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Louco Desejo - Capitulo 19

~MATHEUS


Quando chegamos na loja, tipo, uns cinco minutos atrasados, e os funcionários já aguardando ao lado de fora. Eles nos viram virando a esquina juntos, e já tinha comentários entre eles, tentando disfarçar é claro.

- Bom dia. – Chego falando alto com eles.

- Bom dia. – Todos respondem.

Pedro também, os cumprimenta, pegando as chaves e abrindo a porta, entramos, e todos separaram, para seus afazeres. Eu abri o caixa, e todos, todos eles passando pela a gente ficavam olhando, e encarando.

A senhora que cuida da limpeza da loja, chegou trazendo o “café da manhã”, ela todos os dias, era encarregada de trazer. Chegou indo para a copa, e todos entraram, para comer antes de sair.

Eu como não resisto ao café que ela faz, entrei me servindo, os meninos na mesa, e o como Pedro havia comido ele nem entrou. Os meninos sentados conversando aleatoriedades e eu encostado na pia ouvindo eles.

Pedro aparece na porta segurando uma das caixas;

- Matheus, viu aquela coleção de jaquetas de inverno? As jeans?

- Não, minha mãe que guardou elas Pedro.

Todos ficaram em silencio, olhando para ele, olhando para mim, e eu não resisto;

- Podem perguntar, que querem? – Digo de sorriso aberto.

- Estão namorando? – Já, assim, a primeira pergunta.

Pedro fica vermelho imediatamente;

- Não. – Pedro Responde Rápido.

No mesmo momento eu digo;

- Sim.

Ele arregala os olhos para mim, que respondo somente com um sorriso, e completo;

- A gente está se comendo. – Eu respondo rindo.

- Gente que conversa estranha. – Maria fala assustada.

Abrimos a loja, e eu e Pedro viramos assunto dos meninos durante a manhã.

Minha mãe chegou pouco antes do almoço, e não entendeu nada do que estava acontecendo. Hoje eu fiquei no caixa, e ela ainda comenta;

- Hoje estão todos estranhos. – Ela fala olhando os meninos.

Eu abro um sorriso, que se fecha em seguida. Alexandre entra na loja.

Ele entrou e um dos vendedores foi até ele, me olhando desde que abriu a porta, ele ignora o funcionário e aponta o dedo para mim;

- Quero ser atendido por ele.

Minha mãe sem entender nada, eu até poderia recusar, mandar ele ir embora, ou ignorar. Engoli seco e sai do caixa;

- Cuida para mim mãe.

Vou até ele, olhando em seus olhos e digo;

- Estou aqui, em posso ajudar?

Alexandre fica me encarando, por alguns segundos, era possível ler seu olhar;

- Nada! Eu queria ver a sua cara de pau. Sua cara de mentiroso na frente da cidade inteira. Pensei que você tinha um pouco de vergonha na cara Matheus, mas não tem. Não foi homem para assumir que estavam ficando, sinceramente, vocês se merecem. – Ele com os olhos, se refere ao Pedro.

- Posso ser cara de pau, ser mentiroso, ou sem vergonha como você diz. Mas concordo, a gente se merece. Agradeço por ser isso tudo e um pouco mais, eu estava apostando e apostei certo. Eu ganhei e cara, ganhei a melhor coisa que o mundo poderia me oferecer. Se entende que isso aqui. – Aponto para ele e para mim. – Foi uma corrida, você não perdeu, só não soube jogar.

- Tenho pena de você Matheus.

- Não tenha Alexandre, eu estou melhor que nunca, obrigado pela sua visita, agora te convido a sair, por favor. – Aponto para a porta.

Ele anda uns dois passos de costas, e se vira saindo.

Confesso ter a melhor semana de todas, que eu não tinha vivido a anos. Filme e pipoca com o Pedro. Saindo juntos. Dormindo juntos.

Mesmo trabalhando no mesmo lugar, se vendo o dia inteiro, eu queria estar com ele durante a noite, e dormir junto, tudo, tudo queria fazer com ele.

Na sexta a tarde, logo após encerrar os expedientes da loja, estávamos em reunião na copa, minha mãe parabenizando os meninos, Pedro sentado em meu colo, e todos ao redor;

- (...) Pedro agora conta quem foi que bateu a meta da semana? – Ela olha para ele.

- Haha, pela segunda semana consecutivas, a Mariana de novo, rsrs. Parabéns amiga! – Ele fala batendo palmas.

- Mariana acumula mais cem reais na sua meta mensal, além das comissões. Vão deixar ela ganhar assim meninos? – Minha mãe fala rindo.

Todos zoando a Mari, e Pedro comenta;

- Ah gente, na segunda-feira o Lucio começa conosco, vai fazer parte da equipe, e se a Dona Giza me dá espaço, gostaria de pedir companheirismo e paciência com ele, até que pegue todo o trabalho.

- Claro Pedro, vamos estar com ele e ajudar com o possível.... Bem gente era isso, podem ir, estão dispensados. – Minha mãe cumprimenta a Mariana. – Parabéns Filha.

Os meninos vão saindo e cumprimentando a mim e a Pedro, pegando na mão, e saindo.

Minha mãe se sentou, enquanto eles se trocavam nos fundos e pegavam seus pertences;

- Que semana em. – Ela diz.

- Sim, que semana, Dona Giza. – Pedro se levanta. – Café Matheus?

- Sim, por favor.

- Sai desse celular menino. – Minha mãe joga uma bolinha de papel.

- É o Instagram da loja, está indo de vento e poupa. – Falo mostrando as notificações.

- Graças a Deus, tenho você e Pedro, não sei o que faria com isso, esse celular vibra o dia inteiro.

Pedro serve os cafés e volta a sentar em meu colo;

- E os dois, eu já falei, se contenham aqui. – Ela aponta o dedo, olhando sobre os óculos.

- Relaxa Dona Giza, não estamos transando. – Falo apertando ele.

- Mas é o que parece, não desgrudam. – Ela volta para seus papeis.

Eu fiquei respondendo as notificações, e Pedro, trouxe o caixa para a copa, para poder conferir e fechar. Em uns minutos de silencio, eu comento com eles;

- Mãe, que acha de abrirmos uma filial masculina da loja? – Abaixo o celular olhando ela.

Pedro a encara, e Dona Giza sobe o óculos com a ponta do dedo, me olhando;

- Como assim?

- Termos uma loja masculina.

- Mas temos artigos masculinos aqui Matheus. – Pedro comenta.

- Não exclusivos. O feminino é o carro chefe.

- Fala mais. – Ela deixa a caneta na mesa.

- Nossos clientes são maioria maridos das mulheres que vem fazer compras, e namorados, pais e filhos. Homem solteiro tem vergonha de entrar em uma loja, onde a vitrine tem calcinhas entende.

- As calcinhas vendem como agua Matheus. – Pedro explica.

- Olha, estou dizendo em um lugar só masculino, para o público masculino.

- Eu gostei da ideia, gostei muito da ideia. – Minha mãe diz.

- Que acha? – Aperto a cintura de Pedro.

- Excelente, você está certo.

- Vou desenvolver melhor a ideia. – Falo voltando para o celular.

Fiquei com essa ideia na cabeça, borbulhando de coisas para desenvolver.

No sábado Pedro dormiu sozinho em minha cama, pois eu fiquei no computador, estudando e criando tudo, desde layout da loja até mascas que poderia trabalhar, de público até local. Tudo.

Deitei de madrugada nesse desenvolvimento. Iria apresentar na segunda feira para minha mãe e Matheus.

No domingo acordei bem cedo, eu mesmo que fiz o café e busquei o pão na padaria do bairro. Quando voltei para casa, minha mãe estava de camisola na cozinha;

- Porque acordou tão cedo hoje? – Ela fala arrumando os fios do cabelo.

- Tenho tinha hoje, na cachoeirinha. – Coloco os pães na mesa.

- Matheus, eu não gosto que você vai nessa trilha, eu já pedi milhões de vezes filho. – Ela ajeita sua roupa.

- Mãe, Bruno vai estar na turma, e até o Guilherme, conhece ele. Guilherme conhece aquele lugar como a palma da mão... – Me sento com a garrafa de café.

- Ai é que se engana, quando se conhece as trilhas como ele, se fica folgado, não tem atenção onde deveria, pois ele tem confiança.

- Mas não é o intuito? – Tento discutir, mas conhecendo minha mãe, eu tento acalmar ela. – Olha, fica tranquila, já passei muitas vezes lá, ontem choveu, o máximo que pode acontecer é eu chegar sujo de barro.

- Atenção meu filho, pelo amor de Deus. – Ela senta se servindo.

- Bom dia. – Pedro sai do quarto. – Que ele está aprontando agora Dona Giza? – Ele ouvi parte da conversa.

Pedro se senta do meu lado, com minha mãe entregando meus planos.

- Matheus vai para a trilha da cachoeirinha hoje. – Ela fala apontando a faca.

- Aff! Não gosto daquela trilha. – Pedro deixa o celular na mesa.

- Deve ser porque você levou um puta tombo nela né?

- Exato.

Tomamos café, eu fui me trocar, e dar uma olhada na bike, arrumar que precisava, eu estava na área de casa, e minha mãe de roupa trocada aparece;

- Matheus, vai vir para o almoço?

- Sim, almoço em casa. – Olho para ela.

- Vou na feira com a mãe do Pedro, ela vem almoçar aqui então.

- Tudo bem.... Vou ir no carro tudo bem? - Me levanto ajeitando a roupa.

- Pode ir, é aqui no bairro.

Entro colocando minha sapatilha e pego as chaves do carro;

- Matheus? – Dona Giza grita do quarto.

- Oi. – Falo na porta.

Ela dá a volta na cama, e me abraça, muito forte;

- Vai com Deus, que Nossa senhora te proteja meu filho. – Ela fala com uma “força” na voz, como se estivesse me abençoando.

- Obrigado mãe, vou me cuidar.

- Eu te amo, vai com Deus. – Segurando meu rosto ela beija minha testa.

- Amo a senhora também, me espera para o almoço em.

- Pode deixar, vou fazer aquele frango com laranja que você ama.

Vou a porta do meu quarto, Pedro estava com a mochila nas mãos;

- Já vou. – Falo a ele.

- Vou contigo até minha casa. – Ele me acompanha.

Saímos no carro, e como já sabem, Pedro mora perto aqui de casa, no caminho ele foi com a mão sobre a minha, e quando eu paro o carro, me aproximo e dou um selinho em sua boca, ele fica me olhando;

- Eu te amo.

Eu travei naquele momento, um frio subiu em minha coluna, as mãos soaram, e movimento meus lábios, e ele coloca a mão, alguns dos dedos me impedindo de falar;

- Não! Não diga nada, só quero que saiba disso.... Não quero que seja forçado a dizer nada. – Aquele sorriso volta a me beijar, e sai do carro.

Fiquei olhando igual um bobo para ele enquanto entrava. Nem sei como cheguei na serra aquele dia, pois o que ele disse se reproduzia como uma fita em minha mente.

Eu acabei chegando pouco atrasado, com a turma pronta para subir. Isso porque estava marcado as oito, eles ainda me esperavam uns minutos.

A grande turma saiu, e Guilherme me esperou, Bruno faltou de novo. Aquele para madrugar no domingo era uma luta.

Como já foi dito, sim era uma trilha perigosa e tínhamos que ter o dobro de atenção, por isso era sim mais lenta e mais difícil de fazer. A disputa sempre era para quem fazia menor tempo, e quem estava começando sempre queria passar por ela.

Com uma distância considerável de todos, eu seguia na frente de Guilherme, muitas pedras no caminho, chão molhado, pingos ainda caiam das folhas molhadas das arvores. As vezes um calafrio do vento forte.

Na parte amis crítica, uma subida íngreme, com uma cratera ao lado, eu parei aguardando ele se aproximar, pois Guilherme tomou uma distância;

- Temos que ter cuidado nesse ponto. – Ele fala se aproximando.

- Pega um embalo aí, para passar direto. – Gesticulo a ele.

Guilherme veio com toda a velocidade para não precisar descer da bike. Eu aproveito coloco o pé esquerdo no pedal e com força tento acompanhar ele.

Foi menos de um metro, o chão cedeu. Lembro do barulho de galhos quebrando, folhas e gritos de Guilherme. Sinto uma dor forte na cintura, e bato a cabeça com muita força. Essa é a lembrança que tenho.


~PEDRO


Estávamos eu, minha mãe na cozinha de Dona Giza, preparando o almoço.

Eu sentado cortando a salada, minha mãe, temperando o frango e Giza procurando o refratário mais bonito que tinha.

Foi cena de novela, ela pegou uma travessa de vidro grande, se vira toda feliz para mim;

- Essa pertenceu a minha mãe. – Mostra toda orgulhosa.

Foi um segundo! O vidro caiu no chão se partindo em muitos pedaços;

- Meu Deus Giza, se machucou? – Minha mãe olha assustada.

Ela muda totalmente a feição, e se apoia na mesa;

- Minha pressão, acho que baixou...

Me levantei rápido para ajudar ela, apoiei em mim, e coloquei ela na cadeira que eu estava;

- Mãe, pega agua, rápido. Dona Giza que foi? – Seguro em sua mão gelada.

- Meu filho, cadê meu telefone, liga para ele. – Ela passa a mão no corpo, procurando o aparelho.

Dona Giza termina a frase, e um helicóptero passa muito baixo no bairro. Minha mãe traz o celular com ela ligando, e eu sai para fora, procurando a aeronave, era toda vermelha.

Senti um frio no coração quando passa algumas motos do corpo de bombeiros, em seguida duas ambulâncias, e um carro da polícia.

Todos, até o helicóptero estavam indo em direção a serra.

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