• @rgpatrickoficial

PARADIGMA - Capitulo 20

#Nicolas

Logo depois de tomar café da manhã, fui até a fazenda em que Jorge havia comprado, na verdade eu já tinha marcado, mas demorei.

E pessoal o lugar estava animal, imenso, estrutura fora de sério, fui chegando e estaciono próximo a um pessoal que estava pintando, parte de uma pista;

- Ah, finalmente você veio! – Jorge, fala saindo de dentro de um dos cômodos.

- Isso aqui está irado.

- Vem aqui.

Sigo ele, subindo as escadas da plateia, e pessoal a visão era fora de sério;

- Quanto tem a pista?

- Dois Quilômetros, ali uma oficina, por causa do corpo de bombeiros temos um lugar para paramédicos, bar, restaurante e lojas.

- Como conseguiu grana para tudo isso? – Falo tirando os óculos.

- Tem a grana das corridas, e aqueles espaços que está vendo, ali atrás do carro, todos alugados, e recebi adiantado alguns meses.

- Jorge, isso aqui não existe no Brasil, nunca vi algo assim.

- E seu pai? Quando vai trazer ele aqui?

- Acho que não terá o apoio dele.

- Como assim Nicolas, conversamos sobre isso.

Eu me sento na arquibancada, e ele do meu lado, todo preocupado;

- Peguei ele traindo minha mãe.

- O que vai fazer?

- Vou fazer ele contar para ela.

- Mano que barra.

- Relaxa, mas não vou te deixar na mão.

- Nicolas esquece, eu me viro, é que não sabia.

- O Projeto vai para a câmara de todo jeito ser votado pelos políticos da cidade, mano vamos oprimir os caras, mostrar para eles que estamos aqui.

- Ta falando do que?

- Pegar os carros, motos, chama a galera toda, e vamos para a câmara, assistir e participar da votação do projeto.

- É uma excelente ideia, acho que consigo algo.

- Vamos bolar algo, vou falar com os meninos.

- Fechado.

O Jorge ainda me mostrou ideias futuras, toda a propriedade, a segurança do lugar, cara para terem ideia eu sai e fui almoçar com o Jonas, de tão tarde que sai daquela fazenda.

Ele escolheu um restaurante perto do escritório, eu até conhecia ele, por ter ido com Pamela, e por falar nela, estava por lá.

Para não ficar um clima, chato a Pamela sentou conosco, eu mostrei as fotos, e conversei com eles sobre, contando curiosidades que o Jorge havia me mostrado;

- Mas como vai chamar em amigo?

- Ai Pamela! Shaluna, é claro.

- O que é Shaluna? – Jonas pergunta.

Nós rimos, e ele fica com aquela cara de não entender nada;

- Era um lugar de corrida ilegal de carros tunados. – Falo.

- Aqui em Ribeirão Preto?

- Sim, e seu boy ai do lado é um dos maiores ganhadores, perdeu somente uma corrida. – Pamela fala saboreando o mousse de limão.

Ele me olha de olhos arregalados, e deixa os talheres, falando;

- Nicolas você é piloto de racha?

- Prefiro que me chamam de campeão de racha. – Falo rindo.

- Mano que isso, você poderia ser preso.

- Haha, e fui, duas vezes.

- Gente eu to saindo com um bandido, trombadinha.

- Cala boca idiota!

- Está falando sério comigo? É verdade Pamela?

- Sim.

- Você sai com um cara e não puxa sua ficha criminal? – Falo zoando.

- Você é um playboy, não tinha como eu saber. – Ele fala rindo.

Mas a piada não teve graça, na verdade odeio esse tipo de comparação, então ficou puta clima, eu fechei a cara, bebendo pouco de suco, e Pamela interpreta;

- Falei algo de errado?

- Nicolas não gosta deste tipo de comparação. Era o apelido dele no colégio, e ouve alguns bulyngs da parte de Emanuel, não é uma lembrança boa.

- Ei, me desculpe, eu não tive a intenção! Sério, fui um babaca agora! – Ele fala segurando minha mão.

- Ei, relaxa, é passado.

O celular dele, chama bem na hora, Jonas atende, mas logo desliga;

- Adiaram minha audiência, tenho que ir.... Nos vemos mais tarde? – Ele fala me olhando.

- Sim, claro.

Jonas paga a conta e vai embora, eu terminando minha sobremesa, e a Pamela pede um café;

- Amigo tudo bem? Ainda está com aquela cara... – Ela fala colocando a mão na minha.

- Estou é que você veio falar do Emanuel, me lembrou dessa época...

- Você odiava não é mesmo?

- Pamela na verdade da parte dele não. Emanuel sempre a vida inteira, arrumava algo para me implicar, e eu fazia o mesmo.

- Amigo, sente a falta dele?

Eu fico de cabeça baixa, olhando a taça de mousse vazia, e levo o olhar para fora, demoro a responder;

- Nicolas, esquece, não precisa responder.

- Nunca falei isso com ninguém Pamela! Mas mesmo fazendo o que fez, o que eu sinto pelo Emanuel não vai mudar.... Já desiste de lutar contra, estou deixando o destino tomar seu rumo.

- Se precisar amigo, estou aqui, sempre, você sabe.

- Pamela a única coisa que quero saber, é quem vai ser padrinho desse bebezão que vem por aí?

- Aí, não me lembra...

Nós ficamos o horário de Pamela inteiro falando da gravidez dela, de plano que havia feito e tudo mais.

A tarde na minha casa, era hora de pegar de jeito o meu pai.

Quando cheguei fui tomar um banho, minha mãe estava viajando, e ele também iria sair essa noite, havia falado que seria a trabalho, mas depois do que eu havia visto, não acreditava, mais em suas palavras.

Tomei meu banho fiquei na sala assistindo TV, foi eu sentar e ele entra;

- Nicolas, fala para seu amigo que ouvi comentários positivos sobre o tal projeto da semana que vem. – Ele fala colocando as chaves e pasta na mesa ao lado da porta.

Eu de cara fechada, coloco a TV no modo “Mute”;

- Que cara é essa Nicolas?

- Preciso te falar algo.

- Rápido, tenho um voo em quarenta minutos. – Ele fala soltando a gravata.

- Eu vi o senhor colocando outra mulher no carro, e beijando ela.

- Meu filho olha...

- Sem essa de meu filho. Sou homem e sei que é sua amante.

Ele passa a mão no cabelo, e diz;

- Foi um erro de uma noite Somente Nicolas, não aconteceu de novo e nem vai acontecer...

- Pai eu não quero saber, mas precisa contar para a mamãe.

- Mas de forma alguma.

- Ou conta você ou conto eu.

- Nicolas Barone não ouse me ameaçar, esperei minha vida para conseguir a me elegera prefeito, não me arrume um escândalo deste, não agora.

- Eu não lhe arrumei nada pai! Foi tudo o senhor, eu não tive culpa de nada, assim como a mamãe.... Ou você fala ou eu falo.

- Dei para você quase duzentos mil, para comprar aquela boate! Vou aprovar o projeto que vai contra tudo que eu já falei em campanhas, para você... A Vida inteira fazendo tudo que você sempre quis, e agora vem me apunhalar pelas costas?

- Se quiser a boate, pega para o senhor.... Vamos fazer aprovar aquele projeto, com ou sem o senhor.... Tem até o começo do mês que vem, depois disso eu conto a ela.

Falo saindo de casa, serio não suportava ouvir mais merdas de sua boca.

Também não fui para lugares específicos, como ele iria mesmo ter que sair, eu fui ao Mac comer algo, e também decidi ir sozinho.

Quando voltei em casa, ele já tinha saído, o Jonas me liga, eu meio que ignoro, os grupos do whatsapp, bombando e eu só queria ficar desligado um pouco.

Liguei a TV aleatoriamente, acabei assistindo pouco de “The Noite”, e peguei no sono, mas tive a impressão de somente fechar os olhos, quando a campainha chama.

Me levanto sonolento, sabe quando você não sabe se está acordado, ou dormindo, caramba coisa mais estranha, abro a porta e o Emanuel parado, com o capacete na mão;

- Emanuel? – Questiono.

- Oi. – Ele diz se aproximando. – Estava perto e resolve fazer uma visita.

Ele fala entrando novamente pelo portão, era aparente que ele tocou a campainha e iria embora;

- Você iria embora? – Pergunto ainda na porta.

- Sim.... Não sei se iria me ouvir.... Quer saber falou Nicolas. – Ele fala saindo.

- Ei, calma mano.... Fica tranquilo.

Quando eu falo ele para, olha na tela do celular e volta;

- Entra aí. – Digo dando passagem pela porta.

Ele entra deixando o capacete no chão;

- Senta aí. – Falo puxando uma das almofadas.

- Queria pedir desculpas por aquele dia no bar.

- Relaxa Emanuel, tranquilo.

- Eu conversei com o Eduardo.

- Como assim conversou?

- Ele sabe da gente!

- Eduardo descobriu? Você contou?

- Ele quem estava no reservado, quando eu te beijei.

- Cara não brinca!

- Sim.

- E ele?

- Levou na boa.

- Vai falar com sua mãe?

- Não pensei nisso ainda.... Na verdade, não estou pensando em nada ultimamente. Nada Além de você

- Oi? – Nesse momento eu acordei, rsrs.

- Nicolas escuta. – Emanuel fala se aproximando no sofá, com a mão em minha perna. – Eu cansei de negar, e fugir, cansei.

- Emanuel o que está falando?

- Eu estou apaixonado por você Nicolas.

Emanuel não deixou o silencio se instalar, ele se aproximou e me beijou, e eu em choque ainda.

Ele avança seu corpo sobre o meu, me fazendo deitar no sofá, com Emanuel me beijando lentamente, e carinhosamente, cara foi quase uma lavagem cerebral, digo literalmente.

Então eu nego sua boca, viro o rosto e falo;

- Emanuel calma ai! – Digo colocando a mão em seu peito.

- Te machuquei? – Ele pergunta se levantando.

- Não.

- Então que foi?

- Não consigo.

- O que está falando Nicolas?

- Emanuel eu não consigo, não estou pronto.

- Nicolas não é hora para brincar.

- Não estou brincando. – Ele fica de cotovelos apoiados nos joelhos, olhando para baixo.

Ele ficou em silencio por um tempo, e serio se ele continuasse do meu lado, naquela situação, eu iria chorar com Emanuel na minha frente, o clima era palpável na sala de casa;

- Emanuel eu quero ficar sozinho! – Quando falo ele me olha.

Seus olhos lacrimejando, ele fala algo, mas a voz não sai, e repete;

- Nicolas por favor! – Ele fala se virando para mim.

Me passou pela cabeça deixar ele ficar, mas eu fui muito firme e cruel;

- Por favor vai embora. Eu preciso pensar melhor em tudo isso.

- Eu fiz algo que não gostou? – Ele pergunta se levantando.

- Não.

Ele segue até a porta, pega seu capacete, eu a abro. E Emanuel me abraça, fazendo carinho em minha nuca, ele ainda me encara antes de ir embora.

Eu fecho a porta e literalmente me derreto naquela porra de sofá. Mano eu chorei muito, poderia ter feito a pior merda da minha vida! Peguei o celular para ligar... peguei as chaves do carro para ir pedir desculpas, mas não fui, não fiz nada. Fiquei chorando como um panaca que eu sou, um idiota!


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