• @rgpatrickoficial

Louco Desejo - Capitulo 6

Me vejo na parede ouvindo isso de Pedro, afasto na cadeira dizendo;

- Não! Você não é o problema Pedro, não fico confortável com esse tipo de trabalho. É isso. Eu não irei fazer, obrigado.

O silencio fica na sala, e Rosangela vira a cadeira para mim;

- Temos um contrato, e de acordo com ele, existem trabalhos que você tem a obrigação de aceitar.

- Oi?

- Bem, temos que ir... O projeto está com vocês. – Os empresários se levantam. – Sabem o que fazer e quando fazer. Aguardamos... – Eles falam praticamente juntos.

Saem da sala, seguidos do assessor acho eu. E então aproveito estar mais à vontade e tento entender o que estava acontecendo ali;

- Tenho o direito de recusar trabalhos Rosangela. Eu sei disso, eu li isso.

- Quando a agencia concorda Matheus.

- Não podem me obrigar a fazer isso. – Olho para o Alexandre.

- Obrigar não! Matheus é uma visibilidade gigantesca, para nós e para você. Não faz ideia o quão sortudo é de ter o Pedro para fazer isso com você. Desculpe, mas nós vamos seguir com esse projeto. Se não houver sua resposta até as oito de amanhã, tomaremos as providencias judiciarias.

Nem fiz questão de pegar o contrato da proposta do trabalho. Me levantei, saindo puto, pisando fogo daquele lugar.



#PEDRO



Você identifica um filho único, e mimado assim. Quando não aceita algo e sai todo emburrado.

Confesso ficar meio que sem graça, e sem jeito naquela mesa, quando ele faz isso;

- Aguardamos ele Pedro, nos, mas você está confirmado, iremos passar dados bancários para a empresa, e nesse tempo Alexandre trabalha na campanha. Agora deixem me ir, parece que tenho um filho para criar. – Rosangela se levanta, passando os dedos, arrumando seu cabelo.

Com os cotovelos na mesa, olho para Alexandre que acompanha, ela sair da sala;

- Relaxa, isso é toda reunião, acredite já houve piores. – Ele sorri.

- Não, meu Deus, não tem como ter piores.

- Uma vez eles brigaram que eu achei que sairiam nos tapas.

- Ah então ela está acostumada, já.

- Sim.

Ele puxa minha cadeira me beijando, na boca e pescoço, eu me desvio;

- Para é seu local de trabalho. – Eu me levanto.

- Vai para a loja?

- Sim.

- Com esse dinheiro que vai receber pode abrir uma loja só para você, rsrs.

- Sim, e também posso pagar minha faculdade completa.

- É isso também.

Me levanto, com aquela quantidade de papeis, vou até a porta, ele pega o tablete e olho para Alexandre questionando;

- Será que ele vai aceitar?

- Sim, depois eu falo com ele.

Afinal de contas, parte do meu dinheiro depende do sim, ou não do Matheus.

Fui trabalhar então, de verdade, pois aquela história de agencia, de foto, de trabalho, de campanha não estava me descendo muito bem, acho que só acredito com o dinheiro na conta, rsrs.

A Dona Giza não estava na loja na parte da tarde, assim como o Matheus, então aproveitei para estudar um pouco mais sobre isso de campanha e tals.

Por volta de três e meia da tarde o Lucio, meu colega da boutique do lado aparece;

- Cheguei! – Ele entra todo pomposo.

- Que isso menino... Intervalo é? – Pergunto de trás do balcão.

- Sim, aquela vaca chegou para eu tirar meu horário. Aff trabalhando igual gente grande. – Ele encosta o cotovelo no balcão.

- Sim, nem é início de mês, e o movimento está muito amigo.

- E você como está? AI amei essa blusinha, é da nova coleção? – Ele vai nas araras.

- Sim, linda né.

- Amei. Ah me conta como foi a tal reunião surpresa? Tu saiu lá de casa correndo.

Aproveitei o horário tranquilo da loja e contei todo o babado que foi a reunião.

- (...) se achando o Reinaldo Gianechini, levantou e saiu pisando fogo.

- Aí Pedro, queria aquele homem pisando em mim, rsrs.

- Me poupe Lucio.

- Amigo, olha para mim, serio, ele pode ser o hétero chato, e meio burro, igual todos. Mas é lindo demais. Aquilo passa naquela roupa de pedalar na frente da loja até troco errado eu passo.

- Para, ele não é tudo isso.

- Fala assim porque está com boy novo.

- Também.

Nessa tarde no fim do meu expediente, eu passei na casa da Dona Giza, torcendo com os dedos para não encontrar com o Matheus.

Quando entrei ela estava na cozinha, e no corredor escuto a voz dele no seu quarto. Passei até duro pela porta que estava fechando, ele estava de costas passando a mão e só de cueca. Sabe aquela maldita Calvin Klein que marca até a alma, pois! Uma de tecido preta com a faixa prata.

Mas olha que nem isso me chamou a atenção, e sim, a voz de Alexandre lá dentro;

- Alexandre está aqui? – Apareço na cozinha gesticulando para ela.

- Sim, Matheus está bravo de novo com a Rosangela, eu não sei não. É só briga esses dois, chegou muito bravo, falei para ele parar com isso de modelo, mas não, gosta de aparecer. É idêntico ao pai.

- Olha aqui está o livro de fechamento de caixa, e o balanço de hoje. – Deixo em cima da mesa.

Louco para ir embora, ela olha as páginas;

- Gente, mas estamos em um ótimo mês em?

- Sim, sim.

- Logo terei que ir novamente buscar mais mercadorias.

- É também acho, aquelas jaquetas mais claras foram todas na primeira semana.

- Sim, Pedro, amei todas, rsrs.

Com uma mentira disfarçada de desculpa fu embora. E nem depois fiquei sabendo a pauta da conversa de Alexandre e Matheus. Algo eu tinha certeza, era sobre as fotos.

Dia seguinte eu cheguei na loja bem cedinho, e ainda abrindo a porta o Matheus chega, de bermuda, mochila nas costas e fones de ouvido.

Ele abaixa e me ajuda a subir as portas, sem nenhuma palavra. Eu entro, ligando as luzes e desligando os alarmes, ele coloca o tapete e liga a plaquinha de loja “Aberta”.

No caixa eu ligo o computador e ele se aproxima, deixa os fones no balcão, e tirando os fios de dentro da camiseta diz;

- Pedro, eu tive uma conversa com o Alexandre ontem.... Irei fazer as fotos.

- Tudo bem.

- Não fiquei bravo por ser você, fiquei bravo de como eles estavam...

- Matheus, não precisa se explicar, tudo bem. Fico feliz por você. – Abro um sorriso falso.

Ele respira, passa a mão no bigode que se formava e fala;

- Estou tentando entender o que foi com você, mas está foda viu. – Matheus pega os fones e o celular.

- Eu sou o mesmo Matheus, não mudei nada.

- Desde a noite no acampamento, foi Bruno sair com a mina e tu mudou comigo...

- Oi? – Chego a me aproximar?

- Sim, no acampamento!

- Você disse que não se lembrava daquela noite Matheus. – Digo gesticulando com a cabeça.

Seu olhar fixo, se torna perdido, perdido em suas próprias palavras e ações. 

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