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Louco Desejo - Capitulo 16

#PEDRO


Ele me aperta, voltando a beijar, encosto minhas costas em uma das prateleiras, e quando Matheus encosta seu peito no meu, sinto seu coração pulsar freneticamente.

- Matheus você precisa assinar a.... – Dona Giza simplesmente aparece do nada.

Ambos olhamos para ela, que fica branca olhando, com papeis nas mãos, e óculos baixos apoiados quase na ponta do nariz.

Ela só vira as costas para sair. Ele se afasta, assim como eu, sem reação. Giza anda dois passos e volta, ela tira os óculos, e Matheus fica parado bem no meio;

- Desde de quando. – Ela fecha os olhos, passando uma das mãos no cabelo. – Isso está acontecendo? – Ela gesticula com a mão, se referindo a nós.

Eu chego a descer os olhos com vergonha, não por ser Matheus, e sim, por ser no meu local de trabalho;

- Muito raramente mãe. – Ele coloca os braços para trás das costas.

- Eu não me importo que sejam vocês dois... – Ela começa a falar, e já de imediato, Matheus a interrompe. – Mãe não é isso que... – Ela se impõe, muda o tom de voz e ele se cala. – Matheus estou falando. – Ele engole seco, volta os braços frente ao seu corpo, e eu sem conseguir me mover. – Não me importo o que fazem, ou como fazem, desde que seja em segurança. Mas temos regras, aqui ambos são funcionários, você e você. – Ela aponta o dedo para ele, e para mim. – E são obrigados a segui-las. Que isso não se repita no horário de trabalho.

- Me desculpe Dona Giza, não irá se repetir. – Falo de braços baixos, com muita vergonha.

- A senhora está certa, o que fizemos é errado. Desculpa Pedro. – Ele mostra a palma da mão, no gesto.

- Não é errado Matheus, é que você é meu filho, e Pedro o gerente dessa loja. – Ela deixa os papeis na mesa ao lado e aproxima dele. - Como iremos ter respeito dos funcionários, se nós mesmos não seguirmos as regras? Que se lembrem, criamos juntos. Vocês são exemplos, só entendam isso. – Ela bate as mãos nas coxas.

- Desculpe. – Ele repete olhando para o chão.

Giza olha, puxa seu braço e o abraça, ele pouco mais alto que ela, apoia sua cabeça nos ombros, foi um momento bem intimo para eles.

- Eu te amo filho. – Ela com a palma da mão, passava nas costas dele.

Eu olho mais fixo, e tinha lagrimas nos olhos de Matheus. Passei por trás deles, saindo do estoque sem fazer barulho algum.

Fui lento para entender que naquele momento ele sem querer estava se assumindo para sua mãe. Me lembro do quão importante isso foi para mim, e respeitei o momento deles.

Particularmente para mim, ele se demostrava bissexual, mas o que importava ali, naquele momento, era eles se curtirem, o abraço dela tem um peso emocional, e maternal, importantíssimo.

Voltei para a loja, os rapazes estavam esperando alguém assinar a papelada, eu me prontifiquei e então, eles puderam ir embora. Ao voltar olhando as coisas, meio que perdido, Giza aparece limpando lagrimas;

- Vem aqui filho. – Ela segura os óculos com uma das mãos e limpa os olhos com a outra.

Me aproximo e ela me abraça, muito forte, eu abro um sorriso agradecendo, e ela corresponde, mas sem dizer nada.

Ajudei Giza com umas coisas do caixa, e então guardamos tudo, o Matheus saiu minutos depois, ele ficou um tempo no banheiro, só assim, veio ajudar a fechar as coisas para irmos para casa.

Eu não falei com o Matheus nesse fim de semana, ele também pegou umas folgas, para um pedal que iria fazer com uma turma grande.

No domingo pela manhã, eu aproveitei a folga, para ir ao clube, pegar uma cor e refrescar um pouco a cabeça, afinal de contas, trabalhei muito nos últimos dias.

Por volta das quatro da tarde, estava nas quadras de areia, jogando vôlei com o Lucio e uns amigos dele, eu fazendo parceria com meu amigo no caso, rsrs.

No momento empatados, aproveitando o sol estar gostoso, e depois de relaxar nada melhor que um jogo assim.

Os meninos queriam ir comer algo, e terminamos por ali mesmo, mas fiquei com o Lucio, jogando sozinhos, e meio que conversando;

- (...) Fala com ela por mim amigo, se pagarem mesmo essa porcentagem por cada venda eu aceito na hora, não aguento mais minha chefe.

- Tudo bem, vou falar sim.

- Naquele dia, eu amei a coleção de cor pastel... Menino comprei até o que não podia, rsrs.

- Amigo, eu também viu, separei muita coisa para mim... Matheus tem bom gosto para a coisa viu.

- Ai, tem aquele Deus grego na loja, esqueci que vou trabalhar com ele.

- Idiota.

- Ah Pedro, não te conto. – Ele segura a bola quase gritando.

- Que foi Lucio? – Olho para trás assustado, pois o desespero dele.

- Lembra a Andressa? Aquela famosinha do Instagram aqui na cidade? A que já pegou de tudo.

- Sim, que tem ela?

- Eu amo o salão de beleza da mãe dela, e estavam falando de você a última vez que fui lá.

- Falando o que Lucio? Aquele lugar é um ninho de cobras. – Levo as mãos na cintura.

Ele aproxima com a bola por baixo dos braços;

- Amigo, entramos no assunto da inauguração da loja, que todos estavam com muita expectativa, essas coisas, falando da divulgação, e Andressa comentou do Matheus. – Lucio conversa tocando nas pessoas, e já deixo o braço próximo, para ele encostar a cada respiro. - Que queria comprar lá se ele vir de brinde, então a mãe dela fala para filha tirar o cavalinho da chuva, pois você chegou primeiro, e descreveu todo o barraco naquele bar que vocês foram, o Boulevard.

- Essa gente não tem mais o que fazer, passam o dia falando da vida dos outros, Dona Giza só vai naquele salão.

- Falando não né amigo, inventando, porque Matheus e você... – Lucio faz que não com a cabeça, me olhando.

- É... Inventando. – Digo meio que aéreo.

- Pedro!

- Oi? – Chacoalho rápido a cabeça olhando.

Lucio junta as sobrancelhas, e me olha no fundo dos olhos;

- Vocês por acaso tiveram algo mais? Depois das fotos?

- Não. – Falo me afastando.

- Pedro. – Lucio segura meu braço. Eu olho sem me segurar e meio que abro um sorriso. – AH! – Ele fala alto levanto a mão no peito. – Seu safado, você pegou o.... Amigo você pegou o Matheus Ferraz? – Sua mão sobe até a testa.

Sem uma palavra, mas sim a concordância com a cabeça. Lucio leva a outra mão passando no cabelo, deixando a bola cair no chão;

- Pedro... Aquele cara, já pegou todas as garotas dessa cidade, ele nem é visto como hétero, é galinha mesmo. – Lucio falava muito com as mãos, ele tem isso de gesticular bastante. - As mulheres sabem que se envolver, é ir para a cama, uma noite, e só.

- Aconteceu amigo.

- Não faz ideia de quanto já sonhei com aquele garoto... Meu Deus! – Ele revira os olhos. - Pedro, você pegou o.... Calma, pegou ou está pegando?

- Não sei amigo, está estranho sabe...

- Calma. – Ele segura meu pulso. – Alexandre pegou vocês? Vamos sentar, que vou cair duro nesse chão... É muita informação nos últimos segundos.

Sentamos nos bancos de cimento do canto da quadra, ele me olhando de olhos arregalados, assim absorvendo tudo;

- Não, mas nas fotos, rolou, e como pode ver.

- Sim. Então ele é bissexual?

- Acho que sim.

- Mas... Ele está ficando com alguma garota ultimamente? – Lucio já roía as unhas.

- Não, estava muito focado com a loja ne amigo. Ninguém de nós estávamos com tempo para nada.

- Pedro já pensou ele estar gostando de você? – Termina a frase com um sorriso e olhos brilhando.

Eu solto uma boa gargalhada;

- Não sonha Lucio.

- Não é sonho, cara o hétero pegador apaixonado pelo amigo gay.

- Muito clichê isso.

- Sim, mas qual problema?

- Matheus é o problema. Você mesmo disse, não é o tipo de cara que apaixona, e ainda mais por mim, olha para mim!

- Amigo, você é bonito, não mais que eu, rsrs. – Ele sorri sendo irônico. Eu dou-lhe um murro e Lucio conclui. – Estou falando sério, eu te pegaria fácil, fácil, mas passivo com passivo não dá.

- Não quero isso para mim sabe.

- Namorar Matheus?

- Sim.

- A gente não escolhe essas coisas amigo, acontece. Você seria o cara mais sortudo da cidade só para constar se isso acontecesse.... Com um boy daquele andando atrás de você.

- Falar assim amigo, as cosias parecem ser simples. Mas se um gostar do outro, significa que alguém está sofrendo, e eu estou cansado de dedicar meu tempo para pessoas vazias. Quando só você gosta, só você sofre.

- É Pedro, você está certo.

- Lucio, não pode contar isso para ninguém, por favor.

- Tudo bem, não vou contar.

Vou eu dizer isso, e atrás vira uma turma de garotos, o Lucio olha para trás e comenta;

- Será que estão vindo para jogar vôlei? – Ele olhando para trás.

- Não, jogar bola, já são quatro e meia, abriram o gramado. – Falo tocando em sua perna.

- Aí, seu amigo... – Ele me empurra. – Pedro olha aquilo. – Ele continua a me empurrar.

- Para menino, estão vendo. – Falo batendo em suas mãos.

Ele se referia ao Bruno, os meninos iam passando bem próximos de nós, para ir para a quadra, e todos olhando, o Lucio piscando para conhecidos, e eu vermelho.

Bruno estava de sunga box preta, colar de ouro e um chapéu de palha, não me perguntem o porquê. Ele se aproxima de nós, enquanto todos passam sem cumprimentar;

- Fala Pedro. – Ele me cumprimenta com um murro na mão. – E aí Lucio.

Bruno faz o mesmo.

- Oi, tudo bem?

- Sim, estavam jogando? – Ele aponta para a bola.

- Sim, quer jogar com a gente? – Lucio pergunta.

- Não, valeu. – Ele abre um sorriso lerdo. – Vamos jogar bola? – Bruno gesticula.

- Não sei jogar.

- É melhor mesmo, são meio pernas de pau, vai acabar se machucando. – Ele diz rindo.

Mas Bruno não é muito de papo com o Lucio, que “capita” tudo que diz;

- Machucar? Aí quero, depende como. – Ele se levanta.

Todos sorrimos, com sua brincadeira, e Bruno diz;

- Você joga que eu sei. – Ele me cutuca.

- Sim, mas obrigado, vou tomar uma ducha e ir para casa, trabalho amanhã. – Me levanto indo pegar a bola.

- Vem assistir o jogo ué, não vão fazer nada mesmo. – Ele diz.

- Vamos. – Lucio me puxa.

- OK, temos que pegar nossas coisas. – Falo com ele.

O Bruno vai na frente;

- Gente. – Lucio fala alto olhando a bunda do Bruno, que dá uma olhada para trás rindo.

- Para seu tarado. – Vou puxando o Lucio.

- Amigo viu aquela mala? Gente! Bem que poderia me arrumar ele né?

- Bruno não é bonito Lucio.

- E eu lá sou comercial de maquiagem para querer beleza? Aquela cara de muleque piranha, me deixa com um calor.

- Ai meu Deus!

Ficamos nos bancos atrás das grades vendo os meninos jogar, acho que tinha uns oito caras ali, tudo conhecidos, como sabem, por ser uma cidade pequena;

- Pego. Pego. Pego... Pego todos. – Lucio aponta. – Gente olha a bunda daquele de bermuda azul, meu Deus... Se o senhor fez coisa melhor que bunda de homem, guardou muito bem.

- Chocolate. – Falo rindo.

- Pensei que iria falar outra coisa. – Ele sorri. – Olha, isso é melhor que pornô. Homem soado, correndo, pegando nas partes, e bundas saltitantes. Nem vou falar das pernas.

- Para de ser tarado Lucio.

- Eles fazem o mesmo com as meninas, me deixa abusar um pouco.... Acho que ele está me olhando demais, vou investir. – Ele manda um beijo para o garoto.

- Gente que vergonha. – Coloco a mão no rosto.

Eu não vi, só escuto a comemoração de um gol, e então ao olhar, o Bruno passa perto gritando e apontando;

- Essa é para você Pedro. TE AMO.

Ele grita mandando beijo, eu fico rindo e gesticulando com a cabeça.

Então um dos garotos sofre uma falta, ele meio que torce pouco o pé, e tem que sair. Fica sentado ao lado de fora da quadra, se levanta, estava bem, mas não para voltar a jogar.

Eles ficam discutindo para quem iria sair, e já brigando, de longe o Bruno me olha;

- PEDRO, CHEGA AI. – Ele grita.

- Não acredito. – Falo descendo do banco e entrando no campo.

- Sabe jogar? – Vinicius me pergunta.

- Não.

- Sabe sim, ou ele entra, ou você sai irmão. – Bruno me defende.

- Vai no seu time então. – O garoto arrogante fala.

Sim, eu não sei jogar, mas faço o meu melhor. E mesmo não sendo meu esporte favorito, eu me sai bem. Não ganhamos, rsrs, mas também, não perdemos, rsrs, terminamos o jogo empatados.

Saímos conversando, e os meninos agradeceram, já marcando o próximo jogo, mal sabia eles que eu só confirmei mesmo, mas nunca amis, é muita vergonha alheia, eu em quadra, rsrs.

No estacionamento, o Bruno diz ao lado do carro do Lucio;

- Ei eu levo você mano, é mais fácil, Lucio, ainda está morando no Bandeirantes? – Ele pergunta colocando as coisas no bando de trás.

- Sim.

- Pois então, é uma volta do caralho, entra aí, te levo. – Bruno entra em seu carro.

- Tudo bem amigo? – Pergunto.

- Sim, sem problemas.... Ei me liga mais tarde ok viado.

- Tudo bem.

Pego minha mochila, e entro colocando a toalha para sentar no carro do Bruno. Conversando sobre algumas coisas, e ele comenta;

- Seu amigo é bem para frente né?

- Sim, Lucio sim.

Bruno somente sorri, e eu falo;

- Ele gostou de você.

- De mim? – Bruno me olha, parando no semáforo. – Ah todos gostam.

- Aff. – Viro os olhos.

- Você também mano, é caidinho pelo papai aqui. – Bruno passa mão no meu cabelo.

- Sai fora.... Falei que iria arrumar você para ele. – Falo arrumando meu cabelo.

- Não estou de boa, ele não faz meu tipo. – Bruno fala passando a mão no “projeto” de bigode que possui.

- Já prometi, agora vai ter que ficar.

- Você prometeu, fica você, rsrs...

- Não faz meu tipo também, rsrs.

- Ei, aproveitar, queria te perguntar.... Você que está ficando mais com o Matheus...

- Ficando como assim? – Chego a esfriar a coluna ao ouvir isso, rsrs.

- Ficar ue, vocês trabalham juntos.

- Ata.

- Está tudo bem com ele?

- Sim, porque?

- Não saímos mais sabe. O cara está diferente, tudo bem que houve o lançamento da loja, eu entendo, pois vocês se dedicaram muito. – Ele iria falando enquanto dirigia, gesticulando, trocando marcha. - Mas Pedro, uma amiga da Debora falou com ele no Instagram, conversando e ele dispensou a “mina”. Mano ela mandou nudes para ele, e o Matheus não pegou. Está ouvindo, o Matheus. – Ele frisava com movimento das mãos.

- Não estou entendo onde quer chegar Bruno?

- Ele está namorando?

- Não, pois isso ele diria a você.

- Exatamente, não sei mais nada do meu melhor amigo.

- Não sei dizer Bruno, se ele não conversa com você, quem dirá comigo.

- Sinto ele se afastar... Como se tivesse outro Matheus. Conheço ele a muito tempo, e nunca vi desse jeito.

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