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Preso em Você - Capitulo 1

João Paulo – JP.

Sábado, 16 de Março de 2019, 09:55h.

Acordei pela manhã, sentindo pouco de frio, dor nas costas e com uma claridade incomum frente a mim.

- JP! João! – Escuto a voz de meu amigo. – Acorda mano.

Abro os olhos, levantando a cabeça, e olhando ao redor;

- Vitor eu dormi aqui? - Olho para ele.

- Sim. – Responde rindo.

- Puta merda!

Eu estava deitado no sofá, todo torto e desajeitado, ele fica na área da casa de Vitor, frente a nós o jardim de muros altos e a piscina com algumas boias flutuando no sol que já estava quente a essas horas;

- Mano vamos, os caras estão esperando. – Vitor passa para o outro lado.

- Quem? – Me sento no sofá, ainda tentando entender o que aconteceu na noite passada.

- JP está viajando cara? Futebol? Hoje é sábado... – Ele olha entrando.

- Vitor te juro que não lembrava, na verdade nem da noite passada.

- Só não bebemos agua da privada. Vamos?

- Sim.

Fui ao banheiro, e peguei minha mochila, que estava arrumada para o jogo, bermuda, uniforme, e a chuteira.

Eu estava de regata preta, bermuda que uso para nadar, e um boné rosa que uso sempre.

O Vitor e mais vaidoso que eu, colocou um tênis, bermuda jeans e camiseta branca com a escrita “Nirvana”. Quando chegou na área de sua casa, colocando a mochila nas costas, já comento;

- Vai onde maluco?

- Jogar.

- Vitor o campo é aqui na frente da sua casa, porque se arrumou assim?

- Cuida da sua vida João Paulo. – Vitor diz passando por mim.

- Na boa! Tu é muito fresco. – Vou seguindo ele.

Vitor Araújo é meu melhor amigo, filho de médicos, conhecidos na nossa pequena cidade, é magro, com tatuagens em todo o braço direito, algumas no pescoço, outras espalhadas no peito, pernas. Sobrancelhas grossas e marcantes, rosto fino, e cabelo curto e descolorido.

E eu? Bem sou o João Paulo, mas me chamam de JP, tenho meus dezenove anos, assim como meu amigo, trabalho com meu pai em uma oficina de carros que ele possui.

Como eu já havia adiantado, Vitor mora em frente ao campo de Futebol Sintético, ou para alguns, Society. Em um dos bairros mais caros aqui de nossa cidade.

Atravessamos a rua, passando pelo estacionamento do mercado que havia ao lado e os meninos todos, nas motos, e encostados em carros frente à entrada do campo;

- Esses dois ainda vão casar. – Roger grita no meio da turma.

Aproximo só apontando o dedo do meio, com os meninos rindo e aproveitando a deixa para zoar também.

Cumprimentamos, e entrados no pequeno portão, um dos campos estava sendo usados por outra galera.

Todos entraram e eu vou falar com o responsável do lugar que cuida aqui dos campos, pagar o tempo que ficaríamos. Os meninos correndo e se aquecendo já.

Me sento colocando a chuteira, e olho no campo, mas não vejo o Vitor;

- Ei Roger, cadê o Vitor? – Grito amarrando meu calcado.

Ele somente aponta para a entrada. Vitor estava entrando acompanhado de um garoto, pouco mais baixo que ele e mais magro. Entraram rindo e conversando algo, pareciam se conhecer a anos, pela proximidade aparente;

- JP esse é o Lucas, lembra dele? – Pego na mão do cara, mas respondo negativamente.

- Não, mano.

- Estudou com a gente maluco. – Vitor toca em meu ombro.

- Relaxa, não me lembro de você também. – Ele sorri.

- Cara tenho uma péssima memoria.... Vai jogar com a gente? – Pergunto.

- Sim. – Ele concorda.

- Deixa o capacete aqui em baixo, ninguém pega não, é de boa mano. – Vitor explica a ele.

Entro no campo, correndo até o final e voltando, aquecendo um pouco. Eu e o Vitor decidimos o time, ele estranhamente escolheu primeiro o tal Lucas, que a esse ponto já o chamava de “Luquinhas”.

Bola rolando, e o sol deu uma trégua ficando atrás de uma das várias nuvens no céu. Eu curtia muito quando estávamos com bons goleiros, pois jogávamos mais que o normal. Afinal, mais difícil de marcar o gol.

Eu como me intitulo meio palhaço, estava enchendo a cabeça do Roger, ele já puto comigo.

Então consegui dar um chapéu nele, chutando a bola sobre sua cabeça, e desviando para o lado contrário, só saiu um;

- OLÉ. – Meu e da galera.

- Joga direito JP. – Ele me empurra.

Eu tive uma crise de risos na hora, e fui saindo dele com a bola nos pés, com a mão protegendo a bola, de Roger, que tentava me roubar ela, olhei para o gol e chutei, de direita, é onde tenho mais força.

Lucas entrou na frente! Mano foi uma bolada na cara, o garoto caiu no chão na hora.

- FALTA. – Roger grita.

Eu corri para ver como o cara estava, ele meio que levanta de lado e o sangue escorre de seu nariz;

- Puta merda JP, se liga. – Vitor fala puto.

- Mano foi mal, eu não te vi. – Ajudo Lucas a se levantar.

- Sem problemas, eu não me defendi também. – Ele diz com a mão no rosto e o sangue pinga no gramado.

A mão dele se encheu de sangue, eu tirei minha camiseta e coloquei em seu rosto;

- Está sentindo dor mano? – Roger pergunta.

- Não, estou de boa. – Ele pressiona a camiseta no rosto.

- Continua aí, vou sair com ele. – Falo aos meninos.

Todos ficaram olhando, até que a gente estava ao lado de fora das grades de proteção para continuar o jogo.

Fui com o Lucas para o banheiro, ele lavou seu rosto, e comentou;

- Acho que isso não vai parar. – Ele olha no espelho, com o risco de sangue descendo.

- Fica aí, minha mãe sempre coloca uma compensa de gelo em meu pescoço quando isso acontece.

Vou até o bar, que tinha ao lado dos campos, onde tinha visão dos meninos jogando, comprei uma coca em lata, já que não tinham gelo, e levei para o Lucas.

Ele colocou na sua nuca e ficou um pouco com a cabeça para cima, fazendo o sangramento parar.

Com o jogo no final, sentamos nas cadeiras, vendo os meninos jogar;

- Foi mal mesmo mano, não tive a intensão.

- Relaxa, acontece.

- Você mora aqui a quanto tempo? Nunca vi você nos “rolês”. – Viro a cadeira pouco para seu lado.

- Desde que nasci, mas passei os três últimos anos na capital, voltei tem pouco tempo. – Ele ainda se posicionava olhando para cima.

- Ah está explicado.

Meu time ganhou, mesmo perdendo o gol que acertei a cara de Lucas. Como sempre o time perdedor, paga a rodada de cerveja.

Com Lucas já bem, os meninos sentados conversando, uns olhando o outro time jogar;

- (...) Mano ele é a pessoa mais aleatória do mundo, eu estava dirigindo na avenida, a principal. – Roger gesticulava e falava alto, apontando para mim e Lucas. A mesa prestava atenção nele. – E parei no sinal vermelho, JP pula do carro, e sai correndo até a esquina, no meio dos carros parados, eu olhei de lado e perguntei o Vitor que estava no banco de trás...

- Eu estava com a Carla, e esse doido fez isso. O Roger, “Que merda o João Paulo está fazendo”. – Vitor interrompe.

- Quando eu olho, ele vem correndo com um cone de sinalizar rua debaixo do braço. – Ele estava me imitando correr, e os meninos rindo muito. – JP entra no carro todo ofegante, dizendo: “Corre Viado, Corre”. Eu olhei para ele. “OXI está fechado”. E ele sentando com o cone no meio das pernas.

- Ele está até hoje no meu quarto. – Falo rindo, com os meninos.

Depois da primeira rodada, o Vitor pagou a segunda, antes que os meninos começarem a se dispersarem.

Com a chuteira em mãos, sem camiseta, vou andando com Vitor e Lucas até sua moto.

Ele sobe e mostra a minha camisa em uma sacola;

- Lavo e te entrego depois beleza.

- Relaxa.

- Vai trabalhar hoje? – Vitor pergunta.

- Sim.

- Tem a festa da Nathalia, vê se aparece por lá, me liga mais tarde eu te mando a localização. – Vitor pega na mão dele.

Eu o cumprimento, e Lucas pisca para mim, coloca o capacete saindo, e eu questiono;

- Onde ele trabalha?

- No MC’ Donalds.

- Não me lembrava dele, na boa.

- Estudou com a gente no último ano do Fundamental, é um cara firmeza. Você que pisou na bola hoje.

- Não pisei, eu chutei e com muita força, porra pensei ter quebrado o nariz do cara.

- Pensei o mesmo mano.

Peguei meu carro.... Na verdade, do meu pai, tirei da garagem do Vitor, e sai pegando minhas coisas, a empregada de sua casa já havia limpado toda a nossa bagunça. Despedi dele indo embora.

Pensava eu estar com o dia de folga, mas meu velho estava com um serviço para entregar, e eu ajudei ele com um dos carros, eu fazendo toda a retifica do motor, e ele fazendo a troca de uns fusíveis, coisa simples, mas chata.

- (...) Ela ficou te esperando até fechar a oficina João Paulo... Sua mãe que ficou falando com ela ai no caixa.

- Essa menina é louca, a gente ficou uma vez pai, nem fui para a cama com ela. – Dou a volta no carro, limpando uma das peças falando com ele.

- Eu já falei João Paulo, essas garotas você tem que ficar longe... Ela só envolve com mal caráter, e se um desses bandidos saber que você está no caminho, já sabe.

- Pai, eu não tenho medo desses caras não, acham que é bandido, se acham os loucos de fazer assalto com uma faca.

- João Paulo, estou te falando como pai, me escuta... Sei lá, nessas festas do Vitor tem tanta menina, arruma outra filho, e para de procurar para a cabeça, sua mãe nem dorme quando essas meninas aparecem aqui na oficina.

- Que estão falando de mim... – Minha mãe entra nos fundos da oficina.

- Nada. – Eu já respondo, para ela não ficar falando e falando.

- Paulinho, trouxe o almoço de vocês.... Meu filho, vai lavar as mãos e vem comer. – Ela coloca os pratos sob a mesa, afastando os papeis e peça que lá estavam.

Termino uma das peças e vou me lavar, meu pai, sai de dentro do carro, fazendo o mesmo;

- Seu pai disse que a sua ex estava aqui ontem? – Ela cruza os braços com aquele pano de prato apoiado no ombro.

- Mãe eu não namorei aquela louca.

- Eu te conheço João Paulo.... Meu filho se uma menina dessa aparece gravida aqui, tem ideia disso, o problema que vai ser?

- Mãe eu uso camisinha. – Me sento na mesa.

- Você disse que não levou ela para a cama! – Meu pai me coloca contra a parede.

- Parece até que não conhece seu próprio filho né Paulinho. Antes de casarmos, você ficou com todas as mulheres da cidade. – Pronto ela agora estava brava com meu pai.

Eu comecei a rir, e ele fala;

- Agora sobrou para mim.

- Está rindo de que João Paulo? Porque para você só falta os homens, não sei se tem garotas aqui que você não namorou. – Ela serve agua para nós dois.

- Não exagera mãe. – Respondo revirando os olhos.

- Só hoje na feira, duas me chamaram de sogra.... Quer que eu conte a semana?

- A culpa disso é de vocês dois. – Ambos arregalam os olhos, me olhando sério. – Culpa porque fizeram um filho gostoso assim.

- Aí eu mereço, vou arrumar minha cozinha do almoço. João Paulo, termina com seu pai, e vai na casa do seu avô, a moto dele quebrou de novo. – Ela grita já distante.

- Ah mãe, a moto do vovô não anda, eu já falei para ele. – Resmungo.

- Hey, termina de comer e vai. Eu finalizo o motor.

- Pai, nem peça para a moto do meu vô existe mais.

- Sabe que ele diz isso para você visitar ele João Paulo.

- Sim, eu sei.

- Termina e vai lá.

- Sim, senhor.

Depois que fiz a visita ao meu avô, voltei para casa, tomei um belo e demorado banho, pois estava exausto.


Deitei na minha cama, e abri o aplicativo do FREE FIRE para jogar, mas antes do jogo carregar peguei no sono, ali mesmo, deitado com o celular sobre o corpo.

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