• @rgpatrickoficial

Louco Desejo - Capitulo 13

#Pedro

- Eu disse que não Matheus. – Empurro ele.

Piscando e meio perdido, ele fica me olhando;

- Eu te machuquei? – Ele desce o olhar.

- Sim, muito... Mas não fisicamente. – Falo abrindo a maçaneta da porta.

Ao lado de fora percebo ele chutando algo.

Poderia sim, lá no fundo sentir algo por ele, não vejo problema em ter algum tipo de sentimento por ele. Mas havia um empecilho. Matheus. É um cara difícil e quando coloca algo na cabeça não tira, abusivo e impaciente, não estou afim de mais uma dor de cabeça.

Peguei as coisas de dona Giza e fui para casa, eram fotos, anotações e várias coisas que ela precisaria na viagem.

Estava no meu quarto, sentado na cama, com aquelas coisas espalhadas. Minha mãe entra, fica entre a porta, olhando;

- Ei, como está?

- Bem.

- Trabalhando até tarde de novo?

- Sim, enviando umas coisas para ela...

- Estou quase terminando o jantar.

- Tudo bem... – Ela puxa a porta, e antes de fechar eu a chamo. – Mãe.

- Diga. – Ela empurra a porta.

Olhando para baixo, e ainda formulando a pergunta;

- Até que ponto a senhora acha que devemos dar uma chance para uma pessoa?

- Segunda chance?

- Não estou falando do Alexandre.

Ela sobe as sobrancelhas surpresa, e pensa rápido;

- Dê uma chance para a pessoa até onde seu sentimento por ela for... Todos temos que ter uma oportunidade de errar Filho, eu, você... Mas se isso ficar se repetindo, você deve analisar, vale a pena dar chance para alguém que não muda?

- Não.

- Não me responda. Pense, vai doar o que tem mais de precioso, seu tempo para alguém que não muda!

- A senhora está certa.

- Olha, deixe essa pessoa te mostrar, provar o seu valor, entende?

- Sim.

- Mais alguma pergunta?

- Rsrs, não, obrigado.

- Culpa sua acho que queimei o arroz....

Sim, queimou, rsrs, o jantar foi com o arroz com gostinho de carvão, rsrs.

Minha mãe, trabalha em casa de família, então ela fica pouco em casa, o que me deixa em falta dessas conversas, destes concelhos.

Dormi com esse mantra na cabeça, e assim acordei, decidido em viver para mim, sou eu, e pronto.

Me arrumei para o trabalho, pois pelo menos isso, trabalhava sozinho até a hora do almoço.

Minha mãe ia ao centro da cidade e eu peguei uma carona, e já aquelas horas, falando com a Giza, que já estava batendo perna lá;

- (...) Giza é sim uma mãe para você Pedro, mas acho as vezes que exagera no tanto que exige desse seu cargo. – Ela comenta enquanto dirige.

Eu deixo o celular olhando para fora;

- Mãe, pelo menos eu ganho para isso, ela abriu mão das comissões e me passaram todas, te falei.

- Eu sei Pedro, nessa cidade ganhar o que você ganha é difícil, mas tem o outro garoto né, o Matheus. Não disse que ele iria sair da agencia?

- Foi o que disse.

- Ele vai para a barra da saia da mãe Pedro.

- Matheus não faz nem o dobro do que eu faço mãe, eu estou tranquilo, e a senhora também pode ficar.

Ela me deixou a duas quadras do trabalho, e eu fui andando pela avenida, com algumas sacolas nas mãos, e seguindo normalmente.

Abri a porta da loja, entrei, e coloquei as sacolas no chão para desativar os alarmes. Depois de digitar os códigos, vou abaixar e vejo Matheus parado frente a porta.

Acreditem isso não me chamou a atenção de nada, e sim Bruno parado no semáforo com o Alexandre no banco do carona.

Eu olhei aquilo com sangue nos olhos. Matheus percebeu, e olha para trás, e nesse momento o semáforo ficou verde, antes de acelerar ambos olharam, e viram que percebemos eles estarem juntos.

E minha promessa de estar “Forte” e focado em mim, foi por agua abaixo. Entrei tentando entender aquela merda que tinha visto;

- Você viu o mesmo que eu? – Ele entra.

- Sim, que seu amigo está aprontando? – Ligo o computador do caixa.

- Meu? Bruno não tem nem conversado comigo.

Fechei os olhos respirando fundo, tipo bem fundo. Escuto ele deixar as coisas, Matheus vai aos fundos, conferir as coisas, e abrimos de vez a loja, colocando umas coisas ao lado de fora, conferindo caixa, essas coisas.

Eu arrumando umas roupas bem ao lado dele, era um mostruário, ele dentro do caixa, disse estar respondendo uns e-mails;

- Pedro.

- Oi. – Eu olho.

- Sobre ontem, queria pedir desculpas mano. – Ele diz com o peito no balão, me olhando por estar em baixo.

- Relaxa Matheus, está tudo bem. – Falo na maior tranquilidade a ele.

Uma pausa, pela minha resposta e diz;

- Eu disse do beijo.

- Eu sei, essas coisas acontecem quando estamos gostando de alguém. Deve ser sentimento reprimido.

Ele ficou exatamente aquele MEME da “Nazaré Tedesco”;

- Da parte de quem? – Matheus questiona.

- Da sua é claro. Oxi.

Ele chegou a sair de dentro do caixa, com uma baita pulga atrás da orelha, mas nesse momento entrou umas garotas na loja, e nos fizeram de gato e sapato, descemos estoque, tira roupa de manequim, olha que venda, pelo menos isso!

Começo de mês, sabendo o quanto iriamos trabalhar, dia sem almoço e nada, sem tempo para ir ao banheiro tranquilo. Mas também, recorde nosso de vendas do ano até então.

A tarde fechando o caixa, a Dona Giza liga;

- Pedro deixa o Matheus fechando esse caixa, e confere a lista comigo por favor filho.... Na minha idade a única coisa que eu faço certa é esquecer, rsrs.

- Tudo bem Dona Giza, um momento. – Seguro o celular. – Matheus continua aqui para mim. Dona Giza vou pegar o caderno na mochila, um momento.

#Matheus


Nem queria olhar no celular, pois o grupo do Pedal estava a todo vapor, e eu fiquei só na vontade.

Minha mãe fazendo a conferencia antes de voltar, eu peguei a grana do caixa e levei para o cofre, o Pedro ficou no canto no chão, sentado conversando com ela.

Tranquei a porta da loja e fiquei esperando ele, que mandou por inúmeras vezes eu ir para casa.

A conversa deles demorou por mais alguns minutos, eu fiquei ao lado, no celular, respondendo algumas mensagens até que terminarem;

- Agora sim.... Te falei que poderia ir eu fechava. – Ele se levanta.

- Estou querendo ir beber uma cerveja no “Boulevard”, vamos?

Ele me olha estranho;

- Porque isso?

- Porque vendemos o quadruplo de um dia normal e merecemos, eu pago a primeira.

- Tudo bem.

Agora sim, fechamos a loja e peguei o carro, o tal “Boulevard” é um dos bares mais movimentados da cidade, e como não é dos mais baratos, qualquer um não tinha acesso, se é que me entendem.

Confesso ter sido algo diferente, sair com ele para beber. Depois que nos sentamos, e servimos, começamos a falar do trabalho, que é o que mais temos em comum.

Duas cervejas e ele já estava meio feliz, rsrs. Dia corrido, pedimos uma pizza para comer, e sim, cada um comeu quatro pedaços, e ela meio que passou o efeito que ele estava;

- (...) É fácil Matheus, ao invés de falar ao cliente, que é gordo, diz que a forma da roupa é pequena, rsrs. Entendeu?

- Haha’ boa mano, é uma ótima forma de não dizer isso... Mas aquela garota não ficou chateada, eu falei, mesmo assim ela levou.

- Seus olhos claros vendem roupa Matheus, você não viveria como vendedor. – Ele diz servindo mais cerveja.

Eu abaixo aproximando da mesa e digo;

- Que meus olhos claros conseguem mais? Só para eu ter uma ideia?

Ele sorri, e eu correspondo, olhando fixo em seus olhos;

- Aqui nada mais, acho que já passou sua chance. – Ele gesticula se referindo a si próprio.

Eu afasto, me encosto na cadeira, olhando de olhos cerrados para Pedro e digo;

- Que foi com você?

- Nada Matheus, só que não preciso de pau amigo.

- Pau amigo?

- Sim, é como eu vejo você.

- Haha’ está me tirando né Pedro.

- Não, porque estaria.

- Ah vejo que o casal já está se assumindo. – Escuto a voz de Alexandre atrás de mim.

Porra com álcool na mente, eu só olhei, o Pedro já mudou totalmente;

- Não, até porque o Matheus é meu amigo e eu confio nele, mas até que poderia. – Pedro encara ele.

Alexandre chega ao lado da mesa, ficando bem próximo;

- Vocês não dão certo, nem formam um casal bonito. – Ele tenta desdenhar da gente.

- E você e o Bruno sim? – Falo encarando ele.

- Eu e quem? Ficou maluco cara?

- Não, eu vi Alexandre, não fiquei louco não.

- Viu errado então... Pedro posso falar com você? – Ele curva um pouco para dizer.

- Não, não temos o que conversar Alexandre.

- Pedro é rápido. – Ele segura na parte de trás do cotovelo de Pedro.

Eu me levanto encarando ele;

- Solta o cara.

- Fica na sua Matheus.

- Alexandre me solta, eu não tenho nada para falar com você.

- Que está fazendo aqui com esse cara? É para me provocar? – Ele questiona Pedro.

- Não devo satisfação da minha vida para você, ele é meu amigo, e me SOLTA. – Pedro fala alto, fazendo um movimento com o braço, que faz derrubar um dos copos de vidro no chão.

O barulho e o segurança já olhou de longe. Alexandre é muito maior que eu, então só coloquei a mão no seu peito, ameaçando ele;

- Mano sai fora. – Falo forçando ele se afastar.

- Tira a mão de mim moleque, se liga. – Ele me empurra.

Eu até quis me aproximar, mas os seguranças do local já chegaram enquadrando ele, para colocar para fora;

- Pedro, eu só quero falar com você... PEDRO. Esse cara não te merece, olha para ele. – Ele falava sendo meio que escoltado. Alexandre olhava para trás gesticulando e os seguranças conduzindo ele. – Podem, podem olhar, estão vendo aquele cara? Matheus Feraz, é mais um gay encubado dessa cidade. Seu talarico do caralho.

Ele gritava e apontada o dedo para nós, claro se referindo a mim.

50 visualizações
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia