• @rgpatrickoficial

Louco Desejo - Capitulo 22


A enfermeira que cuida dele, aparece rápido no quarto;

- Que aconteceu? – Ela me olha no chão.

- Ele mexeu, o Matheus mexeu. – Me levanto com a sua ajuda, apontando para a cama.

- DOUTOR! – Ela fala mais alto.

O medico plantonista da tarde, aparece na porta, meio bravo;

- Isso aqui é um hospital, não um hospício. – Repreende pelos gritos.

- Doutor ele se mexeu. – Olho para ele.

Com o estetoscópio ele se aproxima de Matheus, faz uns exames rápidos, e com uma pequena lanterna, confere os olhos ele, falando comigo;

- Tem certeza?

- Sim, senhor.

- Como foi? – Ele ia passando a mão e pegando em todos os músculos.

- Eu estava sentado, e sua mão se mexeu, tentou pegar a minha.

- Pedro, tem certeza que não foi um espasmo, você que o tocou? – Ele me olhou.

- Não estou doido doutor. – Respondo sério, assim como ele fala comigo.

- Chame minha equipe, vamos levar ele. Mande preparar a sala de ressonância. – Ele começa a tirar os aparelhos.

Mais enfermeiros entraram e levaram Matheus para mais uma bateria de exames.

Eu não parei de me tremer, tive dificuldade até para pegar no celular e ligar para Giza. E sinceramente quase matei a mulher do coração, falando isso.

A pobre coitada, chegou no hospital aos prantos, desesperada. Eu estava no quarto dele, quando ela entra;

- Cadê ele?

- Levaram para exames.

- Me conta, como foi filho?

- Eu estava lendo o livro para ele... – Aponto para cima da poltrona. – Ele meio que apertou minha mão.

Demorou uma hora e meia, e vimos a movimentação em um dos elevadores, o médico volta, trazendo a cama. Dona Giza barra eles na porta do quarto, querendo ver seu filho.

Ele é colocado de volta, como estava, e o Doutor pede a equipe para sair, e conversar conosco.

Ela sentada segurando a mão dele, e eu de pé. O doutor coloca um dos exames naqueles quadros brancos, e começa a falar uns termos técnicos;

- (...) E isso quer dizer que sim, ele respondeu. Matheus está lutando ai dentro... Mas peço que segurem as expectativas, não está descartado o quadro de coma, isso é o que temos agora... Os exames foram positivos, e seja lá o que você fez, ele gostou. – Ele me olha.

Lagrimas desceram, silenciosas em meu rosto.

Dentro de mim, e de Giza existem duas chamas de esperanças, elas são intermináveis. Mas sim as vezes ventos fortes batem nelas, e elas quase apagam, as vezes diminuem, as vezes ficam mais fortes, como incêndios. Como também se vê um ponto de luz, bem pequeno e discreto. Mas nunca, nunca se apagam.

Eu ouvi durante meses, de amigos, conhecidos e algumas pessoas improváveis, o que eu estava fazendo aqui, porque estava segurando a mão de Matheus, perguntavam de onde vinha minha dedicação, minha vontade de estar ali, nunca soube responder... Mas acho que mesmo nessa situação, nesse estado, ele irradiava a mesma quantidade de amor que eu “doava” a ele, era e é mutuo.

Passamos a noite acordados, segurando a mão dele, na esperança de algo. A equipe medica, acompanhando a cada trinta minutos. No segundo dia, elas vinham a cada duas horas, e no terceiro dia, tudo voltou ao normal.... Menos eu e Giza, estávamos mais dedicados, mais esperançosos.

Quarto dia, eu estava com a ela no quarto, pouco antes de sair, isso após o almoço, conversávamos, e meio que “trocávamos o turno”;

- (...) Tem que fazer sim algo especial Pedro, é seu aniversário, e não vai fazer nada? – Ela colocava o casaco.

- Não sei Giza. Acho que o máximo um jantar, ou almoço no domingo. Não estou com cabeça para festa sabe. – Me acomodo ao lado de Matheus.

- Eu te entendo querido, esse tipo de coisa, é bom comemorar, é seu aniversário. Lembra no meu? Fazemos festa na loja, em casa, e aqui.... Quando eu pensei que iria festejar em hospital, rsrs.

- Eu vou pensar... Lucio falou a mesma coisa sabe...

- Pensa Pedro, pensa com carinho.... Olha vou ir no banheiro, antes de ir para a loja. – Ela sai do quarto.

Olhei o livro que li para ele aquele dia, estava ao seu lado no canto. Puxo a cadeira para mais próximo da cama, e coloco a cabeça no colhão fofo, sua mão frente ao meu rosto, fiquei com a boca em seus dedos, minha respiração muito perto. Respirei fundo pensando no que Giza disse, sobre comemorar o aniversário, que estava próximo.

Não sei ao certo quanto tempo fiquei assim, “pensativo”. Meus olhos em sua mão, aguardando alguma resposta, seja ela qual for.

Me ajeitei na cadeira, pois minha posição, acabou a afastando um pouco, puxei, e iria voltando minha cabeça para o colchão, e vejo aqueles olhos azuis do Matheus me olhando.

Eu juro, que coloquei a cabeça no colchão. 1 Milésimo de segundo.

Me levanto rápido.

Seu rosto de lado, me olhando, ele estava me olhando. Eu subi na cama, abraçando ele, e segurando firme, beijando seu rosto. Ele sem reação alguma, mas de olhos abertos;

- PEDRO. – Giza grita comigo.

Eu estava em cima do filho dela.

Porra!

Eu desci, e ela em choque ao ver que ele estava de olho aberto.

Que cena.

Ela se aproximou devagar, bem devagar, na mesma velocidade, Matheus virou o rosto para a direita, sua mão também, se levantou vagarosamente. Giza segurou e passou a mão no rosto dele.

Matheus estava com lagrimas nos olhos, ela deita a cabeça ao lado da dele e chorava de gritar. Somente olhando, chorando, mas sem alguma palavra.

Duas enfermeiras aparecem na porta da sala. Uma empurra a outra;

- Chama o Doutor. RAPIDO.

Ele movimenta a boca, mas não sai som algum;

- Calma. Calma. Calma filho, não faz esforço, por favor. Fica quietinho. – Ela passava a mão em seu cabelo.

- Não acredito! – O Doutor aparece na sala.

Chega mais uma dúzia de médicos na sala, ficamos ao lado de fora, pois eles ficaram com Matheus ali dentro mesmo.

E de novo, sai aquela tropa do quarto, levando ele. Mas dessa vez, ele estica a mão, entre os médicos e Giza segura. Eles afastam ela aproxima abraçando ele de novo;

- Vai la querido, eu estou aqui esperando. Vai com Deus, vai ser rápido. – Escuto ela falando.

Giza afasta, mas sua mão continua ali, a maca movimenta um pouco, eu pego a sua mão. Matheus aperta, e fala;

- Eu te amo! Eu te amo tanto. – Saiu falhada, seca e arranhando. Mas ele falou.

Nada explica o que eu sentia nesse momento, NADA.

Dessa vez, ele volta mais rápido para o quarto. Todos os médicos do prédio a todo momento estavam vindo fazer perguntas, ele foi medicado, e então podemos ficar com ele, eu Giza e Matheus.

- Ele está fraco, então segurem as emoções, por favor. – O Doutor sai rindo.

Eu estava com um copo de agua, com um canudo, ele estava com muita sede, a todo momento;

- Mãe não chora.

- Eu estou tentando Matheus. – Ela fala rindo.

- O Guilherme... O meu amigo, cadê ele? Está bem? – Matheus me olha.

Que coisa, eu olhei para a Giza e ela pergunta;

- Filho, você faz ideia de quanto tempo ficou aqui?

- Quanto?

- Sete meses querido.

Ele olha para cima, respira fundo, e volta a me olhar;

- E ele?

- Guilherme não aguentou, ele faleceu Matheus. – Eu respondo.

Ele tenta levar a mão no rosto, mas estava com um dos aparelhos no dedo. Eu então limpo seu rosto, e era visível a dor que ele sentiu nesse momento.

Ele me olha, e fica por minutos, olhando;

- Que foi? – Pergunto.

- Me beija.

- Matheus sua mãe. – Fico vermelho.

- Pedro me beija.

Eu chegava perto dele e me emocionava. Dei um selinho em sua boca, mas ele movimenta sua cabeça, tentando fazer força para continuar, eu então toco minha língua na dele. Afasto olhando aqueles olhos brilhantes me encarando, seus sentimentos eram transmitidos pela proximidade.

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