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©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia

  • Richardson Garcia

Maresias - Capitulo 1

“O molhar da agua gelada do Mar sob minha prancha que cortava as ondas menores, ali eu escolhia entre um banquete de “tamanhos”. Quando a sua onda chega você sabe, você sente, o coração bate mais forte, e a voz na sua cabeça já diz: É minha, é minha. Um acelerar com as mãos nadando sob a prancha, você sente o tocar da onda nos pés, é se levantar e equilibrar. Ela subindo, e subindo, e então entro pela esquerda, me abaixando e o tubo de agua azul se formando, o toque da sua mão sentindo a agua, você desenhando com os dedos seu momento, o tubo se fechando e você mais e mais curvado, o melhor momento é quando você consegue sair, para surfistas é como (...)”.

- MAX.. Ou maluco acorda! – Sinto puxar meu pé.

Além de acordar do sonho acordei assustado, olhando ao redor;

- Que merda! – A voz sai falha.

Rafael puxa meu cobertor, rindo;

- Acorda cara!

- Porra. – Me sento coçando os olhos. – Quantas horas?

- Seis... Seis e dez da manhã.

Encaro ele com meu cabelo parecendo escultura e falo “puto”;

- É sábado Rafael, Sábado!

- Cara vamos, como quer pegar as melhores ondas acordando tarde.

- Como entrou aqui?

- Sua mãe acabou de sair para o trabalho.

Com muita preguiça olho ao redor procurando minha roupa, e vou arrastando na cama, segurando o lençol até a cadeira;

- Olha para lá.

- Que foi?

- To pelado porra, quer ver?

Ele rindo se vira, me levanto pegando a cueca, cheiro, e deixo-a de lado pegando uma bermuda e me vestindo, passo pelo Rafael indo ao banheiro;

- Passou perfume? – Pergunto parado na porta.

- Só tomei banho.

Ele estava de camiseta de manga longa, e boné, e de bermuda, o boné na metade da cabeça com o cabelo bem arrumado.

Entro no banheiro escovando os dentes, lavei o rosto, e passo uma escova no cabelo, pelo menos para abaixar o volume. Nossa fui mijar e estava numa preguiça.

Ao sair a gente se sentou e ele confere ter café, minha mãe deixou pronto e tinha uns pães do dia anterior. Rafael pegou a manteiga e coloca na mesa;

- Não está na dieta não mano? – Olho para ele.

- Sábado é meu dia do lixo.

- Começando com margarina, vai bem assim, logo vai ter que mudar a prancha pelo peso. – Eu me levanto.

- Cuida da sua vida. – Ele ala cortando o pão.

De pé, com um dos pés na cadeira, e eu digo;

- Você é minha vida Rafael. – Abraço ele pelas costas.

- Sai fora. – Ele se abaixa.

Com isso sem querer empina a bunda e eu encho mais a cabeça dele;

- Assim eu gosto em.

Ele se senta e fala;

- Que vai fazer?

- Cozinhar uns ovos e batata doce.

- Nossa não suporto mais o cheiro de batata doce mano.

- Haha’ não quer ficar no peso para o torneio, então.

Coloco tudo na agua para ferver e pego um pouco de granola, voltando a me sentar.

Rafael estava comendo e no celular;

- Mano alguém disse algo da festa da Luciana?

- Estão discutindo se vai ser fantasia ou não.

- Aff, vou fantasiado de namorado dela. Empresta aqui. – Pego seu celular para enviar um áudio. – “Mano está em cima da hora, vocês não decidiram isso na semana passada, agora vai ser festa normal, sem frescura, parem de inventar porra. ”

- Que foi ela não deu para você ontem é?

- Nem vi ela ontem.

- Então foi a Eduarda?

Eu encaro ele bem dentro dos olhos, aponto o dedo para ele;

- Cala a boca, e porque não falamos de você. – Ele abre um sorriso.

- Qual é?

- Não sabia que esse seu cabelo estava tão grande, vai usar franja agora é?

- Sim. – Ele tira o boné passando a mão, refazendo o penteado. – Está com inveja?

- Não é até bom para pagar um boquete saca! Só segurar e “Tame”.

- Viado. – Ele mostra os dentes.

Eu arrumei os ovos e a batata, voltei a sentar, coloquei café no copo e Rafael fica parado me olhando;

- Que foi?

- Café com ovo e batata?

- Sim, porque?

- Tu é muito nojento cara. – Ele se levanta.

- Você que é fresco demais.

Bem moramos em São Sebastião no estado de São Paulo, mais precisamente em Maresias, a um quilometro do mar. Rafael mora em frente à minha casa, ambas de esquina, onde não há asfalto, e poucas casas em nossa rua. Como ela é sem saída e no final há uma pousada, o asfalto passa de um lado de nossas casas, e do outro não, ambas idênticas, com cercado de tela, algumas plantas, pequeno gramado e uns coqueiros, nada demais. É que minha mãe e pai dele que são amigos de data, compraram juntos os imóveis.

A calçada do lado onde fica minha casa tem um metro aproximadamente, toda com gramado até a pousada que era a cem metros, e com coqueiros até o fim da sua, onde tinha mais 6 casas.

Nada, nada nessa pequena comunidade é mais importante para mim que o mar, a Praia de Maresias extremamente conhecida pelas ondas para profissionais, algo que aprendi a amar, desde criança.

Voltando, eu coloquei uma camiseta cavada, e saímos seguindo até a praia andando mesmo, a distância de um quilometro.

- Eu falei para sairmos mais cedo. – Rafael fala aproximando da orla.

- Jaime nem abriu ainda, relaxa.

Nosso equipamento fica no quiosque do Jaime, em um quartinho ali do lado.

Eu e Rafa tínhamos a chave, e nos trocamos, pegamos as pranchas e descemos para a areia, colocando o Leash, que é a corda se segurança, passo na prancha, e no tornozelo.

Rafael já passava a parafina na prancha, me entrega e em movimentos circulares faço o mesmo.

Em um céu azul com o sol baixo ainda as ondas já fortes, praia praticamente deserta do que estávamos acostumados. Casais de mãos dadas, famílias procurando os melhores lugares, abrindo os guarda sois.

Eu e Rafael olhando no horizonte, conferindo e;

- Mais uma vez, o mar todo é nosso. – Ele comenta.

- Vamos.

Para quem conhece sabe a temperatura das aguas de São Paulo, mesmo acostumado com uma vida surfando, ainda tem aquele arrepio de entrar pela manhã.

O grito de ambos mergulhando. E lá vamos nós, praticamente nadando até o melhor ponto para as melhores ondas.

Se cansa muito até chegar no melhor ponto, então na segunda onda que pegamos, os dois já exaustos;

- E aí?

- To morto. – Ele responde ofegante.

- Quer voltar?

Ele olha os outros surfistas se aproximando, é um lugar que há muitos, mas muitos gringos;

- De jeito nenhum. – Ele responde.

Vou explicar, agora, depois de “esquentar”, mesmo cansados, não tem nada melhor que se amostrar para os profissionais certo?

Haha’

Sim somos amadores, porém, amadores que surfam por anos nessas aguas, e eles quando chegam precisam de três dias para se situar de como tudo funciona, digo, agua, temperatura, ondas e tals.

Nesse dia o Rafael fez bonito, caralho, nós demoramos na agua, pois estava com uma turma bem legal de Portugal, onde tem uma das maiores ondas do mundo, trocamos muitas ideias, lá mesmo sob as pranchas no mar.

- Ei, temos que ir. – Rafael chama a atenção.

- Beleza.

Despedimos dos caras e seguimos para a areia, isso por volta de onze da manhã.

Aos sábados e domingo ajudamos o Jaime no Quiosque, servindo mesas e na limpeza. Assim ganhávamos nosso almoço dos dois dias e também ele tinha uma pequena loja de Surf, e tínhamos equipamentos a vontade.

Nós chegamos indo para os fundos, pois tínhamos que lavar o equipamento e a roupa com agua doce. Rafael estava tirando a roupa e lavando sua prancha na ducha.

Ele é muito mais muito mais lindo que eu, nem se compara. Tem um corpo bem massa, nada definido nem nada, mas tinha um peitoral largo, rosto fino, boca pequena, e tinha umas pernas massa, mas nada comparado a bunda, rsrs, pequena e redondinha.

Eu tenho mesma altura, só com braços pouco mais fortes, coisa pouca, cabelo mais curto. E acho que uma boca gostosa, pois sempre tenho meu beijo elogiado.

- Fim de semana cheio em. – Jaime aparece com um pano nas mãos.

- Sim, tem uns portugueses na agua. – Respondo.

- Qual dos dois pegou tudo hoje? – Ele se encosta na porta.

- Foi o Rafael.

- Sempre né Jaime.

- Se liga Max, vai ficar para trás.

- E, agora eu vi! Puxando saco é?

- Haha’ ei vão se vestir, vou abrir agora.

- Beleza, já vamos.

- Rafael como os tubos foram todos seus, Max cuida das cadeiras hoje.

Olho com cara de desgosto para ele, que sai rindo.

Nos vestimos e fazemos nosso trabalho, hoje tinha até um movimento no Quiosque, então foi um pouco corrido, não comparado ao ano novo.

Enquanto vamos servindo as mesas sempre comemos algo, sempre. Hoje como houve um movimento, por volta de duas e cinquenta havia três mesas ainda almoçando. Outras com cervejas e petiscos;

- Max, Frango e legumes hoje? – Jaime pergunta.

- Sim, por favor.

- Não, camarão. – Rafael deixa uns pratos no balcão.

- Dieta, foco mano. – Aponto o dedo para ele.

- Se você beber hoje eu te mato, não tem cerveja nessa sua dieta em.

- Porra tem a festa né.

Nós almoçamos, e ficamos de papo até umas três e meia da tarde;

- (...) Graças a Deus, já ficamos com eles a semana inteira.

- Sim, pensei que alguém do colégio estaria na praia hoje, por isso falei.

Eu e ele estávamos sentados em uma mesa na areia, e o Jaime aproxima;

- Aqui, daquela mesa, a garota de preto. – Jaime deixa um suco na mesa para Rafael.

- Ah vai se foder, eu que estou olhando para ela. – Falo puto.

- Qual dos dois? – Jaime grita para a outra mesa.

A gente olhou e a garota toda envergonhada aponta para o Rafael;

- Haha’ Você namora, eu posso. – Ele bebe o suco.

Ele se levanta e vai na mesa, onde tinha um casal e essa garota, eles conversaram um pouco e ele volta com um papel;

- Já tenho quem pegar na festa hoje.

- Ei, chegaram, vamos seu filho da mãe.

A tarde a praia já cheia, nós íamos para a loja do Jaime que sempre, sempre tinha uns caras perdidos, uns gringos na verdade.

Desde informações, a entrar na agua, mostrar onde pegamos as melhores ondas, onde era mais seguro, com menos pessoas, tudo.

Eu e Rafael fazemos isso desde pequeno, e sempre, sempre rolava umas gorjetas.

Voltamos para casa nesse sábado por volta de seis e meia da tarde, ambos cheios de areia, felizes;

- Trinta reais. – Mostro o dinheiro.

- Tirei cinquenta. – Ele mostra. – Aqui. – Rafael entrega uma nota de dez.

- Não relaxa mano. – Eu a devolvo.

- Lembra, sempre dividimos a grana.

- Valeu.

Passo a mão pelo seu pescoço e seguimos juntos até em casa;

- Minha mãe já está em casa, vamos umas oito horas beleza?

- Sim, vou tomar um banho e te espero Max.

- Falou!

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