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Louco Desejo - Capitulo 20


~PEDRO


Sem ninguém atender Giza, ela bateu o pé que queria ir para o hospital da cidade. Entramos no carro da minha mãe, eu fui atrás com Giza, e minha mãe liga a chave saindo. De automático o rádio ligou junto;

“- (...) Houve sim um acidente aqui na Serra, foi com uma turma de cliclistas, que passavam na trilha da cachoeirinha, uma das mais perigosas aqui. O corpo de bombeiros está fazendo a remoção e transporte dos feridos, com a ajuda do helicóptero da corporação.

- Por favor a todos que estão percorrendo as vias que dão acesso a serra, abrem caminho para os socorristas, que não temos informações de quantos feridos, assim não atrapalham o trabalho do corpo de bombeiros.”

No caminho para o hospital, ficamos extremamente preocupados, e apreensivos, eu fui todo o caminho ligando para o Matheus, e nada.

Quando chegamos, eu fui correndo para a recepção, mas eles não tinham informações, afinal as vítimas ainda não haviam chegado. O que restava era esperar, e ligar, sem parar para todos que eu conhecia que poderia estar no local.

E então o pior.

As sirenes era possível ouvir de longe e quanto mais se aproximavam mais o coração disparava. Eu me levantei, aproximei da janela que tinha visão da rua.

Uma das motos dos socorristas param bloqueando o transito. Logo outra moto liberando o espaço para entrar dentro do hospital. De onde eu estava era possível ver alguns enfermeiros chegando para olhar, eles colocavam as suas luvas olhando para a rua.

E então a primeira ambulância, com escolta de mais duas motos, acompanhando. O carro branco com vermelho era possível ver que estava com ambas rodas sujas de barro.

As sirenes tocando dentro de nossa mente, chegou mais uma ambulância. Um carro da polícia em seguida, e outra ambulância, essa do corpo de bombeiros.

A quantidade de pessoas na sala de espera, triplicou. E nada de informações.

Até eu conseguir falar com Bruno, estava ligando, mas o telefone dele só fora de área.

- Pelo amor de Deus, onde você está? – Chego a me levantar de preocupação.

Eu escutava no áudio seta de carro, e ele grita comigo;

- ONDE VOCÊ ESTÁ? VAI PRO HOSPITAL AGORA!

- Eu estou no hospital.

- Pedro foi o Matheus.... Foi ele... – Bruno mudou totalmente a voz, eu senti o nó de sua garganta na minha. – Mano foi o Matheus.

Eu desci o celular segurando ele no peito e meu corpo começou a tremer todo. Eu sentia como se chacoalhasse no ar.

Minha garganta queimando e as lagrimas explodiram em meus olhos. Sem falar nada, sem aproximar, Dona Giza me olha de longe e começa a chorar ali mesmo.

O tempo de eu me levantar, e sentar ao seu lado, Bruno entra pela porta do hospital.

Sujo de barro, com a roupa respingada e marrom, ele estava chorando, olhos e rosto inchados.

Ele aproxima de braços abertos, ajoelhando frente a Giza;

- Eu quero meu filho... Bruno cadê meu filho? – Ela abraça ele.

Tremendo assim como eu, Bruno estava desesperado;

- Você estava lá? – Minha mãe pergunta.

- Não, eu cheguei junto com os socorristas... Mas... Mas foi o Guilherme e o Matheus que caíram em uma das “ribanceiras” que tem lá. Os meninos sentiram falta deles e voltaram... Eu cheguei o mais próximo que pude, mas, não consegui ver.... Ninguém chegou perto.

Ficamos por cerca de uma hora sem noticia alguma, muitas pessoas dentro, esperando, e ao lado de fora.

Até que um médico aparece com um papel, todo mundo aproxima dele com fervor, o que ele dizia não era possível escutar, então, ele puxa uma cadeira e literalmente grita atenção;

- Se continuarem eu entro e fico sem falar, por favor, ordem. – Ele levanta a mão chamando a atenção de todos. – Tenho quatro feridos, e só quero que fique aqui, os familiares dessas pessoas. Eu vou falar o nome, e vocês se identificam no balcão. Ok. Guilherme Dantas. Matheus Feraz. Rian de Oliveira e Carlos Alberto. Os demais por favor, respeitem o momento das famílias.

Minha mãe, identificou a gente, e credenciou para que o doutor pudesse falar. Ele chamou primeiro a família do Guilherme.

De pé, frente a porta eles conversavam de longe. Mas já tínhamos ideia do que estava sendo dito. Ao juntar os lábios, a senhora a sua frente desmaia, ela rapidamente é amparada pelos familiares ao redor, que começam a chorar. Guilherme estava morto.

Ele então depois de consolar a família e passar os procedimentos, vem em nossa direção. A primeira coisa que pergunta;

- São familiares do Matheus Ferraz?

- Sim. – Giza responde. – Como está meu filho?

- Ele está em cirurgia senhora. Houve um corte e Matheus quebrou algumas costelas. Algumas escoriações e ele bateu com muita força a cabeça. O quadro é instável, e como ele está no processo cirúrgico não tenho mais informações. Olha, qualquer novidade eu tenho comunicar a vocês tudo bem? – Ele pega na mão dela.

Guilherme e Matheus sofreram o acidente, um dos ciclistas que chegou primeiro, tentou ajudar, mas também se machucou, e um dos socorristas. Porém o quadro crítico até então era de Matheus, e claro para a família de Guilherme.

Com o passar das horas, recebíamos mensagens, ligações e visitas de amigos. Lucio foi um deles, que desde que chegou, se sentou ao meu lado, e não soltou minha mão.

Sete e cinquenta e dois da noite, quase oito horas de cirurgia, estava eu sentado com Lucio a minha esquerda, Giza a direita, minha mãe ao lado dela, o Bruno atrás, com seus pais que vieram visitar e dar forças.

Todos, sem exceção olhando para aquela porta, e esperando o médico que veio mais cedo falar conosco. A cada cinco minutos alguém de nós estava de pé, falando com uma das recepcionistas.

A porta se abriu. Todo mundo ficou de pé ao ver o médico. Ele sem touca, com o semblante cansado, vem em nossa direção. Giza segura em mim e em minha mãe. Eu não consigo explicar aqui, o quão confortante ver um pequeno sorriso no rosto dele;

- Respira Dona Giza, a cirurgia ocorreu tudo bem. – Ele fala se aproximando.

Ela solta o ar forte, como um suspiro guardado desde cedo, Giza abraça ele com força. Eu me sentei como se estivesse sem ar, meu corpo estava pegando fogo, me subiu um ar de esperança majestoso;

- Seu filho está no quarto, estão arrumando ele. A cirurgia foi muito complicada, a equipe assim como ele está desgastado. Mas peço paciência de vocês, foi sim uma queda e ferimentos que poderia ter o perdido. Temos que esperar ele acordar para poder terminar os exames.

- Eu posso ver ele?

- Sim, tome uma agua, um café, vai ao banheiro, que assim que ele estiver no acomodado, peço para buscar a senhora.

Ela o abraça novamente, e Giza segue para a capela, se ajoelhando e agradecendo. E pedindo benção para todos envolvidos.

Acho que eu estava em choque ainda, depois de quase meia hora, a enfermeira aparece, e a chama, Dona Giza e mais uma pessoa, eu entrei junto a ela.

A moça mostrou a porta do quarto, e entrou junto com a Giza, eu parei na porta, não consegui entrar, olhava para o chão. Eu escutei seu suspiro, sua felicidade. Era como se algo me segurasse.

Levanto o olhar para dentro do quarto e vejo Matheus, deitado, de olhos fechados, com aparelhos do rosto, sob um lençol branco, muitos aparelhos ao seu lado.

Me aproximei, lentamente, Giza estava a sua direita, fazendo carinho em seu rosto.

Havia uma faixa em sua cabeça, um pequeno corte próximo ao olho direito. Eu peguei em sua mão, que estava quente, juro, juro para vocês, que esperei um aperto de sua parte. Mas nada.

Nada.

Nunca disse isso a Giza, mas naquele momento era como estar frente a um estranho, não consegui sentir Matheus naquele momento. E isso doeu muito, muito mesmo.

Eu me sentei em uma daquelas cadeiras, duras de hospital, e fiquei com o queixo na cama, segurando sua mão. Eu de um lado Giza do outro.

A todo momento entrava uma enfermeira, e de tempos em tempos um médico.

Fiquei desse jeito a noite inteira, eu vi as estrelas, a lua e o sol nascer naquela janela, na mesma posição. Giza orava de tempos em tempos. Estávamos esperando ele acordar, assim como toda a equipe do hospital.

Mas Matheus não acordou.

As onze da manhã do dia seguinte, eles levaram ele para uma bateria de exames.

O médico voltou no quarto, mas sem Matheus. Eu estava sentado próximo a janela, e Giza ao lado da cama, ele apareceu frente a cama, e se virou para ela;

- Preciso que seja forte.

Eu só fechei os olhos.

- Matheus está em um quadro de coma Dona Giza.

- Coma?

- Sim, vamos fazer exames mais profundos. Mas preciso que sejam fortes, se apoiem. – Ele me olha. – É um momento de luta, e vocês tem que estar fortes, mandando energias positivas para o filho da senhora.

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