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Preso em Você - Capitulo 6

João Paulo – JP

Domingo, 24 de Março de 2019, 07:17h.

Aos poucos eles foram saindo, se despedindo, até porque o dia já havia amanhecido.

Meus pais foram agradecer o pai do Vitor, e ele também, por toda a ajuda, e o Lucas volta, aparecendo atrás da cortina;

- Está melhor? – Ele se aproxima.

- Sim, menos dores sabe.... Na verdade, acho que estou meio zonzo.

Tiro sorriso dele, que aperta minha mão;

- Vou nessa, preciso descansar e você também. Melhoras tá. – Ele aperta minha mão.

- Valeu, vai nessa namorado! – Pisco para ele.

Lucas só olha para trás, com uma feição irônica a minha brincadeira.

Bem eu tive que esperar o soro acabar, para poder ser liberado.

O Vitor só foi embora porque seu pai ordenou, ficando somente eu e meus pais.

Minha mãe vem e fica ao meu lado;

- O “Seu Araújo”. – É como chamamos o pai do Vitor. – Pagou as duas fianças e vai ajudar com advogado sabe.... Seu amigo contou que a ideia foi dele. – Ela segura em minha mão.

- Vitor? – Pergunto.

- Sim... Mas isso não diminui sua irresponsabilidade meu filho.

Eu olho para meu pai que vira as costas;

- Vou esperar lá fora.

Acompanho ele sair com os olhos;

- Ele está muito bravo? – Pergunto ela.

- Sim, acho que decepcionado João Paulo.... Seu pai te ama muito, e vive se gabando de você para todo mundo meu filho...

- Desculpa mãe. – Puxo ela para abraçar.

- João Paulo, eu como sua mãe, te perdoo de tudo que fizer na vida. Tudo. Mas não posso omitir seus erros, você está errado filho.

- Eu sei.

Sábado, 23 de Março de 2019, 09:17h

Sábado de futebol, passei mais cedo na casa do Vitor, e ele já me aguardava pronto.

Andando como de costume, um atualizando outro desta louca semana;

- (...) Ele não fala comigo, só o necessário sabe, ainda está chateado.

- Paulinho vai te perdoar JP.

- Espero que isso acabe logo também. Falamos com o advogado essa semana, ele falou para mim e para o Lucas que não vai acontecer nada, o máximo vamos prestar uns serviços na comunidade. – Explico a ele.

- Mas como Lucas falou ne, ficha suja. – Ele destaca.

- É tem isso.

Chegando frente ao campo, Naty estava ao lado de sua moto com a Carla;

- E aí meninas. – Falo cumprimentando elas.

- Ué, já está bom para jogar? – Ela me abraça.

- Não, eu vim, só para sair um pouco de casa mesmo.

Os meninos foram chegando aos poucos e o time estava montado.

Entramos para o campo, segui com as meninas, para a parte que ficava mais alta, onde estava o bar. Paguei para eles e ficamos ali, conversando, bebendo e assistindo ao jogo.

Eu ainda não estava liberado para jogar, mesmo sem quebrar nada, ainda estava meio que de repouso.

- Vi sua ex ontem JP. – Naty puxa sua cadeira para meu lado.

- Vanessa? – Pergunto.

- Não, a Tainá, você e Vanessa nem ficam assim.

- É que foram tantas, - Abro um sorriso.

- Idiota! Ela disse que estavam conversando e depois de sábado, não responde mais ela.

- Naty enquanto esse processo não passar, não tenho cabeça para nada.

- Vitor contou sobre Paulinho.

- Pois é.

- Quando é a audiência?

- Em algumas semanas.

- Amigo, vai dar tudo certo, fica tranquilo.

- Lucas não veio, anda falando com ele? – Me ajeito na cadeira.

- Todo dia, ele está trabalhando muito sabe, e a faculdade está tomando muito tempo dele, eu nem vejo ele por lá.

- É todos estamos sem tempo. – Volto a atenção para o jogo.

Time do Vitor termina vencedor, ele estava ficando chato já, pois estava a semanas invicto.

Os meninos beberam uma cerveja, eu fiquei somente no refrigerante mesmo, pois tinha que trabalhar esse sábado à tarde.

Por falar nisso, ao chegar na oficina, meu pai estava fazendo um orçamento como de costume, eu me troquei e entro, aproximando dele;

- João Paulo continua com aquele GOL lá atrás, tem que entregar hoje.

- Sim, senhor.

Coloquei ele no elevador, para fazer a troca de óleo, fiz a troca de um dos pneus e o estepe que estava furado, agua, e olhei as pastilhas de freio, uma revisão completa.

Eu estava tão focado que nem percebi que meu pai estava fora, minha mãe entra pelos fundos;

- Meu filho cadê seu pai? – Ela carregava nosso almoço.

- Ué! Mãe acho que foi ver o serviço de um cliente, pois ele estava aqui agora. – Vou andando até ao lado de fora.

Ele estava na esquina com o celular no ouvido;

- Vem, lava as mãos almoça, vou falar com ele. – Ela sai.

Me sentei para comer, e minha mãe volta, pegando o prato do meu pai;

- Que foi? – Pergunto.

- Ele disse para fechar a oficina, vai com um guincho buscar um carro aqui na cidade vizinha.

- Tudo bem.

- Vou guardar o almoço dele. – Ela entra.

Estava muito calor aquela tarde, depois que eu almocei, tomei quase meio litro de agua gelada. Tirei a camisa ficando de calça mesmo, meu pai, não deixava ficar de bermudas na oficina.

Olhei a ficha de serviço para ver se tinha algo mais que eu poderia fazer, enquanto ele não chegava. E tinha a revisão de outro carro, que estava parado lá, uma camionete parada na calçada.

Tirei o GOL, e coloquei ela para dentro, pois a oficina estava cheia, quando puxo o freio de mão, vejo Lucas no reflexo do retrovisor esquerdo.

Desci do carro pouco surpreso;

- E aí.... Como sabe onde eu moro? – Pego um pano limpando as mãos.

- Todo mundo nessa cidade, sabe onde é a oficina do Paulinho. – Ele diz entrando.

De bermuda, regata e tênis amarelo, e uma sacola, destas de mercado em mãos;

- Estava treinando? – Aponto para ele.

- Sim.... Olha trouxe sua camiseta. – Ele entrega a sacola.

- A do sangue? – Olho dentro.

- Sim. – Vejo seu sorriso.

- Porque não foi no jogo hoje pela manhã? – Coloco ela na mesa.

- Minha avó não quer que eu ande com vocês, diz que são irresponsáveis.

- Ela sabe que sou seu namorado? – Falo sério.

- Aff JP! Vou pegar uma agua ok(...) – Ele se aproxima.

Eu puxei uma cadeira e sentei olhando ele, que ainda falava;

- (...) De certa forma ela está correta, são irresponsáveis. – Lucas, vira o copo.

- A grande ideia de entrar na casa foi sua, poderíamos ter corrido com os meninos. – Falo tirando com a cara dele.

- A ideia de entrar em uma propriedade particular não foi minha.

- Mas aceitou. – Retruco sua frase.

- Não estou tentando tirar a culpa de mim João Paulo, é que Vitor e Roger não tem nada o que perder com isso, já eu e você... – Lucas leva a conversa pouco mais séria.

- Já ouvi muito isso Lucas, e na boa! Se eles forem pegos no nosso lugar, também estariam ferrados.

- Não concorda, que estariam menos que nós dois? – Suas sobrancelhas se juntam.

- Não.

- Eu trabalho para pagar minha faculdade e o pouco que sobra ajudo em casa, você não estuda, mas ajuda seu pai na oficina. Agora! Eles estão no lago, passeando de barco.... Olha não tenho nada contra eles, eu gosto dos meninos, mas não posso ficar andando junto, não é minha realidade. – Ele gesticula.

- O pai dele pagou a fiança e tudo do hospital cara, não pode ser ingrato assim.

- Não é ser ingrato JP, ele pagou isso para não ter o filho dele citado no processo, não percebeu? Eu faria o mesmo. – Ele diz convicto.

- Não pensamos do mesmo jeito Lucas. – Encaro ele. – Eu não sou assim.

- É eu percebi isso, eu vivo meus sonhos, não dos outros João Paulo... E valeu pela camiseta, e a agua, só vim ver como estava. – Ele mostra um sorriso de gratidão, mas decepção.

Lucas vira as costas, saindo e subindo em sua moto, de dentro da oficina escuto ele se afastar. Fiquei ali sentado com a sacola que ele havia me entregado.

Tirei a peça da sacola, e estava com um cheiro diferente, não sei se era amaciante, mas era agradável.

Com a camiseta envolta meu punho, fico pensando o que ele disse, sobre as verdades em nossa conversa.

Pois bem...

Voltei para meu trabalho, fiz a revisão da caminhonete, e depois fechei a oficina e meu pai não tinha chegado ainda.

Tomei meu banho, fui comprar um sorvete para mim e minha mãe, para apaziguar um pouco do calor.

Quando cheguei meu pai, estava almoçando, isso por volta das cinco da tarde.

- (...) Era em uma fazenda, olha só o carro vai ficar muito caro, fundiu o motor... – Ele conversava com minha mãe.

Eu servi sorvete para mim e ela, e guardei para ele comer depois;

- Porque a pressa para comer Paulinho? – Ela repreende.

- Tenho que fazer a revisão da S10, o Marquinho busca amanhã cedo. – Ele diz.

- Pai eu já fiz, terminei o GOL, almocei e fiz a revisão dela. – Falo entregando o sorvete para ela.

Ele fez uma pausa nas “garfadas” me olhando, e limpa a boca;

- Obrigado.

Minha mãe me olha, e depois para ele, e diz;

- Quando vão parar com isso? São homens sentam e conversam como gente grande. – Ela se levanta da mesa.

Ele ficou olhando com raiva para ela, que sai de casa, indo jogar agua nas suas plantas. Um silencio de uns segundos pairou no ar, até eu mesmo quebrar;

- Me desculpe, por ser irresponsável a esse ponto. – Olho para ele, enquanto seguro a taça de sorvete com as duas mãos.

- Colocou sua vida e de seu amigo em risco.

- Não tive culpa sozinho pai.

- Teve João Paulo! O telefone tocou de madrugada, imagina como sua mãe ficou? Eu que tive que vestir ela, e pior. Chegar na delegacia sem saber como você estava, falar que seu filho foi preso, não tem ideia da humilhação... – De cabeça baixa, escutando, calado, mas um sentimento de angustia e arrependimento me tomava todo. – Sua mãe tem a mim meu filho. E a avó do outro garoto, João Paulo ela só tem ele. Deus me livre essa brincadeira de vocês terminasse pior, como eu iria olhar para aquela mulher? E se o pior fosse com você, pensou em mim ou em sua mãe?

Eu ainda calado, ele se impõe mais ainda na voz;

- Estou te fazendo uma pergunta.

- Não pai, não pensei.

- Eu e ela, acordamos todo santo dia, e fazemos tudo pensando em você meu filho, todo dia naquela oficina, é por você, a gente não tem muito, mas o suficiente para ter um sorriso no seu rosto fazemos! Pensa nisso de agora para frente, e apreenda com o que fez.

- Eu vou.

Escuto a cadeira afastar da mesa, ele se levanta e se aproxima, coloco o sorvete já derretido de lado, e meu pai me abraça. Porra o aperto dos seus braços em meu corpo transbordou minhas lagrimas;

- O pai te ama!

- Eu também pai.

Quarta feira, 10 de Abril de 2019, 08:05h

Dia da audiência. E me perguntem se eu dormi as últimas noites!

Desde aquela conversa com o Lucas na oficina não vi mais ele, também só iria nos “FUT” aos sábados, pois mesmo aos 19 anos, eu ainda ficava de castigo.

Chegamos cedo, no FORÚM da cidade, eu de jeans e sapato social, camiseta preta, tudo bem discreto. Lucas vestindo o mesmo, mas de roupas claras. Ele chegou com sua avó e ao entrar, passam por nós só cumprimentando o básico;

- Olá, bom dia. – Falam seguindo no corredor.

Vão ao banheiro, encontram minha mãe na porta, onde ficam de conversa. Meu pai vai tomar um agua, e eu sentado olhando para os lados, preocupado.

Lucas trocava poucos olhares comigo, ele estava diferente, mais sério que o normal.

Vitor e Naty chegam em seguida. Cumprimentei eles, que se sentaram comigo no grande banco de madeira;

- Lucas chegou? – Vitor olha ao redor.

- Sim, entraram no banheiro agora. – Eu aponto.

- Vou falar com ele. – Vitor se levanta.

- Você está bem amigo? – Naty passa mão em meu cabelo.

- Sim, ansioso, para tudo isso acabar logo.

- Todos estamos JP.

Vitor retorna, e fica de pé a nossa frente, com as mãos nos bolsos;

- Ele está bem. – Ele diz.

Eu olho e o Lucas estava olhando para nós, nesse momento;

- Gente vocês que são amigos, não acham ele meio diferente não? – Natalia estava meio que do meu lado, fazendo carinho no meu cabelo.

- Como assim? – Vitor se encosta na parede a nossa frente.

- Sei lá, delicado!

- Já percebi ele me olhando diferente sabe, tem uns momentos que ele age estranho também. – Falo comendo uma das unhas.

- Vocês dois não sabem? – Vitor se abaixa.

Olho para a Natalia, e ela questiona;

- Sabe o que Vitor?

- Lucas é gay. Pensei que todo mundo sabia, estava tão na cara.

- Vitor nada estava na cara! Eu mesma dei mole para o menino, rsrs. – Ela esconde a cara em meu braço.

- O cara joga bola muito bem, as meninas olham ele, que eu vi aquela noite, até Vanessa estava perguntando dele, e não da pinta nenhuma. - Falo a Vitor.

- Na boa? Não quer dizer nada mano. – Ele ergue os ombros.

- Eu sei, nada contra... – Digo a ele.

- Amei, vou ter um amigo gay... Quer dizer eu tenho e nem sabia. – Natalia sorri.

- O Delegado naquela noite, perguntou se a gente namorava, acredita, rsrs. – Conto para os meninos.

Natalia solta uma gargalhada alta, me deixando sem graça;

- Ei desculpa, mas não segurei... O que disseram?

- Que não ué. – Mostro as palmas das mãos.

- Mano eles pensaram que foram transar naquele lugar? – Vitor diz rindo.


- Viu o quanto sem noção eles são, rsrs.

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