo dia com a pessoa e querer mais e mais.

- Que isso, falou bonito demais em meu velho. – Bato nas costas dele.

Ele olha o que eu estava fazendo e começa a rir;

- Mas também é distração... – Ele mostra a chave que deixei dentro do capô do carro.

- Haha’ Relaxa Paulinho, seu filho é o cara mais forte que conheço com mulher. – Ele bate em meu peito. – Esse garanhão aqui, não se apaixona, nem pela mais gostosa. Tipo a Vanessa, rsrs.

Meu pai desce o capô do carro, e me fala;

- Liga agora. – Ele olha para Vitor, se referindo a mim. – Esse garanhão aí Vitor, quando se apaixonar, vai ser o cara que se ajoelha e fala baixo. – Ele fala meio que sério, mas Vitor ri de mim.

O carro ligou, acelerei, e desliguei tirando a chave, e fui encarar meu velho;

- Está dizendo que um pegador como eu, quando me apaixonar vou sofrer mais que todos é? – Entrego a ele a chave.

- Sim.

- Sou diferente pai.

- Diferente como? Sem coração?

- Tipo isso. – Digo todo orgulhoso.

- Meu filho, a gente vai se apaixonando pelo olhar, voz, toque, a presença da pessoa faz bem. Quando acontece o beijo, você já está entregue, e quando percebe isso, já está envenenado pelo Amor.

- O Paulinho está todo romântico hoje né. – Vitor se senta.

- Passei a senha da Netflix para minha mãe, ela obriga ele a assistir filmes de romance. Semanas atrás peguei ele chorando com ela.

- Era diz adolescentes e um morre, naquela idade, nem viveu o melhor da vida. – Ele tenta se retratar.

Sem querer faltar com respeitos, rimos, dele, e Vitor muda de assunto;

- Hoje tem tequila para as primeiras cinquenta mulheres daquela boate nova que inaugurou na semana passada, Natalia chamou a gente para ir. – Vitor se senta no sofá.

- Mano, tenho trabalho do abrigo, vamos levar os garotos no “MAC”, ganharam jantar hoje sabe. – Pego um copo de agua.

- Que foda mano, será que podemos ir?

- Acho que sim, também não vamos fechar o lugar, rsrs.

- Então, vamos para o MAC, depois que sair de lá, boate, que acha? Eu falo com a Naty.

- Pode ser, eu vou.

Meu pai no escritório, cossa a garganta, eu rindo olho para ele;

- Pai, posso ir na boate com meus amigos?

- Fala com a sua mãe. – Eu começo a rir, e ele não aguenta lá dentro também, abre um sorriso.

- Vou avisar a Natalia então.


- Fechado.

18 visualizações0 comentário
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia