• @rgpatrickoficial

Louco Desejo - Capitulo 12

As coisas estavam diferentes, comigo, eu estava. Eu preocupado demais, pensativo demais, sobre mim, sobre Pedro, sobre as “coisas”.

Algumas semanas se passaram, mas não estava normal, nada estava normal! Eu sendo tratado com indiferença pelo Pedro, era “Bom Dia”, “Boa Tarde” e “Boa Noite”, o essencial, isso quando minha mãe estava, quando não estava, era um silencio da porra.

E então veio a próxima viagem para reposição de mercadorias. Minha mãe, preparou as coisas, e a levei no aeroporto na madrugada de quinta-feira.

Isso na capital do estado, que era cerca de duzentos quilômetros de nossa cidade. Para ela pegar o voo eu fui de madrugada, por volta das quatro da madrugada, depois que ela embarcou, eu tomei um café da manhã pela cidade mesmo, e só depois voltei para casa.

Cheguei por volta de nove da manhã, iria deixa o carro na loja, e ir para agencia.

Peguei minha mochila, a loja já aberta, e quando entro o Lucio está ao lado do balcão conversando com o Pedro, vou entrando, e ele cumprimenta;

- Bom dia Matheus. – Ele me olha.

- Bom dia.

Eu já respondo olhando para o Pedro. Estava diferente. Vou aos fundos, mas fico tentando ouvir a conversa deles, porém nada.

Volto com o Lucio saindo pela porta;

- Vou na agencia, mas estou aqui até a hora do seu almoço. – Falo pegando a mochila da academia debaixo do balcão.

Pedro soa o nariz, e percebo que ele havia chorado;

- Ok.

- Que aconteceu? – Confronto ele.

- Nada. – Ele limpa os olhos.

- Está chorando porque? Promoção nova?

- Alexandre terminou comigo. – Ele senta no banco atrás.

Fiquei uns segundos em silencio, meio que sem saber o que dizer;

- Tu supera essa mano. – Coloco a mão em seu ombro.

Ele passa o braço retirando, e se levanta dizendo;

- Matheus, pode até não parecer, mas não era só sexo, existia sentimentos... – Ele fala muito sério comigo.

- Só tentei ajudar Pedro.

- Você ajudou, e muito. Eu não sei quem, mas Alexandre jogou na minha cara que eu estou apaixonado por você Matheus. Ele tinha tanta convicção no que dizia.

- O que?

- Se você não falou nada Matheus alguém falou.

Puta que pariu!

- Seu namorado está louco, só pode, o cara está viajando.

- Pode só me deixar sozinho, por favor?

Deixo as chaves do carro no balcão e saio. Confio tanto, mas tanto em Bruno que de forma alguma passou pela minha cabeça algum tipo de confrontamento da minha parte por ele.

Cheguei na agencia, e hoje seria o dia, já estava até vendo.

Na frente um banner gigantesco, com minha foto, e mais duas garotas, divulgando o evento anual da agencia. Isso sem eu ter assinado o contrato e nada.

Entrei e fui direto na sala da Rosangela, e havia um monte de gente, conversando e uma bagunça la dentro, Alexandre era um dos que lá estava;

- Finalmente chegou... – Ela grita me olhando toda feliz. – Eu quero te contar uma coisa Matheus, tive uma super ideia. Vamos fazer uma festa beneficente, tipo um leilão, você e a Clarisse serão os apresentadores(...).

Ela falou e falou, e mostrou projetos, e fotos, e isso e aquilo. Eu parado ouvindo, quieto na minha. E Alexandre sem olhar na minha cara, todo sério.

As pessoas foram saindo da sala, e saindo até ficar eu, Rosangela e Alexandre;

- Meninos um momento, já discutimos a divulgação. ALÔ. – Ela pega o celular.

Se levanta e afasta um pouco, eu apoiado em uma das cadeiras, pergunto;

- Tudo bem?

- Sim. – Ele sobe o olhar até mim.

- Que bom, porque o Pedro não está.

Ele já me encara;

- Talvez você possa consolar ele não?

- Mano não temos nada, o cara gosta de você, e fica aí dando ideia errada.

- Errada? – Ele fala alto. – Eu saquei qual é a de vocês Matheus. Fui idiota demais cara, deveria ter me ligado naquele dia que tu aceitou fazer as fotos pois Pedro é seu amigo. – Ele gesticulava.

- Só falei isso pois o cara se importa, ele está mal, acima de tudo primeiro ele é meu amigo, mas se tu pensa assim. Foda-se.

- Já vejo que estão discutindo das fotos. – Ela volta toda iludida.

- Sim, eu não irei fazer as fotos, não irei fazer mais campanha. Rosangela não irei renovar o contrato com a agencia.

- Como não? – Ela bate as mãos na mesa.

- Só não irei.... Vou nessa que o clima aqui está meio pesado. – Falo olhando para Alexandre.

- Que você falou para ele? – Ela o questiona.

Sai da agencia meio que leve, como se, “literalmente” retirei um peso das costas.

Foi pisar na calçada o Bruno estaciona o carro, ele não me vê, mas fico ali, próximo a ele, parado.

Ele desliga a chave e fica no celular concentrado;

- Que está fazendo aqui? – Falo para ele.

Bruno olha quase morrendo de susto, seu celular chega a cair no chão;

- Puta merda mano.

Chego no carro;

- Que faz aqui?

- Nada, vou no banco ué, porque? – Ele solta o cinto.

Procura a carteira saindo, eu olho para trás o Alexandre falando ao telefone. HUM;

- Bom te ver, preciso trocar ideia contigo. – Chego nele.

- Pode falar.

- Não vai no banco? – Aponto para a esquina.

- Sim, é mesmo.

Seguimos pela rua, ele entrou foi no caixa eletrônico, e depois que saímos, paramos em uma banca de jornal, para falar mais de boa;

- Diz ai que foi?

- Pedi demissão da agencia cara.

- O QUE? – Ele praticamente grita.

- Pois é.

- Ficou maluco Matheus, sua mãe te mata cara.

- Já falei com ela.

- Porque parece que não é isso que está te incomodando?

- É exatamente isso, você me conhece, e eu te conheço mano, preciso perguntar algo.

- Fala ai.

- Alexandre e Pedro terminaram né, então...

- É eu sei. – Ele fala naturalmente.

- Oi?

- As notícias correm Matheus.

- Em trinta minutos correram bem rápido ne..

- Vai falar ou ficar de perguntinhas mano. – Ele cruza os braços.

- Bruno você falou o que te contei para alguém?

- De você e o Pedro?

- Sim.

- Não mano.

- Porra, Alexandre foi jogar na cara dele que terminaram por isso, ele está desconfiado.

- E porque se preocupa tanto?

- Né! Porque? – Eu fico meio pensativo.

- E Debora? Te bloqueou mesmo?

- Sim, ou queria namorar ou fora...

- Mano, tu está precisando ficar com alguém, deve estar na seca, por isso com essas paranoias na cabeça. – Ele aperta meu ombro, se virando para sair.

- Acho que não é tesão não. – Vou seguindo.

- É o que então?

- Deixa quieto, esquece.

- Ei vou nessa... Tu vai para a loja né?

- Sim. – Respondo olhando o “nada”.

- Beleza, tem pedal hoje, se você confirmar, me fala que estou precisando.

- Falou.

Vou para a loja, e Pedro sai sem nem me olhar. Eu iria ficar para ele almoçar, mas próximo sua “volta” do almoço eu digo para ele passar o dia de folga.

Trabalhar na loja me deixava de cabeça ocupada, com coisas para fazer, o que não me permitia fazer alguma “merda”.

Aproveitei fechei tarde, fui embora por volta de sete e meia da noite.

Quando cheguei a primeira coisa a fazer, foi tirar a calça, sapatos, e camisa, peguei minha toalha para tomar um banho. No caminho passo na cozinha, pego uma agua, e escuto a chaves na porta, ela se abre e era o Pedro;

- Pensei que estava no pedal. – Ele me olha de cima para baixo.

- Fiquei até tarde na loja hoje. – Viro encostando na pia.

Ele estava de óculos de grau, mesmo assim era possível ver seus olhos vermelhos;

- Vim pegar umas coisas para sua mãe, ela fez as listas e deixou no quarto dela. – Ele segue.

Vou no corredor, olhando ele dentro do quarto da minha mãe. Pedro volta, apaga a luz;

- Que foi? – Ele chega a olhar para trás.

- Andou chorando de novo?

- Me deixa tá. – Ele passa com aquele tanto de coisa nos braços.

Eu seguro seu braço, mas ele desvia e se solta;

- Não começa Matheus, na boa, estou com a cabeça cheia. – Ele levanta uma das mãos.

- Você não merece aquele cara...

- Quem é você para dizer isso? – Ele gesticula com a cabeça.

- Ninguém Pedro. Mas eu te conheço, você merece coisa melhor. Ele é um pau no cu.

- Posso ir agora? – Ele fala olhando em meus olhos.

Pego minha toalha, para ir ao banho e ele se vira.

Que eu estava fazendo da minha vida!

Ele foi levar a mão na maçaneta da porta, e eu puxo Pedro, virando seu corpo, ele me olhou assustado. O movimento foi rápido, mas aproximei devagar.

Eu coloquei ele contra a porta;

- Matheus para, eu não quero. – Ele diz baixo.

- Eu também não. - Respondo sentindo seu cheiro e olhando seu pescoço.

Afasto meu rosto, olhando dentro de seus olhos.

Mano por mais que isso não era correto, eu não me importava.

Não sei responder quanto tempo segurei ele daquele jeito, contra porta, olhando dentro do seu olho, sentindo sua respiração.

Levei a mão em seu rosto, passando na bochecha o lado de cima do dedo indicador, acariciando seus lábios, e tiro seus óculos.

Contra a vontade de Pedro, e confesso que parte da minha, eu o beijo. Para vocês terem ideia, eu senti em seus lábios o sabor salgado de lagrimas de choro.

Era como um sentimento de proteção em mistura com tesão e não sei dizer mais o que.

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