• @rgpatrickoficial

Louco Desejo - Capitulo 5

#Mateus

“Nunca mais eu bebo na vida”. Disse isso antes mesmo de abrir os olhos.

Acordo, ouvindo som dos pássaros, algumas vozes falando baixo para não acordar o resto do acampamento. Só pela brisa fria entendi que era cedo, não sei como na verdade, pois nem me lembro a hora que dormi.

Sentei no colchão, devagar para não acordar o Pedro, mas ele já estava de olhos abertos;

- Bom dia. – Falo a ele.

- Bom dia. – Pedro coloca a mão em minha coxa.

Eu tiro rindo;

- Ei que isso, querendo aproveitar de mim? Não cumpriu sua promessa ainda.

- Ué mas e ontem? – Ele fala se sentando na cama.

- O que tem ontem?

- Não se lembra de nada?

Parei, fiquei meio pensativo e respondo;

- Que estávamos bebendo com os tios.... Lembro disso. Porque eu fiz alguma merda?

- Nada relaxa.

- Ok.

Saímos praticamente juntos da barraca, e depois de escovar, tomamos um café dos fortes.

Sentados comendo, vejo o Bruno sair de dentro da barraca acompanhado de uma mina;

- É aquela de ontem? – Pergunto empurrando o Pedro.

Ele olha, e confirma;

- É sim.... Não se lembra da noite, mas se lembra dela? – Ele indaga.

- Como esquecer uma gostosa dessa? – Falo sorrindo.

O típico levantar de olhar e movimento com a cabeça.

Terminamos o café, e eu fui lavar minha bike, pois a galera estava por levantar e ir comer.

Na agua corrente do rio, que estava na altura do meu joelho, vejo o Bruno as margens, com um pão e um copo pela metade de café;

- Matheus não está com sono não? – Ele fala mastigando.

- Sim, olho ardendo, mas a vontade de pedalar é maior... E você que sorriso é esse? – Eu vou saindo com a bicicleta.

- De quem deu uma bem gostosa ontem à noite.

- Que isso em rsrs. – Falo sorrindo.

- E! Calma aí. – Ele me toca, olha, afasta, com um sorriso malicioso.

- Você também deu uma ontem né? Seu safado...

- Não, com quem? Dormi com o Pedro.

- Com ele ué.

- Não, não.

- Se não foi vocês, alguém foi, pois, a noite foi boa para alguém nesse acampamento. – O Gilson comenta, um dos caras mais velhos do pedal.

- Como assim? – Bruno fala.

- Nada, só comentando. – Ele ergue as mãos. – Ouvi uns gemidos ontem e não foi de animal nenhum, rsrs.

Não só o Bruno, como eu também ri bastante, e ficamos tentando descobrir, quem foi, rsrs. Pois havia quase 7 barracas armadas.

Olha, na programação o primeiro pedal do dia, iria iniciar as oito da manhã, estávamos prontos as dez. Somente duas mulheres ficaram, pois estavam de ressaca, e com a desculpa de prepara algo para comermos. Mal sabia elas que todos estavam carregados, afinal de contas, sabíamos o que iriamos enfrentar.

Contando assim, pode ser que não acreditam, mas seguimos passando, e fazendo paragem em mais de 12 cachoeiras. Elas seguiam o rio ao redor da serra, era uma parada, uns mergulhavam, outros se refrescavam, e seguíamos. De mata fechada e aberta. De pedras no chão a areia, entre subidas e descidas. Foi a melhor, e mais longa trilha que já fiz na vida.

Bruno me fazendo companhia, um dando forças ao outro, pois eu estava MORTO. Pedro cheio de energia e bem alegre, seguiu praticamente todo o dia com o novinho que estava entre a turma, cheio de sorrisos e toques.

Almoçamos em uma pousada que havia entre os caminhos, e seguimos.

Olha, nosso dia terminou por volta de sete da noite, quando estávamos voltando. Pedalamos sim, e muito, mas foi também uma trilha andando, foi um contato imersivo na natureza, algo que nunca havia experimentado com tanta INTENSIDADE.

No acampamento foi briga para tomar banho, pois a única coisa que queríamos era dormir.

Não irei narrar o ultimo dia pois foi mais do mesmo, e não vale a pena.

Para situar melhor todos, vamos avançar uma semana para ser mais exato...

De volta a rotina, de academia, trabalho na loja da minha mãe e na agencia, as conversas com o Pedro voltaram a ser, profissionais, estávamos tanto nessa vibe que eu tive que chegar nele.

Hoje treinei pela manhã, pois iria cobrir a tarde na loja. Sai da academia de mochila nas costas, tênis e bermuda, sem camisa por causa do calor insuportável que estava. Quando entrei pela porta aquele ar condicionado veio em mim, como uma onda.

Parado debaixo da cortina de ar, de braços abertos, eu estava com a porta aberta;

- Fecha isso Matheus. – Escuto minha mãe.

Entrei e ela estava arrumando umas peças a esquerda, em uma arrara mais alta, sob uma escada. E o Pedro fechando seu caixa;

- E ai. – Falo colocando a mochila no chão.

Ele me ignora e continua contando o dinheiro, abaixo pegando uma agua, onde eles guardam e fico parado olhando para ele;

- Que foi? – Pedro fala como se nada tivesse acontecido.

- Você que me diz, falei com você e me ignorou. – Digo abrindo a garrafa.

- Cabeça longe, que falou?

- Nada.

- Vai se trocar Matheus, sabe que não gosto que fique assim na loja. – Minha mãe, arruma os óculos me olhando lá de cima.

- Acho que vai vender mais se eu ficar aqui.... Posso atender assim, que acha? – Falo passando a mão na barriga.

- Posso deixar a loja aberta até mais tarde então, que você acha? – Ela retruca.

- Nem sabe brincar, já vou me trocar. – Abaixo pegando a mochila.

Pedro estava ao celular, e nem havia escutado uma palavra do que eu tinha dito. Eu bato na mesa e ele se assusta;

- Que isso menino! – Ele fala bravo.

- Está viajando hoje em. – Falo rindo.

- De novo Pedro.... Está impossível hoje. – Minha mãe reclama.

- Desculpa Dona Giza. – Ele diz rindo.

- Que foi? Não sai do celular é? – Pergunto, pois eles riram juntos como uma piada interna.

- Sim, depois que começou a namorar está ai, não quer mais saber de trabalhar. – Minha mãe vai descendo das escadas.

- Hum, namorando! Quem é o sortudo. – Eu coloco os ombros no balcão.

- Não é da sua conta. – Ele diz bem seco.

Chego a piscar o olho, que estavam encarando fixamente para ele;

- É o bonitinho do seu serviço. – Minha mãe passa colocando a mão em minhas costas.

- Quem o modelo novato lá? Aquela mulher, rsrs. – Falo tentando tirar com ele.

- Não, o fotografo. – Ela responde.

- Dona Giza. – Ele briga.

- Alexandre? – Pergunto.

Pedro responde com um sorriso positivamente, eu surpreso falo;

- Ele é gay?

- Parece que sim, porque estamos juntos. – Pedro devolve o olhar.

- Porra pensei que era hétero.

- Matheus cliente, sai daqui. – Minha mãe me empurra para os fundos.

Passei a tarde praticamente trabalhando sozinho na loja, e olhem que trabalhei para três, era gente no caixa, querendo provar roupa, querendo ouros tamanho, serio, foi uma loucura.

Tanto que acostumado a fechar por volta de cinco da tarde, fiquei praticamente uma hora e meia a mais. A parte boa que com isso, bate a minha meta de vendas do mês, isso era bônus, era mais grana no final.

No quarto depois de tomar um banho, minha mãe não estava em casa, o Bruno liga;

- Ou mano... – Ele grita e depois começa a falar com alguém, estava em um local muito barulhento.

Eu nem respondo, fico aguardando, enquanto escolho a roupa para vestir.

- MATHEUS!

- Para de gritar porra. – Falo alto.

- Rsrsrs, foi mal... Ou está onde?

- Em casa.

- Chega aqui no J10 mano.

- Está bebendo em uma terça-feira?

- Sim... estou com a galera do pedal. Vem logo, te esperando.

- Mas o Bruno... – Ele desliga na minha cara.

Eu estava com uma preguiça, olhando no espelho, e pensando, ir ou ficar em casa?

Acho que a preguiça era de me arrumar, coloquei uma camiseta cinza, que destaca meus olhos, um colar mesmo, bermuda e tênis, nada demais.

Chamei um UBER e fui para o tal bar J10. É o point de cidade pequena, sempre as mesmas pessoas, mas sim, um local excelente para beber tranquilo e tals.

Quando cheguei, o Bruno estava sentado com uma imensa mesa na calçada, tinha umas dez ali sentado.

Atravesso a rua, e eles já fazendo barulho. Vou cumprimentando, um por um, e com aquela bagunça, havia uns lugares vazios.

Eu sentei ao lado do Bruno, que já me serviu um copo.

E então Pedro pede licença, passando atrás de mim;

- Puxa a cadeira Matheus. – Ele coloca a mão em meu ombro.

Eu me levanto para ele passar, mas fico totalmente surpreso ao ver o Alexandre com ele, de mãos dadas e tudo.

Não sei se já comentei com vocês, as ele e um cara presença. Cabelo sempre arrumado, braço tatuado, com relógio e colares grandes, cheio de fotos sem camisa no instagram.

Ele ficou sem graça ao me cumprimentar, e ainda mais sentando do meu lado. Pedro estava com o típico moletom, e de cabelo todo ajeitado, e com um pirulito, comentei, pois, sua boca estava muito rosa, como se tivesse usado batom.

Eles se sentaram, começamos a beber, e conversar, eu mais afastado, pois eles pareciam que se conheciam a anos. De caricias e toques, sorrisos e abraços, e claro beijos.

Bebendo e o assunto eram as “resenhas” da viagem, e entre conversas o Alexandre me cutuca;

- Ei Pedro te contou a novidade mano?

- Não, Pedro não anda falando comigo direito. – Falo bebendo um gole, olhando para eles.

Que somente faz o que? Se pensou viradinha de olhos e cabeça, acertou!

- É o novo contratado da Rosangela.

- Oi? – Arregalo os olhos.

- Sim, ajudei ele com um book, e apresentamos, já tem até serviço.

- Traindo minha mãe é? – Falo brincando, deixo até um sorriso no final, para não parecer rude.

- Você também tem dois serviços e nem por isso te chamo de traíra. Mas pode se despreocupar. É só enquanto estou de férias da faculdade.

- Não estou preocupado, vai demorar muito para chegar ao nível do papai aqui. – Bato no peito.

- Acho que não. – Ele responde voltando o pirulito na boca.

Eu não sei dizer o porquê na verdade, é algo que não consigo explicar direito, mas com duas garotas solteiras na mesa eu fiquei encarando tudo que Alexandre fazia com ele, absolutamente tudo. O que passou pela minha cabeça, é que possa ser um ciúmes de amigos, afinal de contas nos conhecemos a tanto tempo.

Mas ciúmes nunca me tirou o sono, como essa noite.

De folga da agencia e da loja por ter batido minha meta, queria passar meu dia no clube, aproveitando sem nada na cabeça.

Mas por volta de oito e meia, logo quando acordo, estava jogando ao celular quando meu o número da Rosangela chama;

- Oi!

- Bom dia, Matheus. Tudo bem!

- Sim, ótimo e você?

- Bem também.... Está na loja?

- Na verdade estou de folga.

Ela faz um barulho com a boca, e eu já puxando a toalha e me levantando;

- Olha, preciso de você na agencia, posso mandar um carro te pegar?

- Pode sim, vou me trocar.

- Obrigada.

Ser modelo quase que exclusivo da agencia de dá alguns pontos positivos, mas claro, os negativos estão aí para quem duvida. Estar a hora que quiserem e onde quiserem. Aceitar alguns trabalhos, que sejam tanto quanto, humilhantes, mas a grana cobre esses “empecilhos”.

Cheguei na agencia, cumprimentei as recepcionistas e segui para a sala de Rosangela, no grande corredor de mesas, vejo pessoas dentro de outro local, onde fazemos as reuniões de negócio.

Meu olho fixa em Pedro que estava assinando algo, pensei comigo; “Tem treta a caminho”.

Entrei na sala com a Rosangela de pé, toda amorosa e carinhosa, ela literalmente pega em minha mão e leva apresentando as pessoas da mesa.

Dois se destacavam, um mais magro e pouca barba, outro mais forte e careca, de óculos escuro, isso em uma reunião.

Eu me sentei do lado do Pedro e esses dois ficaram de olho vidrado em mim, eu fiquei mega incomodado.

Até porque não participava de reuniões com os clientes, eram enviados vídeos e fotos e aceitavam ou não;

- Bem... Matheus antes de você chegar, estávamos adiantando o assunto para o Pedro, mas já que estão aqui... o Alysson e o Alfredo são proprietários de uma marca de roupas masculinas, camisetas, bermudas, mas suas especialidades são cuecas....

Ela explicando, e eu só de olho, eles olhando a gente e ambos, imóveis;

- A nova campanha de comemoração ao mês do orgulho LGBT, pensaram em fazer um ensaio. Tendo como o público maior deles são gays, estão investindo pesado nisso. E depois que divulgamos o Pedro como novo contratado eles pediram uma reunião. Mas aqui.... – Ela ainda falava, mas coisa cortada.

O Careca todo cheio de jogos de mãos e sorrisos diz;

- Não resistimos quando vimos suas fotos... Era sim para ser somente um garoto e todo o projeto vai ser mudado, queremos você na campanha.

- Eu ou o Pedro? – Falo confuso.

- Os dois. – Rosangela diz.

- É uma campanha gay, no mês de orgulho LGBT, e Matheus é Hétero. – Alexandre conscientiza eles.

- Eu não tenho nada contra, Pedro é uns dos meus melhores amigos, mas Alexandre está certo, poderiam arrumar outro para fazer parte da campanha.

Eles olham para Rosangela, que chega a tirar os óculos;

- Pensamos nisso... Além das fotos e vídeo promocional, queremos um beijo de vocês, para acabar com esse tipo de dúvida. – Ele gesticula mostrando Alexandre.

- Acho que não. – Eu falo.

- A grana é boa, muito boa. – Rosangela diz.

- Você aceitou? – Olho para o Pedro.

- Eu sou gay, agora modelo, porque recusaria?

- Ótimo, eu não aceito, obrigado.

- Matheus, é muito dinheiro. – Ela insiste.

- Não é pelo dinheiro. – Respondo.

- É por minha causa então Matheus? – Pedro me olha. – O problema é o beijo ou me beijar?

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