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Preso em Você - Capítulo 10

João Paulo – JP

Sábado, 01 Junho de 2019, 03:44h

Modo avião no celular, e fui seguindo pelas ruas escuras. O caminho já gravado em minha mente, minhas pernas eram responsáveis por me conduzirem, pois, minha cabeça, se passava um bilhão de pensamentos.

Eu ia andando e tentando ter claridade em pensamentos, focar, mas nada, nada fazia a imagem do nosso beijo sair da minha mente. Estava grudado como uma tatuagem na pele, o beijo de Lucas foi tatuado em meu cérebro.

A chuva voltou a cair, e me abriguei em um bar, que estava fechado, a essas horas, sentei no chão de cimento, olhando aqueles pingos fortes de agua, caírem na rua.

Decido entrar debaixo dos pingos de chuva, quem sabe lave minha alma e leve esses pensamentos embora.

Na verdade, limpou, os ruins, por um momento, andando naquela rua molhada eu só pensava, o quanto foi bom...

Não estava com frio na madrugada molhada, pois estava sendo aquecido com o sentimento do nosso beijo.

Eram segundos de alegria, de tesão, de sorriso bobo. E segundos de desespero, de medo, e confusão.

Eu estava perdido em mim. E Preso em Lucas!

Uma caminhada de 15 minutos se tornou uma eternidade. Quando cheguei em casa, a única coisa que eu fiz, foi tirar a roupa e deitar.

Acordei horas depois, pois hoje eu tinha que ir ao Abrigo, e minha mãe me chamou cedo;

- Filho! Filho, não vai se atrasar para o trabalho. – Ela se referia ao abrigo.

Levantei morto de cansado, e meio que resfriado, fui tomar um banho, dormi média de três horas.

Me troquei, e peguei as chaves do carro, e minha mãe entrega um copo de café;

- Obrigado. – Falo a soprando.

- Come algo.

- Vou comprar um pastel na feira antes de ir, cheguei de manhã. – Falo bebendo.

- Você tomou chuva, e deitou sem tomar um banho quente, agora está resfriado, vou na casa do seu avô pegar umas folhas de canela, e comprar umas laranjas, para fazer um chá para você. – Ela coloca a mão em minha testa, medindo do seu jeito se estou febril. - E fica longe de tudo gelado em João Paulo.

- Sim, senhora. – Entrego o copo. – Obrigado.

- Que foi? – Meu pai entra na cozinha.

- Seu filho está gripado, pegou chuva ontem.

- Tchau pai, tchau mãe, até mais tarde. – Falo pegando carteira e celular.

- Vai com Deus meu filho. – Minha mãe, fala da cozinha.

Peguei o carro saindo, e antes de chegar no abrigo, eu fui a feira. O caminho passava pelo trabalho do Lucas.

Puta merda!

Tudo voltou na minha cabeça, tudo.

Comprei um pastel, um grande copo de caldo de cana, que para mim aquilo faria minha gripe passar.

Cheguei na hora no abrigo, e a maioria das crianças ainda dormiam, quando é assim, ficamos na sala com as instrutoras, elas ficam conversando e tomando seu café da manhã.

Como eu estava doente, e muitas mulheres juntas, falam tanto, mas tanto. Deixei elas e subi, conferindo os meninos, ao abrir a porta não vejo o Giovani.

Sua cama estava arrumada, e suas coisas lá. Entrei no grande quarto olhando e procurando ele por todos os lados, como não achei, desci rápido para falar com a Isabela.

Ela estava em um dos cantos com uma das mulheres;

- Hey, cadê o Giovani? Não está na cama. – Falo apreensivo.

- Ah, ele está em uma visita na casa de uma família. – Ela diz segurando sua xicara.

- Família? Mas ele disse não ter família. – Questiono.

Ela sai da sala, puxando a porta e diz;

- Era segredo, ele iria te contar. Giovani foi selecionado por uma família para uma visita, ele tem chance de ser adotado João Paulo.

- Serio isso?

- Sim.

- Aquele filho da mãe estava me escondendo essa ótima notícia.

- Se ele te contar, não fala que te contei.

- Pode deixar. Quando ele chega?

- Durante a tarde.

- Certo.

Como era sábado, e diminuíram as atividades dos meninos, ajudei alguns com deveres de casa e fui liberado.

Cheguei em casa com o dobro de resfriado que havia saído, nessa altura com dores no corpo e garganta querendo inflamar.

No domingo como não tive melhoras, e não posso faltar no Abrigo na segunda, eu fui obrigado ir ao médico, para pegar um atestado.

Que meu pai mesmo levou para eles no domingo.

Acordei na segunda feira, com dificuldades para conversar, e febre de seis em seis horas, era tudo que eu precisava.

Minha mãe não me deixou trabalhar, mas fiquei na oficina com meu pai, fazendo companhia mesmo.

Por volta de meio dia e meio, eu estava jogando no celular, deitado no sofá da oficina, e escuto um carro parar frente a oficina, até então normal, nem me dei o trabalho de olhar quem seria.

- OI. – Grita o Giovanni na porta.

Abandonei minha partida, olhando aquele pestinha;

- Não acredito que veio. – Me levanto indo ao seu encontro.

- Tia Isa disse que estava doente, e o tio Lucas pediu para deixar eu vir te ver. – Giovani aponta para fora, e Lucas entrando.

Eu estava abraçado com o pequeno, e ele se aproxima, pego em sua mão, o cumprimentando;

- Como está? – Ele pergunta.

- Com febre as vezes. – Falo com dificuldade.

- Você trabalha aqui? – Giovani olha ao redor.

- Sim, vem, deixa eu te apresentar uma pessoa. – Levo ela pela mão.

Meu pai que estava nos fundos, em um dos carros;

- Esse é o Paulinho, meu pai. Pai esse é o Giovani que te falei. – Apresento os dois.

- Ah, você é o flamenguista safado? – Meu pai desce rindo do carro.

- E você o Corintiano sofredor? – Giovani bate na mão dele.

- Andou falando o que para ele em João Paulo? – Meu pai me olha.

- Só o que não presta. – Lucas responde.

Começo a rir, e meio que ele corresponde;

- Nossa, posso entrar naquele carro? – Giovani aponta para uma caminhonete ao canto.

Meu velho acompanha ele, e eu pergunto;

- Vieram de que? – Olho Lucas.

- UBER, não tenho autorização para pilotar moto com ele.

Andamos juntos até o sofá, e pergunto;

- Isabela disse que ele estava com um processo de adoção, tem novidades? – Eu me sento, olhando ele com meu pai, perguntando interessado.

- Foi recusado. – Lucas diz cabisbaixo. – Na idade dele dificilmente consegue adoção João Paulo. As famílias preferem bebes sabe, e menores que ele, de mais fácil adaptação, entende?

- Não.

Eu fico mal, muito mal naquele momento;

- Mas ele disse que não era para te contar... Giovani não quis que soubesse, pois se ele fosse recusado, disse que você iria sofrer.... Que são muito amigos.

Abro um sorriso, e olho para ele, que estava no colo do meu pai, dentro do carro;

- Sabe Lucas, eu nunca tive um irmão, sempre fui filho único, e isso é um saco. Eu sempre sonhei com um irmão, sempre.... Em todos meus sonhos, ele era como o Giovani, em todos.... Para mim ele é a criança perfeita.

- Ele gosta muito de você João Paulo.

- Eu amo muito ele.

- Tio, a gente pode dar uma volta naquele carro? – Ele vem correndo para cima de mim.

- Ué, podemos pai? – Pergunto.

- Sim, ele está com defeito na quarta marcha, uma volta no quarteirão não tem problema.

Peguei a chave e levei esse menino e o Lucas para dar uma volta em uma das caminhonetes HILUX que estavam na oficina.


Depois de retornar, Lucas disse que tinha que levá-lo de volta. Despedi do pequeno, e nenhuma palavra, ação, ou olhar diferente dele, sobre o ocorrido.

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