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Preso em Você - Capitulo 18

João Paulo

Domingo, 11 de Agosto de 2019, 01:04h

Eu provei o pior lado de gostar de alguém. Eu provei da mais pura e singela DOR.

Sentei na calçada do lado e Vitor veio com a Natalia. Eu não chorava, não falava nada, estava em choque;

- Vai ficar bem meu velho, vai superar essa irmão. – Ele abaixa ficando na minha frente.

- Eu não quero superar nada mano... – Olho para Vitor.

- Pisou na bola JP, pisou feio na bola amigo. – Natalia diz de braços cruzados atrás.

- Eu sei. – Me expresso sem eles ouvirem.

- Não está ajudando Natalia. – Vitor repreende ela.

- Vou ir na casa dele, ele precisa me ouvir. – Eu me levanto rápido.

- Não! – Vitor me segura. – Você bebeu, ele bebeu, os dois estão de cabeça quente, depois conversa com ele, depois resolvam a vida. Agora mano tu vai pra casa. Natalia pega meu carro vou com JP. – Vitor meio que me leva a força para o carro.

Mano o que eu tinha feito?

Da lanchonete até minha casa, eu fui com o celular na mão, esperando uma mensagem, uma ligação, e nada.

Quando chegamos, o Vitor entrou comigo, e falou com meus pais.

Eu tirei aquela roupa, me deitando, e ele aparece fechando a porta;

- Quer que eu dorme aqui?

- Não vai para casa, tu viaja amanhã esqueceu?

- Posso cancelar.

- Vai porra, e me deixa.

Ele aproxima da cama, fica com os cotovelos apoiados nos joelhos, de cabeça baixa e diz;

- Sabe mano, eu não sei o que te dizer.... Mas vi hoje que tu gosta do Lucas... Sabe JP que não sou bom nisso, mas... olha para mim. – Viro o rosto para a direita, onde ele estava. – Ele vale a pena, e essas coisas acontecem, dá o tempo que ele pediu, mas meu irmão, não deixa ninguém tomar seu lugar.

- Não vou.

- Vem aqui.

Ele vem me abraçando, e aperta com força;

- Fica bem... Pena que o Roger não encarou, queria ter visto você acertar um de direita nele, rsrs.

Só o Vitor para me tirar sorrisos em momentos assim;

- Teremos outras oportunidades, rsrs.

- Vou nessa me liga qualquer coisa.

- Valeu irmão.

- É nois cara. – Ele sai fechando a porta.

Eu não fechei os olhos naquela noite, fiquei acordado a noite toda.

Angustiado, arrependido e pensando.... Pensando muito.

Só pela manhã então que fiz um texto, escrevi um texto para o Lucas, dizendo que se era o tempo que ele queria ele iria ter, mas que eu não iria desistir, não iria desistir dele, de mim, de nós.

Eu passei meu pior domingo, minha pior segunda-feira, pior terça-feira.... Não o via ele na academia, não tinha mensagens, não tinha ligações.

Eu não tinha seus beijos e sorrisos, toques e mordidas, brigas e gargalhadas.

O que me ajudou um pouco foi preparar as coisas para voltar a estudar, Vitor estava me ajudando com tudo.

Mas não se passou uma noite, sem colocar minha cabeça no travesseiro e lembrar do Lucas, nenhuma noite que eu não tenha dormido com sua blusa, sentindo seu cheiro.

Eu estava esperando o sinal que meu pai disse aparecer, eu estava esperando sentir isso.... Mas os dias estavam passando, e de pressa... e nada.

Nada.

Terça-feira, 03 de Setembro de 2019, 11:23h

Eu estava chegando de uma manhã no Abrigo, e deixei o carro na oficina, mas quando entrei em casa eu levei um puta susto, o Lucas estava sentado na cozinha de casa, com meus pais, os três tomando café juntos.

Eu olhei aquilo e a única coisa que conseguia pensar era no seu olhar, sua boca, como ele estava bonito;

- Olá. – Falo meio que indiferente.

- Olá. – Ele se levanta. – Bem Dona Antônia é isso, depois a gente conversa melhor. – Ele diz cumprimentando minha mãe. – Qualquer dúvida Paulinho, pode me ligar. – E pega na mão de meu pai.

Eles agradecem, e Lucas passa por mim saindo;

- Tudo bem João? – Ele pergunta naturalmente.

- Sim. – Respondo ainda em choque vendo ele sair.

Eu o segui até o lado de fora, e nem queria saber o que ele veio fazer aqui, só uma coisa;

- Lucas. – Chamo do portão.

- Oi.

- Você... Está Bem? – Me aproximo.

- Estou e você?

Porra, que nó na garganta, como já disse, não sou bom com palavras;

- Estou com saudades.

Ele sobe na moto, e segurando o capacete diz;

- É Vitor me contou.

- Podemos conversar?

- Em breve João Paulo, agora estou atrasado, desculpe.

- Tudo bem.... Posso esperar?

- Sim, claro.

Ele coloca o capacete e vai ligar a moto, mas seguro sua mão, fazendo ele olhar de novo para mim, faço um breve carinho, e me afasto, deixando ele ir.

Juro para vocês, eu pensei que iria desabar naquele momento, nunca, na minha vida fiquei tão nervoso.

Entrei em casa, todo bobo, pegando um copo de agua, e meus pais dizem;

- Filho, senta aí, precisamos conversar. – Diz minha mãe.

Eu congelei todo nesse momento, minha alma estava na garupa do Lucas, indo embora.

Eu me sentei onde Lucas estava, com meu copo de agua, e os dois começam;

- Eu e sua mãe temos uma notícia... – Meu pai olha para ela. – Filho vamos fazer um compromisso grande e precisamos de sua ajuda. – Ele abre um sorriso.

- O que?

- Eu estava querendo comprar outra casa a tempos, e sua mãe contou do seu amigo, nós visitamos e gostamos muito...

- Estão falando da casa da avó do Lucas? – Fico todo perdido.

- Sim.

- É uma bela casa, já falei com ele que é grande demais só para os dois. – Comento.

- Sim, dá até para aumentar a família sabe. – Minha mãe abre um sorriso.

Eu viajei nesse momento, acho que eu que estava na garupa com o Lucas, porque fui muito idiota;

- Como assim?

- Estamos no processo de adoção do Giovani meu filho. – Meu pai segura a mão da minha mãe.

Como ter um fantasma na sua frente, eu fiquei de olhos arregalados e querendo explodir por dentro;

- Estão zoando comigo caralho? – As palavras saem antes do pensamento.

Meu pai solta uma risada, e minha mãe diz;

- Olha a boca garoto.

- É verdade? – Já me faltava ar nesse momento.

- Sim, queremos saber sua opinião? – Meu pai diz todo sério.

- É claro que é sim, é sim, é obvio... – Me levanto quase subindo na mesa abraçando eles, com força. – Já posso ir buscar ele? Posso?

- Calma rapaz! Temos que conseguir mudar primeiro, ele precisa de uma casa e aqui não dá.... Isso vai levar um tempo, mas vamos conseguir.

Eu apertava tanto meu pai, mas tanto, que deixei ele todo marcado, minha mãe, coitada, ficou com o cabelo todo bagunçado.

Quando me acalmei, quer dizer, quando eu me sentei, era a minha vez...

- Eu preciso.... Eu preciso falar uma coisa para vocês. – Minha respiração e coração eram impossíveis de medir nesse momento.

- Que foi filho?

- Eu me inscrevi para o vestibular da Federal aqui da cidade.... Vitor e o pai dele estão me ajudando, eu vou voltar a estudar. – Falo na maior alegria, e excitação para eles.

Que ficam extremamente sérios, tipo muito;

- O que você fez João Paulo? – Minha mãe me encara.

- Nada porque?

- Garoto engravidou quem? – Ela se levanta... – Não to acreditando nisso, eu avisei para usar camisinha... – Ela ficava dando meia volta na cozinha. - EU AVISEI!

- Eu não engravidei ninguém mãe.

Eu gritando com ela, e meu pai ainda em choque, literalmente.

- Pai me ajuda!

- O que está acontecendo em meu filho? – Ele me olha ainda sério.

- Pai eu não engravidei ninguém. – Bato na mesa.

- Foi aquela Vanessa né? Eu sabia, ela me viu na feira e ficou encarando.... O que vamos fazer agora Paulinho? – Minha mãe soca o braço dele.

- Mãe, senta aqui, me escuta. – Chamo ela.

- João Paulo, você era o pior aluno da classe, éramos chamados dia sim e outro também no colégio.... Quando saiu eu e sua mãe estávamos cientes que não voltaria a estudar, e agora isso? Do nada?

- Não deveriam ficar felizes?

- Vindo de você, coisa boa não é. – Minha mãe estava me julgando até agora.

- Eu pretendia adotar o Giovani, mas não posso, ter antecedentes criminais não me permitiam.... Então pensei em entrar na faculdade e ter uma profissão, achei que vocês poderiam fazer isso, e eu ajudasse ao máximo possível.... Fiz isso por ele, quer dizer eu vou fazer sabe... gosto muito do garoto, e naquela idade não se deve ficar passando por tanta dificuldade.

Meu pai, calado, sem dizer uma palavra, se levanta, vem ao meu lado e puxa meu braço.

Me levanto também abraçando ele com força;

- Isso é virar homem João Paulo.... É para isso que criamos você.... E Se Deus permitir, será assim com o Giovani, eu e sua mãe sentimos o mesmo por ele.

Eu que nesse momento não disse nada.

Parece piada, coisa de novela, sabe aquelas da Rede Globo, mas não, olhei para minha mãe, e ela ainda estava com raiva, olhando torto para mim, olhos cerrados e testa enrugada;

- Eu não vou ser pai de ninguém. – Repito para ela.

- Só acredito daqui nove meses.... Conheço seu tipinho garoto. – Ela se levanta batendo o pano de prato na mesa.

- Pai!

- Eu não vou falar nada, se não sobra para mim. – Ele tira o seu da reta.

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