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PARADIGMA - Capitulo 7

#Emanuel

Troquei uma ideia rápida com o Santiago, e voltei para falar com meu irmão, ele estava muito nervoso, quando cheguei ele já estava vestido, os meninos empurrando a moto até a largada;

- O Nicolas está aqui, você não pode correr Emanuel, esquece essa corrida, não pode.

- Ei! Ei! Se concentra na sua corrida, me esquece, você primeiro. Eduardo não usa a potência dela agora, deixe achar que eles ganharam, guarde para o final, está me ouvindo? – Falo meio que gritando próximo ao capacete.

- Beleza.

Ele sobe na moto, outros três corredores se posicionam para a largada e eu fico ainda falando com ele;

- Sempre que eu estou na largada, a única coisa que eu vejo é a linha de chegada, só pense nela... E na mamãe, sempre, não tire ela do seu pensamento.

- Obrigado.

- Emanuel afasta. – Grita Ricardo.

- Eu te amo.

- Eu também.

O Jorge fica na largada, monitorando com um rádio, e um primo dele na chegada com outro rádio e uma câmera, ele fica responsável por dar o resultado.

Fiquei ao seu lado, pois assim poderia ouvir o resultado. Os meninos se posicionaram e então a largada foi dada, Eduardo não saiu na frente, mas foi coisa rápida ele tomar a frente, dezenove segundos e o rádio avisa;

- Número 077 Venceu. – Fala o cara no rádio.

Arregalei os olhos pulando em Ricardo;

- Eduardo ganhou... Mano ele ganhou porra. – Falo abraçando os meninos.

Os amigos dele, ficaram assim como eu, extasiados. Logo o Eduardo chega com os meninos, até porque tinha mais duas corridas de motos hoje.

Coitado chega com todos batendo em seu capacete, até ele parar a moto e me abraçar.

O pessoal da oficina me chama, pois eu seria um dos primeiros a correr e fui voando no banheiro.

Aqui entra algo diferente que presenciei, passando atrás de uma caminhonete vejo o Nicolas empurrando o Gabriel, nada demais, porem estavam discutindo, o Nicolas estava bem alterado;

- (...) Quer que eu faça o que? Me fala? Chegue no meu pai e... – Nicolas estava falando quando cheguei, não entendi por causa da largada das motos.

- Gabriel? Tudo bem aí? – Pergunto chegando neles.

- Sim, sim.... Vou nessa. E você nunca mais me procure Nicolas. – Ele fala apontando o dedo na cara do Nicolas.

Gabriel saiu meio que com lagrimas nos olhos, eu meio que sem graça, o Nicolas então chuta uma lata, que estava no chão, sabem aquelas de tinta, ela parou a alguns metros.

- Pronto para perder hoje Barone? – Falo a Nicolas.

- Você se acha, não é? Pensa que é melhor que todo mundo... – Ele iria falando e se aproximando, eu me armei, pois pensei que ele iria chegar o murro. – Se liga Emanuel, o mundo não gira em torno de você.

- Não sou melhor que todo mundo, mas que você sim.

- Se liga cara. – Nicolas me empurra contra a caminhonete, eu não tive tempo de nada, o cara chegou muito perto.

- Está fazendo isso por causa da Rebeca, para se vingar, mas vou te falar uma coisa, estávamos bêbados, foi um beijo, tem que parar com essa paranoia. Me esquece Emanuel! Está apaixonado por mim que merda cara.

Nicolas estava tão próximo de mim, que senti sua respiração nesse momento, então falo;

- Eu não, mas parece que Gabriel sim. – Falo olhando dentro dos seus olhos.

Nesse momento passei por uma bela saia justa, Nicolas se avançou eu digo muito, não um selinho, mas foi por questão e milímetros, ele literalmente me pressionou e fala, lentamente;

- Você não sabe de nada Emanuel. – Ele diz se afastando. – Pega seu carro e volta para casa, minha briga é com o Santiago e não com sua família. – Ele fala já saindo.

- Minha família? – Questiono.

- Você corre pela sua mãe. É eu sei Eduardo me contou!

- Mano estão esperando você cara! Sumiu Emanuel. – Fala o Romulo vindo atrás de mim.

Fiquei assustado por Eduardo se “abrir”, tanto com o Nicolas, eu passei ainda encarando ele.

Pessoal havia carros na largada, eu entrei, coloquei o sinto, olho ao redor, para ver se aparentemente estava tudo ok;

- Eu já olhei esse carro mil vezes, vai e ganha para a gente. Você é o melhor. – Santiago fala na janela.

Ao sair da frente vejo o Eduardo cumprimentar o Nicolas do meu lado com um tocar de mãos, ele dá a volta no carro e se aproxima, Eduardo não me diz nada, só vejo sua mão em minha testa, fazendo o sinal da “trindade”, o mesmo que nossa mãe, faz para nos abençoar. Porra cheguei a engolir seco.

Só uma observação, o carro do Nicolas chegava a vibrar com o motor.

#Nicolas

Gabriel!

Emanuel!

Santiago!

Última Shaluna do Ano!

O ronco do motor estava minha adrenalina, mãos soando, perna tremendo, boca seca, acho que deve ser a mesma sensação de quando você está para Morrer.

Eu estava dentro do carro aguardando o sinal, com a primeira marcha engatada, e no volante as mãos coçando o botão do Turbo. Eu ainda não sabia o que fazer.

Largada Autorizada!

Coloquei potência total, eu cheguei a colar no banco, perdi todos de vista em segundos.

O cronometro marcava seis... Sete.... Oito.... Nove... Dez segundos, a chegada a poucos metros, em fração de um segundo, eu olho para o lado, vejo o Emanuel e piso no freio.

#Eduardo

Uma fumaça do carro do Nicolas na chegada não deixou vermos quem ganhou, o silencio de todo mundo, a arquibancada de pé, uns olhando para os outros, tudo parecia em câmera lenta, naquele momento.

Galera por favor, prestem atenção nas próximas linhas...

Eu olhando para o Jorge e então o Rádio anuncia;

- “Emanuel ganhou”. – A voz sai com interferência.

Jorge não expressou nenhuma reação, ele me olha e fala;

- O Nicolas perdeu. – Ele fala sem expressão.

Mesmo ouvindo, eu não acreditei. Todos ficaram meio que extasiados, e sem acreditar, dentro de mim, estava uma mistura de sentimentos, ruins e bons.

Os carros estavam retornando, e ainda estava difícil de acreditar no resultado.

Emanuel desce do carro, até pálido;

- Eu ganhei? Eu ganhei? – Ele fala vindo para cima de nós.

Claro que cumprimentamos, e abraçamos, comemoramos com ele, ele merecia.

Os meninos retiraram os carros para a próxima corrida e então o Nicolas chega, ele para o carro e claro, todos olhando para ele.

Eu me aproximo cumprimentando ele.

- Ei valeu mano, você é... – Falo pegando em sua mão.

Nicolas passa por mim, e vai em direção ao Santiago;

- Espero que não tenha ficado mágoas entre a gente. – Santiago fala rindo e de braços abertos.

Galera o Nicolas chega literalmente uma cabeçada no nariz de Santiago e vai dando porrada para cima dele. Como tinha várias pessoas perto separamos e afastamos ele, o Santiago sangrando muito. Quando ouvimos os foguetes.

*Foguetes significam polícia. *

Galera não dá para explicar esse momento, todo mundo sai correndo para todos os lados;

- EMANUEL! EMANUEL! – Grito tentando chegar no meu irmão.

E ele me segura pela camisa e fala;

- A Hornet.

- E você?

-VAI EDUARDO. – Grita ele.

Nisso o Jorge me puxa para o outro lado correndo também, e depois de uns passos vejo as sirenes se aproximando, galera eram muitos carros da polícia.

Eu fui até o Romulo e Ricardo, coloco o capacete e saio seguindo as motos, em uma espécie de trilha que havia onde era meio complicado de carros passarem, logo a frente todos se despistando, assim eu fiz.

#Nicolas

- Entra porra! EMANUEL ENTRA NESSE CARALHO. – Falo pela decima vez com aquele idiota.

Ele literalmente pula para dentro do carro, ao virar vejo policiais perto demais, então, eu saio de ré.

Uns metros viro rapidamente, e seguimos por dentro de uma pequena plantação que tinha ao lado direito, acho que era milho;

- Estão atrás de nós, mano. VAI. VAI Nicolas. – Grita Emanuel.

Ao lado desta plantação tinha o acesso a BR, galera eu acelerei muito, mas muito mesmo, até ficarmos tranquilizados;

- Acho que despistamos. – Ele fala com a cabeça para fora do vidro.

O Emanuel estava ligando para ao irmão, quando entrei na cidade, galera foi muito estranho, tudo normal de repente nada fora do comum.

- Estou ligando para ele me buscar, acho que ainda está pilotando. - Emanuel fala com o celular no ouvido.

- Deixo você em casa relaxa. - Falo parando em um semáforo.

Cara foi até engraçado, os dois parados no sinal, e a polícia passa normalmente na nossa frente, o policial olha para a esquerda e meio que para o carro, um deles desce. 

- Vai Nícolas. - Grita o Emanuel.

Estávamos dentro da cidade, uma fuga aqui era outra coisa. Eu olhei para trás, engatando a marcha ré.

O carro saiu mas veio outra viatura fechando a gente, estávamos sem saída;

- Desliga a chave e sai com as mãos na cabeça AGORA. - Grita um policial.

Estávamos no meio da quadra, carros da polícia atrás e na frente. Descemos do carro e eles aproximaram revistando;

- Tem drogas ou armas no veículo? - Pergunta um deles.

Entregamos documentos, e eles reviraram o carro de cabeça para baixo. Eu e o Emanuel já estávamos algemados, quando um dos policiais comentam;

- Tenente, olha isso aqui... Tem Nitro para esse carro ir para a lua. - Ele comenta.

Eu e o Emanuel estávamos a uns dois metros à frente, quando eles olhavam o carro;

- Duplo Turbo, dois tanques de tanques de NOS, cara, eles não brincam em serviço. - Ele dizia olhando.

O outro abre o capô, e o Emanuel já de olho.

- Acho que pegamos o mais, mais da parada. Ele chega a uns 300 km? - Pergunta ele me olhando.

- 305.

- Caralho.... Estão presos, acho que já sabem disso.... Podem levar eles.

Colocaram a gente no carro, e o Emanuel não disse mais nada depois destes comentários. 

Na delegacia que estava um caos, mano eles prenderam gente demais, chegaram a fechar a rua para ir colocando os carros.

Quando chegamos e estavam fazendo a ficha ouvimos eles conversarem.

- (...) As celas não cabem mas ninguém.

- Vamos deixar eles aqui na recepção, algemas eles em algum lugar aí.

- Está chegando mais dois carros, com prisões.

- Liga e pede um espaço na penitenciária, temos que dar um jeito.

Eles conversavam entre si, logo um comenta;

- Tenente, temos um filho de deputado aqui. - Ele diz olhando meu RG.

- Coloca estes dois na sala de interrogatório.

Depois de umas fotos levaram a gente, a sala era segura até demais, com várias trancas nas portas, e só uma mesa com três cadeiras.

Deixaram a gente sem algemas lá dentro.

Depois de longos minutos em silêncio ele finalmente abre a boca;

- Você saiu na frente, mas não ganhou. Não houve nenhum problema, porque você colocou 180km/h na BR agora. Porque perdeu a Shaluna?

Emanuel estava sentado na cadeira a minha frente.

- Eu pisei no freio no décimo segundo. - Quando falo isso seus olhos se enchem de raiva.

- Porque?

- Não corro com princípios como você! Estava lá por causa do Santiago.

- Isso não é desculpa Nícolas.

- Se lembra da Yasmim? Sua primeira namorada? Na sua festa de 15 anos ela se declarou para mim. Como você me disse o que sentia, e que estava apaixonado por ela, eu então a dispensei, disse que gostava de outra pessoa, que não sentia nada por ela. Fiz isso pela mesma razão. Pela nossa amizade Emanuel.

- Não somos amigos Nícolas. - Em seus olhos era uma mistura de raiva e confusão.

A porta se abre e o policial deixa o Gabriel entrar, ele estava no telefone.

- (...) Ele está acompanhado do Emanuel.... Sim o Duarte. Um momento. Gabriel fala colocando o telefone na viva voz.

- Nícolas? - Grita meu pai no telefone.

- Senhor.

- Me fala que eles estão errados e você foi preso enganado?

- Eu estava junto pai.

- Meu filho depois se tanto tempo! Você está estudando, trabalhando, tendo vida de homem, e me inventa de correr Nícolas... Eduardo está com você?

- O Emanuel, irmão dele.

- Há está explicado, tinha que ser, pensei que vocês não estivessem mais juntos, meu Deus.

- Está na viva voz doutor Rodrigo. - Emanuel diz.

- Eu sei filho, vocês dois juntos de novo chega a me dar enxaqueca. A última vez quase morreram, agora presos. Gabriel?

Gabriel tira o celular do viva voz e conversa rápido com ele.

- Estão liberados, podem sair...- Gabriel fala. - Amanhã Emanuel, delegado não está aqui, não é tão bagunçado assim não. Vão dormir juntos hoje. - Ele diz saindo.

- Gabriel, posso falar contigo?

- Falo segurando em seu braço.

- Solte ele! - O policial fala com a mão na arma.

Eu o solto e eles fecham a gente novamente.

- Como você é tão idiota de parar em um semáforo, quando está em uma fuga? - Comenta Emanuel.

- Cala a boca. Acredite eu também não queria estar aqui, muito menos com você. – Falo puxando uma das cadeiras.


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