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Preso em Você - Capitulo 11

Lucas Marques

Sexta-feira, 07 de Junho de 2019, 10:13h.

As últimas semanas da pena estavam chegando, e passaram muito rápidos, e tanta, tanta coisa aconteceu nesses dias.

Como de costume cheguei cedinho, levando pães para os instrutores tomarem café.

Todo início de semana tínhamos algumas atividades a cumprir, e Isabela faltou, então eu fiquei com a turma das garotas e JP com os meninos, que hoje tinham atividades diferentes.

Quando terminei, já próximo a hora de se arrumarem para ir à aula, vou ao quarto dos meninos, pois ninguém viu João Paulo e os meninos.

Eu contando parece mentira, mas quando abri a porta, tinha uma roda de meninos brigando e gritando, e o JP no meio, fazendo o mesmo, assustei quando vi, então entrei fechando a porta;

- Essa é a maior carta, ela ganha de todos! - Ele estava bravo.

- Mentira você disse que era o Quatro de Paus. - Um dos meninos retruca ele.

- Eu não tenho paciência, se chama "ZAP". – Ele mostra a carta. - Você não anotou quando eu estava explicando? – Ele diz sério. - E estou dizendo que nessa jogada aqui o Sete de Copas é a maior carta do jogo. – Ele discutia com os meninos de igual para igual.

- Ah entendi.

- Vocês têm que aprender a mentir melhor, são muito infantis!

- JP! - Grito com ele.

- Oi! Quer jogar? - Ele pergunta na maior inocência.

- Está ensinando truco para eles? – Os meninos rindo com as cartas nas mãos.

- Sim, para terem o que fazer no colégio!

- Vem aqui. - Me afasto com a mão na cabeça, ele era pior que os meninos.

João Paulo me segue se afastando daquela baderna.

- Está ensinando Truco para crianças de 9 anos? - Seguro seu braço.

- Giovani tem 10.

- Não pode ensinar isso!

- Porque não, é para terem o que...

- João Paulo, na escola eles estudam, é o que fazem lá.

- Mano tu é muito careta!

- Se Margarida ver isso, careta vai ficar sua cara depois que ela o socar. E temos que ir, pois eles têm aula, libera eles e esconde esse baralho, pelo amor de Deus.

Era uma criança de 19 anos comigo, sério mesmo.

Nesse dia, quando estávamos saindo, o João Paulo disse que iria falar com a Margarida antes de sair.

Eu fiquei na porta esperando ele;

- Tudo bem? - Pergunto.

- Sim, fui pedir ela para liberar algumas turmas para ir no meu aniversário na próxima semana.

- Conseguiu? – Abro o portão para sairmos.

- Mais ou menos, a turma do Giovani está de castigo, ela não quis explicar o porquê.

- Até lá vai estar tudo bem!

- Sim, sim.

Despedi de JP e subi em minha moto, ao colocar o capacete ele grita;

- Lucas vai no futebol amanhã né?

- Não queria não. – Abro um sorriso sem graça.

- Aparece lá mano.

- Beleza.

Estava com sábado de folga e queria dormir até mais tarde o que não estava rolando, mas aceitei.

Tempos não jogava com os meninos, nosso último encontro foi naquela boate, aquele fiasco de noite.

E por falar nele, ver o João Paulo todo santo dia, era doloroso, depois do que havia acontecido.

Sinto que a todo momento, ou ele comenta sobre, ou eu. Como aceitar ir ao futebol, mesmo contra minha vontade, creio que por ele estar lá, isso me fazia de certa forma bem, estar perto.

Na manhã seguinte eu acordei meio que atrasado, e quando cheguei no campo já tinham começado, esperei pois a Natália estava no bar, eu entrei no campo ficando acompanhando todos, até poder entrar e jogar.

No time do João Paulo, entrei junto como atacante, a última vez que joguei foi com Vitor, e o seu time não estava lá essas coisas hoje.

Os meninos tinham uns goleiros excelentes. O que não foi razão para mim e JP fazer uma jogada juntos, como se estivéssemos ensaiados.

Sofri uma falta pelo Roger, e quando fui cobrar, JP estava na área do goleiro, chutei para o gol, Vitor pula cabeceando a bola e a desvia.

Ela vai em cheio no pé de João Paulo, na direita, onde ele tem mais força, foi um movimento só e com bastante força. GOL!

Ele veio correndo e para zoar comemorou com o Vitor, que tocou para ele, puto ele saiu empurrando.

Levando a bola para o meio de campo, ele me olha e correndo em minha direção diz;

- Somos imbatíveis juntos. – Ele estava com um sorrisão tão lindo.

Eu andando para o centro e ele percebeu o que diz, coloca a bola no chão, e muda totalmente a feição, sobe me olhando e fica sem graça, pelo duplo sentido do seu comentário.

Mesmo somente eu ele sabendo sobre.

Saímos vencedores, placar de 4x3, apertado, mas foi um belo jogo. O que deixou a gente exaustos na verdade.

Bebíamos Coca-Cola como agua, o calor gostoso, dia de céu azul. Todos sentados e conversando sobre o jogo e tudo.

- Mano e o seu aniversário? – Vitor pergunta JP.

- Nossa estava me esquecendo. – Ele se levanta batendo o copo na mesa. – Gente escuta aqui. – Ele levanta sua mão.

Todos param os assuntos olhando, aquela gigantesca mesa, ele estava a minha frente, e Natalia ao meu lado, e Vitor a direita de João Paulo.

- (...) Gente vou fazer meu aniversário, e todo mundo aqui está convidado em. – Ele fala com o copo para cima, e todo mundo gritando. – Acho que vamos alugar aquela chácara né mano? – JP olha para o Vitor, que confirma. – Bem mas tem uma coisa.... Escutem! Bebidas alcoólicas só serão autorizadas depois da meia noite!

Ninguém entende nada, e já começa às discussões;

- Hey! Hey! Chamei os meninos do abrigo, são meus convidados, e como eles vão estar na festa até essa hora, não podemos ter bebidas alcoólicas até esse horário. Gente é sério, chegar com bebida não vai entrar.

Se inicia umas discussões e brigas e até Vitor entra no meio;

- Vai abrir mão de beber no seu aniversário por causa das crianças? – Vitor encara ele.

- Bebemos o ano inteiro mano, e festa praticamente todo fim de semana, os moleques não saem, e ficam o dia todo naquela casa, são meus convidados para curtir um pouco, e essa é a condição.

- Porra aqueles meninos mudaram você em amigo. – Natalia aperta o ombro dele.

- Porra nem vou então, pensei que iriamos curtir a noite toda, mas vai ser foda. – Roger fala meio que zoando.

Porém o JP leva a sério;

- Mano se não quiser ir, de boa. – A mesa se cala nesse instante. – Não estou fazendo isso pela galera, estou fazendo pelos meninos.

- Só estava brincando. – Roger se retrata.

- Foi isso que falou com a Margarida? – Pergunto ele.

- Sim, foi uma luta para ela autorizar, ainda tenho que conseguir uma condução, e os instrutores para ajudar. – Ele responde.

- Eu te ajudo. – Exclamo, tirando um leve sorriso dele.

- Valeu. – Ele estica a mão, segurando a minha, coisa rápida, somente como agradecimento.

- Eu também, posso ajudar amigo. – Natalia comenta. – Se for pelas crianças.

- Eu também, sem problemas, só dizer que precisam. – Vitor termina sua bebida.

Os meninos como de costume foram indo embora, cumprimentando e saindo, por fim, ao lado de fora, ficou eu, Natalia, Vitor e JP.

- (...) Depois do Niver do João, vai ser o último dia de trabalhos no abrigo. – Falo para Natalia.

- Por isso a festa ne amigo, para comemorar com os meninos. – Ela olha ele.

- Sim, é minha forma de agradecer, sabe, gosto muito deles. – João Paulo estava encostado em um carro à frente de minha moto.

- Pelo menos depois de toda essa merda, algo de bom tiramos né. – Vitor comenta. – Os meninos do abrigo são muito firmeza, e vocês vão ficar livres, também com isso chegando ao final, voltar a vida normal.

Eu olhei para o João Paulo, que sorri para mim, e diz;

- Eu vou continuar, vou continuar como voluntario.

- É eu também, estou olhando outro trabalho, que me ocupe menos tempo, para poder conciliar o abrigo e meus afazeres.

Natalia e Vitor ficam calados, meio que sem graça nessa hora;

- Me senti uma imprestável agora. – Ela faz todos rirem.

- Não estou julgando. – Digo rindo.

- Mano, vamos lá, vou pegar suas coisas antes de ir. – Vitor chama JP.

- Beleza, vou nessa gata. – Ele vem e beija a Natalia, e segura minha mão. – Até mais Lucas.

- Até. – Digo olhando nos seus olhos.

Os dois vão seguindo, e eu pergunto;

- Naty não percebeu que o JP está diferente não? – Me ajeito na moto olhando ela.

- Percebi menino. – Ela tinha uma mania de falar tocando na gente. – Está virando um homão da porra, sabe aqueles para casar. Eu achei fofíssimo ele levar os meninos no aniversario dele.

- Sim, pensei que iria ter briga com o Roger àquela hora. – Começamos outra fofoca.

Mais aleatórios que tudo.

- São amigos a uma data, o Vitor sabe que não dá para bater de frente com o João, e Roger foi muito idiota, JP está certo, não quer ir não vai, mais bebida para gente.

- Eu estava falando Natalia do jeito dele sabe. – Tento voltar ao assunto.

- Não sei Lucas, você que me diz, afinal, vê ele todo dia né?

- Sim. – Digo meio que viajando olhando o nada.

- E... Que foi em? "Tem cachorro nesse mato". – Ela cruza os braços. – Pode ir falando.

- Tem que prometer, não contar nada para ninguem. – Seguro seu braço.

- Que isso garoto, que aconteceu? – Ela fica mais séria.

Chego a engolir seco de imaginar alguém saber disso;

- Lembra a noite na boate? – Ela vai gesticulando com a cabeça, em minhas perguntas. – Você e o Vitor foram dançar, a gente ficou conversando, e a tal garota oferecida chegou, ela era ex do Roger.

- Mentira, eu sabia que conhecia aquela vaca! Amigo não me diga que ele pegou ela. – Ela fica desesperada.

- Não, pior! – Iria matar a Natalia de ansiedade. – Ela ficou no pé dele, e ele dando fora, até que falou, "Ah eu sou gay", para a garota sair e nada.

- Oferecida. – Natalia comenta.

- Cheguei do lado dele, fingindo ser o namorado, para essa garota acordar para a vida. Amiga fui abraçar o JP e ele acabou me beijando. – Ela não expressa nada, então contextualizo. – Natalia, na boca.

- Mentira. – Ela diz convicta. – O JP, João Paulo – Ela aponta.

- Sim.

- Lucas está dizendo que beijou o JP, que acabou de sair daqui?

- Sim, Natalia.

- Ah mais foi por brincadeira né?

- Não sei.

- Lucas, por favor, não vai dizer que apaixonou no boy hétero amigo?

- Acho que não, mas ver ele todo dia não ajuda sabe.

- Lucas concelho de quem conhece o JP desde criança. Esquece! Parte para outra amigo, nunca vi falar que ele gostou de alguém, apaixonado então, nem passou perto. Você conhece um pouco dele, e tem ideia de como o boy é.

- Acho que está certa, estou com coisas na cabeça.

- Também acho amigo.

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