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Preso em Você - Capitulo 4

João Paulo – JP

Domingo, 17 de Março de 2019, 04:28h.

Muro baixo, e portão de grades tortas, muito mato, muito mesmo. Os postes de luzes a frente da residência apagados, um deles piscando como em filmes de terror. A rua deserta, como a residência no ponto que ela não tinha mais saída para lado algum.

Eu e Lucas paramos de frente o portão, olhando aqueles três andares de janelas de madeiras em uma escuridão tenebrosa. Telhado com buracos a esquerda. A direita onde havia a saída da chaminé, não havia teto, pois desabou com o tal incêndio, madeiras quebradas e arvores altas atrás da residência, colocando ela em uma paisagem excepcional para um filme de terror de Hollywood.



O medo daquele lugar transbordava os portões, Naty e Carla foram embora, elas não ficaram, Roger e Vitor com seus copos acompanharam eu e Lucas;

- Então? – Eu olho para eles, torcendo estar ali, perante a “morte” desistirem da aposta.

- Pulam o portão e só chegam perto, e pronto mano. – Vitor fala.

- Não precisa de vídeo cara. – Roger complementa.

- Não acredito nisso. – Eu falo com o Lucas se aproximando do muro.

Cheguei do seu lado, e dei um impulso, colocando as mãos naquele muro de barro antigo, pouco do pó ficou em minha mão. Sentamos, passando os pés para dentro e pulamos.

Os pés caíram sobre um mato alto, e muito, muito perigoso de ter um bicho ou coisa pior.

- Está com medo? – Lucas pergunta baixo.

- Se um galho quebrar eu sujo minhas calças. – Falo muito tenso.

Ele abre um sorriso de nervoso;

- Dez passos e voltamos. – Ele fala.

Eu concordo com a cabeça, e vamos pisando naquelas folhas e pastagens secas, eram o único barulho que estávamos escutando, meu coração estava querendo sair do corpo e voltar para o outro lado do muro, de onde eu nem deveria ter pulado;

- 7... 8... 9... 10.... Vamos voltar. – Eu falo.

Virei meu corpo e ele se esfriou todo, dos pés à cabeça, o desespero tomou conta de mim, junto o medo;

- POLICIA. – Grita Vitor e Roger pulando o muro para dentro, no final da rua o farolete do carro, que acelerou e muito quando viram eles pulando.

- CORRE. – Lucas me puxa, a sirene começa a tocar ao fundo.

Aquelas luzes azuis e vermelhas, refletindo dentro e fora da casa.

Eu corri atrás do Lucas, que entrou com tudo na casa. Toda aquela escuridão de chão sujo e vegetação até ali dentro, ele olhar e vai para atrás da escadaria, e eu o seguindo, não me preocupava mais com fantasma, bicho, nada.

O problema agora era sermos pegos.

Corria quase pisando em Lucas, e ouvindo os meninos atrás fazendo o mesmo. Chegamos os dois em uma espécie de cozinha, e vimos Vitor e Roger passarem correndo nos fundos.

Nesse momento, escutamos os policiais, entrando.

Entrei atrás de um dos moveis do lugar, e puxei o Lucas. De pé, um de frente para o outro.

Ouvimos um estrondo, como um chute quebrando alguma madeira podre;

- Ah! – Lucas se assusta.

Em um movimento rápido, vejo a lanterna do policial, iluminando o lugar, levo a mão tampando a boca de Lucas e ficamos, tão perto de sentir um o corpo do outro ali.

O oficial estava sozinho, na casa, ele andou um pouco, falava algo que não entendíamos, e o outro passou correndo aos fundos atrás dos meninos.

- Foda-se. – Ouvimos sua voz.

Ele saiu da casa, e soltei o Lucas, ficamos olhando um para o outro, em uma noite fria soando;

- E agora? – Ele sussurra.

- Foram atrás dos meninos, temos que sair daqui. – Nossas respirações estavam perto demais, e muito ofegantes.

Olhamos ao redor, e devagar olhando no chão, saímos do canto que estávamos. Ouvindo gritos dos fundos, onde fica o jardim da casa.

Andando com cuidado, eu levei a mão para trás, onde Lucas tocou e segurou, para conduzir ele no escuro. Sua pele estava quente e soada, acho que assim como a minha pela tensão.

Pensamos, “Porra estão longe”. Saímos da casa, os dois, rapidamente, pelo mesmo lugar que entramos;

- Mãos na cabeça, o dois, agora! – Grita um policial com a lanterna em nossa cara.

Chegou reforço, para ajudar;

- Estão armados? – Eles apontam as armas junto as lanternas para nós.

- Não. – Respondemos.

- Descem, com cuidado e devagar, se tentarem algo estão na nossa mira, estão me ouvindo? – Elas gritam enquanto descemos a escararia principal.

- Sim, senhor.

Descemos com cuidado, e eu já pensando o que eu havia me metido.

- Virem de costas, mãos na cabeça e abrem as pernas. – Diz se aproximando.

Ele primeiramente me algemou, e cara! O barulho daquelas travas das algemas fechando em seu pulso, é o pior barulho da vida.

Algemou o Lucas, que estava de cabeça baixa, e começou a revistar a gente;

- Que estavam fazendo aqui dentro?

- Apostamos com uns amigos que não tínhamos medo de entrar aqui. – Respondo.

- Esqueceram que isso é uma propriedade privada? – Ele pergunta.

- Não senhor.

- Só celulares. – Ele diz entregando ao seu parceiro que estava mais afastado. – Vão conosco para a delegacia, os dois.... Você é menor garoto? – Pergunta ao virar e colocar a lanterna no rosto de Lucas;

- Tenho dezenove anos.

- Central dois jovens presos invadindo a Residência dos Gonzaga, temos dois em fuga para o Sul, se puderem enviar reforços. Área industrial.... Quem eram? – Ele me olha.

- Não sei. – Digo convicto.

- Fica defendendo seus amiguinhos, mas os dois estão muito encrencados viu. – Eles levam a gente para fora.

E eu ainda a espera de um espirito simpático, ou fantasma se quer, para ajudar...

Meu Deus, algemados e seguindo para a delegacia. Lucas estava de cabeça baixa, encostada no banco da frente. Eles passaram na rua da casa de Naty, e ela viu a gente dentro do carro.

Já olhou, correndo para dentro, esperava eu que era para ajudar, de alguma forma.

Chegamos na delegacia e eles deixaram a gente em um corredor, de pé, por um bom tempo.

Então voltaram e acompanharam a gente até a sala do delegado de plantão.

Entramos na sala bem iluminada, sentando um ao lado do outro, e com os policiais, um em cada lado;

- Vamos ver o que temos aqui. – Delegado pega um papel com algumas coisas anotadas. – Mas nunca vão deixar aquele casarão em paz? Vou mandar novamente para o prefeito, eles têm que demolir aquilo, ou aumentar a segurança... – Como se alguém o respondesse, ele iria anotando coisas no papel e falando. – Caso contrário esses delinquentes nunca vão deixar o lugar em paz... Sabe de uma coisa? – Ele olha para o Lucas, desce os óculos. – Deveriam um dia achar o que foram buscar ali, fantasmas, corpos, eu não sei.... Estão com os documentos?

Nós dois respondemos que não com a cabeça;

- Sabem dizer seus CPFs?

Ele anota vagarosamente, e pergunta meu nome;

- João Paulo Medeiros.

Ele começa a anotar, mas para em meu primeiro nome e me olha;

- Você é o filho do Paulinho? Da oficina, não é?

- Sim, senhor.

- Seu pai é um homem tão honesto, e você filho... – Ele olha Lucas, depois volta os olhos para mim. – São namorados?

Lucas olha para mim, e respondemos juntos;

- NÃO.

- Hoje em dia andam tão modernos, que escolhem cada lugar para ficarem.... É assim que vocês falam né? – Ele me olha.

Gente acho que esse homem era surdo, não tem como;

- Sim, ficar, mas não somos namorados. – Eu deixo isso claro.

Ele olha e faz um barulho com a boca;

- Bem, é tudo, podem levar eles...

O policial segura debaixo do meu braço, e eu achei que era brincadeira;

- Não vai ouvir a gente? – Falo sério.

- Ouvir? O que tem para falar? – O velho encosta na cadeira.

- Foi uma aposta, não invadimos para roubar nada... – Eu falo.

- Estávamos jogando truco, e apostaram que não entravamos na propriedade, era dez passos para dentro e só. – Lucas fala mais desesperado.

- A fiança foi determinada, vocês serão levados para a celas, e depois encaminhados para o presidio, aqui está cheio demais... – O Delegado empurra a cadeira para trás se levantando.

- Presidio? – Falo desesperado.

- Sim, estamos muito cheios, e lá é mais seguro para vocês... O juiz vai decidir que faz com vocês dois. Podem levar.

- Meu Deus. – Fico meio que sem ar.

- Calma garoto. – O policial sai me puxando.

Eu fiquei desesperado nesse momento, muito mesmo. Levaram a gente, sem nada.

Seguimos para uma ala estranha e muito ao fundo, veio mais policiais, e abriram uma das celas.

- Entra. – Ele ordena.

Entramos, e ficamos de costas para eles abrirem as algemas;


- Carne nova no pedaço cambada. – Ele bate as algemas na grade acordando os outros.

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