• Richardson Garcia

Maresias - Capitulo 5

Algo estranho aconteceu nos dias seguintes, pela primeira vez em muito tem, Rafael perde dois dias na praia. Eu treinei sozinho no primeiro, e no segundo dia, estava saindo da agua e a Sara me fez voltar e pegar mais uma onda.

Aproveitei para vir trocando ideia com ela, no caminho para casa;

- (...) estou falando sério, não vi garotas assim aqui. Elas gostam de comprar, arrumar cabelo e unhas, ah e falar das amigas, adoram uma treta.

- Eu também gosto idiota, mas ao invés de ficar correndo atrás de homens eu corro atrás de ondas. – Ela me empurra.

- Hum gostei de ouvir isso.

- O que?

- Que corre atrás de ondas, é onde eu sempre estou.

- Max.... não vai rolar. – Ela me olha.

- Que está falando?

- Eu e você.

- Eu não disse nada ué.

- Mas eu estou comentando, primeiro você namora, e outra não faz tanto o meu tipo.

- E qual é seu tipo?

- Sei lá... O Rafael, eu ficaria com ele.

- Até eu ficaria com o Rafael Sara.

Ela sorri, e diz;

- Eu até queria, mas meu irmão está interessado.

Sara fala isso, sem maldade, rindo e me tocando. Mas eu mudo totalmente de semblante, encaro ela questionando;

- Como assim interessado?

- Ué interessado, afim, dando mole! Sabe dizer se o Rafa curte?

Sabe quando você fica muito sem graça, tipo, muito;

- Até onde sei, ele pega as garotas mais lindas dessa cidade, tanto que você está afim de ficar com ele.

- É ele é bem bonito mesmo. Mas me fala, desde quando se conhecem?

- Eu cresci com ele, é meu irmão.

- Aí, fofo. – Viramos a rua de casa e a primeira que vimos, era os dois juntos, na porta da casa da Sara. – Olha vou perder mais um para o Bruno.

Ela diz olhando eles conversando na calçada. Rafael de bermuda, sem camisa e pés no chão, o cabelo que ele gosta, todo bagunçado e nos olhos.

Eu vou aproximando e eles comentam;

- Como estavam as ondas hoje? – Bruno pergunta alto.

- Hoje não estavam muito boas, mas a agua estava excelente. – Sara responde.

Eu coloco a mão para abrir o portão, e Rafa grita;

- E aí Max, está beleza?

Eu abro um sorriso e gesticulo que sim com a cabeça entrando;

- Vou falar com ele. – Escuto Rafael.

Eu já entrei fechando o portão, para não ter que dar explicações, ela se aproxima dizendo;

- Ei mano, que foi?

- Nada. – Tranco o cadeado.

Rafael olha e repete;

- Tem certeza?

- Sim, só com pouco de dor de cabeça.

- Beleza, qualquer coisa me manda mensagem. – Ele toca em minha mão.

- Falou.

- Se melhorar vamos jogar mais tarde.

Entro deixando ele ao lado de fora, foi uma das primeiras vezes que deixei alguém tão significante para mim, como ele no vácuo.

Tomei um banho, fiquei conversando com a Luciana por um bom tempo no celular, até pegar no sono.

Quando acordei escuto a voz de Rafael na minha casa, ele e minha mãe estavam na cozinha e escuto ele falar;

- Tia vou embora, quando ele acordar, diz que estava aqui.

- Vai lá filho, eu falo sim, logo vou chamar ele também, se não, nem dorme a noite.

- Tchau.

- Tchau Rafa, obrigado pela ajuda.

Espero ele sair pelo portão para eu sair do quarto. Vou saindo e minha mãe já comenta;

- Rafael saiu agora aqui de casa Max.

- Que ele queria. – Me sento na mesa.

- Não sei, ficou aqui me ajudando a fazer janta, mas você morreu naquele quarto.

- Treinei hoje à tarde, estava cansado.

- Estou fazendo janta, depois que terminar você vai lá.

- Tudo bem.

Então como minha mãe mesmo disse, eu jantei, e tive que lavar a louça, fiquei livre por volta de nove e meia.

Não iria e nem queria ir no Rafael, voltei para meu quarto, mas ao aproximar da minha janela, vejo a luz do seu quarto acesa, pelo reflexo e visão que eu tinha.

Coloquei um boné e fui até sua casa. Como de costume de ambos, entrei com cuidado pelo pequeno jardim, e dou a volta em seu quarto, abaixado, e pisando quase que despercebidamente.

Escuto uma vez rápida e ligeira, e me levanto devagar, segurando o folego para gritar, mas vejo que o Bruno estava no quarto dele.

Segurei abaixando de novo, e então com cuidado redobrado, olho novamente. Rafael estava com uma camiseta minha, uma amarela que eu havia deixado na sua casa.

Sabe quando você está tentando ouvir o que as pessoas estão dizendo, mas na verdade não entende nada.

Eu estava olhando e Bruno beija o Rafael, fiquei olhando, pensando que ele iria se afastar, brigar, ter alguma atitude.

Mas não.

Rafael correspondeu, ele também beijou o Bruno, que o pressionou contra a parede de sua casa, pegando firme em seu corpo.

Bruno estava beijando o Rafael com vontade, e eu ali assistindo! Ele desce pelo pescoço, peito, e vai descendo a bermuda.

Era inacreditável o que eu estava vendo.

Bruno de joelhos, chupando o Rafael, que estava gostando, pois ficava olhando para baixo, segurando a cabeça dele, e forçando com vontade.

Era melhor eu sumir daquele lugar, o mais rápido possível, antes de ser pego. Já não sabia o que dizer, pensa se me virem.

Eu estava bravo, excitado, com ciúmes. Então fiz uma coisa que foi contra meus conceitos.

Peguei várias pedras pequenas, e joguei no telhado de Rafael, sim, fiz para talvez eles pararem com aquilo.

Como eu estava escondido no quintal de casa, fiquei de olho, logo os dois apareceram apreensivos ao lado de fora e Bruno fala algo indo embora.

Eu me sentei no lugar onde estava, esperando eles entrarem e fiquei pensando que fazer quando o Rafael me contar, ou pior, eu ter que chegar nele.

Sério, que confusão da porra.

Noite péssima, mal dormida, e ainda por cima sonhando com a cena.

Sabe quando algo te preocupa, e não sai da cabeça, pois!

Na manhã seguinte, eu estava meio que com o seguinte pensamento; “Não falo se ele não falar”.

Sabem porque essa confiança? Porque Rafael nunca escondeu nada de mim, como eu faço com ele.

Me troquei, uniforme, bermuda jeans, e boné, e despeço de minha mãe, saindo, ele como sempre aguardava do lado de fora.

De calça na altura das canelas, de estampa de xadrez, e uniforme, tênis, colar e relógio, seu cabelo com um topete penteado para trás, como sempre bem estiloso;

- Quem compra essas roupas para você? – Pergunto saindo.

- Eu.

Vou andando e ele diz;

- Não vai esperar os meninos?

- Não, quero trocar ideia com você, vamos.

- Beleza.

Ele me contando da loja que comprou a calça, e eu esperando sair algo, então joguei verde;

- Mano.

- Diz Max.

- Ontem eu dei em cima da Sara e ela disse estar afim de você.

- Serio?

- Sim.

Ele fica em silencio em alguns segundos e eu digo;

- A mina é bonita, surfa, inteligente, faz seu tipo, só cair matando mano, você que sempre reclamou de não ter ninguém.

- É você está certo, ela é bem foda mesmo.

- Sim.

- Então é por isso que estava mal ontem?

- Oi?

- Você sumiu Max, estava todo diferente.

- Coisa da sua cabeça.

Bem aula normal, tudo certo, encaminhando para os trabalhos do semestre, e depois as provas.

No intervalo depois do lanche, eu estava na turma dos meninos, conversando e brincando, como todo dia.

O Rafael saiu indo no banheiro eu acho. Os corredores eram nas duas extremidades de onde eu estava, umas seis salas de cada lado, eu sentado em um banco no meio, e o pátio lotado, como de costume.

Eu estava sentado mais em cima, a Luciana no meio das minhas pernas, as meninas conversando e Pedro do meu lado, acho que estávamos falando do futebol.

Quando escuto uns gritos, coisa rápida, todo mundo olha, no rumo de nossa sala, que fica depois do banheiro.

E no chão de piso queimado, vejo o Rafael cair de costas, como se fosse jogado para fora do banheiro.

Era briga.

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